24 outubro, 2009

O Governo menor

Extraído de um excelente artigo da autoria de António Barreto no jornal Público de hoje, reproduzo o seguinte último parágrafo:
«Os partidos políticos, como nunca desde 1974, estão a milhas da gravidade dos problemas nacionais. Eventualmente, nem sequer os percebem. Não partilham com os cidadãos as suas inquietações, se as têm. Preferem esta estratégia de terra queimada e de campos devastados, na esperança de que os cemitérios sejam férteis. Dispostos a exigir todos os sacrifícios da população, são incapazes de fazer os seus, de renunciar ao seu orgulho ou de moderar o seu apetite predador. Anunciam-se maus tempos para este pobre país».

É claro que, sendo um ex-governante a escrever este tipo de coisas sobre uma classe a que já pertenceu, deve-lhe ser dado o benefício da "inexperiência democrática" e das próprias dificuldades económico-financeiras da época [Portugal não estava ainda integrado na CEE nem recebía os famosos fundos de coesão] . António Barreto, desempenhou no 1º Governo Constitucional de 1976 a 1978, entre outras funções, o cargo de Ministro da Agricultura e Pescas.
Conquanto isto não possa servir de desculpa para as asneiras que desde então começaram a germinar, naquela altura só tinham decorrido pouco mais de 2 anos da Revolução dos Cravos...


PS-For falar em sacrifícios e apetite devorador, preparem-se para ouvir falar mal do Barak Obama. É que ele decidiu reduzir a 50% os ordenados dos Directores Executivos das Instituições Financeiras americanas. Um acto de coragem deste jaez, vai passar a ser, num ápice, sinónimo de demagogia. Não vão precisar de esperar muito. Estejam atentos aos comentários das nossas elites da m...

23 outubro, 2009

O Plano

Quando Cavaco Silva era primeiro-ministro, enunciou o princípio que desde então tem sido posto em execução e que, progressivamente como uma doença incurável, tem minado a saúde social e económica do país, ameaçando remetê-lo a um estado terminal. O princípio dizia que Portugal tem uma pequena população e recursos financeiros muito limitados, pelo que seria ilusório ter a pretensão de possuir vários centros de desenvolvimento. Assim sendo, o modelo económico consistiria em concentrar os recursos materiais e humanos unicamente na zona da capital, deixando definhar o resto do país, e fazendo apenas atenção (digo eu) a que não se repetisse a história do escocês sovina cujo cavalo, o qual não alimentava, "morresse quando já estava a habituar-se a não comer". Acrescia ainda, para os mentores desta filosofia do desenvolvimento apenas em Lisboa, que assim se criaria um centro (cultural, financeiro, industrial e político) que serviria de contra-ponto a Madrid e a Barcelona, opondo-se deste modo a uma subjugação económica e política por parte de Espanha. Este último desiderato, vê-se claramente que não resultou. O domínio espanhol é imparável em todos os campos. O último exemplo é a proposta de campeonato do mundo de futebol em 2018, que mais não é do que um campeonato realizado em Espanha com uma limitada extensão territorial a Portugal. Haverá um único centro de decisão. Advinham onde será?

Mas se este aspecto da teoria centralista não funcionou, o outro, o da "secagem" do país, corre às mil maravilhas. Olhando com atenção para trás verifica-se que há um plano minuciosamente elaborado e rigorosamente cumprido no sentido de o fazer resultar. Certas perguntas que se fazem ("isto é assim porquê?") tem uma explicação lógica e coerente à luz da implementação do princípio centralista. Tomemos alguns exemplos.

Partidos regionais - foram proibidos pela Constituição de 75, alegadamente para evitar uma pulverização de partidos políticos que poderia ser prejudicial naquela fase da jovem democracia. Este perigo desapareceu, mas a proibição mantém-se.

Círculos eleitorais - permitem a existência dos deputados paraquedistas, uma maneira de distribuir benesses e manter os beneficiados "na mão". Por isso, aos círculos uninominais que tornariam este tipo de corrupção menos viável, foram apontados "defeitos" que na prática inviabilizaram a sua adopção.

Deputados "nacionais" - a Constituição determina que, ao entrar na Assembleia da República, os deputados perdem a sua matriz regional (distrital) e passam a ser "nacionais", desde logo ficando condicionados no grau de liberdade inerente às suas intervenções e decisões, evitando-se assim questões ligadas à defesa do interesse das suas regiões.

Criação de regiões administrativas - impensável na lógica centralista, por corresponder a um movimento centrífugo do poder. A Constituição de 75 tinha um grave "erro" que era necessário emendar. Com efeito as Regiões eram estabelecidas praticamente sem qualquer formalidade, apenas porque a Constituição determinava a sua existência. Por isso, em posterior revisão, foi introduzida a obrigação de serem referendadas, com a dupla salvaguarda de que:

a - o resultado dos referendo só são vinculativos se tiverem votado mais de 50% dos inscritos.

b - a implementação das Regiões tem de ser efectuada simultaneamente, o que na prática significa que se houver uma única Região que vote NÃO, inviabiliza os votos SIM das restantes Regiões. Por isso digo que, no actual contexto, a regionalização está em coma profundo com pequeníssima probabilidade de sobrevivência.

Estas são apenas algumas medidas adoptadas, mas não são as únicas, longe disso. Não é por acaso que a OPA da Sonae sobre a PT foi inviabilizada que esta mesma Sonae tenha sido arredada de ficar na indústria de celulose, que o Banco Português do Atlântico tenha sido levado "à má fila" do Porto para Lisboa ( para subsequente desaparição ) que o mesmo tenha acontecido com o INE, com a API, até com a mais que centenária AEP, com as delegações regionais das grandes empresas majestáticas, com a localização na região de Lisboa de tudo o que seja novo organismo, nacional ou internacional. Assim se concretiza o plano de engordar Lisboa à custa do esvaziamento do resto do país, sobretudo o seu interior.

E como reage o país a este saque organizado, especialmente como reage o populoso e ainda económicamente relevante Norte (graças sobretudo às PME's) e dentro deste, o seu hard core que é o Porto e a sua área envolvente? Pelo que se tem visto, reage com a passividade do gado a caminho do matadouro! A combatividade, o orgulho, até a rebeldia, perderam-se. Os sociólogos que expliquem porquê, mas mais importante do que explicar a razão do nosso abastardamento, seria a descobrir o remédio para que os nortenhos compreendessesm que, por omissão, estão a contribuir para a sua própria destruição, e que simultaneamente esse remédio lhes desse a clarividência para descobrir o caminho da redenção e a coragem para accionar as medidas necessárias, já que tudo leva a crer que as reformas não terão nunca origem no interior do próprio sistema. Dependemos de nós próprios. Isso será bom ou será mau?

A cantiga é[ra] uma arma/José Mário Branco



Canções como estas, conhecidas como "de intervenção", "eram armas de pontaria", mas parece só terem feito sentido quando a grande maioria dos seus autores defendiam ideais comunistas.

E agora? Não faria sentido que no Porto [José Mário Branco é natural do Porto], as novas gerações de estudantes desempregados fomentassem este modo de luta pela autonomia regional? Onde estão elas? A ouvir o Tony Carreira, ou a masturbar-se com as "goleadas" do Benfica?

O povo é sereno

Optimismo, positivismo, confiança, sentido de humor, são tudo adjectivações bem intencionadas muito exploradas actualmente nos meios de comunicação social que, na maior parte das vezes nos é servido sem se ter em conta o mais importante, que é o carácter e o factor sócio-económico do indivíduo.
Especialistas no assunto como psicólogos, psiquiatras e sociólogos, pecam frequentemente por associar o pessimismo de certos indivíduos a questões de índole temperamental ou genética. Estabelecem comparações entre optimistas e pessimistas com as diferentes posturas perante os problemas sem considerar o carácter específico de cada um. O temperamento, não espelha o carácter do indivíduo, e enganam amiúde as análises por aparente contradição. Não é incomum termos conhecimento de crimes hediondos cometidos por homens simples e muito calmos, e actos altamente altruístas praticados por pessoas com aparente mau feitio e nervosas.
Assim, é importante não levar demasiado à letra os depoimentos de alguns desses experts, porque tal como José Saramago nos vem dando respeitáveis testemunhos, nem sempre o que é convencional corresponde a verdades incontestáveis. Cristianismo, budismo, e outras crenças, são religiões sustentadas pela mesma fé, mas em ícones diferentes. Nada mais há de substancial a distinguí-los. É por todas estas "confusões" que, por precaução intelectual, resisto sem dificuldade à popularice unanimista de qualquer fenómeno mediático.
Hoje, anda meio mundo paranóico com o sentido de humor dos Gatos Fedorentos. Eles até têm algum talento, reconheça-se, mas a comunicação social faz o resto. E não é pouco. Abre-lhes as portas de par em par, seguros do público-alvo que pretendem atingir [o grupo é constituído por 3 "bons chefes de família" benfiquistas e 1 sportinguista]. Depois, é a bandalhice travestida de humor e, the show must go on! É este tipo de visibilidade que as figuras públicas mais apreciam, como aliás reconheceu [distraído] o próprio Marcelo Rebêlo de Sousa fugindo-lhe a boca para a verdade ao confessar que estar ali [no programa], era já uma manifestação de poder, e que era por isso que eles [referindo-se aos "da sua" classe política], gostam tanto de cá vir...
E teremos nós dúvidas? Basta ver o esforço que todos fazem por parecerem pessoas bem humoradas [cá está o tal optimismo], risonhas, normais enfim! Enquanto isso, o povão vai sendo dopado sem ter disso consciência, esquecendo quão longo é um mês para salários tão curtos, e até se convencendo que aquilo que lhe é dado ver através das tv's faz parte da Democracia. Dixotes de soberba e arrogância, alusivas ao «glorioso» raramente são dispensados, como que a tentar convencer o Portugal profundo que falar do Benfica é uma espécie de Padre Nosso abençoado e angustiantemente desejado.
O «povo» fica feliz, os políticos agradecem. Chegados a suas casas, deitam-se e dormem com a certeza de que o futuro é promissor. Os obstáculos que os esperam serão facilmente transponíveis...
Como diria o falecido almirante Pinheiro de Azevedo profetizando o que viria a constatar-se 26 anos após a sua morte: o povo é sereno! Sereno demais, até. Sobretudo a Norte.

22 outubro, 2009

A Regionalização, ou como eu prefiro chamar: A Autonomização

De: Augusto Bastos R.

«Nós portuenses, como bons dominadores da língua, que somos, proferimos com propriedade e absoluta convicção "o Porto é uma naçom" - de facto assim é. As novas regiões deverão ser as nações que existem dentro desta fronteira política e não é com decisões centralizadas em Lisboa, sobre o desenho desse mapa, que vamos agradar a todos. Em vez de discutir a porcaria do mapa porque não se discutem os modelos de governação, a repercussão que isso terá na organização e administração do território, na relação do poder político com os cidadãos e vice-versa, na manutenção e criação de identidade e cultura, costumes e tradições, e toda a lenga-lenga do prometido desenvolvimento regional equitativo, justo, e por aí fora...?


Temo, se o caminho não for este, brevemente Portugal poderá começar a ver as suas nações seguirem o caminho das nações espanholas em matéria de reivindicações; eu próprio digo: se não vier autonomia, venha a independência! Especialmente numa conjuntura em que parece que "Lisboa" e os "seus" governantes autistas fazem questão em desprezar e hostilizar o resto do país, oprimindo-o de uma forma tão, ou mais, dramática como durante o Estado Novo, e apesar de nesta intervenção não querer centrar a discussão no Porto, ao que parece, a nossa inata claustrofobia felídea, torna-nos os únicos capazes de insurreição face à apatia generalizada. A Autonomização é uma questão étnica e do reencontro da identidade, numa época já longa de globalização e de aculturação. Os países do século XXI são os países culturais, os únicos que verdadeiramente e sempre existiram. Acredito que o séc. XXI será o século de afirmação da pós-humanidade, o momento da história em que as pessoas voltam a ser humanas, outra vez»

ler aqui

21 outubro, 2009

Pare, Escute, Olhe





 









Documentário de Jorge Pelicano sobre a defesa da Linha do Tua

Clique aqui para ver o trailer

Site: http://www.pareescuteolhe.com/

Fernando Tavares demitiu-se da direcção do Porto Canal

O director de Informação do Porto Canal, Fernando Tavares, demitiu-se segunda-feira do cargo que detinha desde o início das emissões do canal, há três anos, confirmou esta terça-feira à agência Lusa o próprio.

"Demiti-me mas, para já, não quero adiantar as razões", acrescentou Fernando Tavares.
O jornalista, que era responsável pela informação do Porto Canal desde a sua fundação, esteve anteriormente ligado ao processo de formação da NTV e foi, durante 11 anos, jornalista da TSF.
Fernando Tavares trabalhou ainda para a RTPN e foi um dos criadores do programa desportivo da RTP "A Liga dos Últimos".
Em Setembro, o director-geral do Porto Canal, Bruno Carvalho, cessou funções e assumiu a direcção de Conteúdos e Grandes Formatos da Media Luso.
Bruno Carvalho foi substituído pelo realizador Juan Figueroa, que já integrava a estrutura do projecto.
A Media Luso, uma participada do grupo espanhol Media Pro, é accionista maioritária do Porto Canal.
O Porto Canal iniciou as suas emissões a 29 de Setembro de 2006, apresentando uma grelha com 24 horas diárias de transmissão televisiva.
[Fonte JN]
OBS.-Vamos lá ver se esta notícia é apenas a sequência de um desajuste salarial, ou se o prefácio de mais uma golpada centralista. Estejamos atentos.

20 outubro, 2009

Bravo, M.S.T. !

Fernando Guerra, um dos escribas de serviço na BOLA para lançar calúnias e insultos sobre o FCPorto e o seu presidente, pariu um texto inqualificável na 3ª feira da semana passada, em que mais uma vez dá largas ao seu ódio e ao seu baixo caracter. Fiz em relação a esse artigo aquilo que se recomenda fazer com os vómitos envenenados: ver de longe, rapidamente e com o nariz tapado.

Na edição de hoje, tive o gosto de ver que a crónica semanal de Miguel de Sousa Tavares é inteiramente dedicada a rebater o monte de aleivosias que F.Guerra tinha escrito. É MST no seu melhor, calmo, incisivo, demolidor. Uma peça notável cuja leitura recomendo e que aliás verifiquei que está disponível no blogue "Dragão até a Morte" do Vila Pouca. É em ocasiões como estas que perdoo ao Miguel os disparates que ele escreve de vez em quando, não tanto sobre futebol, mas sobre o Poder Local. Acredito que ele deve ter um fusível trocado em alguma parte do cérebro, o que por vezes origina alguns inesperados "curto-circuitos". Acontece aos melhores...

António Alves versus Rui Moreira

Li , com particular interesse, a troca de impressões entre o Rui Moreira e o António Alves, àcerca da recente iniciativa de se fundir a AEP com a AIP. Trata-se de dois portuenses como eu e outros que por aqui passam e escrevem, sobre os quais não tenho dúvidas que vivam intensamente os problemas que atravessam toda a região Norte e a cidade do Porto.
O António Alves transcreveu aqui uma afirmação do Rui Moreira que já gerou algum desconforto em muitos portuenses, talvez por verem neste último, uma figura do Porto capaz, serena, educada e, o que é mais relevante, um portuense assumido. Ah [ia-me esquecendo de um factor importante], e... um portuense portista!
Devo dizer que nutro uma simpatia natural por Rui Moreira, desde que começou a aparecer na televisão [não me refiro ao Trio de Ataque, mas já lá irei] e a fazer a diferença no panorama marasmático das chamadas elites portuenses [coisa que actualmente continuo sem saber o que é, e quem é].
No entanto, no caso concreto em debate, não deixaram de me surpreender as suas declarações citadas pelo A.Alves. Concordo por isso, com os argumentos [aqui e aqui], do António Alves. E, isto não se trata de amiguismos, porque apesar de conhecer pessoalmente o António Alves [só me encontrei com ele uma vez], reconheço-lhe uma independência intelectual e social que gostaria de ver mais vincada em Rui Moreira, mas receio - e até compreendo -, que tal não seja fácil, dada a diferença de protagonismo mediático e social, entre um e o outro. Mas, é se calhar aqui que a porca torce o rabo.
O protagonismo, tem duas faces. Uma, que pode conferir projecção a um desconhecido e trazer-lhe benefícios materiais [e aqui, não estou a querer insinuar nada, estou a ser realista] de longa ou curta duração, e uma outra, que pode subverter a liberdade intelectual do indivíduo por obediência cautelosa às influencias que eventualmente arriscará perder se insistir em dizer exactamente o que pensa.
Ludgero Marques, é um paradigma do que acima quis explicitar. Houve um tempo, em que parecia ser o tal homem do Norte que a mitologia local inventou [já nem sei, se com algum fundamento]. Era interventivo, empreendedor, mas assim que os ventos do poder se concentraram mais a Sul, perdeu quase toda a Liberdade afirmativa e com ela a coragem.
Rui Moreira tem razão quando diz que L.Marques deu um tiro no pé ao abdicar por sua inicativa de âmbito regional da Associação Industrial Portuense para uma teórica e nominal Associação Empresarial de Portugal, porque foi esse o primeiro acto de renúncia à identidade própria de uma instituição local [a AEP], por aparente convicção pessoal de que a sobreposição do nome Portugal ao Portuense lhe iria trazer vantagens.
Ludgero, não estava a pensar nos benefícios da Região, estava a pensar nos seus. Daí, continuar a não compreeender a aparente contradição de Rui Moreira pela sua fé na novel fusão, mesmo com os exemplos que apresentou da Alemanha e da França que são países com uma cultura de respeito democrático a anos-luz da nossa. Há uma patente ingenuidade nesta frase de Rui Moreira, a que ele prefere chamar opinião positiva, que é esta: "Mas tenho uma opinião positiva sobre o desenlace, ainda que isso resulte numa sede em Lisboa onde já está a AIP, desde que a fusão permita que os serviços da AEP no Norte podem sobreviver por essa via."
Sobreviver por essa via? Ainda acredita nisso, depois de tanta vilagem, de tanto desprezo, tanto saque contra o Porto?
Caro Rui Moreira, hoje, confesso-lhe, pela saturação de tanta hipocrisia, tenho pavor que as minhas opiniões possam por algum segundo que seja, parecerem próximas de qualquer fundamentalismo, mas pela minha parte, pela minha experiência vivida e [que o meu amigo também terá], não consigo mais acreditar que de Lisboa saia alguma coisa de bom para o Porto. Não sinto sequer qualquer fraternidade por Lisboa. Que quer que lhe diga, não fui eu quem a fomentou...
Também não quero rejuvenescer tão bruscamente na minha boa fé, como o meu amigo... Acreditar na teoria do chicote escondido nas costas, do desprezo por uma região, faz-me desvalorizar aquela sua frase engraçada mas plena de realismo que dizia: «que as ovelhas não se tosquiam a si próprias!» Lembra-se?
Será que o «rebanho» de Francisco Van Zeller é uma excepção? Eu, não acredito.
PS-Quanto ao Trio de Ataque, caro Rui Moreira, depois de tudo o que ouvi dos seus pares de programa, das dissertações alucinantes sobre o FCPorto, das intriguices do cineasta, eu, no seu lugar já os tinha deixado a falar sozinhos. Mas isso sou eu, que acho que não tenho de ser amigo de toda a gente...

19 outubro, 2009

A loira e bela NORUEGA

'Na Noruega, o horário de trabalho começa cedo (às 8 horas) e acaba cedo (às 15.30). As mães e os pais noruegueses têm uma parte significativa dos seus dias para serem pais, para proporcionar aos filhos algo mais do que um serão de televisão ou videojogos. Têm um ano de licença de maternidade e nunca ouviram falar de despedimentos por gravidez.'

'A riqueza que produzem nos seus trabalhos garante-lhes o maior nível salarial da Europa. Que é também, desculpem-me os menos sensíveis ao argumento, o mais igualitário. Todos descontam um IRS limpo e transparente que não é depois desbaratado em rotundas e estatuária kitsh, nem em auto-estradas (só têm 200 quilómetros dessas «alavancas de progresso»), nem em Expos e Euros.'

'É tempo de os empresários portugueses constatarem que, na Noruega, a fuga ao fisco não é uma «vantagem competitiva». Ali, o cruzamento de dados «devassa» as contas bancárias, as apólices de seguros, as propriedades móveis e imóveis e as «ofertas» de património a familiares que, em Portugal, país de gentes inventivas, garantem anonimato aos crimes e «confundem» os poucos olhos que se dedicam ao combate à fraude económica.'

'Mais do que os costumeiros «bons negócios», deviam os empresários portugueses pôr os olhos naquilo que a Noruega tem para nos ensinar. E, já agora, os políticos.


Numa crónica inspirada, o correspondente da TSF naquele país, afiança que os ministros não se medem pelas gravatas, nem pela alta cilindrada das suas frotas. Pelo contrário, andam de metro, e não se ofendem quando os tratam por tu. Aqui, cada ministério faz uso de dezenas de carros topo de gama, com vidros fumados para não dar lastro às ideias de transparência dos cidadãos. Os ministros portugueses fazem-se preceder de batedores motorizados, poluem o ambiente, dão maus exemplos e gastam a rodos o dinheiro que escasseia para assuntos verdadeiramente importantes.'

'Mais: os noruegueses sabem que não se «projecta o nome do país» com despesismos faraónicos, basta ser-se sensato e fazer da gestão das contas públicas um exercício de ética e responsabilidade. Arafat e Rabin assinaram um tratado de paz em Oslo. E, que se saiba, não foi preciso desbaratarem milhões de contos para que o nome da capital norueguesa corresse mundo por uma boa causa.'
'Até os clubes de futebol noruegueses, que pedem meças aos seus congéneres lusos em competições internacionais nunca precisaram de pagar aos seus jogadores 400 salários mínimos por mês para que estes joguem à bola.

Nas gélidas terras dos vikings conheci empresários portugueses que ali montaram negócios florescentes. Um deles, isolado numa ilha acima do círculo polar Árctico, deixava elogios rasgados à «social-democracia nórdica». Ao tempo para viver e à segurança social.'

'Ali, naquele país, também há patos-bravos. Mas para os vermos precisamos de apontar binóculos para o céu. Não andam de jipe e óculos escuros. Não clamam por messias nem por prebendas. Não se queixam do «excessivo peso do Estado», para depois exigirem isenções e subsídios.'
É tempo de aprendermos que os bárbaros somos nós.
Seria meio caminho andado para nos civilizarmos.


PS-Não tenho por norma publicar este tipo de mensagens que circulam na Net via e-mail que nos são enviadas sem identificação segura. Neste caso, e porque o assunto me parece incontroverso, decidi publicar esta mensagem que me foi remetida pelo Renato Oliveira. Além de mais, a Noruega é o meu país de eleição...

Perguntas

Selecções nacionais de futebol. Selecção A, sub-23, sub-21, sub-20, sub-19, sub-17, sub-15. Quantas têm a sua "casa" na região de Lisboa? Todas. Quantos clubes da 1ª Liga estão localizados a norte do rio Mondego? Oito. E a sul? Seis. E na Liga de Honra? Dez a norte e 5 (inclui a Covilhã) a sul.
Não seria razoável que duas ou três daquelas selecções tivessem a sua "casa" algures a norte do Mondego? Não haveria vantagens desportivas e económicas para os distritos envolvidos? Porque motivo as Associações de Futebol potencialmente envolvidas, nomeadamente a maior do país - A.F. do Porto - não tomam uma posição de força no seio da Federação que elas integram? O que aconteceria se houvesse uma "revolta" no interior da Federação? Haveria intervenção policial, julgamentos, deportação dos culpados?
E finalmente, porquê esta passividade, esta resignação, esta indiferença, que atravessam toda a sociedade portuguesa e que hão de fatalmente, mais cedo ou mais tarde, resultar na desaparição de uma nação quase milenária?

Simplex, multiflex, ou compliquex?

Há quem acredite que depende exclusivamente de cada um de nós traçar o nosso próprio destino. É um cliché que os pais de família e os governantes têm em comum, só que usados com propósitos distintos.
Enquanto os pais de família transmitem essa ideia aos filhos para lhes moldar o sentido de responsabilidade e os "obrigar" a encarar seriamente a sua formação académica para melhor se defenderam na vida prevenindo o futuro, os governantes fazem-no para criar no povo a ideia de que a sociedade, desde que ele o queira, está preparada para lhe proporcionar um lugar ao sol com um emprego [ou um negócio] compensador. Nada mais falso. Contudo, este discurso demagógico tem vindo a passar. Tal como o da Bíblia, contestada agora também pelo José Saramago e que já está a gerar muita polémica...
Nenhum Governo, em nenhum lugar do Mundo, é tão bom, que consiga garantir emprego condignamente remunerado aos seus povos, muito menos o de Portugal que na Europa continua a orgulhar-se de pertencer ao grupo dos mais atrasados. Mesmo que apanhados em flagrante delito, com a mão na massa, como diz o povo, os políticos continuam a ter sucesso com a técnica do embuste. Há ainda um número considerável de pessoas estranhas a depositar-lhes confiança, apesar da subida sistemática das abstenções, e é isso que fatalmente nos vai mantendo na rectaguarda do progresso.
Dou um doce a quem tenha ouvido da vox populi o discurso fadista da multi-formação, da necessidade de as novas gerações terem inevitavelmente de concluir tipos diversos de cursos, quer sejam de formação ou académicos, a pretexto de já não existirem empregos para toda a vida e de serem obrigados a mudar de profissão várias vezes. Até podem ter ouvido, porque afinal de contas o mal do povo é emprenhar facilmente pelos ouvidos, mas nos media não, só pode ter ouvido dizer estas cretinices a duas classes de pessoas: aos políticos e aos empresários. E vale o que vale, não é para levar a sério, nem convém que seja.
Com tanta coisa torta no Mundo para endireitar, tanto plano inacabado, outros tantos por iniciar, com tanta carência, como é possível espalhar esta ideia peregrina do pluri-emprego e da pluri formação quando há um mundo de jovens sem emprego para um único curso? E se tivessem dois, três diplomas, como seria?, assim mesmo o Estado ou o Empresariado estariam em condições de lhes garantir emprego? E os pais, a grande maioria dos pais portugueses ganharão e viverão o tempo suficiente para pagar esses cursos «Multiplex» aos filhos?
Esta, é uma das mais recentes balelas, mais um sinal nítido da incompetência daquilo a que pomposamente chamam elites! Afinal, chega-se à conclusão que hoje, pertencer a uma elite, começa a ser um mau motivo para corar de vergonha. Falar de multi-formação numa época onde o desemprego é avassalador e se vai espalhando pelo mundo como um carcinoma, é o mesmo que brincar com um doente em estado terminal. E eles brincam. Sempre brincaram, porque haviam agora de respeitar o Povo?

18 outubro, 2009

Falando de vampiros, é tempo de avivar memórias




Se José Afonso ainda estivesse entre nós, seria ele [também] passivo espectador centralista do neo-colonialismo actual, ou respeitaria os ideais que tanto defendeu cantando?

O empresariado "nacional" e o camaleão da FPF

O assunto já foi abordado de forma esclarecedora pelo Rui Farinas, mas a padronização da subserviência das falsas elites portuenses começa a atingir patamares de sem vergonhice que não podem mais ser tolerados.
Os argumentos que até ao momento têm vindo a público sobre o "plano estratégico" que justificariam a fusão da AEP [Associação Empresarial de Portugal] com a AIP-CE [Associação Industrial Portuguesa-Confederação Empresarial, não convencem ninguém. Não é por Rui Rio, com a demagogia que o caracteriza, querer agora dar sinais de inconformismo com as navalhadas do centralismo, que encontro razões para espanto de mais esta afronta feita aos nortenhos, porque o seu reinado na Câmara foi talvez a mais grave, mas, efectivamente, o Presidente da AEP José António Barros, não foi capaz de apresentar uma única explicação fiável para nos convencer dos benefícios de mais um macabro processo de centralização, depois de noutras ocasiões não muito remotas tanto o ter criticado. Esta gente está louca e está querer enlouquecer-nos!

António Barros, reagindo à indignação postiça de Rui Rio, respondeu que eram infelizes e inexplicáveis, argumentando que eram reveladoras de uma visão política desajustada das necessidades actuais das empresas e da economia nacional. Descontando a parte mais conhecida por todos nós que não descortinamos competências ao edil portuenses para lá das costumeiras decisões infelizes, António Barros e respectiva direcção AEP não foram muito diferentes nas suas declarações. Afinal, como é possível falar de necessidades económicas nacionais no contexto de um país economicamente desnacionalizado a Norte pelo centralismo? A musa inspiradora desta iluminada decisão, terá sido a recente ladroagem do Governo com os fundos QREN destinados ao Norte, a região mais pobre do país? Mas, de que massa são feitos estes incompetentes?

Como se estas desconsiderações [provocações] massivas não bastassem, o abjecto Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, à laia dos vermes mais asquerosos, decide seleccionar a capital do império futebolísitico que é o Estádio da Luz para palco do próximo jogo do play-off por questões relacionadas com a dimensão do Estádio! Isto é de bradar aos céus! Que asco, que desprezo me infunde esta garotada.
Que venham os espanhóis por aí dentro [a economia já nos invadiu] com as armas, e podem ficar já a saber de que lado da barricada estarei. A minha Espanha, o meu vizinho e eterno inimigo, chama-se LISBOA e todos os que têm andado com ela ao colo, a arruinar sadicamente o resto do país.