19 outubro, 2019

O futuro do regime pode ter os dias contados

Em causa a nomeação de Laura Kovesi como primeira Procuradora-Geral Europeia.

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Laura Kovesi
A ex-eurodeputada Ana Gomes exaltou esta quinta-feira a nomeação da romena Laura Kovesi como primeira Procuradora-Geral Europeia, sem esquecer o denunciante do Football Leaks Rui Pinto

"Ora bem! Isto agora vai piar mais fino", começou por referir Ana Gomes, na sua conta do Twitter, prosseguindo:

"Se a nossa Polícia Judiciária, Ministério Público e Autoridade Tributária não investigam e pedem punição para criminalidade organizada exposta por Rui Pinto nos Football Leaks, haverá a nível europeu quem investigue e leve a julgamento. Não se perderá pela demora", acrescentou a antiga eurodeputada.
"A Procuradoria Europeia, que deverá iniciar os seus trabalhos até ao final de 2020, será um órgão independente com competência para investigar, instaurar ação penal e levar a julgamento os autores de crimes contra o orçamento da UE, como a fraude com fundos europeus, a corrupção ou a fraude transnacional em matéria de IVA acima de 10 milhões de euros", pode ler-se no site do Parlamento Europeu.
Nota de RoP: Lembram-se de ter suspeitado da inesperada sucessão da ex-Procuradora Joana Marques Vidal? Só me falta acertar no euromilhões... 
Foi Joana Marques Vidal quem nomeou três investigadoras para os casos de corrupção no futebol, mas assim que deixou o cargo, só uma ficou com essa responsabilidade. As outras duas, estão agora a investigar os denunciantes...

17 outubro, 2019

Isto, é o que está a acontecer, mas não só...




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ANTÓNIO BARRETO
     

É simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão é pena capital. A banalidade reina. O lugar-comum impera. 

A linguagem é automática. A preguiça é virtude. O tosco é arte. A brutalidade passa por emoção.  vulgaridade é sinal de verdade. A boçalidade é prova do que é genuíno. A submissão ao poder e aos partidos é democracia. A falta de cultura e de inteligência é isenção profissional.
      
Os serviços de notícias de uma hora ou hora e meia, às vezes duas, quase únicos no mundo, são assim porque não se pode gastar dinheiro, não se quer ou não sabe trabalhar na redacção, porque não há quem estude nem quem pense. Os alinhamentos são idênticos de canal para canal. Quem marca a agenda dos noticiários são os partidos, os ministros e os treinadores de futebol. Quem estabelece os horários são as conferências de imprensa, as inaugurações, as visitas de ministros e os jogadores de futebol.
      
Os directos excitantes, sem matéria de excitação, são a jóia de qualquer serviço.
Por tudo e nada, sai um directo. Figurão no aeroporto, comboio atrasado, treinador de futebol maldisposto, incêndio numa floresta, assassinato de criança e acidente com camião: sai um directo, com jornalista aprendiz a falar como se estivesse no meio da guerra civil, a fim de dar emoção e fazer humano.
      
Jornalistas em directo gaguejam palavreado sobre qualquer assunto: importante e humano é o directo, não editado, não pensado, não trabalhado, inculto, mal dito, mal soletrado, mal organizado, inútil, vago e vazio, mas sempre dito de um só fôlego para dar emoção! 

Repetem-se quilómetros de filme e horas de conversa tosca sobre incêndios de florestas e futebol. É o reino da preguiça e da estupidez.
      
É absoluto o desprezo por tudo quanto é estrangeiro, a não ser que haja muitos mortos e algum terrorismo pelo caminho. As questões políticas internacionais quase não existem ou são despejadas no fim. Outras, incluindo científicas e artísticas, são esquecidas. Quase não há comentadores isentos, ou especialistas competentes, mas há partidários fixos e políticos no activo, autarcas, deputados, o que for, incluindo políticos na reserva, políticos na espera e candidatos a qualquer coisa! Cultura? Será o ministro da dita. Ciência? Vai ser o secretário de Estado respectivo. Arte? Um director-geral chega.
      
Repetem-se as cenas pungentes, com lágrima de mãe, choro de criança, esgares de pai e tremores de voz de toda a gente. Não há respeito pela privacidade. Não há decoro nem pudor. Tudo em nome da informação em directo. Tudo supostamente por uma informação humanizada, quando o que se faz é puramente selvagem e predador. 

Assassinatos de familiares, raptos de crianças e mulheres, infanticídios, uxoricídios e outros homicídios ocupam horas de serviços.
      
A falta de critério profissional, inteligente e culto é proverbial. Qualquer tema importante, assunto de relevo ou notícia interessante pode ser interrompido por um treinador que fala, um jogador que chega, um futebolista que rosna ou um adepto que divaga.

Procuram-se presidentes e ministros nos corredores dos palácios, à entrada de tascas, à saída de reuniões e à porta de inaugurações. Dá-se a palavra passivamente a tudo quanto parece ter poder, ministro de preferência, responsável partidário a seguir. Os partidos fazem as notícias, quase as lêem e comentam-nas. Um pequeno partido de menos de 10% comanda canais e serviços de notícias.
      
A concepção do pluralismo é de uma total indigência: se uma notícia for comentada por cinco ou seis representantes dos partidos, há pluralismo! O mesmo pode repetir-se três ou quatro vezes no mesmo serviço de notícias! É o pluralismo dos papagaios no seu melhor!
      
Uma consolação: nisto, governos e partidos parecem-se uns com os outros. 
Como os canais de televisão.

ANTÓNIO BARRETO


Nota de RoP:

Dos raríssimos políticos que gostava de ouvir, era o Dr. António Barreto, já lá vão uns bons anos. Apenas uma vez não gostei do que disse num programa de Tv. E não gostei, por uma simples razão:  por ter criticado os hábitos de vida dos suiços, muito civilizados, e asseados. Considerou aquela forma de viver muito certinha, enfim, uma chatice, comparada com a vida tradicionalmente anárquica dos portugueses, desorganizados e alérgicos a regras. 

Percebi que estava a ironizar, mas achei que foi infeliz, sendo um tipo inteligente como é. Porque fazer uma comparação daquelas publicamente, num estúdio de televisão, sabendo que ia ser visto por milhares de portugueses, um povo indisciplinado, foi algo infeliz. Não sei quantos anos já passaram, mas o que sei é que estamos bem pior agora que nesse tempo. Em civismo, e educação, regredimos. Aliás como ele próprio acaba por reconhecer neste excelente comentário.

16 outubro, 2019

Sou regionalista, sempre fui e serei. Desprezo o centralismo!

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Esta senhora é mais que uma ex-juíza,
é uma mulher íntegra. Fez cair a
máscara da "justiça" lisbonária

Aos opositores da abstenção, especialmente a determinados "portistas", dirijo esta singela pergunta: por que razão optaram por votar em partidos políticos de ideologias teoricamente diferentes, se essa opção não lhes dá qualquer garantia que o partido escolhido levará a cabo os seus projectos? Projectos esses ambíguos, e praticamente semelhantes a outros? Nem depois de andarem há décadas a ser humilhados por um regime que os ignora, e discrimina, são capazes de perceber que os partidos só querem  votos para poderem atingir objectivos meramente pessoais? 

Será que nem o futebol os ajuda a compreender que em Portugal a política, antes de mais, serve uma cáfila de oportunistas e cobardes? Então, não lhes chega constatar que, da esquerda, à direita, não há um único partido que tenha tido a dignidade e coragem, de abordar o escândalo do "Benfica" no Parlamento?  Então não sabem que num país normal, democrático,  era isso que já tinha sido feito? Que já tinham obrigado o Governo a debater o caso, como fazem com outros? Nem  o conluio do Ministério Público lhes diz nada? Não sabem que isso é uma postura própria de gente de baixa categoria, ou, no mínimo, suspeita? Acham isso normal ?

E já pensaram na palhaçada circense que foi a chegada dos novos candidatos à vida política, esses partidos nazis que agora chegaram à política?. Que dizer dos que votaram no partido "Chega", desse cartilheiro assumido chamado André Ventura? Terão sido úteis os votos colocados na urna desses gajos? Gajos destes chegam ao poder pelo voto, não pelas abstenções. Em que base de confiança sustentam a importância do voto? Na credibilidade, ou na fé? E por que não podemos votar contra? Já pensaram nessa possível opção? Não convém aos políticos, pois não? E por que será, já pensaram? Aqui o espírito democrático desaparece, o voto do não é proibido. Já o voto em branco é muito pragmático, e útil...

Mas há tipos que mesmo assim são contra a Regionalização, e que agora se agarram à Catalunha para a envenenar. São tão estúpidos, e sectários, que não ousam falar dos países regionalizados que evoluíram sem quaisquer problemas. A maioria desses países regionalizados progrediram, os outros, como Portugal, são os piores. O problema da  independência da Catalunha, é antigo, histórico mesmo. A Catalunha, assim como o país Basco, lutam há muito pela independência, e não foi por terem autonomia que reclamam a independência. Ambas as culturas são totalmente diferente da castelhana. Só não sabe, quem não quer. É chocante imaginar que ainda haja portistas contra a regionalização, depois de estarem a ser roubados, chulados, e discriminados pelo centralismo! É espantosa a estupidez  desta gente, é masoquismo puro! 

Eu assumo o que escrevo. Se alguma vez fôr chamado a depôr pelo que penso e escrevo, cá estarei para o confirmar. Ninguém me rouba o pensamento, é meu, é sagrado. Estou-me a marimbar para os críticos do tipo NIM. Não são carne, nem peixe. São nada. 

Só assim se percebe por que é que vendo o seu clube, o FCPorto, a ser tratado e prejudicado infamemente, evitam falar do governo e dos partidos políticos, como se eles nada tivessem a ver com o futebol. Preferem apontar o dedo aos adversários, como se fossem eles os governantes. Parecem, mas não são.

PS-Aos portistas que não se revêm nestes a quem me dirijo, as minhas cordiais e solidárias saudações. 

Aos outros, só posso aconselhar isto: definam-se, mas antes esclareçam-se!    
  

15 outubro, 2019

Pela boca morre o peixe





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É só para que os portugueses de boa índole não tenham qualquer dúvida sobre a hipocrisia da RTP, e da comunicação social lisboeta, de um modo geral.

Então, não é que um jornalista da RTP 1, do noticiário desta tarde, quis dar uma de gajo civilizado, como compete a um funcionário de Estado, e decidiu censurar alguns adeptos búlgaros por terem lançado gritos xenófobos contra jogadores da equipa inglesa? Sim senhor, assim é que é, temos gente! Afinal, estamos enganados, aquela gente é mesmo democrata! Às tantas, eles são mesmo gente de bem, e aquilo que os tornou surdos, cegos, e mudos, com as ocorrências facínoras do Benfica, foi um qualquer síndrome de negação desconhecido que os contagiou e impediu de informar. Claro que só podíamos estar enganados, eles são mesmo anti-racistas, eles gostam muito de nós portistas, e portuenses, não nos discriminam coisa nenhuma. 

Bem, agora só falta dizer na RTP o que aconteceu a seguir, e não foi dito. É que na Bulgária, pelos vistos, selvajarias destas não se perdoam, sejam elas cometidas pelos adeptos do clube A, ou do clube B, como no nosso lindo país, à beira mar plantado. Não! Por aquelas bandas a lei é para cumprir, e como o exemplo tem de vir de cima, o Presidente da Federação Búlgara foi hoje mesmo despedido...

E esta hein? Ó Costa, estás a ler? Ou ainda não recuperáste  do síndroma? Coitado.  

13 outubro, 2019

Quem abusa da confiança de outros, não a merece


Ando há tempo demais a chamar a atenção dos portistas para a importância de porem um travão à forma negligente de Pinto da Costa gerir o FCPorto. A principal causa para mim, consiste no facto de não ter nunca mostrado qualquer determinação, ou vontade, para assumir frontalmente a defesa do FCPorto dos perversos ataques a que tem sido sujeito (para não dizer, subjugado) pelo clube do regime.

Como já devem ter observado, o nosso presidente adoptou, estranhamente, a mesma estratégia que os corruptos vermelhos adoptaram, sempre que se trata de falar dos crimes de que são acusados: o silêncio. Só com uma diferença. Os vermelhos sabem do que são acusados, e por isso calam-se, enquanto Pinto da Costa é o representante mor do clube que mais tem sido prejudicado por aquela gente, o que justificaria, não  o silêncio, mas uma visibilidade contundente (e corajosa) a quem de direito: não às instâncias desportivas, porque essas fazem parte do problema, mas ao Governo, ou, em última análise, ao próprio Presidente da República. Se houve razão para o FCPorto protestar (e em voz alta mesmo), foi agora, e este agora já dura há uns anos, com todas os danos que isso nos causou. Não se entende, que nunca tenha ido sequer ao Porto Canal, falar sobre o assunto com toda a liberdade, mais que não fosse para dar um sinal de presença aos adeptos, e sobretudo de consideração. A liderança é tanto mais necessária nestes momentos, quanto se impõe a quem comanda. Não foi isso que fez, delegou a terceiros o papel de denunciantes, não o de presidente de um clube lesado, desportiva, e financeiramente. 

Pois, bem. Se essa situação parece não ter sido suficientemente gravosa para levar os associados a insurgirem-se contra a postura passiva do presidente, faço votos para que os resultados do Relatório e Contas do FCPorto onde constam salários, e prémios, demasiado elevados para a situação económica actual do clube, os conduza finalmente a uma reacção. Sendo certo que tal exposição de protesto será apenas permitida em Assembleia Geral de sócios, então que lhes sejam garantidas condições e ambiente para a apresentarem, de modo a evitarem eventuais altercações. Tal convocatória deve de ser apresentada quanto antes, e ter uma resposta concreta em tempo útil. Os sócios, insisto, têm direitos, e o mais importante deles é o respeito. É mais que tempo, de tirarmos as dúvidas, e saber se ele (o respeito pelos portistas) realmente existe, ou não.