05 dezembro, 2014

Quem não quer ser lobo...

Não sei se José Sócrates está inocente, ou se é culpado, isso competirá aos tribunais decidir se chegar a ser julgado. O que sei é que algo de muito opaco e suspeito terá feito para um juíz lhe ter ordenado prisão preventiva. Já disse, e vou-me repetir - embora às vezes me canse esta missão ingrata de andar frequentemente a chamar a atenção de quem me lê, para o fazer com o maior rigor possível - que sou totalmente contra a violação do segredo de justiça. 

Portanto, não mudei de opinião, só porque estamos a falar do ex-primeiro ministro. No entanto, será bom lembrar que na maior parte dos casos de investigação criminal, o segredo de justiça só vem a público quando os suspeitos são figuras socialmente relevantes, e isto não é despiciente. Muita gente anda a ganhar dinheiro à custa da "bufice" e tal também devia merecer das autoridades judiciais uma investigação profunda, para de uma vez por todas, colocar essa gente atrás das grades. Denunciar é uma coisa, bufar é outra bem diferente, e bufar a soldo de alguém ainda é pior...

Naturalmente, nestas condições é muito difícil ao melhor dos juízes fazer cumprir a Lei, porque tal como para os negócios, o segredo pode ser a alma da Justiça. A bem do seu bom funcionamento, os magistrados deviam exigir que este assunto fosse de vez discutido e resolvido na Assembleia da República com todos os partidos, quanto mais não seja para percebermos quem está interessado em melhorar o sistema, ou quem tem interesse em mantê-lo como está.   

Como não somos nós quem decide, e as informações que nos chegam a público são veiculadas pelos media, é praticamente impossível nestas ocasiões termos uma ideia firme sobre a veracidade dos casos. Mas, das duas, uma: ou os media enganam sempre, e nesse caso é preciso fazer qualquer coisa para acabar com isso, ou se só engam às vezes, então devemos filtrar o que lemos para retirarmos as nossas próprias ilações. E já nem falo de jornais sensacionalistas, como o Correio da Manhâ e outros, porque a esses, pessoalmente, não dou qualquer crédito, e nunca os leio. Resumindo: ninguém tem informação priveligiada, excepto uns tantos que vivem promiscuamente da espionagem ilícita entre o poder do dinheiro, e o poder da política.

Posto isto, pergunto: será que o legado de Sócrates foi assim tão positivo, tão íntegro, tão cumpridor com os portugueses que justifique um cuidado especial de avaliação? Ele não nos mentiu? Politicamente, ele não fez o mesmo que Passos Coelho também está a fazer? Não traiu os eleitores? Não prometeu a contenção dos impostos, a preservação das reformas, o aumento do emprego, e o desenvolvimento do país?  Não foi ele que inventou as SCUTS? E Passos Coelho não as manteve? Então, dado que no momento é Sócrates quem está sob a alçada da Justiça, pergunto: com um currículo destes na folha de serviços, será caso para confiarmos abertamente na inocência do homem? Será caso para intentarmos acções de habeas corpus, como alguns carentes de protagonismo fizeram? Isto é assim? Soltam-se as emoções para decidir se alguém é culpado ou inocente?   

Passos Coelho, tal como Paulo Portas, por agora, têm sobrevivido às suspeições que cirandam sobre as suas cabeças, mas politicamente não merecem mais credibilidade que Sócrates. A realidade, é que mal ou bem, é Sócrates quem está preso. Por isso, pergunto:  o Jornal de Notícias será como o Correio da Manhã, ou há algumas diferenças, para melhor? Se não é, e se o que nele vamos lendo tem alguma credibilidade, temos de parar os neurónios, deixar de pensar?

Pois, a avaliar pelo pouco que saiu a público, das "engenharias" financeiras  usadas por Sócrates em transferências de património pessoal através de um amigo, que ainda por cima era presença assídua em alguns negócios do Estado, o mínimo que posso dizer sem arriscar ser acusado de estar a presumir culpa, é que este, não só é um procedimento invulgar na gestão de bens pessoais, como não parece sério. E, se Sócrates assim não pensou, penso eu:

um 1º. Ministro prudente, e ciente do seu cargo, tem o dever de parecer sério. Estando eventualmente inocente, tudo fez para parecer culpado.   

03 dezembro, 2014

Que efeito terá nestes homens o poder, se lá chegarem?

Marinho e Pinto

Nos tempos que correm,  ninguém pode dar-se ao luxo de pôr as mãos no fogo por quem quer que seja, por mais credível que alguém nos pareça. Constatar isto, é em si mesmo dramático, e a pior reacção que podemos ter para lidar com a situação, é refugiarmo-nos em lugares comuns que nada resolvem, e que só servem para suspeitarmos de quem os utiliza. Se repararam, dos lugares comuns mais usados no vocabulário sócio-político estão sempre presentes dois adjectivos: um é  o populismo e o outro o pessimismo. São duas palavras muito banalizadas pelos políticos, mas que por força da fraca capacidade do povo em acompanhar e perceber devidamente as motivações de quem as aplica, continuam apesar de tudo a surtir algum efeito.

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Paulo Morais
Mas o nosso drama não começa e termina por aqui. É que, mesmo quando aparece alguém na ribaltada política a falar claro, a produzir afirmações que, por experiência cognitiva sabemos ser verdadeiras e muitas vezes factuais, nunca sabemos o mais importante, que é descobrir se essa pessoa está a falar verdade meramente para atingir um fim, que é chegar ao poder, ou se está realmente imbuída de uma genuína vontade de mudança. 

No universo restrito desses protagonistas, emergiram duas figuras: Marinho e Pinto e Paulo Morais. O primeiro, não conseguiu conciliar a coerência do discurso com a das suas acções, e num curto espaço de tempo fez o mais difícil, que foi usar um partido (MPT) para se candidatar às eleições europeias e logo a seguir o abandonar, para uns mêses depois de chegar ao Parlamento Europeu se mostrar indignado com os salários dos deputados, incluindo o seu... Por muita compreensão que se tenha pelas dificuldades específicas do seu percurso, a coerência ficou muito comprometida, o que seria evitável se optasse por outros caminhos e outras posturas. Para mim, foi uma decepção.

Agora, Paulo Morais. Tem sido uma das vozes mais activas a denunciar o problema da corrupção em Portugal. O que ele diz não é ficção, é bem estruturado, não se limita a lançar para o ar acusações subjectivas, tem tido a coragem de citar nomes, de empresas, de figuras públicas, e de criticar o próprio parlamento. Sabemos, ao ouví-lo, que é mais assertivo que politicamente correcto, e no entanto ignoramos se tudo isso será apenas o meio  habitual para atingir um fim, ou se é o resultado de alguém de têmpera rija com vontade para contribuir - caso aceda de alguma maneira ao poder - para livrar Portugal do pantanal em que os políticos (e seus correligionários) o transformaram. 

Aqui chegados, digam-me: será possível mudar este país quando se ataca o poder judicial logo que este esboça vontade para contrariar a onda de corrupção instalada no país? Se a um juiz cabe o direito de colocar alguém em prisão preventiva justificada por perigos vários, por que raio é que também isso tem de mudar só por se tratar de um ex-1ºministro?  

Estão a perceber agora por que é que a Constituição nem sempre é levada a sério? Serve, mas tem vezes, que não...


02 dezembro, 2014

Brahimi está só a começar...

Image de Brahimi eleito Futebolista Africano de 2014 pela BBC, mas fora da corrida da CAF
Brahimi premiado

Brahimi foi eleito melhor jogador africano pela cadeia de televisão inglesa BBC, mas é a ausência mais destacada da lista final dos candidatos ao galardão entregue pela Confederação Africana de Futebol (CAF).
De fora desta lista ficaram também de fora o “dragão” Vincent Aboubakar e o “sportinguista” Islam Slimani. Os 2 jogadores do FC Porto e o “leão” faziam parte da lista inicial de candidatos, tendo sido afastados da eleição final, que vai decorrer a 8 de Janeiro, na Nigéria.
A lista final é composta pelos nigerianos Ahmed Musa (CSKA) e Vincent Enyeama (Lille), o ganês Asamoah Gyan (Al Ain), o gabonês Pierre Emerick Aubameyang (Borussia Dortmund) e o costa-marfinense Yaya Touré (Manchester City).
Contratado no início da época ao Granada pelo “dragões”, Yacine Brahimi bateu, na votação promovida pela BBC  – e decidida pelos adeptos  –, o gabonês Pierre-Emerick Aubameyang (Borússia Dortmund), o nigeriano Vincent Enyeama (Lille) e os costa-marfinenses Gervinho (Roma) e Yaya Touré (Manchester City), que tinha vencido num anterior.
Em declarações difundidas pelos canais oficiais do FC Porto, Brahimi revelou a sua satisfação: “É uma grande honra receber este prémio, representa muito para mim, e queria dedicá-lo, primeiro, à minha família, mas também à Argélia e a todos os países africanos”.
“Por agora, 2014 tem sido um ano muito bom e tenho de continuar assim, a trabalhar mais para evoluir e a ganhar troféus com o meu clube, o FC Porto, e se possível, na CAN (Taça das Nações Africanas), com a Argélia”, afirmou o jogador.
O futebolista destacou o papel do emblema “azul e branco” na conquista do prémio.
“Tenho de agradecer ao meu novo clube, aos jogadores que jogam comigo, ao treinador, à equipa técnica e a toda a gente do clube”, afirmou.
Brahimi confessou ainda estar satisfeito por ser “a primeira vez que um argelino vence este prémio”, apesar de esperar “que não seja a última”, enfatizando o quanto a distinção pode ter na carreira.
“Dá-me muita vontade e determinação para trabalhar mais, fazer mais e subir de nível a cada dia que passa”, afirmou.
O avançado argelino sucede a Yaya Touré, vencedor em 2013, que é atribuído desde 2000, 15 edições em já foram distinguidos jogadores como George Weah, Jay Jay Okocha e Didier Drogba.
Para Brahimi, trata-se do segundo prémio no espaço de pouco mais de um mês, depois de ter sido recentemente considerado o melhor futebolista africano da Liga espanhola 2013/14, ao serviço do Granada.
(do jornal Porto24)