14 julho, 2012

Como eles se protegem

A SIC transmitiu recentemente no programa Grande Reportagem um excelente trabalho sobre a vida e a situação financeira actual de alguns ex-ministros do nosso próspero país [se estivéssemos na miséria, isso já não seria possível, não é...].

O paradoxo entre o nível de vida do país  real e o dos políticos que o desgovernaram é uma brutalidade, um atentado à dignidade do povo. Ainda há quem defenda que eles deviam ganhar mais. Para quê? Se o paradigma que premeia o mérito está precisamente na sua incompetência? Ou teremos tido nós políticos competentes e bons governantes e eu ando distraído?

Cliquem neste link e tirem as vossas próprias conclusões. Vale a pena ver o programa todo.

13 julho, 2012

Política, Justiça e Euromilhões

Justiça cega para pilha-galinhas e sedutora para ricos
Tão descrente estou a despeito da vontade de regeneração da classe política, que tenho a impressão que se o Renovar o Porto encerrasse para férias, e daqui a 30 anos o voltasse a abrir, as incompetências que revelam os governantes e os escândalos em que se envolvem não seriam muito diferentes de hoje.  

Os optimistas da praxe, que mais não são que colaboradores cúmplices desta forma aviltante de fazer política, detestam ouvir este tipo de linguagem e não é pelas melhores razões, é porque lucram de alguma maneira com a situação, ou tencionam vir dela a beneficiar um dia.

Não é possível acreditar seriamente em mudanças quando se entopem todos os caminhos para corrigir o que está mal. O pior dos cenários não pertence ao futuro, podemos vê-lo agora mesmo, claramente: os políticos não respeitam o povo, sabem que estão cada vez mais desacreditados e não se impressionam minimamente com isso. Aliás, a primeira disciplina que procuram seguir à letra e que devia estar mais ligada ao teatro, é a  Representação. Eles esforçam-se por falar de forma convincente de modo a transmitir a quem os ouve uma grande determinação e uma  férrea vontade de acabar com as asneirolas que os adversários políticos lhes deixaram de herança. No capítulo da simulação e da mentira, são de facto uns artistas. Depois, sabem que podem contar com a habitual ingenuidade dos eleitores, induzindo-lhes mentalmente pecados ridículos - como a importância de votar - para lhes refrearem os ímpetos abstencionistas e assim terem garantido, na pior das hipóteses, uma cadeira no parlamento.

O resultado destas rotinas não podia ser famoso, como é bom de ver . Maus governantes, geram  cidadãos mal formados e com más práticas de cidadania. Só da integridade intelectual de cada um depende a imunidade a esta praga. Mas essa, como era de prever, vai rareando. Os assaltos continuam numa escala ascendente, os homicídios também. São casais desavindos a recorrer à violência extrema para "resolver" querelas, são os pais a liquidar [e violar] os filhos e os filhos a maltratar os pais, provando que o respeito pela vida humana anda arredio. Nas estradas conduz-se mal e desobedece-se às regras do trânsito, há insultos e pouca tolerância. Os pais, distraídos e nariz no ar, levam os filhos bébés em carrinhos para locais indesejáveis, para grandes superfícies, sem prestarem atenção, arriscando-se a magoar quem passa e as próprias crianças. As pessoas estão a perder o hábito de olhar e respeitar quem passa denunciando uma débil ideia de cidadania. Por experiência própria já tive de me impor em variados locais públicos devido à negligencia e à falta de profissionalismo [também já tive casos exemplares, diga-se] de quem devia zelar pelo interesse dos clientes e se esquece que está a ganhar a vida através deles. Enfim, não querendo infernizar o mundo, nota-se no ar um descontentamento geral. Será caso para nos admirarmos?

É perante este quadro de extrema vulnerabilidade e desequilíbrio social, que não sou capaz de compreender - excepto como um acto de supremo egoísmo e  máxima estupidez -, como é possível que um casal de ex-namorados ande há 5 anos a perder tempo e dinheiro em tribunais por se recusarem [é irrelevante saber se são os dois ou apenas um] a dividir um prémio de 15 milhões de euros, sem ao menos se lembrarem das milhares de pessoas que hoje nem sequer emprego têm.  O Supremo Tribunal de Justiça esteve muito mal. Não precisamente pela decisão, porque depois de tanta teimosia de parte a parte, só podia mandar repartir o prémio, mas sim pelo tempo que demorou a proferir a sentença e pelo dinheiro que fez gastar ao erário público com tão comezinho caso.

Pela Justiça se vê também o que é Portugal. Vamos lá colocar bandeirinhas nas janelas e apelar ao Órgulho [com o "o" aberto, lembrem-se] nacional.

12 julho, 2012

10 julho, 2012

O valor das palavras








Os jovens candidatos a "boys" do PSD ouviram da boca do homem que assegurou, jurou, afiançou, afirmou, asseverou, prometeu, garantiu que não aumentaria o IVA e que "do nosso lado, não contem com mais impostos" e ainda que acusá-lo de tencionar confiscar os subsídios de férias e Natal era um "disparate", que é "perverso" "o recurso à via do trabalho temporário para resolver necessidades permanentes" do SNS e que o país não pode aceitar a "proletarização da juventude portuguesa baseada em recibos verdes, em que as pessoas são obrigadas a pagar com os recibos verdes aquilo que as entidades que as contratam não estão disponíveis para pagar".

As afirmações foram proferidas por Passos Coelho na festa do 38.º aniversário da JSD em resposta a uma questão do presidente desta estrutura, Duarte Marques, sobre o caso dos enfermeiros do SNS contratados a empresas de trabalho temporário a 3,96 euros por hora.

Fixemos este nome, Duarte Marques, porque, com tal capacidade para dar, no momento certo, a deixa certa para que o líder possa dizer o que os eleitores querem ouvir, o rapaz irá decerto longe.

Os futuros "boys" aprenderam ainda uma lição fundamental: em política faz-se o que se quer mas diz-se o que, em cada momento, convém. Se for necessário até, como o mestre, que "precisamos de valorizar a palavra para que, quando ela é proferida, possamos acreditar nela".

08 julho, 2012

Email de condolências de Pedro Baptista

Agradecia muito que pudessem fazer o favor de comunicar à família do Senhor Engenheiro Rui Farinas os meus pêsames, pelo falecimento desse grande amigo e companheiro, embora de há poucos anos. Impossibilitado de estar presente ou comunicar de qualquer forma, em virtude de me encontrar radicado na China, agradecia muito que usassem este mesmo meio com que me comunicaram, para fazerem saber o meu luto e o testemunho da minha muita solidariedade  para com todos os familiares, amigos e companheiros de Ideal!
 
Certamente o Movimento Partido do Norte, de que me encontro já desligado, mas que teve no Rui um dos principais arquitetos e entusiastas, comigo, na ideia de criar um Partido do Norte, coeso, organizado e de massas, estará presente no féretro. Estarei com todos vós em espírito e de forma muito sentida.
 
Pedro Baptista