07 dezembro, 2009

Educação e vocação ou, simplesmente, valores

Ponto 1º.
Concordo absolutamente com a necessidade da junção de um conjunto de requisitos para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, como: Educação, Formação Académica, Técnica, Profissional e Vocacional.
Ponto 2º.
Sendo certo que, por razões de vária ordem, intelectual, económica e vocacional, uma grande parte não conseguirá reunir plenamente todos esses requisitos, é fundamental que reúnam, pelo menos, o primeiro deles. A Educação*.
A este propósito o Professor Sobrinho Simões - que o JN do passado sábado, dia 5/11, informou [e espero que se trate apenas de um lamentável lapso] estar a leccionar na Faculdade de Medicina de Lisboa, mas que suponho tratar-se da Faculdade de Medicina do Porto -, fez um comentário ilustrativo sobre a importância de um de esses requisitos igualmente importante, que é o da vocação. Abordava igualmente um outro aspecto pertinente e que é outra praga da nossa sociedade, que consiste na dificuldade ou na mesquinhez que temos de trabalhar em equipa. "Temos um problema que é termos bons solistas mas sermos maus a trabalhar em orquestra e isso tem a ver com as limitações históricas" - disse. E escreveu a seguir: "Temos de ter um sistema de recrutamento com avaliação curricular e os candidatos têm que ter provas escritas e entrevista" .
Há muito que defendo esta ideia, mas de forma menos "diplomática". A profissão de Médico, vai - na minha óptica -, muito para além da licenciatura e das especialidades. É a única profissão, a que pela sua interligação imediata com a saúde pública, devia ser exigível o factor vocação. Antes de se candidatarem a Médicos, todos os alunos, incluindo os melhor classificados, deviam ser submetidos a rigorosos exames psicológicos [a que Sobrinho Simões prefere chamar entrevistas], para avaliar uma das maiores virtudes que um médico pode ter, para lá das técnicas e cientificas: a componente humana e a capacidade de comunicar com os doentes. Só assim se entende esta outra expressão de Sobrinho Simões: "Os 'minifundiários' e as 'pequenas invejas' são defeitos culturais e não genéticos".
Na política, aquilo em que os políticos mais investem é na representação. Passe a redundância,
não é politicamente correcto afirmar isto, mas na minha opinião, o politicamente correcto é outra forma de representar, por isso, apesar de termos de conviver com estas farsas, devemos ridicularizá-las o mais que pudermos. Quem gostar de representar terá definitivamente de optar pelo Teatro, pelo Cinema ou pelas Telenovelas. Ponto. Aos políticos, teremos de proibir essa vocação, porque é gravemente desviante e não é isso que esperamos deles.
Um indivíduo muito educado, muito polido [eu não pertenço a esse grupo porque não tenho relevância pública, podendo dar-me a certas brejeirices], pode não ser um indivíduo fiável e integro, mas se representa um alto cargo no Estado tem de ser superiormente educado, porque na eventualidade de recair sobre si uma suspeita de corrupção ou de qualquer outro tipo de crime, e for escutado a verbalizar ordinarices que até os simples cidadãos não usam, o povo tem todo o direito de duvidar da sua idoneidade. É apenas esse, o significado do velhinho e sábio ditado da mulher de César...Sábio, mas não quanto baste, para fazer com que certas figuras públicas tenham bem presente a elevação exigível aos seus cargos.
Com isto termino dizendo que, à luz destes exemplos, de tudo o que vamos descobrindo sobre os hábitos comportamentais das nossas "maiores" figuras do Estado, me considero , uma pessoa educada.
*
Apenas a partir deste pilar é que podemos falar em Justiça

2 comentários:

Rui Farinas disse...

Caro Rui Valente,estou de acordo com todo o seu post. Compostura é coisa que parece faltar a muitos políticos proeminentes,e quando penso no "porreiro pá" em público,fico a pensar o que se dirá em conversas telefónicas que destacados políticos (ou banqueiros ou outos) julgam que não estão a ser escutadas...

Rui Valente disse...

Caro Rui Farinas,

recebeu o meu e-mail?