30 dezembro, 2009

Digo NÃO ao Acordo Ortográfico

Parece que dentro de dias vai entrar em vigor o novo acordo ortográfico. Tenciono ignorá-lo, não por teimoso conservadorismo, mas porque penso que é mais uma daquelas decisões idiotas, deslocadas e extemporâneas tomadas pelo tal cojunto de "homens sem arte nem ciência" que, para mal dos nossos pecados, se arrogam como nossos governantes. São os mesmos que hoje decidem uma coisa e amanhã decidem o contrário. Não faltam exemplos.

Para seguir as novas ortografias, teria de estar convencido que daí adviriam vantagens para o país e para o seu povo, mas quando me dizem que essas vantagens são " manter a unidade (?) entre os países lusófonos" e "afirmar e valorizar(?) o português no mundo", não os posso levar a sério. E interrogo-me também porque será que a Grã Bretanha, a França e a Espanha escolheram outros caminhos para valorizar as suas línguas (e as suas culturas) no mundo e para manter traços de identidade comum entre o país da "língua-mãe" e os territórios onde a sua acção colonizadora deixou ficar essa língua. Será porque nós temos uma visão mais inteligente do que a deles?

Este acordo ortográfico é uma cedência de Portugal ao Brasil, na medida em que passaremos a escrever como eles o fazem. Digo isto sem embargo de amar o Brasil e de invejar muitas das características do seu povo, sobretudo os do sul, no meio do qual tive o gosto de viver durante alguns anos. Mas eles são eles, e nós somos nós.

Pelo mesmo critério de uniformidade, nós portugueses, um dia compraremos não um fato, mas sim um terno, os bifes serão adquiridos no açougue, não mais poderemos oferecer camisolas do nosso clube preferido, mas sim camisetas, já que camisola é camisa de noite e jogador de futebol não usa isso! E também nos invernos não mais estaremos constipados - que é problema de intestinos - mas sim resfriados.

E por aí fora. Vai ser divertido! Entretanto, desejos de Feliz 2010 para todos.

Melhor 2010 para os amigos do Porto









Fiquem na companhia de Andrea Bocelli, com Caruso

Sim caro arquitecto, mas baixinho, como recomenda Rui Rio...


Segundo o JN de hoje, um grupo de empresários tenciona propôr à Câmara um evento alternativo ao saqueado Air Race [recuso-me a publicitar o nome]. Sinceramente, não vislumbro nenhum espectáculo no Douro que possa rivalizar com este, excepto uma corrida de barcos, ou, noutro cenário, o regresso da Fórmula 1 ao Porto, ou as corridas de mota do tipo Jerez de La Frontera (quadro que se me afigura improvável).

Apesar de realista, não deixa de ser incrivelmente tristonho e desmobilizador o discurso do autarca portuense. Vejam a linguagem submissa e mesquinha que usou face a esta iniciativa empresarial: "Há uma fila à porta [da Câmara] para alternativas à Air Race: "Não sei se vou travar o corrupio público. Ou é mesmo um evento com vantagem para a cidade ou eu digo não a tudo!" É o que melhor sabe fazer Rui Rio, dizer não, a tudo.

Não me surpreende o desconforto que sente Rui Rio com a aproximação ao povo, e que o irritem os corrupios públicos, mesmo que movidos por uma boa causa, como são este género de iniciativas. Contudo, pode haver luz ao fundo do túnel, se bem interpretei a ambição de Rui Rio. É que, se ele quer mesmo um evento de superior interesse para o Porto, só pode ser um dos espectáculos que atrás citei...

29 dezembro, 2009

Um marginal "justiceiro"

http://desporto.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1415549 (clicar no link)

Se o jornal Público, em vez de dar corda a quem a teve sempre partida, por não ser uma pessoa de bem, por ser um advogadozeco sem escrúpulos e descaradamente arbitrário, como é o Presidente da Comissão Disciplinar da Liga, denunciasse estes factos, que saltam aos olhos de toda a gente, à execpão dos cumplíces que protege, e instigasse os órgãos superiores da Justiça a investigar meticulosamente o trabalho sujo e sectário deste indivíduo, talvez prestasse um excelente serviço de cidadania à população da cidade onde está sedeado e pudesse atenuar ligeiramente o centralismo editorial de que também padece.
Senhor Belmiro de Azevedo, V. Exa. não lê jornais?

24 dezembro, 2009

A Bateria da Vitória Volta a Fazer Fogo

«A direcção da ACP reafirma que o Instituto de Turismo de Portugal é um instrumento do centralismo, do lisbocentrismo; é um instrumento político da portofobia; é um instrumento que tenta iludir e mascarar as verdadeiras políticas deste governo que, a exemplo do anterior, insiste em discriminar negativamente o Porto e o Norte e que vive obcecado com o investimento numa única região»
 

Associação Comercial do Porto

Para quem não cultiva o zagalote não está nada mal. Welcome aboard dear captain Rui Moreira!

Pois é senhor Camilo. Mas é preciso ser consequente e acabar com a conversa fiada só para os jornais

«Vamos deixar de ter muitos turistas na cidade e de ter muitos produtos a serem vendidos, quer de artesanato, quer de serviços quer indirectamente através de potenciais visitantes que no futuro poderiam vir cá. Quando a Red Bull está no Porto em termos de hotelaria fica tudo esgotado na Área Metropolitana do Porto»

Nuno Camilo, presidente da Associação de Comerciantes do Porto in Semanário Grande Porto de 24 de Dezembro de 2009.

Pois é senhor Camilo. Mas é preciso ser consequente e acabar com a conversa fiada só para os jornais. Que tal um boicote aos produtos red bull? É que 'produtos' com 'produtos' se pagam. Senão a culpa ainda acaba por ser da defunta Porto 2001.

23 dezembro, 2009

Votos de um péssimo Natal para o Estado «português»

Sei ao que me arrisco dando a cara por confrontar e criticar, sem papas na língua, as várias autoridades públicas. É que, aquele respeito que por princípio é devido a qualquer pessoa, seja qual for a sua classe social, perde o prazo de validade e o sentido quando a reciprocidade não se faz notar. E a reciprocidade do Estado, na pessoa dos seus representantes, em termos de respeito e consideração para com os cidadãos do Porto, é coisa que não se vê nem se sente. Bem pelo contrário, vem ganhando a forma de uma indecorosa provocação.
Vai daí, que não me perturba nada ser incomodado pelos tribunais portugueses por assumir publicamente que não tenho pingo de respeito pelas mais altas autoridades deste país, desde o 1º. Ministro, passando pelo incompetente Procurador da República, ao figurativo Presidente da República, terminando na circense Assembleia da República . Nenhuma destas autoridades me merece qualquer credibilidade. E depois? Prendam-me, agora mesmo, em vésperas do Natal! Mostrem a vossa coragem elitista [e sulista] e provem-me que não tenho razões de sobra para fazer estas afirmações!

Para que servem todas estas pessoas e entidades se, não sendo de todo ignorantes, tendo o dever de acompanhar o que se passa no Norte do país [a região que mais tem empobrecido], de saberem do flagelo que os sucessivos Governo Centralistas têm vindo a causar na qualidade de vida destas populações, são incapazes de dar um murro na mesa e dizer basta?! Para quê? Digam-no, mas sem embrulhar a argumentação em papel de veludo, nem prosapiar a lábia.
Desçam à terra e provem-me em que é que vos sou inferior? Num particular aspecto não sou, posso garantir-vos. Querem que vos diga? Pois aí vai: na honestidade, meus senhores. Dou-vos cabazada, como costumam dizer os arrogantes do clube que V. Exas. tanto se esforçam por proteger e afastar das mãos da Justiça. Então o que é que vos mantém no Poder, posso saber?
Primeiro tentaram destruir o único bastião de resistência na cidade do Porto, O Futebol Clube do Porto, contratando todo o tipo de escroques, de jornalistas a políticos e investigadores, para inventarem sustentação jurídica para anular o seu cérebro: Pinto da Costa. Agora, roubam-nos um evento como a Red Bull Air Race que, não sendo a solução para os nossos inúmeros problemas sempre era uma lufada de ar fresco para a economia da cidade já tão depauperada. Que mais nos querem roubar? A alma? O que é que o Estado português quer, afinal? Tornar-se na fonte de movimentos independentistas? É? Ao menos digam-no, que é para nos prepararmos, para não nos apanharem desprevenidos [como cobardemente costumam fazer nos túneis de um certo clube...].
A todos os representantes do Estado português e seus defensores, desejo um péssimo e infeliz Natal. Sem excepção.
Nota:
Aos leitores, amigos, e portuenses de corpo e alma, reitero os votos sinceros de uma boa consoada. Se for parar à cadeia por favor não levem cigarros nem criancinhas. Eu não fumo, nem sou pedófilo...


21 dezembro, 2009

Novo Centro de Excelência no Porto

Queixamo-nos aqui no Norte, e com toda razão, que o Estado investe predominantemente no Vale do Tejo, destinando à nossa região apenas umas migalhas, não por razões de justa equidade, mas apenas para tentar manter-nos sossegados, o que aliás vem conseguindo com todo o êxito, pois se há gente acomodada e sofredora, somos nós - os nortenhos.

Independentemente desta deplorável atitude colonialista, sempre pensei que o Norte poderia fazer um pouco melhor - e em muitos campos consegue fazê-lo - se houvesse menos queixas e mais espirito empreendedor. Por outras palavras, se deixássemos de esperar que tudo nos caia do céu por generosidade divina. Como dizia um meu antigo patrão " quem quer côcos trepa no coqueiro".

Foi precisamente o que fez a Universidade do Porto através da recente assinatura de um protocolo com o gigante informático IBM, destinado a criar o primeiro Centro de Estudos Avançados instalado em Portugal, que funcionará nas modernas instalações da Faculdade de Engenharia do Porto. Será orientado para a investigação aplicada à engenharia, desenvolvendo projectos para a própria IBM, em colaboração com outros prestigiados centros dessa empresa.

Já temos aqui no Porto outros centros de excelência, nomeadamente no sectos da Saúde. Este será mais um. Espera-se que os nossos especialistas estejam à altura das exigências, assim prestigiando a nossa cidade.


p.s. Porque vou estar "fora do ar" durante cerca de uma semana, quero desejar a todos os leitores deste blogue um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de saúde e prosperidade.

Os dominados ou como Roma nunca pagou a traidores

Fez ontem 3 anos e 1 mês, num post intitulado Dominados”, escrevi neste blogue o seguinte texto:
«A dominação hoje faz-se mais pela cultura, entendida esta no sentido antropológico, veiculada por quem estrategicamente controla os modernos vectores difusores das ideias e paradigmas comportamentais, sejam eles políticos, de consumo ou de simples cidadania, do que propriamente pela força ou pela supremacia económica. Aliás, esta – a supremacia económica – é consequência e objectivo final, embora muitas vezes escondido, das várias formas de dominação. Afinal trata-se da mais velha guerra da humanidade: não, não é a guerra dos sexos, é a guerra pelos recursos.
O problema de grande parte das elites portuenses, em particular das políticas, é o facto de estarem cultural e mentalmente dominadas pelo sistema centralista. Afirmações recorrentes de políticos e outros comentadores de que o caminho não pode ser nunca o confronto com Lisboa demonstram como a dominação cultural que a Lisboa capital exerce sobre eles é tão evidente e eficaz. As oligarquias que em Lisboa dominam as altas estruturas do estado, das empresas públicas, dos media e dos negócios privados não dorme na forma e executa bem o seu trabalho. É claro que o confronto não é nem pode ser com a Lisboa cidade do povo comum, também ele vítima dos interesses destas oligarquias… Mas quanto às oligarquias centralistas, não vejo outra solução senão confrontá-las. Não acredito que elas de livre vontade cedam poder e prerrogativas. Qualquer manual de ciência política nos afiançará tal inevitabilidade.»
Pelo tenho lido e ouvido nos últimos dias a propósito da questão Red Bull Air Race, dedico-o inteiramente aos senhores deputados do PS e do BE eleitos pelo Porto. Assenta-lhes como uma luva. Ao senhor presidente Rui Rio recomendo-lhe a leitura desta notícia para que perceba o papel triste que tem andado a fazer nos últimos oito anos e para que perceba também como António Costa corre à velocidade da luz para a cadeira de primeiro-ministro. Lugar aonde o senhor presidente Rio nunca chegará por razões que de tão óbvias me dispenso de as enumerar aqui. Há quem diga que Roma nunca pagou a traidores.
António Alves

José Silva Peneda [o Norte e a Galiza]

A máscara pode tardar a cair, mas é quase inevitável, um dia chegará que tal acabará fatalmente por acontecer. Fossemos nós, espectadores acéfalos do desempenho dos nossos [salvo-seja!] governantes, os únicos a criticá-los, sempre haveria a tentação para menorizar, ou como eles preferem dizer, "popularizar" as nossas opiniões. O imbróglio dá-se quando começa a ser frequente lermos ou ouvirmos ex-políticos com funções governativas a censurarem os seus colegas com a mesma contundência que nós. Será oportunismo, ou simples lavar de consciência de fim de carreira?
Além de Medina Carreira e de António Barreto, surge agora Silva Peneda ex-Ministro do Emprego e Segurança Social dos XI e XII Governos de Cavaco Silva, tarde e a más horas, a defender a Regionalização e [imagine-se!] a "reconhecer" que o Norte de Portugal e a Galiza formam um país!!!
É espantosa a regularidade com que tarda a chegar a "coragem" aos nossos ex-governantes! Sempre inoportuna e inconsequente! Para quê, vir agora dar uma entrevista destas [ler no JN de 19DEZ09]? Pela tertúlia de almoço com o director do JN? Por que é que, em vez de se limitarem a confirmar aquilo que todos já sabemos não se juntam, reorganizam, e aproveitam a experiência adquirida para propor novas alternativas? Estarão à espera de um golpe militar? Ou estarão apenas a antecipar a defesa de uma revolução anunciada com receio que sobrem para eles as consequências?

Intimidades e apitos


A doce Carolina Salgado, à porta do tribunal, na companhia do seu novo namorado: Leonor Pinhão! Tem nome de mulher, mas no sexo não engana, é mesmo muito macho! Topem bem a pose "manga/rufia" e o "style" da mãozinha direita a segurar o cigarrinho com a esquerda meia enfiada no bolso. Que "nice"!

20 dezembro, 2009

Mais um roubo

Não,não estou a falar do "roubo" sofrido pelo FCP na Luz, às mãos do seu treinador. Refiro-me a um post no Regionalização, onde se explica como Lisboa abocanhou 70% do total dos dinheiros que o Turismo disponibilizou para todo o país. A não perder,embora vá piorar a má disposição causada pela lastimável exibição du FCP!

18 dezembro, 2009

Centralismo não dá tréguas

Através dos jornais tomámos conhecimento de que o governo pretende criar uma central de compras para a saúde. Para já,o Tribunal de Contas chumbou o despacho governamental devido a razões processuais que poderão ser corrigidas. Para tornar a ideia atractiva,o governo fala em economias de 230 milhões de euros por ano.
Penso que devemos olhar para organismos centralizadores deste tipo com profunda desconfiança. Para principiar,estas contas das invocadas "economias" são feitas sabe-se lá como,dando aso a toda a série de legítimas dúvidas. Mais do que uma medida de gestão, parece-me que estamos em presença de mais uma manifestação de centralismo a todo o custo. Depois,é claro que a central se irá localizar em Lisboa, e isso vai corresponder seguramente à transferência de postos de trabalho de todo o país (serviços de compras dos hospitais ou Centros Hospitalares) para Lisboa. Tudo tem de se passar em Lisboa, tudo tem de ser decidido no Terreiro do Paço e seus satélites. O "buraco negro" da capital prepara-se para sugar mais um pouco do restante país! Por outro lado é óbvio que a burocracia vai aumentar na razão inversa da eficiência do abastecimento, com prejuizo final para os doentes que necessitam dos medicamentos (este tipo de factores nunca é tomado em conta quando se calculam as economias). Finalmente pense-se nos descomunais valores de dinheiro com que essa central de compras vai lidar, constituindo uma excelente base para o aparecimento de fenómenos de corrupção que beneficiarão mais uns quantos boys do partido que esteja no poder e que, relembro, estarão localizados em Lisboa.

Corro o risco de errar com esta apreciação negativa, mas a minha desconfiança quanto aos governos centralistas, à sua capacidade de rapinagem do país, e à sua falta de princípios éticos, levam-me irresistivelmente a este tipo de reacção intuitiva.

Petição a passo de caracol

Até ao dia de hoje, a petição contra a centralização motivada pela deslocação [para não dizer pelo saque] do evento Red Bull Air Race do Porto para a Mouraria, recolheu cerca de 550 assinaturas.
É pouco, manifestamente pouco.
Pode querer significar várias coisas:
  • que os portuenses na hora de agir se acomodam
  • que a população do Porto é, efectivamente, a mais pobre do país
  • que, pela razão anterior, a Net não entra na maioria dos lares portuenses
  • que o Porto está repleto de traidores

Palpita-me que o significado está num pouco [muito] de todas estas coisas.

Apesar de tudo, bons tempos. E sem esta m ... de democracia

Por falar em descentralização, foi você que pediu uma Superbock?

...mais um motivo para não termos insónias. O actual administrador da UNICER [mais um que fez a ponte da política para o empresariado], António Pires de Lima, lisboeta, e deputado [nas horas livres] pelo partido dos queques CDS/PP, em entrevista ao GPorto, garante-nos que a UNICER* mantém a sua sede no Porto [obrigadinho pela esmola, meu Senhor, obrigadinho].
Para nosso sossego, promete-nos que [para já, digo eu] a Sede é no Norte, apesar das preocupações de opinion makers do Norte. Alto lá! Será que este também já se estar a preparar para nos dar a naifada da praxe?
Heróis do Porto, nobre povo, naçon balente, iiimortal. Às armas, às armas, contra os traidores lutar, lutar!
* Querem ver que qualquer dia a Sagres vai "beber" a Superbock?
"Só falta levarem o vinho do Porto, os barcos rabelos e o S. João!" [protesto dos comerciantes da Ribeira do Porto e Gaia sobre o saque da Red Bull para Lisboa, in GPorto]

Como se diz querer o que não se quer

João Baptista Magalhães [mestre em Filosofia da Ciência], escreveu hoje no semanário Grande Porto um artigo sob o título "Regionalizar para quem", onde levantava questões pertinentes acerca do tema, mas de alguma forma um tanto requentadas.
Os dois primeiros parágrafos da sua crónica diziam isto: «Todos sentimos que é necessário dar expressão às identidades regionais, simplificar e racionalizar a administração pública, corrigir assimetrias.
Mas, como se conseguirão estes objectivos se os directórios partidários têm uma vocação para o domínio, a centralização e o aumento da homogeneidade?!...»
Mais adiante, justifica: «sem uma reforma dos partidos que abra espaço à liberdade dos eleitores na escolha dos seus representantes, que dê ao eleitor a capacidade de escolher não só o seu partido, mas também os candidatos que prefere na lista que lhe apresentam, a regionalização reproduzirá os vícios do centralismo.»
Qualquer portuense sensato e sem interesses ou cumplicidades com o Poder Central, tenderá a concordar com o diagnóstico deste senhor porque é óbvio e correcto, mas já terá dificuldade em compreender o que propõe para a cura. Limita-se a dar como garantida e inevitável a transferência do caciquismo central para o regional propondo um conjunto de processos de intenção conducentes à «criação de condições institucionais necessárias à descentralização...»
Este tipo de argumentação, lembra-me o condutor que consegue levar o carro direitinho até um determinado ponto e que depois, inesperadamente, se despista e o deixa embater contra qualquer obstáculo, por não ser capaz de perceber ao que levam os desvios, ou as "distracções".
Uma das justificações de João B. Magalhães para desvalorizar a Regionalização é «não haver em Portugal, como em Espanha, uma questão de direito de sangue ou de direito de solo.» . Confesso que não sei exactamente onde quer chegar este senhor com direito de solo e de sangue, mas presumo que a ideia esteja relacionada com a ausência em Portugal de movimentos nacionalistas ou étnicos. Se fôr esse o caso, só pode compreender-se estas infelizes afirmações à luz de alguém que não tem a menor noção da revolta silenciosa que germina na alma e na cabeça da população nortenha, principalmente na do Porto, pela peso histórico que esta cidade arrasta atrás de si e principalmente pelo profundo desprezo que o Poder Central lhe tem votado. É a opinião de alguém que vê o Porto através do seu umbigo.
Só é possível usar tanta ambiguidade argumentativa, ignorando propositadamente o outro lado da moeda regionalista, ou seja, o sucesso que ela gerou em Espanha e, sobretudo, os 35 anos de promessas incumpridas de descentralização de todos os governos, até hoje. Falar da necessidade de uma cultura de mérito e de poder menos oligárquico sem apontar soluções realistas e rápidas para exterminar da sociedade uma classe política que se reconhece «ter-se profissionalizado na lábia em vez do estudo dos problemas, nos jogos de simulação», é tapar o sol com a peneira. É dizer: isto, está tudo mal, mas há-de um dia ficar bem. Quando, senhor João Magalhães? Daqui a 35, 70, 135 anos? Qual é o seu prazo de tolerância?
Pessoalmente, tenho boas razões para ficar optimista. É que o nobilíssimo 1º. Ministro disse [ele disse, ah?!] que, vai começar a discutir a Regionalização, mas com calma [sem compromissos de prazos], porque não há razões para pressas. Até já pôs condições: só se forem as 5 regiões! Já é um progresso... O que me vale a mim, é que acredito tanto no que este homem diz como no preclaro advogado João Vale e Azevedo. São da mesma igualha.

17 dezembro, 2009

“O TGV SÓ DE PASSAGEIROS E PARA MADRID – UM GRAVE ERRO ESTRATÉGICO A EVITAR !”

A problemática do TGV assumiu particular relevo com a necessidade de os países da Península Ibérica uniformizarem as suas redes ferroviárias com a rede ferroviária existente nos restantes países que constituem hoje a U.E.
De facto, os países da U.E. além - Pirenéus possuem uma rede ferroviária com uma “bitola europeia” ou “bitola UIC” (cuja distância entre carris é de 1435 mm), e que é diferente da nossa “bitola ibérica” (distância entre carris de 1668 mm) adoptada há um século pela Espanha, e que Portugal, para não ficar então isolado daquela, decidiu adoptar também. A livre circulação de mercadorias e bens que constitui um dos princípios do grande mercado criado pela U.E. não acarretou qualquer obstáculo na sua movimentação, por ferrovia, entre os países Além – Pirenéus, o que lhes permitiu aproveitar em muito o grande alargamento do que passou a ser esse novo “mercado interno”. Não necessitando assim de grandes investimentos e sendo países densamente habitados, limitaram-se, aproveitando os progressos tecnológicos, a apostar na construção de linhas de Alta Velocidade (o célebre TGV) ligando grandes centros urbanos a velocidades entre 250 a 300 Km/h, com a vantagem acrescida de que tais comboios poderão sempre circular em toda a restante rede electrificada, já que possuem a mesma bitola, se bem que a velocidades inferiores.
A nossa vizinha Espanha compreendeu rapidamente que, se queria obter maiores vantagens perante tão grande espaço económico assim aberto, necessitaria não só de remodelar a sua rede ferroviária como de a uniformizar com a dos seus restantes parceiros europeus, para assim melhorar e incrementar a sua actividade económica. Decidiu, pois, adoptar um plano ferroviário global, cobrindo radialmente todo o território espanhol e sendo o centro desta teia localizado na cidade de Madrid, plano este que foi designado por PEIT 2005 - 2020 (Plano Estratégico de Infra-estruturas de Transporte), adoptado após um amplo debate que permitiu chegar a um grande consenso nacional, quer a nível do governo central quer dos governos das diversas regiões autónomas de Espanha.*
Este plano, hoje em pleno desenvolvimento e execução, tem uma ligação pela costa atlântica (Irun) a abrir ao tráfego em 2012 e uma ligação pela costa mediterrânica, com um enorme túnel através dos Pirenéus, já concluído e previsto abrir ao tráfego já em 2013, e tem ainda projectada uma terceira ligação a França atravessando por túnel os Pirenéus na sua zona média. Esta “rede espanhola” assim planeada e delineada deixou na nossa fronteira 4 portas de ligação, localizadas em Vigo, Vilar Formoso, Badajoz e Huelva, que foram aceites por Portugal na Cimeira Ibérica da Figueira da Foz, à falta de qualquer outra sugestão da parte portuguesa.
Ora, comparando a estratégia espanhola plasmada na criação do seu PEIT 2005 – 2020, através de uma visão de futuro e de uma ampla consensualização interna, com aquilo que se foi passando em Portugal, a que é que assistimos ? A que, não tendo feito nada do “trabalho de casa” que lhe competia, ao Governo português só restou ter de aceitar aquelas mesmas 4 “portas” definidas por Espanha. Passaram-se os anos e à medida que Portugal ia definhando economicamente, ia-se também eximindo a realizar grandes investimentos e a proceder à construção da nova Rede Ferroviária, em bitola europeia, nem sequer colocando em debate nacional qualquer Plano Estratégico para tal Rede.
Com o aparecimento e aprovação pela U. E. das grandes redes trans-fronteiriças ferroviárias, dispondo de um elevado montante financeiro gratuito posto à disposição dos vários países, o governo português decidiu então aproveitar a “oportunidade”, recorrendo às famosas Parcerias Público-Privadas e criando para tal uma entidade pública, a RAVE, encarregada de estudar e colocar em execução um projecto governamental , absolutamente desgarrado e constituído apenas por duas linhas avulsas de Alta Velocidade, a Porto - Lisboa e a Lisboa - Madrid, sem qualquer debate nacional, sem a existência de qualquer Plano Estratégico global para o País que articulasse e integrasse quer toda a nova Rede quer a parte da velha rede ferroviária nacional a ser reconstruída, e que conjugasse tal projecto com as já referidas 4 “portas” de entrada em Espanha, com o tráfego de mercadorias e consequente desenvolvimento dos nossos portos atlânticos, com as Plataformas logísticas, existentes ou a criar, e ainda com os Pólos Industriais existentes (como é o caso particular da Auto-Europa).
Optou-se assim por um puro voluntarismo, assente na lógica do “quero, posso e mando !”, completamente avulso por desgarrado de qualquer Plano Estratégico global, numa manifestação de um puro "novo-riquismo", utilizando erradamente os fundos europeus agora disponibilizados, sem qualquer debate sobre as diversas questões relevantes e com total desconsideração dos interesses estratégicos do País. Tem sido, pois, uma enorme FALÁCIA querer convencer os portugueses de que a construção da linha do TGV Lisboa - Madrid nos irá ligar à Europa, pois, pelo tempo de percurso, tal só nos ligará mesmo é, quando muito, à centralidade espanhola de Madrid, já que para qualquer outra cidade ou capital Além - Pirenéus, face à distância e ao tempo de viagem, o avião é o meio de transporte mais competitivo ! Ao invés, o que de facto, nos ligará à U.E., da qual somos um dos países mais periféricos (ver anexo 2), será uma rede ferroviária, MISTA, construída em bitola europeia, destinada a desenvolver a competitividade da nossa economia pelo incremento do tráfego das mercadorias, contentorizadas e a granel, entre todos os nossos portos e todos os países Além - Pirenéus da U.E., e que tem como linha principal de escoamento o " pipe-line " que atravessa a Espanha ligando Vilar Formoso - Salamanca - Irun, ao qual teremos acesso não só por uma linha da Beira Alta (portos de Leixões e Aveiro) como também pela linha da Beira Baixa (portos de Lisboa , Setúbal e Sines). Por seu turno, o chamado “Eixo Atlântico”, que inclui a ligação Lisboa - Porto, permitirá a inter-ligação entre estes nossos 5 principais portos.
Por isso mesmo, reduzir a política de transportes ferroviários à concentração do investimento, por parte do Estado português, num TGV exclusivo de passageiros e com traçado para Madrid representa um erro estratégico grave, de consequências absolutamente ruinosas para o País, e que por isso se impõe evitar ! Em particular numa época de crise financeira acentuada, os investimentos públicos – cuja existência claramente defendo, não apenas como factor criador de emprego e de rendimento, mas sobretudo como instrumento/alavanca de transformação e melhoria da competitividade económica do nosso País, convertendo-o numa grande plataforma de entrada e saída da Europa de mercadorias e passageiros, utilizando os nossos 5 principais portos atlânticos de Leixões, Aveiro, Lisboa, Setúbal e Sines, o que exigirá, para além da criação de infra-estruturas portuárias adequadas em Sines, Lisboa e Setúbal, ainda o Grande Aeroporto Internacional de Lisboa, na Margem Esquerda do Tejo – devem ser objecto de uma ponderação e uma decisão criteriosas, de molde a evitar que o País gaste recursos de enorme dimensão e depois não apenas não tenha deles o devido retorno como, por ignorância ou arrogância política, haja hipotecado de forma irremediável a possibilidade de corrigir os erros entretanto cometidos.
Todavia, o que é facto é que o Governo tem tratado deste tema da Alta Velocidade Ferroviária através da RAVE de um modo idêntico ao que utilizou quando decidiu a construção do NAL na OTA utilizando a NAER. Ou seja, tenta impor ao País uma "política do facto consumado", nunca tendo feito qualquer debate aberto e amplo, no Parlamento e fora dele, e desprezando por completo as diversas forças económicas e sociais da chamada “Sociedade Civil”. Assim e antes de mais, impõe-se dizer que em matéria de estratégia de política de transportes terrestres, há que fazer uma aposta e uma opção clara no transporte ferroviário, por ser um transporte rápido, eficaz, seguro, mais amigo do ambiente e que permite não apenas a deslocação em condições inigualáveis de comodidade e de baixo custo como também de cargas de grande dimensão e peso. Com tudo o que isso implica de diminuição do consumo de combustíveis fosseis (consumo esse que, com o constante aumento previsível do preço do barril de petróleo fará os custos dos transportes rodoviários crescerem exponencialmente) e de emissões de CO2 ( cuja factura estará para breve a chegar) , de alívio da pressão sobre as vias rodoviárias, de atenuação de factores de sinistralidade viária, etc., etc..
Notemos que a construção de uma linha férrea de via dupla é exactamente semelhante à construção de uma auto-estrada mas que, em vez de ser coberta com asfalto, nela são colocados carris. Tem porém uma grande vantagem económica nos seus custos/Km já que uma auto-estrada, com 3 faixas em cada sentido, obriga a uma largura tripla da ocupada pela linha férrea de via dupla, com a consequente tripla devastação ambiental. O que tudo demonstra, desde logo, o completo erro do actual plano estratégico de transportes – o chamado PET 2008-1010, com obras previstas de cerca de 30 mil milhões de euros (assentes aliás numa previsão, claramente errada, de crescimento anual do PIB de 2%) – que claramente privilegia o transporte rodoviário (o qual representa 38% de todo o valor do orçamento), e que pura e simplesmente não contém qualquer visão integrada para os transportes, em particular sob o ponto de vista ferroviário, no que diz respeito às Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto e, que entre outras coisas, também não inclui, e muito menos considera devidamente, o transporte de mercadorias, utilizando algumas das chamadas “plataformas logísticas” como zonas de verdadeira disrupção na continuidade ferroviária, como parece estar planeado no Poceirão, quanto à utilização do porto de Sines, e para a Plataforma Logística de Aveiro, para o mesmo porto. Por outro lado, a aposta na ferrovia como um PILAR estratégico dos transportes terrestres em Portugal , significa muito mais e coisa muito diversa, da mera construção de um TGV exclusivo para passageiros, entre Lisboa e Madrid ! Significa a total inversão do que foi a completa política de abandono até aqui seguida pela REFER e que, só nos últimos 20 anos, conduziu ao encerramento de cerca de 500Km de via férrea, tudo isto enquanto a mesma REFER atingiu os mínimos em investimentos na rede, mantém linhas sem automotoras e, com as obras que vai efectuar, irá deixar 232 km sem qualquer comboio !?). Significa, isso sim, todo um esforço nacional na criação - que não existe ainda - de um Plano Estratégico Nacional Integrado, destinado a construir e/ou reconstruir toda uma nova rede ferroviária nacional adequada, em bitola europeia, que ligue todo o país do Sul ao Norte e, sobretudo, o Litoral ao Interior (reconversão da linha da Beira Baixa, por exemplo).
Tal criação representa, de facto, uma aposta numa única Rede nacional de transporte ferroviário de alta velocidade, em bitola europeia, TOTALMENTE MISTO (comboios de passageiros e comboios de mercadorias) e com 4 eixos principais. Desde logo, um Eixo Atlântico, correndo perto do litoral e paralelo à costa, do Algarve até à Corunha, permitindo assim fazer da cidade do Porto a grande capital do Noroeste da Península Ibérica que ela pode, e deve, ser. E outros 3, perpendiculares a este Eixo Atlântico, para ligação à Europa: o primeiro destes, entre Aveiro e Vilar Formoso (percurso da linha da Beira Alta) continuando já em Espanha pelo traçado da rota tradicional dos emigrantes, ou seja, Vilar Formoso, Salamanca, Valladolid, Burgos, Vitoria, Irun, Bordéus, que é aliás o caminho mais curto para todo tráfego de mercadorias para a Europa além-Pirenéus, seja qual for o nosso porto, incluindo mesmo o de Sines, que seria altamente beneficiado pela reconversão para bitola europeia da nossa velha linha da Beira Baixa ! (NOTA: - A reconversão desta linha da Beira Baixa para bitola europeia adaptada para Velocidade Elevada até 250 Km/h, além de aliviar o tráfego dos comboios de mercadorias na nova Lisboa - Porto, iria beneficiar o desenvolvimento, pela sua aproximação à zona de Lisboa, das cidades interiores de Castelo Branco (apenas a 1H09), Covilhã (apenas a 1H29) e a Guarda (apenas a 1H47) e beneficiaria em geral toda a região das Beiras, hoje em grave risco de despovoamento). O segundo eixo perpendicular estabeleceria a ligação transversal do Algarve entre a zona de Lagos a Huelva em Espanha, passando por Faro naturalmente. (NOTA: - Na fase final de implementação da nova rede, com a finalidade de se desenvolver o interior do Alentejo, haveria de considerar-se a construção dum eixo ferroviário vertical ligando Évora - Beja - Faro, o que melhoraria em muito a flexibilidade ferroviária nesta zona do Sul do país). O terceiro eixo perpendicular, a partir de Lisboa, servindo nomeadamente o NAL na Margem Sul, fazendo a ligação a Madrid. (NOTA: - A ligação a Madrid por Badajoz, seleccionada por Espanha e erradamente aceite por Portugal, favorecendo embora a Estremadura espanhola não é a que melhor serve Portugal. Preferível fora que, aquando das Cimeiras Ibéricas, se lutasse pela ligação através do vale do Tejo, ligando-se a Plasencia em Espanha, ligação essa que, encurtando a distância a Madrid em 80 Km, nos permitiria, à velocidade de apenas 250 Km/h, atingir Madrid em 2H30).
A não construção desta nova rede em bitola europeia, tal como a não remodelação ou substituição das nossas velhas linhas de bitola ibérica por novas linhas em bitola europeia , sempre para tráfego misto, implicará a prazo o completo isolamento ferroviário do nosso País relativamente a todos os países da União Europeia, levando ao aumento do nosso isolamento e a uma dependência quase total relativamente a Espanha. Como se poderá constatar pelo quadro do Anexo 3, até ao tempo de hoje, se exceptuarmos o movimento de mercadorias com a vizinha Espanha dotada da mesma bitola, o tráfego de mercadorias com os restantes países da U. E. é praticamente ZERO ! (Ver anexo 3) E, por outro lado, um TGV só de passageiros e com passagem por Madrid servirá apenas para desviar o turismo das praias do Sul de Portugal para as do Sul de Espanha e nunca conseguirá ser competitivo com o transporte aéreo entre aqueles dois destinos.
Mesmo que pudesse ser – a seguir-se o actual caminho através de Madrid – posteriormente “adaptado” para comboio misto, e a verdade é que não pode, esse percurso traduzir-se-á sempre no aumento do custo e sobretudo num atraso de muitas horas no transporte de mercadorias para o Centro da Europa, o que diminuirá drasticamente a competitividade dos portos portugueses como portas de entrada (e também de saída) no espaço da União Europeia e comprometerá de forma irremediável um programa de desenvolvimento estratégico de Portugal assente na máxima rentabilização da sua excelente posição geográfica.
Insistir em encaminhar as mercadorias chegadas aos nossos portos, mesmo ao de Sines, por Badajoz e Madrid e daí então para a Europa, significará impor um percurso muito mais longo, quase todo em território espanhol, e que ainda por cima tem de atravessar a já saturada zona de Madrid (a qual é o centro da teia da nova rede de bitola europeia espanhola), com as consequentes taxas de utilização ferroviária, que reverterão sempre num maior lucro para Espanha (visto que a esmagadora maioria do percurso se fará no seu território), e o agravamento do tempo de transporte e do custo final daquelas mesmas mercadorias. E já nem abordaremos aqui em pormenor a utilização da chamada “Plataforma Logística do Poceirão”, propriedade da Mota-Engil, que – se for para a frente a decisão governamental de se fazer a ligação ferroviária em bitola ibérica no troço Poceirão-Sines – OBRIGARÁ AO TRANSBORDO DOS CONTENTORES E DOS GRANEIS nessa plataforma logística, a qual passará a representar uma espécie de “taxa aduaneira” para se passar as mercadorias da bitola ibérica para a nova bitola europeia, com os consequentes custos e atrasos de tal disrupção, a qual, embora beneficiando enormemente tal empresa, arruínam contudo a competitividade do porto de Sines e da nossa economia. Acresce que, como quase toda a gente parece saber excepto os nossos grandes decisores políticos, as “pendentes” (“inclinações ”, em linguagem leiga) do traçado das linhas construídas para comboios só de passageiros são, dado o seu peso muito inferior, estruturalmente diferentes das vias construídas para composições mistas ou só de mercadorias. Para se ter uma ideia, importa referir que as regras técnicas de construção impõem que as “pendentes” das linhas para comboios só de passageiros podem ir até 35 metros por quilómetro, enquanto que as linhas dos comboios mistos somente podem comportar “pendentes” até ao máximo de 18 metros por quilómetro (e sendo certo que as linhas mistas espanholas estão a ser construídas com “pendentes” inferiores, de 10 a 12 metros/km).
O que tudo isto significa é que, uma vez construído um traçado de linha férrea para composição apenas de passageiros, não é depois possível aproveitá-lo e utilizá-lo para composições mistas ou só de mercadorias ! Assim, o que todas estas circunstâncias determinarão é que, a manter-se a errada aposta governamental do transporte e movimentação de mercadorias, quer contentorizada, quer a granel, nas nossas velhas e centenárias linhas férreas de bitola ibérica, se romperá, de forma completa e irremediável, o tráfego de mercadorias não apenas entre o Norte e o Sul do país mas também, para não dizer sobretudo, entre os nossos principais portos e a Europa, já que a actual rede de bitola ibérica, a partir de 2020, deixará pura e simplesmente de poder ligar-se à rede AV/VE nacional, bem como a qualquer ponto da rede ferroviária de Espanha e, logo, a todo o resto da Europa ! Mas há mais ainda ! É que os dados disponíveis do tráfego total ferroviário o que demonstram é que ele rondou, no período de 1990 até 2007, os 10 milhões de toneladas, enquanto o tráfego ferroviário internacional representou apenas 1 milhão, ou seja, 1/10 daquele total. Mas, mais relevante ainda que isso, mesmo esse tráfego ferroviário internacional teve praticamente como único destinatário, a Espanha, situação que, decorrente em larga medida da nossa permanência na “bitola ibérica” e estando muito directamente ligada com a nossa actual condição “periférica” no quadro da U.E., se tornará irreversível para o próximo meio século se se insistir no erro da aposta no TGV só para passageiros e para Madrid e na manutenção de uma insuficiente e desadequada rede ferroviária de bitola ibérica.
Tudo isto enquanto a nossa política de transportes, conforme já se referiu, mantém o centro de gravidade do actual tráfego de mercadorias na rodovia, cujo volume total é significativamente 27 vezes superior ao ferroviário (270 milhões de toneladas !) Mas, para além das razões ambientais, de custos de combustíveis e de sinistralidade rodoviária, importa ter também presente que toda a tendência na Europa (vejam-se os exemplos da Suíça e da Áustria e, mais recentemente, da própria França) tem sido a de impor medidas cada vez mais restritivas à circulação de pesados nas estradas, que já vão ao ponto de, nalguns desses países, obrigar a camionagem de longo curso a operar, não por circulação viária, mas por utilização de comboios exclusivos para o transporte desses mesmos camiões TIR. O que significa que as mercadorias produzidas ou entradas em Portugal só circularão em transportes portugueses até à fronteira com Espanha e a partir daí apenas farão a circulação com os meios e pelos percursos que Espanha entender, mesmo que sejam os mais morosos, distantes e custosos, liquidando assim qualquer competitividade, para não dizer qualquer viabilidade, dos nossos portos. E – porque não dizê-lo também ? – pondo seriamente em causa a independência económica e também política do nosso país !
Em suma: não precisamos de todo de um TGV só para passageiros e de Lisboa a Madrid, o qual nunca poderá ser economicamente viável e apenas interessa aos operadores turísticos espanhóis. Como não precisamos de uma estratégica de transportes que continue a privilegiar o transporte rodoviário e a duplicação e até a triplicação de estruturas viárias entre os mesmos destinos como forma de procurar obviar ao inevitável congestionamento das mesmas vias. Precisamos, isso sim, de uma rede ferroviária assente em 2 pontos essenciais: Uma rede ferroviária nacional, de bitola europeia, que ligue de modo efectivo o Norte ao Sul, e o Litoral ao interior, com particular destaque para a interligação entre os principais portos, aeroportos do país, plataformas logísticas e pólos industriais. Uma rede de Alta Velocidade ou Velocidade Elevada, TOTALMENTE MISTA (passageiros e mercadorias) desde já com 2 eixos essenciais, eixos esses que devem ser colocados e considerados como “projectos transeuropeus” e logo não apenas sendo financiados na sua maior parte com fundos da U.E., como sendo por esta imposta a Espanha a construção das vias de ligação que aqueles pressupõe: - 1 Eixo Longitudinal, ligando o Algarve à Corunha. - 1 Eixo Transversal (perpendicular àquele) ligando Aveiro a Vilar Formoso (na zona da linha da Beira Alta) que permitirá o tráfego das mercadorias entre os portos de Leixões e Aveiro, conectando esta ligação em Vilar Formoso com a travessia de Espanha, por aquele linha, que será o nosso”pipe –line”, ligando Vilar Formoso - Salamanca - Irun. A que haverá que aditar outros 3 eixos, como são o Eixo na diagonal – Lisboa - Entroncamento - C. Branco - Covilhã - Guarda, utilizando a nossa velha linha da Beira baixa, que terá de ser reconvertida para bitola europeia, ligação esta essencial para movimentar as mercadorias com os nossos portos do Sul, isto é, Lisboa (designadamente com um novo cais, eventualmente na Trafaria), Setúbal e Sines, que evitará a travessia por Madrid das mercadorias trafegadas com os países da U.E. Além - Pirenéus e permitirá o desenvolvimento da região da Beiras; bem como um novo Eixo ligando Évora - Beja - Faro que irá de igual modo incrementar o desenvolvimento do Alentejo, reduzindo o seu actual afastamento de Lisboa; e, enfim, um eixo fazendo, esse sim, a ligação de Lisboa a Madrid (preferencialmente por Plasencia, e não por Badajoz).
Assim, evitar investimentos dispendiosíssimos e estrategicamente errados, decididos de forma autocrática e tecnicamente incorrecta, e impostos politicamente nas costas do Povo, e exigir que se decida bem e rapidamente aquilo que verdadeiramente serve os interesses do país e do povo português, constitui, pois, e hoje mais do que nunca, um autêntico imperativo nacional ! Este amplo debate nacional é absolutamente indispensável, antes que, ao pior estilo do “facto consumado”, se tomem decisões que ninguém percebe em nome de que princípios foram negociadas e aceites junto de Espanha. E é por isso que é tão imperioso e urgente, a nível nacional, impor a discussão política desta questão e, a nível comunitário, levá-la quanto antes a Bruxelas e conseguir a classificação dos eixos fundamentais do Plano estratégico ferroviário como projectos transfronteiriços europeus (designadamente de ligação entre portos europeus), com condição não só do respectivo financiamento com fundos comunitários mas também da imposição pela U.E. a Espanha da realização das travessias em território espanhol que eles necessariamente implicam. E esta questão é tanto mais relevante quanto, por um lado, foi recentemente tornado público que Espanha não prevê, até ao horizonte de 2020, a construção de qualquer via ferroviária de Alta Velocidade entre Salamanca e Vilar Formoso, assim inviabilizando o eixo estratégico (para Portugal) Vilar formoso – Salamanca – Irun. E, por outro, que, prevendo-se já para Dezembro a realização da próxima Cimeira Ibérica, se impõe que nela o Governo português adopte uma posição de firme defesa dos nossos interesses e apresente ao Governo espanhol a exigência da fixação de uma data precisa e próxima para a conclusão daquela mesma ligação.

Lisboa, 13 de Novembro de 2009 António Garcia Pereira
Nota de RoP
O negrito é meu. O artigo é longo, mas a leitura recomenda-se. Antes, já o António Alves abordou aqui e noutos espaços este tema que, por inerencia à sua actividade profisssional, domina como poucos.

A anedota chamada Portugal

Cartoon-Elias o sem abrigo, de R.Reimão e Aníbal F. [JN]
Pinto da Costa desta vez, não falou como costuma. Esqueceu-se de dizer que, para haver prestígio, é preciso primeiro semear qualquer coisa e depois criar raízes. Rui Rio é, por natureza um desenraizado, e não me admira nada que até esteja aliviado por se ver livre das corridas... Se há detalhe em que não permite deslizes, é evitar a todo o custo ferir susceptibilidades com o eleitorado da capital que lhe pode garantir o acesso ao poleiro no PSD e daí [tudo é possível neste país] a 1º Ministro. Os fenómenos, já há muito que deixaram de ser exclusivo do Entroncamento...



16 dezembro, 2009

RED BULL vai mesmo para Lisboa

Ler aqui.

O «louco» e o Berlusconi

Cada povo tem os governantes que merece, diz o ditado. Não estou seguro se isto corresponde à verdade, o certo é que se levarmos ao pé da letra a fama de sermos um povo de brandos costumes, então a coisa já faz algum sentido. De facto, depois de anos consecutivos de maus governos, má qualidade de vida, instabilidade económica e social, é espantoso haver ainda gente capaz de levar a sério as eleições.
A população queixa-se da vida e dos próprios políticos, mas basta que um desses papagaios lhes acene com uma cenoura embrulhada num miserável subsídio, para lhe dar a volta e lhe garantir o próximo voto eleitoral. Depois, tudo recomeça e se repete: eles a governarem-se, com o desgoverno do povo.
Quando assistia outro dia àquela cena do Sílvio Berlusconni e do suposto «louco» que o agrediu, perguntei-me, o que seria destes aldrabões se a moda pegasse em Portugal. É que, às vezes, é mesmo o que dá vontade de fazer a estes troca-tintas. Não há democracia que resista a tanto energúmeno, a tanto vendedor de banha da cobra travestido de ministro ou deputado.
Pensando bem, loucos loucos, somos nós, povo de brandos costumes...

E, nós?

A independência da Catalunha em relação a Espanha foi defendida pela quase totalidade dos eleitores (94,71 por cento) que hoje votaram em 166 municípios daquela região espanhol numa consulta não vinculativa, divulgou a Coordenadora Nacional.
Dados que, segundo a Coordenadora Nacional das consultas, realizadas hoje, justificam que o parlamento regional convoque um “referendo vinculativo” sobre o tema para 25 de Abril próximo.
Os resultados foram divulgados ao final da noite de hoje pela Coordenadora Nacional que confirmou terem participado cerca de 30 por cento dos 700 mil eleitores que podiam votar nos locais onde foi realizada a consulta.
O ‘sim’ obteve 94,71 por cento dos votos e o ‘não’ 3,53 por cento, tendo-se registado 1,76 por cento de votos em branco e 0,34 por cento de votos nulos.
Carlos Mora, presidente da autarquia de Arenys de Munt (onde uma consulta idêntica tinha sido realizada em Setembro) disse aos jornalistas que os resultados, com 92,17 por cento dos votos escrutinados, confirmam “claramente” a vontade dos eleitores.
Um apoio, afirmou, que justifica que a Coordenadora Nacional - plataforma da sociedade civil que promoveu as consultas - apresente já na segunda-feira uma petição ao parlamento para um referendo vinculativo.
Essa “Iniciativa Legislativa Popular” teria como objectivo a convocatória para um referendo de auto-determinação, vinculativo e em toda a Catalunha, a realizar no próximo 25 de Abril.
Além da sociedade civil, as consultas de hoje contaram com o apoio formal de cinco partidos catalães (CDC, ERC, ICV, CUP e Reagrupament).
A cada um dos eleitores foi perguntado se “está de acordo que a nação catalã se converta num Estado de Direito independente, democrático e social integrado na União Europeia”.
Os votos ocorrem numa altura em que o futuro da Catalunha permanece suspenso de uma decisão do Tribunal Constitucional sobre um recurso apresentado pelo PP ao estatuto da Catalunha, a lei que governa a autonomia e o seu relacionamento com o Estado.
Ainda não há data para divulgação desta decisão do TC mas alguns observadores sugerem que o tribunal pode declarar parte do Estatuto como inconstitucional o que, a ocorrer, poderia provocar uma convulsão governativa na região.
[texto extraído do jornal "I"]

O Presidente da CDRN aos olhos de Gomes Fernandes

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e aos meus... Com uma ligeira diferença: já há muito que me dei conta do estilo "laissez faire, laissez passér" de Carlos Lage e dos seus fracos e inconsequentes processos de intenção. Este colega de partido ainda espera dele "qualquer coisa". Eu não. É só mais um "tótó".
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14 dezembro, 2009

Uma data negra

Sábado dia 12 de Dezembro de 2009 é para mim, e deveria ser para todos os nortenhos, uma data negra. O governo consumou mais uma daquelas decisões que dão uma cavadela adicional no fosso que separa o nivel de vida - ou o bem estar dos cidadãos - entre Lisboa e o Norte. Refiro-me, como é óbvio, à cerimónia protocolar para anunciar o vencedor da empreitada da linha de alta velocidade ( AV ) de Lisboa ao Caia, o que no fundo significa que o governo segue imperturbável na sua decisão de investir milhares de milhões naquela zona do país, onde o desemprego é menor e o nivel de vida mais elevado. Eu sei, e isto só em parte é uma atenuante para o governo português, que a ordem veio de Madrid. No entanto teria a obrigação, se fosse realmente um governo nacional, de impôr à Espanha uma contra-partida na forma de um acordo de execução de trabalhos calendarizados no que respeita à AV no norte de Portugal, com vista à colocação rápida e directa dos produtos industriais da região nos mercados europeus. Mas isso não vai acontecer. Os produtos do Norte e do Centro Norte vão ser obrigados a ir até Lisboa e aí embarcar na AV para aEuropa. Resultado: mais tempo gasto, maiores custos de transporte, mais actividade económica em Lisboa, ou seja, mais empregos e mais dinheiro a circular para benefício exclusivo dos habitantes locais.

Em contra-partida ao gigantesco investimento na zona de Lisboa, o que viremos nós a ter aqui no Norte? Para já, nada, apenas promessas. Mas, dirão alguns, e então a AV Porto-Vigo, não conta? Para começar, nem no papel há AV Porto-Vigo. Haverá, no máximo, AV no troço Braga-Vigo, uma vez que o troço Porto-Braga será o actual, sabe-se lá até quando. Isto quer dizer, com toda a certeza, que a linha Porto-Valença será toda em bitola ibérica. Mas as linhas que os espanhois estão a fazer na Galiza são em bitola europeia, e então terá de haver, seja em Valença/Tui seja em Vigo, um constrangimento técnico que só será resolúvel a custa de um cambiador de bitola, ou seja à custa de uma perda adicional de tempo, num transporte que é rotulado de "alta velocidade" ( este constrangimento não existirá na linha Lisboa-Madrid, toda ela construída em bitola europeia). Em resumo, não haverá verdadeira AV no Norte!

Pense-se também no prejuízo que sofrerá o ASC com o facto de não ter ligação directa à linha férrea. Esta decisão do governo parece "cirurgicamente" adoptada para prejudicar o nosso aeroporto, dificultando-lhe o seu papel de aeroporto do noroeste peninsular. Os ingénuos (que os há...) e os mal intencionados (que são muitos...) dirão que o governo já declarou que esta falta de ligação ao ASC é uma situação provisória, a corrigir logo que possível. Como já sabemos o que isso significa, é aconselhável esperar sentado!

Por tudo o que ficou dito e por muito mais que se poderia acrescentar, há ou não razão para considerar o passado dia 12 como (mais) uma data negra?

Spill over

À medida que o tempo passa, os portuenses com as raízes no sítio - sim, porque há alguns que as têm nos sítios errados -, vão-se dando conta de que a montanha de corrupção fabricada com os processos do Apito Dourado nem um rato pariu. Foi só show off e fumaça [como diria o Almirante Pinheiro de Azevedo que também não gostava de ser raptado]! Mobilizaram-se rádios, televisões, jornais, cineastas, prostitutas, juristas para cozinhar pareceres a troca de uns milhares de euros , ligas e federações de futebol, nacionais e internacionais [UEFA], para prejudicar o FCPorto na pessoa do seu dirigente, e... nada! Só restou a vergonha e a humilhação para os seus mentores.
Paralelamente, escreveram-se as crónicas mais torpes e insultuosas sobre a cidade do Porto comparando-a à cidade de Palermo e às suas tradições mafiosas, com a agravante de alguns dos autores serem da família de um homem que já teve altas responsabilidades a nível nacional e internacional, o que prova a falta de nível dos certos governantes, como não me canso de denunciar.
E tudo isso, para afinal concluirmos que o efeito spill over não passou de mais um álibi do Centralismo para nos roubar, sem o aparentar, os fundos do QREN destinados ao Norte para a sacrossanta Lisboa! Já nos tinham roubado o BPA [Banco Português do Atlântico] sediado no Porto, comendo-lhe o próprio nome, para parir um com outro, o BCP [Banco Comercial Português], que por sua vez anda agora ligado às grandes burlas que foram efectuadas estes últimos anos pelas "elites" lisboetas.
Pois é, foi um ilustrérrimo administrador do BCP quem permitiu que fosse creditado sem a devida identificação do beneficiário, um cheque de 1 milhão de euros, Estou-me a referir, claro, ao escândalo com a compra [sem capital seguro] e a venda do edifício dos CTT de Coimbra, na mesma hora, com um lucro de 5 milhões de euros!
Grandes negociantes/empresários "estes"! Todos suam as estopinhas em «benefício» do Porto, através do tal efeito difusor. Seguramente...

"Quentes e boas" [JN]

Portugal perdeu o dobro dos empregos da UE

SCUT: 15 autarcas "intransigentes" na luta contra portagens na A-28

PJ perdeu o rasto a um milhão em notas nos CTT

"Contrato milionário" garante 136 mil turistas no Douro

12 dezembro, 2009

O bom adepto

Dois amigos, ambos adeptos do mesmo clube, foram au futebol. O jogo começa, e decorridos pouco mais de 3 minutos um jogador da sua equipa passa por um, dois, três, quatro adversários, vê o guarda redes que tenta fazer-lhe a mancha e quando se esperava que rematasse colocado para o lado mais desprotegido, rodopia e de costas dá um toque subtil de calcanhar à Madjer e a bola entra na baliza. Golo! Golo!Goooooooolo! Gritou extasiado um dos amigos.
O outro, manteve-se imperturbável e sério sem dizer uma única palavra e o amigo, estranhando, pergunta-lhe:
- então vês um golaço destes e não dizes nada?
O outro replica:
- deixa-me ver o jogado sossegado.
O desafio, entretanto, termina com uma vitória folgada da equipa destes dois amigos, e com uma exibição a todos os níveis espectacular, tanto técnica, física, como tacticamente. Os jogadores foram fantásticos e o treinador também, porque numa altura em que o adversário conseguiu empatar e começava a crescer, soube fazer as substituições necessárias e alterar o esquema táctico fazendo com que a sua equipa voltasse a dominar o encontro e o ganhasse com uma goleada histórica.
Decorridas 2 semanas, os amigos combinaram ir outra vez ver a sua equipa jogar. E foram. O jogo começa, e ao contrário do que acontecera na jornada da goleada, o encontro pautou-se pela medíocridade, com os jogadores desconcentrados, sem vontade nem genica, e o treinador sem rasgo para fazer as substituições quando as coisas começavam a correr mal. Resultado: uma derrota pesada em casa.
Só que, durante este desafio o amigo que não gostava de se manifestar, aplaudia os jogadores que, sem ideias para desenvolver o seu jogo, se encolhiam limitando-se a passar a bola para trás até a fazerem chegar com a cabeça às mãos do guarda-redes. O outro, surpreendido, perguntou-lhe:
- Ouve lá pá, então outro dia ficáste mudo e quedo com aquele golaço e com a exibição da equipa, mandáste-me calar, e agora estás a aplaudi-la por passarem a bola para trás?
- Ó pá, tu não percebes que estou a tentar dar moral à equipa?
Diz o outro:
- Tá bem pá, mas se aplaudistes para moralizar a equipa por estar a jogar mal, por que é que também não a aplaudes quando joga bem?
- Porque só no fim do campeonato é que se fazem as contas! Ripostou o outro já meio chateado.
- Então, queres dizer que durante todo o campeonato as pessoas só devem aplaudir a equipa quando joga mal, só para a moralizar?
- Claro, temos de apoiar sempre o nosso clube nos momentos maus.
- E nos bons, não temos?
- Temos, mas eu prefiro conter-me.
- Então não podemos conversar, trocar opiniões, louvar, criticar os jogos, o treinador?
- Não porque isso pode desestabilizar o plantel... Só no fim do campeonato se faz o balanço.
- Olha, sendo assim, não venho mais ao futebol contigo.
- Por quê, pá, estás chateado comigo? Pergunta o amigo admirado.
- Não pá! É porque aquilo de que tu realmente gostas não é de estádios nem de futebol. É de igrejas e velórios!

11 dezembro, 2009

Bom fim de semana com Fábio Caramuru




...na companhia de Fábio Caramuru, pianista e amigo da nossa amiga e poetisa paulista Neli Araújo que teve a gentileza de no-lo apresentar.

Armando Vara, o moço de recados [e endereços] da EDP

O Mundo é cruel. Muito cruel, mesmo. Principalmente com os poderosos e com aqueles políticos que antes de subirem os degraus do Poder não tinham onde cair mortos. É talvez por essa razão que a Justiça, fiel à fama de ter de ser cega, continua de olhos bem abertos com esta classe de protagonistas.
O mesmo já não se pode dizer quando se trata de ajuizar o «terrorismo» do Líder dos Super-dragões que, até ver, ainda não foi visto a incendiar autocarros, a abrir a cabeça com tacos de base ball a jogadores adversários, nem a assassinar adeptos de outros clubes com very-lights e tem uma procuradora do Ministério Público à perna ansiosa por o condenar, alegadamente por ter protegido um candongueiro de 76 anos e resistido à Polícia. Curiosa diligência esta de alguns magistrados com a arraia miúda da marginalidade, e tão complacente com o peixe graúdo... Neste caso, a abnegação ao cumprimento da Justiça é tão estranho quando o referido acusado tem o testemunho de dois agentes da polícia a confirmarem que ele apenas tentou apaziguar os ânimos da multidão...
Não é que defenda os candongueiros, só ainda não descobri foi um argumento convincente para considerar um candongueiro mais doloso para a sociedade do que certos administradores bancários ou figuras políticas. Bem pelo contrário, o prejuízo para o erário público causado por estes últimos, é muito maior e o exemplo de responsabilidade cívica incomparavelmente mais grave.
Apesar disto, o Mundo é mesmo muito cruel com os poderosos! Manda a verdade que reconheçamos quão fácil é - mesmo para um sem-abrigo, se ele o quiser -, contactar sem marcação de entrevista, um administrador bancário. É a coisa mais corriqueira que conhecemos. Não se entende por isso as dúvidas de alguns cépticos para creditarem as declarações à RTP do ex-Ministro e ex-administrador do BCP Armando Vara, que se auto-suspendeu [continuando a auferir vencimento], por ter afirmado que o sucateiro suspeito de o ter corrompido se dirigiu ao seu Banco casualmente e que o recebeu para lhe indicar o endereço da EDP[ler JN]... Qual é a crise?
Eu farto-me de fazer isso, tanto cá como no estrangeiro, e os leitores certamente também. Quando não sei a morada de alguém aquilo que logo me ocorre para ficar informado é ligar para um banqueiro. Se estiver em Lisboa também uso o número de telefone do 1º. Ministro ou o do Presidente da República. Já fui várias vezes ao Palácio de Belém falar com o Cavaco para lhe perguntar as horas e até estou a pensar ligar ao Sócrates para me dar um prognóstico do próximo Benfica-Porto, só para o enervar. É assim, tu cá, tu lá. As mordomias protocolares acabaram.
Também não percebo a intolerância do povo só por a RTP ter o hábito altruísta de escancarar as portas aos poderosos e permitir-lhes que se defendam em plena fase de investigações judiciais. Qual é? A RTP não faz isso com todos? Não? Não fez com o Carlos Cruz, com o Dias Loureiro, com o Vale e Azevedo e a toda aquela ilustre equipa de pedófilos? Porque é que nos indignamos?
O Mundo é de facto cruel, mas a RTP não, é generosa e tolerante. Tanto acarinha os poderosos, como se esforça exaustivamente por nos convencer que também eles são povo...

10 dezembro, 2009

Medina Carreira chama os bois pelo nome

Medina Carreira diz que programa Novas Oportunidades é uma "trafulhice" e "aldrabice"

«Questionado pela jornalista Fátima Campos Ferreira, anfitriã da tertúlia, sobre a avaliação de professores, Medina Carreira classificou-a de “burrice”.

“Se você não avalia os alunos, como vai avaliar os professores?”, inquiriu»

Já sei, já sei, que não faltará por aí quem esteja ansioso por sacar do manual dos piores qualificativos para censurar Medina Carreira. É normal. Tão normal como as suspeitas que os seus críticos geram sobre si mesmo. A imprudência, ou talvez o medo, torna-os burros. Já viram alguém suspeito de uma ilegalidade assumir a culpa? É só puxar a bobine atrás, rever os filmes com as reacções dos pedófilos do processo Casa Pia para se concluir que afinal os criminosos [ou suspeitos de o serem] foram as vítimas, ou seja, as crianças abusadas. A pouca vergonha com os Bancos, as offshores e os conselheiros de Estado irredutíveis ensinam-nos que só os humildes confessam a culpa.

Portanto escusam de dizer que Medina é excessivo porque se calhar ainda está aquém da realidade, se pesarmos bem o autêntico bordel em que se está a transformar a actividade política e governativa. Desculpem-lhe a deselegância dos termos, a "cambada" e a "tropa fandanga", [porque pode estar involuntariamente a atingir os nossos filhos ou netos], porque ele crítica com a mesma contundência os responsáveis e no sentido certo, de cima para baixo. Ele pode não ter na mão as soluções para os problemas desta imitação rasca de país, mas neste caso concreto, tem razão. Nós estamos a ser governados por garotos. Ponto.

Consequentemente, se queremos [eu também já não sei bem se queremos], de facto ter melhores governantes elevemos então o nosso grau de exigência sobre eles. Não nos devíamos preocupar com a aplicação de modas ridículas na política, mesmo que lá fora o façam, antes dando prioridade à ordem e ao respeito, prerrogativas indispensáveis a uma Democracia a sério.

Ontem, vimos na televisão esses tristes sinais de "modernidade" onde dois deputados voltaram a insultar-se mutuamente com a complacência e a falta de autoridade do Presidente da Comissão Parlamentar, incapaz de se impôr.

Suponho que deve ser também a esta bandalheira que Medina Carreira se quer referir e se assim fôr, estou completamente de acordo com ele. Já duvido que essa sintonia seja extensível a outras áreas - como a Regionalização, por exemplo -, porque suspeito que nessa matéria sofra do síndroma de centralismo , mas no caso em questão, estou de acordo com o que diz, e como o diz.

Se existe defeito que abomino no ser humano, a hipocrisia é um deles. Uma pessoa honrada é uma pessoa honrada, um vigarista é um vigarista, e os dicionários não devem ser castrados pela lâmina venenosa da hipocrisia.

09 dezembro, 2009

As birras de Jesualdo

No fim do brilhante jogo de ontem com o Atlético de Madrid que o FCPorto venceu categoricamente, Jesualdo Ferreira aproveitou a boleia para mandar uns recados aos adeptos exigindo-lhes um maior apoio no futuro. Hulk*, o autor daquele autêntico míssil que foi o 3º. golo, não quis ficar atrás do técnico e também não se coibiu de enviar umas "mensagens" aos adeptos que o criticaram ultimamente.
Antes de me pronunciar sobre estes assuntos quero realçar um facto para memória futura, que é o seguinte: não há nenhum treinador ou jogador que queira mais ao Futebol Clube do Porto que os adeptos e simpatizantes. Colocadas as coisas no seu sítio, vamos às declarações de Jesualdo e Hulk.
Ontem fiquei satisfeitíssimo com a exibição e o resultado do meu clube, não obstante alguns períodos de jogo, breves [felizmente], de ligeira desconcentração que aliás têm sido notados em todos os jogos, incluindo os dois últimos que venceu com aparente à vontade e superioridade. A verdade [e ainda bem que assim é], é que a equipa demonstra claros sinais de subida de forma, facto que saúdo com o maior prazer. Por conseguinte, ontem, todos gostamos um bocadinho mais, tanto do treinador, como dos jogadores. E então, será isso, mau?
Há uma célebre frase antiga, uma espécie de Hino ao Amor, que encaixa perfeitamente no afectos clubístico dos portistas, que diz assim: "Amo-te! Hoje, mais do que ontem, e bem menos que amanhã!". Tirando honrosas excepções, haverá pouquíssimos jogadores e principalmente treinadores, que ousarão sentir o mesmo pelo clube que representam. São profissionais de futebol pagos [e bem] para jogar, não são adeptos. Hoje estão no FCPorto, amanhã no clube que lhes pagar mais. Essa é a sua maior "paixão". Os adeptos, e o clube, pagam-lhes para os ver jogar e eles jogam para lhes darem o maior número de alegrias possíveis, que devem resumir-se a dois pontos: vitórias e boas exibições. Para a grande maioria dos adeptos, o futebol tem de ser um espectáculo, onde só há três possíveis resultados objectivos: as vitórias, os empates e as derrotas. Mas gostam sobretudo da mistura do futebol bem jogado com... as vitórias.
Não será pois, o facto de ontem o FCPorto ter jogado bem e conquistado na casa de um valioso adversário uma robusta vitória, que esvaziará o sentido das críticas que alguns adeptos [incluído eu] lhe dirigiram, porque não foram críticas ôcas nem apressadas. Os olhos vêem o que vêem e a inteligência limita-se a reagir à qualidade dessa visão. Ontem, ficámos satisfeitos porque os nossos olhos viram um espectáculo de futebol agradável, do mesmo modo que ficámos descontentes e desconfiados quando acontece o contrário. Não há bons e maus adeptos, há apenas adeptos mais pacientes do que outros, mas nenhuns podem levantar o ceptro da razão antecipadamente. Todos podem [e devem], isso sim, é fazer as suas críticas, mesmo que discordantes de outras. É assim.
Agora, o que o Mister Jesualdo não pode, nem merece, é receber aplausos quando os sinais que dá para o exterior do seu trabalho são negativos, com demasiadas exibições frouxas e sem fio de jogo atempadamente implantado. É preciso tempo? Claro que sim, mas não podemos dizer que o forte de Jesualdo seja atalhar caminho para ganhar esse tempo, porque nem sempre ele sobra para se recuperar pontos perdidos, e nem sempre os adversários ajudam, esperando... Ele, é que é o treinador, mas nós é que somos os espectadores. Não é? Ou seremos uma massa acéfala de gente sem direito a ter opinião?
Por outro lado, as declarações de Hulk no final do jogo, justificando a sua fase menos boa por ter andado adoentado, dão razão a quem tem criticado Jesualdo, porque seria importante para os adeptos e para o próprio treinador que, a ser verdade essa situação, lhes fosse transmitida, por uma questão de respeito. Há pois que não descurar o aspecto comunicacional com os adeptos porque são eles a alma do futebol. É desse detalhe que Jesualdo às vezes parece esquecer-se.
Portanto, pessoalmente, quando tiver que o criticar critico, quando tiver que o elogiar, elogio, mas sou eu quem escolhe os timings e decide. De resto, o que eu quero mesmo é ficar completamente convencido que Jesualdo é o treinador que FCPorto precisa. Surpreenda-me, caro Jesualdo e obrigue-me a engolir mais um sapo com outro campeonato, porque são sapos saborosos, embora de difícil digestão...
*É até possível que as críticas de Hulk não tenham sido dirigidas aos adeptos [ele não o explicitou], de todo o modo, é lamentável que o jogador tenha jogado adoentado sem que os adeptos tenham tomado conhecimento. Depois, Jesualdo não tem de que se queixar.

07 dezembro, 2009

A regionalização armadilhada

Não me julgo com vocação nem para ser o que se chama um "corvo branco"(num bando de corvos pretos) nem para ser arauto de desgraças, mas continuarei a discordar de que se realize o refendo constitucional à Regionalização sem que préviamente se tome uma série de iniciativas de preparação, sem as quais nos arriscamos à vitória do NÃO o que, a acontecer, inviabilizaria a regionalização por mais longos anos, a menos que viesse a ocorrer qualquer coisa parecida com o que aconteceu em 74.

Todos os preceitos constitucionais estão programados para constituir uma armadilha anti-regionalização, e "mergulhar de cabeça" no desejo de "Referendo já!" é de uma ingenuidade e de uma irresponsabilidade que o centralismo agradecerá. O referendo, com o actual enquadramento legal, é uma farsa. Nenhum governo - passado, presente ou futuro - nem nenhum partido político do Arco do Governo, quer a regionalização. Por razões sobejamente conhecidas, o que ambos pretendem é a manutenção do actual regime de colonialismo centralizado.

Assim sendo, sem o estudo detalhado das armadilhas semeadas no caminho e das necessárias contra-medidas, eu penso que qualquer regionalista convicto deve rejeitar a realização de um referendo no estilo "meia bola e força".

Rui Veloso / Primeiro Beijo



Um bom feriado, e boa sorte para o FCPorto

Educação e vocação ou, simplesmente, valores

Ponto 1º.
Concordo absolutamente com a necessidade da junção de um conjunto de requisitos para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, como: Educação, Formação Académica, Técnica, Profissional e Vocacional.
Ponto 2º.
Sendo certo que, por razões de vária ordem, intelectual, económica e vocacional, uma grande parte não conseguirá reunir plenamente todos esses requisitos, é fundamental que reúnam, pelo menos, o primeiro deles. A Educação*.
A este propósito o Professor Sobrinho Simões - que o JN do passado sábado, dia 5/11, informou [e espero que se trate apenas de um lamentável lapso] estar a leccionar na Faculdade de Medicina de Lisboa, mas que suponho tratar-se da Faculdade de Medicina do Porto -, fez um comentário ilustrativo sobre a importância de um de esses requisitos igualmente importante, que é o da vocação. Abordava igualmente um outro aspecto pertinente e que é outra praga da nossa sociedade, que consiste na dificuldade ou na mesquinhez que temos de trabalhar em equipa. "Temos um problema que é termos bons solistas mas sermos maus a trabalhar em orquestra e isso tem a ver com as limitações históricas" - disse. E escreveu a seguir: "Temos de ter um sistema de recrutamento com avaliação curricular e os candidatos têm que ter provas escritas e entrevista" .
Há muito que defendo esta ideia, mas de forma menos "diplomática". A profissão de Médico, vai - na minha óptica -, muito para além da licenciatura e das especialidades. É a única profissão, a que pela sua interligação imediata com a saúde pública, devia ser exigível o factor vocação. Antes de se candidatarem a Médicos, todos os alunos, incluindo os melhor classificados, deviam ser submetidos a rigorosos exames psicológicos [a que Sobrinho Simões prefere chamar entrevistas], para avaliar uma das maiores virtudes que um médico pode ter, para lá das técnicas e cientificas: a componente humana e a capacidade de comunicar com os doentes. Só assim se entende esta outra expressão de Sobrinho Simões: "Os 'minifundiários' e as 'pequenas invejas' são defeitos culturais e não genéticos".
Na política, aquilo em que os políticos mais investem é na representação. Passe a redundância,
não é politicamente correcto afirmar isto, mas na minha opinião, o politicamente correcto é outra forma de representar, por isso, apesar de termos de conviver com estas farsas, devemos ridicularizá-las o mais que pudermos. Quem gostar de representar terá definitivamente de optar pelo Teatro, pelo Cinema ou pelas Telenovelas. Ponto. Aos políticos, teremos de proibir essa vocação, porque é gravemente desviante e não é isso que esperamos deles.
Um indivíduo muito educado, muito polido [eu não pertenço a esse grupo porque não tenho relevância pública, podendo dar-me a certas brejeirices], pode não ser um indivíduo fiável e integro, mas se representa um alto cargo no Estado tem de ser superiormente educado, porque na eventualidade de recair sobre si uma suspeita de corrupção ou de qualquer outro tipo de crime, e for escutado a verbalizar ordinarices que até os simples cidadãos não usam, o povo tem todo o direito de duvidar da sua idoneidade. É apenas esse, o significado do velhinho e sábio ditado da mulher de César...Sábio, mas não quanto baste, para fazer com que certas figuras públicas tenham bem presente a elevação exigível aos seus cargos.
Com isto termino dizendo que, à luz destes exemplos, de tudo o que vamos descobrindo sobre os hábitos comportamentais das nossas "maiores" figuras do Estado, me considero , uma pessoa educada.
*
Apenas a partir deste pilar é que podemos falar em Justiça

06 dezembro, 2009

Boicotar quem?

Sobre o assunto do momento, o "caso Red Bull", sinto que tenho uma opinião que foge um bocado à generalidade dos pontos de vista que tenho lido, razão pela qual julgo que pode ter interesse dá-la a conhecer aqui, e deste modo poder talvez contribuir para o debate.

Qual é a génese do problema? Uma empresa, a Red Bull, firmou um acordo, válido por três anos, com os municípios de Porto e Gaia, no sentido de realizar sobre o Douro um festival aéreo que é basicamente um acto de promoção comercial daquela bebida. Terminado o contrato, verifica-se que um dos contratantes, o exibidor, resolveu procurar outro local para o próximo triénio. Será lógico considerar inadequado que uma empresa procure rentabilizar ao máximo os resultado de um evento que promove com fins exclusivamente comerciais? Porque razão se há de considerar a Red Bull como uma instituição de benemerência com a obrigação de substituir-se ao Estado, promovendo o turismo no Porto, mesmo com resultados financeiros menos favoráveis?

Obviamente que a questão tem outros contornos, o principal dos quais é a acção dos poderes públicos - directamente ou através de empresas participadas - no auxílio dado à Red Bull no sentido de lhe criar condições mais atractivas em Lisboa do que em Porto-Gaia. Dito isto, aponte-se a ignomínia (para utilizar o termo do António Alves) da actuação estatal que, como é hábito, beneficia a capital à custa de todos aqueles portugueses que não têm a "prerrogativa" de viver em Lisboa e arredores. Sim, porque ninguém acredita que empresas como EDP, PT, Galp, além da própria Secretaria de Turismo, não tenham patrocinado através de auxílios diversos, sobretudo financeiro, o desvio do festival do Douro para o Tejo, por muito que o neguem veememente. Daí que se proponha o boicote aquelas empresas, ao qual gostosamente estou pronto a aderir, já que não posso boicotar o Estado Português, sobretudo na miserável forma que ele hoje apresenta.

Quero referir um último ponto que não me lembro de ver focado em toda a dialéctica à volta deste caso. Se a não renovação do contrato com Porto-Gaia é por incapacidade financeira para satisfazer as exigências do promotor, não teríamos nós, os portuenses, o direito de supor e esperar que empresas de vulto do grande Porto se prontificassem a colaborar financeiramente, até como acto de publicidade, no esforço a levar a cabo para garantirmos o festival, pelo menos por mais três anos? E então fico a pensar se o boicote não deveria ser dirigido para empresas como Sonae, Amorim, Salvador Caetano, RAR, CIN, Sogrape, e tantas outras, que não se preocupam em levantar o estandarte da região. Acabo por ficar irritado comigo próprio quando me lembro que procuro dar preferência aos seus produtos sempre que possível, sem me preocupar se são os melhores, para afinal verificar que no fim de contas se estão "nas tintas" para a região onde estão inseridas.

05 dezembro, 2009

Red Bull can be BullShit



Se a ignomínia for avante nós não o esqueceremos e actuaremos em conformidade.

em memória de meu pai que foi um fã de Mario Lanza




BOM FIM DE SEMANA

A cobardia de um Estado forte com os fracos

Será improvável num país onde a Justiça pura e simplesmente não existe, vermos os grandes criminosos [políticos & Ca.] a serem tratados assim pela Polícia. Em vez desta senhora que se limitou a exigir de um Banco administrado por ladrões, o dinheiro que era seu, a Polícia devia pegar pelo cachaço e meter na cadeia esta lista de pessoas:

Embaixador Jorge Ritto, jornalista Carlos Cruz, médico Ferreira Diniz, advogado Hugo Marçal, advogado Vale e Azevedo,ex-provedor da Casa Pia Manuel Abrantes, Paulo Pedroso ex.Ministro do Trabalho e "Solidariedade" [todos envolvidos no Processo Casa Pia excepto o ex-Presidente do Benfica que está fugido do país acusado de burla e falsisficação de documentos]. O mais influente dos "suspeitos" e que foi ilibado é curiosamente [só isso] irmão de um Juíz... e ainda recebeu uma indemnização do Estado!

Ex-Ministro e Conselheiro de Estado [com offshores...], responsável do BPN, Dias Loureiro, e todos aqueles que andam a tratar de fugir do envolvimento no caso Freeport, no Operação Furacão, etc. Estou também a lembrar-me vagamente de um Carlos Melancia e de Macau... e de um eventual tráfico de diamantes em Angola com um acidente de helicóptero pelo meio. Enfim, toda esta gente se safa e a Justiça permite que a opinião pública especule, porque os advogados, como sabemos só se interessam por defender quem lhes pode dar muito dinheiro a ganhar, mesmo que sejam criminosos retintos. Com os pobres, os advogados fazem umas cócegas para disfarçar, mas raramente levam os processos até ao fim.

É a gente deste nível - quase toda de Lisboa - que alguns doutores imbecis do burgo prestam homenagem e protegem dos ataques "provincianos" .

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Nota:
Tantos são os cambalachos que até me esquecia de referir o mais recente: o Face Oculta

04 dezembro, 2009

Norte Sim - Associação para a Região Norte - Reunião Preparatória


Carísssimos,

Venho por este meio convidar para reunião preparatória da Norte Sim – Associação para a Região Norte a realizar na Cooperativa de Ramalde (Rua Dr. Pedro de Sousa, 725
4100 – 392 Porto) no dia 11/12 às 19h00.

Ordem de Trabalhos - Constituição dos grupos de trabalho conforme a reunião anterior e inicio dos respectivos trabalhos :

Grupo 1 - Impacto das Barragens na região, 2 – Criação de Banco ou Caixa Regional, 3 - Desvios na Aplicação do QREN, 4 - Acessibilidades e Ferrovia, 5 - Apresentação e síntese sobre a Região Norte, 6 - Plano de comunicação, 7 - Internet (site, blog, forum e redes sociais), 8 - Organização geral.

Por favor estendam este convite a quem tiver interesse em participar.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Pereira [TVTel]

OBS.-Esta informação foi-nos enviada por e-mail pelo autor

O Jorge, é mesmo Fiel

Clicar sobre a imagem para ler
[Recorte extraído do jornal Grande Porto]
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