25 outubro, 2013

Boa sorte Sr. Presidente!





O novo presidente da Câmara do Porto pediu que lhe desejássemos boa sorte. Sem duvidar que trabalhará muito para a ter, não deixaremos todos de lha desejar. Enquanto tripeiros e enquanto nortenhos. Vi a transmissão parcial da cerimónia na TV, ouvi e li com muita atenção o discurso de tomada de posse do sr. presidente.

Pareceu-me uma tentativa muito honesta de manter um discurso mais fresco e uma direção de governo menos tradicional.

Com a elegância e o saber estar que lhe são inatos, o dr. Rui Moreira foi agradecido, inclusivo e esclarecido.
Agradeceu a herança imaterial da governação do dr. Rui Rio sem se escusar a mudar "o necessário".

Incluiu o PS com à-vontade na sua nuclear independência para tornar o governo municipal mais fácil mas sem se escusar à dificuldade de tentar integrar os contributos mais válidos. Mas incluiu igualmente os que não se aliaram porque, diz, na "Câmara do Porto cabem todos". É difícil mas pode fazer a diferença.

Esclareceu que valoriza o poder local e o seu saber fazer e, por isso, reclama descentralização acrescida desde que acompanhada dos respetivos recursos.
Que não acredita na capitalidade do Porto, decretada por direito divino mas que, ao contrário, valoriza o desenho de círculos próximos ou afastados que conjuguem territórios e interesses. Sem vértice.

Que reconhece a importância do trabalho da Junta Metropolitana do Porto e da construção de uma agenda supramunicipal "sem complexos".

Mas que lhe parece que a evolução europeia aponta para a cidade como unidade administrativa, social e económica mais relevante e que por isso, à escala do Norte, estimulará a criação de uma Liga de Cidades que, deduzo, como a Hanseática possa ser uma verdadeira aliança económica e política.
Esclareceu ainda a sua firme vinculação aos princípios norteadores da sua proposta. A saber, mais coesão, mais economia e mais cultura que, conjugados ou per se, trarão sempre mais liberdade.

Podemos ficar com dúvidas ou mesmo não perceber bem o alcance exato de algumas ideias mas a verdade é que, desta vez, o sr. presidente da Câmara do Porto se pareceu mais com um de nós.
A coerência e a consistência serão a prova de fogo.

É que o poder local e a valorização das suas competências devem ser defendidos.
No entanto, talvez não seja Lisboa o melhor parceiro. A Câmara de Lisboa, pela dimensão, pela tradição e pela localização (tão perto do Terreiro do Paço) não depende tão fortemente como todas as outras de competências próprias para poder prestar um bom serviço aos seus munícipes. Não precisa de competências acrescidas na saúde ou na economia. Basta-lhe organizar umas quantas reuniões e fazer uns telefonemas. Tem uma vocação de estrito governo de cidade muito assente na imagem externa e na conveniência de serviços.


A presença do dr. António Costa não fez por isso grande sentido a este propósito. Fez o sentido que o dr. António Costa faz: um homem com poder próprio e com influência em toda a Administração Central, seja ou não presidente de Câmara!

O discurso sobre a supramunicipalidade transposta ou sobreposta a uma Liga de Cidades tem de ser muito bem estudado. A política de cidades europeias assenta sobretudo na procura de solução para os problemas causados pela concentração de mais de 2/3 da população europeia em cidades. A dimensão, a saturação das infraestruturas, as exigências de mobilidade e o submergir das identidades são questões absolutamente vitais, mas não sei se serão as que unem o Porto, Bragança, Viana, Braga, Chaves ou Vila Real.

Talvez valesse a pena perceber o que se quer afinal da Área Metropolitana do Porto antes de ensaiarmos novas hipóteses de representação. Mesmo que não se saiba bem qual é o papel destinado a um presidente independente.

Por outro lado, será muito importante perceber que papel executivo é reservado ao PS. A frescura e a eficácia da independência serão afetadas por decisões que o dr. Manuel Pizarro terá forçosamente de fazer passar junto do seu partido, pouco dado a consensos.

Já agora, e apenas como cidadã (ainda que adepta incondicional), registar que não é possível, sob qualquer pretexto, deixar de fora de uma cerimónia destas o Futebol Clube do Porto, provavelmente a mais importante instituição na internacionalização do Porto. E a internacionalização é, afinal, um dos mais importantes instrumentos da moderna política de cidades.

24 outubro, 2013

22 outubro, 2013

Por quê na SIC, Rui Moreira? E o Porto Canal não servia?


UM INACREDITÁVEL TIRO NO FUTURO!

Antes que alguém decida cair-me em cima pelos comentários que fiz acerca das recentes eleições autárquicas no Porto, devo esclarecer o seguinte: já o demonstrei muitas vezes, mas não me canso de repetir, que não tenho qualquer confiança na idoneidade dos partidos políticos portugueses. Tenho sim, é uma réstia de esperança na têmpera das pessoas. Não é por saber que o mundo produz por minuto mais homens sem carácter, que num século alguns com o dito cujo, que irei fechar totalmente as portas ao meu consciente optimismo .

Vale isto por dizer, que tendo enjeitado o meu direito de voto nas últimas eleições, em coerência com a decisão que há muito tomei de me abster enquanto não tiver sérias garantias dos partidos políticos, vou ficar na expectativa com o que Rui Moreira é capaz de fazer pelo Porto enquanto presidente da Câmara e, enquanto homem... É que Rui Moreira começa a dar sinais de fraqueza, e isso não é de bom augúrio.

Se Rui Moreira for aquilo que aparenta, ou seja, lutador, diplomata, conciliador, regionalista, e empreendedor, ninguém se atreverá a pôr em causa o seu carácter. Se quiser dar-se bem com Deus e com o Diabo, se não mostrar coragem e capacidade para servir os portuenses, então será um flop, um projecto sem alma.

A última página do JN de hoje veio alimentar-me as dúvidas com algumas declarações feitas por Pinto da Costa. É no mínimo infeliz que Rui Moreira como autarca portuense [e portista] não se tenha dignado convidar a direcção do FCPorto para a cerimónia de posse como Presidente da Câmara, como fez aliás o seu congénere de Gaia, dando assim pretexto às piores especulações de origem conhecida, particularmente para Rui Moreira. Para quem, como ele, censurava o centralismo, Moreira está a dar o flanco, revelando vulnerabilidade antes mesmo de assumir o cargo. Se ao não convidar Pinto da Costa e a Direcção do FCP pretendeu evitar a Rui Rio o constrangimento dessa presença pelo antagonismo histórico das partes, então falhou, porque acabou por fazê-lo ao FCPorto. Foi um tiro no pé que esperemos saiba reconhecer, ou irá dar-se mal. Tal decisão pareceu mais um acto velado de agradecimento a Rui Rio, do que propriamente uma lição de independencia. Agindo assim, Moreira não está a separar, como pensa, as águas [da promiscuidade], está a contaminá-las com a boçalidade intelectual que caracteriza Rui Rio. Mau caminho esse...

Mas, o ofendido também não esteve bem e explico porquê. Pinto da Costa não saiu a preceito desta fotografia quando disse, cito: «para este Presidente da Câmara do Porto, é fundamental ter boas relações com Lisboa". Pode ser que António Costa - Presidente da Câmara de Lisboa - traga as instituições da capital para animar a festa da tomada de posse de Rui Moreira». 

Ora, se disse que Pinto da Costa não esteve bem, foi porque, sendo o FCPorto o principal accionista do Porto Canal, com responsabilidades sobre a orientação editorial desta empresa, está a fazer exactamente o mesmo de que acusa Rui Moreira, isto é, anda mais interessado em agradar a Lisboa e aos lisboetas que às gentes da terra. Senão, em vez de se preocuparem em entrevistar o Gorge Gabriel, ou a astróloga Maia e muita outra gente por demais conhecida de Lisboa, devia ocupar-se em dar a conhecer pessoas da casa [do Porto e do Norte] que ainda ninguém conhece.

O FCPorto está a explorar muito mal o facto de ser proprietário de um canal de televisão, mais que não seja por não saber contraditar e desmentir o lixo que se produz contra o clube nos órgão de comunicação social de Lisboa. Foi esse mesmo lixo mediático que originou o Processo Apito Dourado que tanto prejudicou a imagem do clube, do presidente e da própria cidade. O Porto Canal não está a saber fazer diferente, não está a fazer aquilo que apregoa. Fez ainda muito pouco para o aparato de vaidades que alguns dos seus colaboradores já andam a exibir, com festas e festinhas, de tios e tias, num momento em que o país passa por tantas dificuldades.

De resto, exceptuando meia dúzia de programas, alguns deles repescados da anterior direcção, o Porto Canal está a ser uma enorme decepção. Mais parece um estúdio de gravações enfadonhamente repetidas, que uma estação de tv. É um canal longe da imagem do FCPorto, não é um canal à Porto. E se a isto juntarmos o facto do Director Geral, Julio Magalhães ser cronista num dos mais asquerosos pasquins desportivos de LISBOA, então a piada de Pinto da Costa, mesmo que compreensível, não surte qualquer efeito objectivo.

Estou decepcionado. O Porto, em vez de se unir, de combater quem lhe faz mal, agride-se mutuamente, e depois é o povo que sofre as consequências.

Só espero(?), é que logo à noite, o FCPorto saiba respeitar a tradição: vencer! Resta-nos isso. 

20 outubro, 2013

FCPorto ganha, mas sem afinar a máquina


TAÇA DE PORTUGAL - FCPorto - 1, Trofense 0

Ponto primeiro: o facto de não ser treinador de futebol não pode inibir-me de dizer o que penso quando vejo o FCPorto jogar. E isto, é válido para qualquer espectador e para qualquer espectáculo.

Continuo sem perceber o que impedirá Paulo Fonseca de rectificar as asneiras que jornada após jornada, os jogadores insistem em cometer. Refiro-me à lentidão dos movimentos atacantes, ao abandono progressivo de pressionar na frente os adversários, à qualidade do passe, e sobretudo à descoordenação nas acções ofensivas. Duvido que outros espectadores não tenham a mesma percepção, porque isto salta por demais aos olhos. E não me venham com a desculpa que no jogo de ontem entraram atletas de outros escalões [da equipa B], porque em jogos anteriores para o Campeonato e para a Champions acontece exactamente o mesmo. Aliás, até foram alguns da B que estiveram melhor em campo, sem no entanto encantarem.

Tenho sempre sérias reservas quanto às qualidades técnico-tácticas de treinadores que não conseguem melhorar em tempo útil os vários aspectos negativos da equipa, tanto em termos individuais como colectivos. As reservas advêm precisamente do facto de não observarmos evolução nesse sentido de jogo para jogo. 

Parece-me haver vários pontos a melhorar. Primeiro o psicológico, que consiste entre outros aspectos, em mentalizar o grupo de trabalho para a necessidade de manter o ritmo competitivo depois de conseguido o 1º. golo, pelo menos até conseguir o 2º. Nota-se aqui uma  desconexão flagrante, tanto em concentração competitiva, como na confiança . Este facto tem sido recorrente em quase todos os jogos, contribuindo frequentemente para a perda de qualidade do espectáculo, e para uns ais Jesus de sofrimento e de insegurança nos últimos minutos de jogo, mesmo em nossa casa. 

Outro aspecto que não me parece estar a ser devidamente tratado é com os passes de risco para trás e a despropósito, quase sempre fonte de possíveis dissabores para o sector recuado da equipa.  No capítulo atacante é notória a pobreza de treino específico desses movimentos. Quando um jogador corre com a bola no sentido da baliza adversária, não só falta velocidade como os destinatários não sabem bem para que lado se desmarcarem, obrigando muitas vezes o portador da bola a parar e a optar por passar para trás, ou para o lado por não dispor de linhas abertas.  Quando isto não acontece, fazem-no de forma atabalhoada, umas vezes corre bem, mas outras perdem a bola com aparente facilidade criando muitos calafrios na defesa. Se isto não denuncia falta de rotinas e persistência de treino específico, o que é que denuncia?

O que é curioso é que nos jogos da pré-época, em que teoricamente a responsabilidade era menor e o treinador ainda mal conhecia os jogadores, a equipa não só venceu outras boas equipas, como produziu um futebol muito agradável para o momento, que era altamente promissor.

Então, o que se estará a passar? Os jogadores desaprenderam? Será que quanto maiores são as responsabilidades, maior é a inibição?  Será que nos está reservado mais uma época de sofrimento e desprazer, como no ano transacto?

Deixemo-nos de conversa fiada, não há futebol resultadista que faça esquecer uma má exibição. O futebol é eminentemente espectáculo. O resto, são lugares comuns.

PS - Para os adeptos, só há uma maneira de dissipar estas dúvidas: poderem assistir a vários treinos de rotina, para melhor avaliarem o trabalho desenvolvido. Como isso agora não é possível, todas as especulações são consentidas. 

Por falar em futebol-espectáculo, e naquela treta que diz que o futebol é um desporto só para homens, fico calmamente à espera de ver um golo como o da imagem que se segue no nosso muito macho campeonato:



Off topic: Agrada-me [e muito] esta notícia do jornal Porto24