31 dezembro, 2008

Pequenas causas, grandes efeitos

No "falecido" IP5, agora transformado em A25 (tardiamente, mas finalmente) foi há anos decretado que seria uma estrada de "tolerância zero". Queria isto dizer que as infracções rodoviárias seriam punidas sem aquela complacência que o nosso atávico "nacional-porreirismo" permite. Nada seria perdoado, a lei seria aplicada com rigor. Devo dizer que este princípio da tolerância zero no IP5 sempre me fez alguma confusão, porque implicitamente essa declaração correspondia a dizer que nas outras estradas se consentia uma certa balda, pois poderia sempre ser permitida alguma tolerância para com os infractores. Tendo vivido em alguns países (europeus) e conduzido em muitos deles, nunca me apercebi que as polícias locais fechassem os olhos às infracções rodoviárias. Feitios, já que nós somos geneticamente avessos ao rigor, e no fundo é de rigor que se trata.

Uma das imposições referentes à circulação no IP5, e que ainda hoje se mantém no IP4, era a obrigação de circular, de dia, com os faróis acesos na posição de "médios". Também nunca percebi porque motivo uma medida que era suposta incrementar a segurança da circulação, não é estendida à restante rede viária do país. Será que só interessa evitar mortes no IP4 e IP5 pelo seu mediatismo, e se pode continuar a morrer à vontade nas outras estradas? Não sei, são mistérios das sábias cogitações dos políticos que nos governam.

Curiosamente, li hoje numa reputada revista científica francesa, que num estudo efectuado nesse país se concluiu que o facto de circular de dia com os médios acesos, permitiria diminuir as mortes nas estradas de França entre 5 e 8% e os feridos entre 3 e 13%.

Não se entende porque tal medida não é genericamente adoptada, juntando-se todos os países à Escandinávia e à Itália, onde a obrigação já existe ( em França, a partir de meados deste ano, é obrigatória a luz média em todos os veículos de duas rodas. Já é um começo). Sempre estive convencido que um dia a utilidade de tal medida será compreendida e ela acabará por ser regra geral.

Em Portugal, das duas uma: ou a UE a decreta e teremos de a transpor para a legislação nacional, ou então quando toda Europa já estiver convertida, um ministro dará instruções para o assunto ser estudado. Doutas comissões de burocratas serão nomeadas para intermináveis reuniões, sábios pareceres emitidos, juristas serão consultados sobre um presumível desacato à sacrossanta Constituição da República. Responsáveis pela decisão final empurrarão o problema com a barriga, enquanto for possível, decidindo-se por um nim.

Não será fácil, mas acredito que um dia seguiremos a tendência e a medida será contemplada no Código da Estrada.


P.S. - Estão próximas as 12 badaladas. Boas entradas a todos...

30 dezembro, 2008

Feliz Ano-Novo!

"Feliz Ano-Novo" em outras línguas
  • Alemão: Frohes neues Jahrar
  • Búlgaro: Честита Нова Година (Chestita Nova Godina)
  • Catalão: Bon any nou!!
  • Dinamarquês: Godt Nytår
  • Espanhol: Feliz Año Nuevo
  • Esloveno: Srečno novo leto
  • Esperanto: Feliĉigan Novan Jaron
  • Francês: Bonne Année
  • Hebraico: Shaná Tová
  • Inglês: Happy New Ye
  • Italiano: Buon Anno - Felice Anno Nuovo
  • Japonês: 明けましておめでとうございます (akemashite omedetou gozaimasu)
  • Lituano: Laimingų Naujųjų Metų
  • Neerlandês: Gelukkig Nieuwjaar
  • Polaco: Szczęśliwego nowego roku
  • Russo: Счастливого Нового Года {Schastlivovo Novovo Goda}
  • Sueco: Gott nytt år

Deambulando pela casa Tait

Extraído do blogue "O Verde e o cinzento"

Clique sobre o título do post para ler

Depois das rabanadas, a luta continua!

O post de Rui Farinas abaixo publicado, traduz, em poucas palavras, aquilo que muitos tripeiros e nortenhos pensam e raramente têm oportunidade para o dizer. Ele fala em "bater na mesma tecla", porque tem a percepção da realidade que domina este país, fracturado por um centralismo obsessivo e cego, que o descaracteriza e empobrece como uma autêntica peste. O Rui Farinas, como muitos de nós, tem a consciência da difusão massiva de uma "cultura" importada, feita à medida dos interesses do Terreiro do Paço, que, qual cancro maligno, não pára de crescer e criar metástases, como o desemprego e a miséria social. O Porto, em particular, e o Norte, em geral, são as regiões mais esquecidas pela macrocefalia da capital. Só nega isto quem estiver de má fé, porque os factos são por demais evidentes e prolíferos. Por isso, como pessoa conscienciosa que é, Rui Farinas sabe que tem de se repetir, de contrariar alguma tendência para o comodismo do silêncio, para a submissão do preconceito, que alguns manifestam.
Como ficou bem exposto na coluna de texto aqui à direita, desde o primeiro dia deste blogue, ele não foi criado para abrir as portas aos nossos inimigos (sim, inimigos). Bem pelo contrário, foi para abri-las aos de cá, aos amordaçados locais, aos que amam e sentem na pele a cidade do Porto e vivem no terreno os seus problemas. Não foi gerado para pulhas, de cá (sim, porque, por aqui também os há) e do exterior, e muito menos para aqueles grandes hipócritas que odeiam o Porto quando ele se agita e revolta, e o "adoram", quando se cala e parece deixar-se domar.
O Renovar o Porto, também não foi concebido para dar aulas de Democracia ao país, porque isso é coisa que o Centralismo melhor que nada, tratou (e trata) de provar que não existe. Por que haveríamos nós, afinal, de nos preocuparmos com o que não existe? O que temos de fazer é exactamente o contrário. Acordar as pessoas que eventualmente ainda não o tenham percebido. A Democracia em Portugal (e não só) é o grande embuste da História recente.
Dá-me alguma vontade de rir que alguns de boa fé, quando se contesta esta realidade, se agarrem à tradicional lengalenga de que a Democracia, é o "menos mau de todos os regimes", porque o "menos mau", ao contrário do que a expressão deixa transparecer, pode não significar sequer razoável, mas em rigor, um regime inacabado. É que a Democracia tem sido abordada como uma referência sagrada, intocável quase, quando devia era continuar a ser construída. E não está. Dorme ou está cansada. É preciso despertá-la.
Não me parece portanto, que quando criticamos o que não existe (a Democracia), se deva argumentar como se estivéssemos a tratar de realidades concretas, porque Democracia é muito mais do que votar e falar livremente. A Democracia objectiva o poder do povo efectivo. Não pode realizar-se em pleno, enquanto os eleitores não dispuserem de mecanismos simples de rejeição dos seus representantes menos dignos, inaptos e oportunistas.
A Democracia é, também, organização, em Liberdade. Não pode estar nas mãos de canalha, nem subjugar-se à escória social e económica que acompanha frequentemente alguns políticos. Essa é uma Democracia doente. Deixá-la como está, é promover o seu contágio às populações. Tem de ser mexida e ordenada. Convencermo-nos que a Democracia é uma espécie de diamante lapidado, é um profundo erro. A Democracia ainda não passa de uma intenção, não pode ser abordada como uma flor de estufa, pela sempre-eterna vulnerabilidade às ditaduras. Só democracias fracas e por construir, como a nossa, são verdadeiramente vulneráveis.
Reparem bem. Não me preocupa nada que me acusem de anti-democrata porque, como já o afirmei, não sei ainda com rigor o que é ser democrata. No entanto, é bom, de vez em quando, deixar fluir o pensamento das correntes contrárias para vermos bem como estruturam as suas ideias em relação aos portuenses e nortenhos. Quando os contrariamos, quando dizemos aquilo que eles não estão habituados a ouvir e a ler,pela quase ausência de contraditório nos meios de comunicação existentes, para além daquelas tretas que já cansámos de ouvir, de que a "culpa é nossa, etc", recorrem invariavelmente ao insulto, à tentativa de amesquinhamento.
Há aqui, de novo, um pirata que insiste em querer convencer-nos que gosta muito do Porto, mas não perde uma oportunidade para se pôr em bicos de pés, como é hábito (como diz o António Alves) dos «lisbonários». É só dar-lhes corda, que os modos ofensivos e pedantes não tardam a chegar à caixa de comentários. Só que, aqui, têm azar... Os insultos e ofensas são devolvidos ao remetente. Engolem-nos, como sapos.

29 dezembro, 2008

JN - o jornal do Porto?

Que o Jornal de Notícias se tem abastardado, sobretudo depois que passou a pertencer à família Oliveira, e deixou de ser um veículo de comunicação do Porto e do Norte do país, é sobejamente conhecido. Se ao menos tivesse incrementado o seu nível de qualidade informativa e literária, ainda vá que não vá, mas a qualidade dos redactores continua pelas ruas da amargura e envergonha o jornalismo diário nacional. Porque continuarei eu então a insistir em "bater no ceguinho"? Porque acho que um silêncio prolongado acaba por ser uma forma de conivência com a mediocridade, que inclui ainda uma tendência anti-Porto e até anti-FCPorto. Não estou a inventar nada e se duvidam leiam o jornal com atenção.

Raramente compro o JN. Hoje comprei. Verifico então que, a propósito do actual surto de gripe, é publicado com grande destaque o horário alargado dos Centros de Saúde a que os doentes podem recorrer, mas ... apenas os Centros de Saúde de Lisboa e arredores! Sem comentários.

Já agora, e a propósito, nunca entendi porque motivo o JN não publica a grelha de programas do Porto Canal, nem sequer no suplemento das sextas feiras onde têm lugar todos os canais, incluindo aqueles que são uma chachada e que ninguém vê. Será que o Porto Canal um dia ofendeu o Sr.Oliveira e agora, como retaliação, é ignorado pelo jornal? Por simples curiosidade gostava de saber o motivo, alguém me poderá esclarecer?

Aos meus colegas bloguistas e a todos os visitantes, desejo um 2009 com tudo de bom . Não percamos a coragem de combater tudo o que em nossa consciência está errado e necessita de ser alterado.

O Bastonário sem medo

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Qualquer pessoa minimamente atenta sabe que este Bastonário fala limpo, que é ele, mais do que qualquer outro, antes dele (e provavelmente, depois dele), quem está a descobrir a careca a um sistema de conluíos e de interesses obscuros, até aqui muito cinicamente disfarçados por "homens de lei" que se habituaram a confundir o prestígio com a conquista de fortunas fáceis.
Não, não é ele, decerto, o populista. São os seus adversários. Melhor dizendo: os seus inimigos mortais. Cuidado, Marinho!

26 dezembro, 2008

Hallelujah - G.F. Handel - "Messiah", Bethany College Choir

Links e opinões

Diferendo na recolha de lixo vai a tribunal

Do rol interminável de conflitos gerado pela incapacidade de Rui Rio na gestão da autarquia portuense, o único problema que se coloca aos eleitores locais, é descobrir qual é o maior. Se o da sua profunda incoerência de carácter, se, eventualmente, o da falta dele. Uma coisa é certa, em Lisboa, adoram-no! Só é pena que a hipocrisia dos meninos da capital não consiga evitar o óbvio: também não o querem por lá. Aqui é que ele está bem. Os portuenses não podiam ter pior inimigo...

DREN desvaloriza episódio da escola do Cerco

Quando alguém como Margarida Moreira, com a responsabilidade da Direcção de Educação Regional do Norte, diz, que as cenas de indisciplina ocorridas na Escola do Cerco do Porto, não passam de uma brincadeira de mau gosto que excedeu os limites do bom senso, está traçado o perfil das pessoas que são designadas para tão altos e sensíveis cargos. É das cúpulas que os jovens mais gostam de seguir os exemplos (maus).
Decorre desta realidade, perceber definitivamente, que não se podem esperar bons alunos com a manutenção de cargos desta natureza, por maus dirgentes. Não se pode perspectivar a abolição de fenómenos como o pequeno crime organizado (Brunos Pidás e outros), quando se coloca um manto de silêncio sobre o envolvimento de ex-ministros em grandes crimes económicos e financeiros (como Dias Loureiro, ainda conselheiro de Estado).
Fosse eu juiz, era por estes que começaria a fazer justiça, sem perdas de tempo.

25 dezembro, 2008

De: JA Rio Fernandes - "Negócios do Parque da Cidade"

Submetido por taf em Terça, 2008-12-23 16:26

Fui um dos muitos que critiquei publicamente o acordo feito pela Câmara de Nuno Cardoso Fernando Gomes para o alargamento do Parque da Cidade até ao mar (em vista das contrapartidas para os proprietários), assim como manifestei a preocupação pela forma apressada como muitas das obras do Porto 2001 estavam a ser lançadas e concretizadas. Mas (sim, porque há um muito grande mas), muito pior que isso foi a forma como Rui Rio construiu uma imagem de “pureza” e honestidade (que é um pressuposto e não tem de ser aclamada nem provincianamente reverenciada), sobre uma cidade parada.

Em nome dessa táctica, “congelou” uma política cultural essencial ao desenvolvimento urbano (como Guimarães e Santa Maria da Feira mostram bem), declarou que não existiria construção no Parque da Cidade (com naturais consequências face aos compromissos assumidos), abriu uma guerra primária ao FC Porto (sem quaisquer vantagens, senão para a sua popularidade no país em geral e particularmente em Lisboa), parou as intervenções na Baixa (quanto tempo esteve por fazer a Praça de Carlos Alberto e quanto tempo demorou a chegar o eléctrico da Baixa?), assim como na frente do Parque da Cidade (quantos anos esteve desocupado o Edifício Transparente) ao serviço da vontade de ridicularizar a acção da Porto 2001.

Mas as máscaras foram caindo.

  • - Os tribunais parecem não ver nada de especialmente grave nas relações entre a Câmara e o F.C. Porto, mas é público e notório que houve tratamento especial do município para com o Boavista (por sinal o clube de Rui Rio), com votação em Assembleia Municipal de uma alteração à proposta do PDM que favoreceu os interesses do clube.
  • - Ao contrário do que foi dito (e rendeu votos em declarações ampliadas por associações bem intencionadas), é publico e notório que o Parque da Cidade se está a esvaziar de verde, com pistas para aeronaves, piscinas para o Sport Club do Porto e agora edifícios de luxo na frente da Avenida da Boavista.
  • - A Câmara passou a fazer “animação” no lugar de promoção cultural (valha-nos Serralves, a Casa da Música, Miguel Bombarda e Cândido dos Reis).
  • - Proclamou-se o “regresso à Baixa”, mas desapareceu o CRUARB anos antes de ser lançada a SRU, agora fechando a FDZH (com comissão liquidatária que pelos vistos vai gerir verbas europeias!...) sem substituto que se conheça com acção de alcance idêntico.
  • - E nem vale a pena lembrar as constantes birras (em que é mestre), a propósito do metro na Boavista (com obras para rallies já feitas por conta da linha que haveria de vir, apesar da nega do Governo de Santana Lopes!), os recuos do Shopping do Bolhão (onde graças ao Ministério da Cultura parece que o bom senso pode imperar), os desatinos com a “erradicação” dos arrumadores, ou o negócio da demolição das Torres do Aleixo (para serem substituídas por um condomínio fechado?).

Não, não vale a pena agora pensar nisso. Sobre estes assuntos remete-se cada um para a sua reflexão e orientação de voto no final do próximo ano. Agora, o que vale a pena mesmo é pensar se os milhões que vão ser pagos (em terrenos, capacidade edificatória e cash) não poderiam ser melhor gastos.

Se nas opções e nas realizações as críticas eram muitas a esta Câmara, restava a Rui Rio a ideia de competente economista. Afinal, a meu ver (e é certo que não sou economista), parece que talvez seja bom em poupanças, mas além de colocar a cidade num estado de anemia, desvitalizada e desmotivada para produzir riqueza e contribuir um pouco para a infelicidade aos seus residentes e visitantes, faz agora um péssimo negócio. Para evitar uma área construída no Parque da Cidade que não deve ser superior à da pista de aviação e piscina do Sport, a Câmara dá dinheiro e terrenos no valor de 44 milhões de euros e ainda deixa construir mais no (intocável???) Parque da Cidade, quando esse dinheiro podia seguramente ser melhor gasto, por exemplo, no Parque Urbano Oriental, na qualificação da “estrada marginal” entre a Ponte D. Luís e o Freixo, ou para beneficiar o pavimento das ruas das Flores e Mouzinho da Silveira de uma forma que permitisse prolongar a linha do eléctrico do Infante.

Isto só para falar em obras e não fazer paralelo com a acção do deputado do PND da Madeira… é que 44 milhões bem divididos (pelos 233.000 residentes do Porto – estimativas do INE para 2005), correspondem a 172 euros a cada cidadão do concelho do Porto! O que por certo vinha mesmo a calhar para o Natal.


OBS.

Extraído do blogue A Baixa do Porto. Este post é da autoria de um socialista, mas não há nada nele que não corresponda à realidade. A máscara de Rui Rio está no chão.

19 dezembro, 2008

BOAS FESTAS!

IL DIVO WHITE CHRISTMAS

Fachada da Escola de Belas Artes

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Artigo de opinião do Arq.Correia Fernandes (JN)


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"É uma cidade desertificada" (Arqº Joaquim Massena/JN)

Autor de um projecto arquitectónico para o Mercado do Bolhão, aprovado há 10 anos e, segundo ele, perfeitamente actual, Joaquim Massena não entende por que razão os contribuintes terão que pagar por um outro. O arquitecto garante que o facto de continuar a falar nisto é apenas um acto de "pura cidadania".
Que comentário lhe merece a recente apresentação do presidente Rui Rio sobre o Mercado do Bolhão, no Porto?
É uma mão cheia de nada. Quer dizer, a viabilidade financeira assenta na hipotética indemnização da TramCroNe (TCN); nos fundos comunitários, sendo que os fundos do Quadro de Referência Estratégica Nacional acabaram em Outubro; e na venda das acções do Mercado Abastecedor, não se sabendo quando serão vendidas e por quanto.
E depois há a questão do programa, do projecto. Que programa, que projecto para o Mercado?
Há um projecto para o mercado do Bolhão, que foi aprovado em 1998, que tem todas as condições para ser executado...
Estará a falar daquele da sua autoria sobre o qual foi dito que, em alguns pontos, não defendia o património?
Sim, estou a falar desse. E não é verdade que não defenda o património, caso contrário nunca teria sido aprovado pelo IPPAR, por exemplo.
Deduzo que não entende como é que havendo um projecto, que, segundo o que diz, está pronto a ser executado, se espere mais um ano por um outro...
Naturalmente. Não se compreende. Se há um aprovado, com todas as condições, pronto a ser executado, para que é que vamos começar tudo de novo? Acho, francamente que o presidente Rui Rio deveria explicar isso à cidade.
Parece-lhe perseguição?
Francamente, espero que não, até porque eu e o presidente Rui Rio não nos conhecemos de lado nenhum.
Que ideia faz da gestão de Rui Rio?
É uma gestão visível, que não cuida da cidade do ponto de vista do património e das pessoas. Esta é uma cidade desertificada e não há qualquer acção para a sua regeneração. É uma cidade triste, sem gente, onde se verifica a agressão das macro-estruturas às estruturas mais pequenas.
Não teme que as pessoas pensem que está apenas a colocar-se em bicos de pé?
Se eu quisesse ver executado um qualquer projecto meu teria aceite a proposta da TCN para trabalharmos juntos. E não aceitei. Por razões óbvias, porque o projecto deles passaria por demolir o mercado. O que eu quero é ver a cidade respeitada. Os meus alertas são um acto de pura cidadania.
Fale-nos do projecto da sua autoria que foi aprovado em 1998 e que, como diz, tem todas as condições para ser executado...
É um projecto onde se mantém toda a traça do Mercado do Bolhão, mas que visa a criação das infraestruturas para as acessibilidades. Mantém-se o mercado tradicional e criar-se-ia uma rede de frio para a conservação dos alimentos. Por outro lado, o projecto prevê a resolução da questão das cargas e descargas, o que acabaria por resolver o problema da higiéne alimentar. Visa também um parque de estacionamento para os comerciantes. Promete, finalmente, regenerar a edificação contígua ao mercado, que está devoluta. A intenção com esta última ideia é trazer as pessoas à Baixa, novamente.
O presidente Rui Rio disse-lhe a razão pela qual não quer concretizar a sua solução?
Não, mas deveria. Deveria dizê-lo à cidade e a mim. Gostaria de saber onde estão as anomalias do projecto de que sou autor. Mas eu vou perguntar-lhe. Já pensei em escrever uma carta a Rui Rio colocando exactamente essa questão. É um absurdo que se vá gastar dinheiro com um projecto novo quando há um, aprovado, com todas as condições para ser exequível. Não interessa se é a Câmara do Porto ou o Ministério de Cultura que o vai pagar, porque seremos sempre nós, todos nós.
Mantém a esperança, por mais ínfima que seja, de vêr o seu projecto sair da gaveta?
(pausa)Sim.

18 dezembro, 2008

Porto «laranja»

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Quanto vale Rui Moreira em eleições para a Assembleia da República ?




Notas do Norteamos:

Ler post prévio:
O tempo urge, caro Dr Rui Moreira;
Esta sondagem é de minha iniciativa.
Não houve qualquer contacto prévio com o Dr Rui Moreira.
Apresentei cenários de participação em listas partidárias pouco ou nada realistas (Rui Moreira candidato nas listas de partidos de esquerda) ou até mesmo indesejáveis (Rui Moreira candidato nas listas do PS ou PSD). Porém preferi dar ao leitor essa liberdade de escolha.
A sondagem termina no dia 20090109 às 23:59.
Este sistema de sondagens online não permite votação duplicada, pelo que terá alguma credibilidade.
Irei solicitar aos blogues, Nortadas, Baixa do Porto, Portuense, Portistas de Bancada, Renovar o Porto, entre outros para publicarem a sondagem, de forma a ser o mais abrangente, fidedigna e útil possível.
José Silva

Nota RoP: Esta foi uma sugestão da iniciativa do blogger Norteamos. Como o autor admite, este é um quadro pouco realista. Rui Moreira, na minha opinião só terá sucesso se criar o seu próprio movimento/partido político, com "sangue novo". Colá-lo a qualquer dos partidos políticos existentes, é desacreditá-lo à partida.

Democracia desportiva à moda de Lisboa




Faz tempo que dediquei uma semana inteira a publicar as primeiras capas dos jornais desportivos. Todos puderam constatar os factos. O clube vermelho, representante residual do velho regime, tinha 99,9% das preferências editoriais. Desde então, nada mudou, nem podia mudar...
Nem mesmo O JOGO, consegue escapar à medíocridade centralista. Reparem que apesar de dar destaque na edição de hoje à vitória do FCPorto, não "resistiu" a plasmar a foto do Di Maria sobre a do Hulk...
PS-Meus caros, não fazem ideia do lixo centralista que tem chegado à caixa de comentários. É só ordinarice, fanfarronice e vigarice. O objectivo parece ter sido atingido. Continuemos. Estamos no bom caminho.

17 dezembro, 2008

Declaração de «interesses»

Antes de mais, informo que quem estiver à espera que eu comece a dar trela aos inimigos do Porto, a escancarar-lhes as portas deste espaço de cidadania, criado especialmente para o Porto e para a sua gente, para poderem continuar a destilar veneno como destilam nos seus centros de propaganda neo-nazi públicos e privados (televisões, rádios e jornais) , desengane-se, porque a porta fechou.
Não tenho qualquer sentimento de afinidade etnográfica com Lisboa, nem me preocupam as suas carências existenciais, as suas crises económicas e financeiras. Pelo contrário, a única coisa que me liga à capital é a frustração e a desonra de o ser. Não tem sabido ser digna desse estatuto. Lisboa, e todos quantos trabalharam para a sua engorda (incluindo alguns "portuenses" degenerados), não me interessa, só me interessa aumentar a distância que me separa dela. Por conseguinte, ninguém espere que por aqui entre o lixo intelectual que tem tentado atrofiar o carácter da nossa gente, desde Abril de 74.
A «Democracia» centralista, lixou-nos! Basta! Daqui não levam nada. Só desprezo. Se quiserem comentar, denegrir o Porto, peçam à RTP ou à SIC. Eles costumam ser bons anfitriões para os defensores das causas centralistas, por isso, quem estiver interessado, que vá bater a essas portas.
Off topic: Viva o FCPorto! Já só está a dois pontos...

O presidente que o Porto insistiu em ter

Rui Rio é um homem que terá certamente algumas qualidades, mas que inquestionavelmente tem múltiplos defeitos. Um deles é sem dúvida a casmurrice, o que num gestor é péssimo. Um gestor que ultrapasse o limite da persistência na defesa de ideias em que racionalmente acredita, mantendo a todo custo posições previamente tomadas apenas porque não quer dar o braço a torcer, além de dar provas de que sofre de falta de auto-confiança e de personalidade, está lançado no caminho de potenciais desastres. É o que acontece com o homem que os portuenses, por razões que ainda não consegui entender, elegeram e re-elegeram. O seu histórico de casmurrices é imenso, mas vem isto a propósito da novela do Bolhão, onde essa casmurrice é bem patente. Deixando de lado todo o enredo, refiro-me apenas à sua última decisão: entregar a execução do projecto de recuperação do mercado ao Igespar, descartando o projecto que há anos tinha sido feito pelo arquitecto Joaquim Massena, por incumbência da própria câmara, e que esta pagou.
Não tenho bases concretas para apreciar o projecto Massena, e por isso até posso aceitar que seja indequado. Mas nestas circunstâncias o mínimo que se exigia do presidente da câmara era que justificasse validamente a sua recusa. Em vez disso RR expressa pífias razões, segundo a transcrição da imprensa. "O que me têm dito é que o projecto não defende totalmente a traça do edifício; não é um garante total da preservação do mercado." É preciso lata ou falta de memória patológica para alguém que aprovou a quase destruição do Bolhão, vir agora exprimir preocupações com a sua preservação!
Por outro lado, esta coisa de referir "o que me têm dito", não é aceitável num decisor responsável, que não pode dar a impressão que emprenha pelos ouvidos e decide com base em meras conversas, sabe-se lá com quem. O decisor responsável tem de se apoiar em sólidos e fundamentados pareceres que lhe mereçam confiança. Pelos vistos não foi o caso.
RR diz também, continuando a tentar explicar a sua decisão de recusar o projecto Massena, que "se pegássemos neste projecto era quase para o reformular de ponta a ponta e tínhamos que pagar mais". Também lhe disseram isso?
A indigência destes argumentos é assustadora e revela, entre outras coisas, falta de consideração pelos munícipes. Quando penso que há o risco de ter o homem a cumprir um terceiro mandato, até tremo...

Provincia é Lisboa

Uma das mais injustas falácias do centralismo ao longo dos 34 anos de enganosa democracia, foi tentar depreciar e desvirtuar as qualidades das gentes do Norte. O Porto e o seu povo, foram o alvo especial. Do futebol à cultura, do trabalho à educação, à própria sociedade civil, procurou-se denegrir praticamente tudo o que por cá acontece. Os louros dos grandes paradigmas cívicos, iam (e ainda vão) todos para Lisboa. Para nós, está sempre reservado o estigma do provincianismo.
Ainda assim, nem mesmo a doença das vacas loucas conseguiu roubar-nos o prato mais típico e genuíno dos portuenses (as tripas à portuguesa). Mas a ASAE bem tentou. Em vão.
O problema maior de Lisboa, dos dirigentes "nacionais" e da própria população local, é ainda não terem percebido que - como acontece aos humanos - a engorda excessiva pode provocar graves problemas de saúde. Se não refrearem a tempo o ímpeto devorador dos recursos nacionais, o açambarcamento imbecil de tudo o quanto é investimento público para a capital, talvez um dia fiquem sós no país, entregues a si mesmos, sem a menor reacção de solidariedade do todo nacional. Historicamente, Lisboa está em dívida com o Porto, mas continua estupidamente a fazer de conta que não sabe.
Apesar dos maus tratos a que tem sido submetido depois do 25 de Abril (mais do que em ditadura), das ofensas premeditadas, o Porto resiste e supera-se. Sem apoios estatais significativos, com mais dificuldades e pouco dinheiro, destaca-se em áreas importantes da vida pública. Estou a falar da Universidade do Porto, a maior e mais prestigiada a nível nacional. Estou a falar do Hospital S. João, considerado o melhor do país (incluindo Lisboa). Estou a falar, como não podia deixar de ser do Futebol Clube do Porto, o clube mais vencedor, mais sério, mais competente deste pobre rectângulo de terra.
Os provincianos da alface, os saloios do imediatismo, os paranóicos do encarnado, os 6 milhões de apátridas, estão bem localizados: em Lisboa. Infelizmente, o Porto abriu-se (dizem) para o Mundo, e com isso abriu as portas a alguns que por cá ficaram e fizeram prole. Desenraizados. Como são todos os verdadeiros provincianos* ...
* Neste contexto, provinciano, igual a bacôco, deslumbrado, novo rico, parvalhão.
PS-
Última Hora! A Sociedade Portuguesa de Oncologia acaba de premiar o IPO (Instituto Português de Oncologia)/Porto. É só mais uma "provincianice".

16 dezembro, 2008

Património do Estado


Este magnífico edifício é património do Estado. Situa-se na Rua de Santa Catarina, do lado direito, quem desce, a partir da ligação com a Rua de Gonçalo Cristóvão. A placa junto à porta, refere que ali devia funcionar um qualquer organismo (Câmara da Agricultura do Norte) do Ministério da Agricultura. Como se pode perceber pelas imagens, dá ideia de estar abandonado, como abandonada está a nossa agricultura. Portanto, faz todo o sentido...

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Links da região (Fonte: JN)

5,9 milhões transformam marginal em Via Atlântica

Economia do Norte recupera mas ainda fica longe da média

Loja do cidadão vai nascer no Arrábida *

*Em Gaia há dinamismo. Projecta-se e executa-se (e com relativa rapidez). No Porto há (poucos) planos e raramente se realizam.

15 dezembro, 2008

Rui Rio quer criar Grupo de Acção Disciplinar para os funcionários da Câmara do Porto

15.12.2008,
José Augusto Moreira (Público)

Proposta do presidente da autarquia é apreciada na reunião de amanhã do executivo municipal


O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, quer criar um organismo "exclusivamente adstrito à função disciplinar" na autarquia e avançou já com uma proposta nesse sentido, que será apreciada na reunião de amanhã do executivo municipal.
A ideia passa pela "constituição de um projecto transitório a designar como Grupo de Acção Disciplinar", que deverá funcionar "no seio e directamente dependente" do Departamento Municipal Jurídico e de Contencioso (DMJC). A proposta é justificada com a entrada em vigor, no próximo ano, do novo Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores que Exercem Funções Públicas (Lei n.º 58/2008), que estabelece prazos mais apertados e impõe que seja o executivo municipal a decidir sobre a aplicação de todas as sanções disciplinares.
Nas considerações que expende para avançar com a criação do novo organismo, Rui Rio sustenta que "a acção disciplinar no município do Porto se caracterizou, até 2003, por uma muito significativa e reconhecida ineficácia" da qual resultava uma "tendência quase inevitável para a decisão de arquivamento dos procedimentos". A situação, defende o presidente da câmara, alterou-se a partir de Março de 2005, com a criação do DMJC, que passou "a assegurar a coordenação das actividades de instrução dos processos disciplinares, de inquérito e ou averiguações aos serviços e funcionários do município". Além de "uma maior qualificação" na instrução dos procedimentos de natureza disciplinar, Rui Rio entende que se passou também a garantir "o controlo dos prazos de tramitação". Face às notícias de que nalguns casos os funcionários sancionados pela câmara têm visto os tribunais dar-lhes razão e obrigado a autarquia a rever os seus procedimentos, o PÚBLICO procurou saber o número de processos instaurados desde então e os seus resultados, bem como as consequências resultantes das situações em que houve recursos de natureza judicial. As questões foram remetidas na passada sexta-feira, por e-mail, através do gabinete municipal de comunicação, mas não obtiveram ainda resposta.
Uma das questões que têm levantado dúvidas é precisamente a que diz respeito aos casos em que as sanções teriam que ser obrigatoriamente aplicadas pelo executivo municipal, tendo o DMJC vindo a seguir uma interpretação que estará na origem de alguns revezes para o município nas apreciações feitas pelos tribunais. Além do encurtamento do prazos, tanto de prescrição como para a tramitação do procedimento disciplinar, o presidente da câmara invoca especificamente o facto de as mudanças legislativas que entram em vigor a 1 de Janeiro terem "optado por reservar ao executivo camarário a competência para aplicação de todas as sanções disciplinares, aí se incluindo a própria repreensão escrita", como salienta Rui Rio.
Segundo a proposta do presidente da câmara, o projecto para a constituição do Grupo de Acção Disciplinar tem um carácter transitório, devendo funcionar pelo período de dois anos.
Nota de RoP:
Sem comentários...

13 dezembro, 2008

Salvem os Ricos

Excelente humor sobre uma das maiores pulhices dos últimos tempos.

Avivar a memória...é preciso

Clicar sobre a imagem para ler o texto
Duas páginas digitalizadas do 1º. Volume do livro "Ascensão e queda do III Reich", (de William L. Shirer), cuja leitura recomendo a quem não tenha ainda lido, para perceberem como são ténues as fronteiras entre Democracias mal paridas e Ditaduras sanguinárias, como foi a de Adolfo Hitler. Esteve livro devia ser de leitura obrigatória para todos os candidatos a políticos, para terem noção dos perigos a que expõem os povos quando enveredam pelo carreirismo político.

12 dezembro, 2008

Quem não viu, veja. Quem não ouviu, ouça.

Ver aqui. entrevista de Medina Carreira à SIC. Sem papas na língua.

Intervenção do Dr. Rui Moreira no Edifício da Alfândega, a 11 de Dezembro de 2008, a convite da DELOITTE

Cique sobre o título do post para ler o texto completo

"Infelizmente, este orçamento de Estado é o da cigarra, consentido pela inépcia de quem deveria defender alternativas e pela inércia de todos nós, que somos as suas formigas amestradas e diligentes. Enquanto assim for, o Estado escapa à crise, continua a viver confortável e irresponsavelmente, devorando uma parte cada vez maior no que resta no nosso celeiro."

Intervenção do Dr. Rui Moreira no Edifício da Alfândega, a 11 de Dezembro de 2008, a convite da DELOITTE

Johann Strauss Jr. Fledermaus Overture - Carlos Kleiber

Mais «populismo». Pero, por que no te callas, hombre ?

Nova queixa lança suspeitas sobre Dias Loureiro
(Jornal de Negócios)

Maria José Morgado, coordenadora do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, recebeu uma denúncia que envolve Dias Loureiro e que se refere à venda da empresa Plêiade e à compra de acções da Sociedade Lusa de Negócios, através do responsável. A denúncia aponta para que possa ter havido crime de branqueamento de capitais.
A notícia é avançada hoje pelo “Correio da Manhã” que revela que a denúncia diz que com os negócios feitos com José Roquette em Marrocos, Dias Loureiro ganhou 250 milhões de euros. Mas, quando aqueles se zangaram e para “não declarar” os lucros recebidos o património da Plêiade, dado por Roquette a Dias Loureiro, foi integrado na SLN. “Esta transacção valeu-lhe o direito de indicar três administradores da sua confiança para o grupo SLN/BPN”, lê-se ainda no documento, no qual se dá conta de que parte do dinheiro acabou por ser mais tarde transferido para a UBS – União de Bancos Suíços.
O jornal adianta que a denúncia descreve, ainda, com pormenor como funcionava o esquema de branqueamento de dinheiro que normalmente envolvia o BPN e o mesmo banco suíço, com transferências simultâneas para que não fosse encontrado o rasto do dinheiro.
Nota RoP:
A Dra. Maria José Morgado tem aqui uma belíssima oportunidade para mostrar o que vale. Depois do fogo fátuo a que se resumiu a perseguição e o mediatismo com Pinto da Costa, só lhe resta esta oportunidade para limpar a imagem de justiceira. Agora, a parada é mais alta. Vamos lá ver, no que dá.

Pré Visão

Se querem ter uma pré visão do que se passará na Região Norte a breve prazo (qualquer faísca bastará), olhem para a Grécia. Mas o preocupante é que não existirá qualquer partido/organização/movimento genuinamente interessado em defender este povo, e devidamente implantado no terreno, para enquadrar e liderar a revolta.

Links e opiniões «populistas»

Rio não fala de almoço de Manoel Oliveira com autarca de Lisboa


Acho muito bem. O calado, é o melhor. É apenas, mais um pequeno «equívoco», do autarca local...
Diz o comunicado do Município portuense que na presidência de Rui Rio, é costume entregar as chaves da cidade a figuras emblemáticas da mesma, apresentando os casos de Augustina Bessa Luís e de Siza Vieira, pelo reconhecimento (cito) do respectivo prestígio nacional e internacional.
Obviamente, depois disto, vem-nos logo à memória o caso de Pinto da Costa e do Futebol Clube do Porto, que a avaliar pela forma como foram (des)tratados, aquando da chegada do edil à Câmara, dificilmente terão direito a tal reconhecimento, apesar da visibilidade que tem o futebol, e do factual prestígio que goza o clube portuense a nível mundial.
Provavelmente, hoje, a Rui Rio, não faltará vontade (política) para dar a mão à palmatória e homenagear também o clube portuense e seu responsável máximo (porque ele até sabe que a merecem), mas depois da bofetada de luva branca dada por Manoel de Oliveira, agora é que tal gesto de humildade se lhe tornou impossível. Também acho "coerente".


Vamos discutir os deputados

(artigo de opinião de Pedro Ivo Carvalho,JN)

"Os portugueses são particularmente ágeis em ditar sentenças. E então quando na cadeira do réu está a classe política batem a própria sombra* em rapidez".

Peguei nesta frase porque me parece a que melhor retrata o conservadorismo regimental dos jornalistas. Quase sempre, dão uma no cravo e duas na ferradura, e, não sendo propriamente inábeis a manobrar as palavras acabam muitas vezes por deixar um rasto de credibilidade nos artigos que publicam. Foi este o caso, e a interpretação que fiz do que li. Gostei, mas no fim, senti o sabor amargo de alguma incoerência, ou melhor, de algum receio do jornalista de chamar (como diz o povo) "os bois pelo nome", de, eventualmente, ferir a susceptibilidade de quem, lhe garante o emprego.
Enfim, há sempre uma palavrinha algo moralista pelo meio, não vá o povão levar à letra a indignação crescente (e justificada) que sente pelos péssimos exemplos da classe política. Assim, o senhor jornalista vai-nos "recomendando" sensatez, alguma dose de "doçura" crítica, e sugere que não caiamos na tentação de pensar que "as dezenas de deputados que faltaram, há uma semana, à votação de uma proposta do CDS/PP que recomendava a suspensão do processo de avaliação dos professores são retrato fiel e acabado da mole que se senta no hemiciclo. Porque não são". Logo a seguir, contudo, diz que esse fait-divers (palavras de Mário Soares) a que ele chama drama, acontece, por culpa própria da classe política (sic).
Depois, fala das declarações infelizes do deputado Guilherme Silva e das merecidas reacções da opinião pública. Depois ainda, diz-nos que a ética não se impõe, ou se tem, ou não se tem, não vão lá por decreto. Para concluir, mais adiante, questiona para que servem os 230 deputados da AR e quem é que eles representam?
O que é curioso, é que este artigo de um profissional da comunicação social, pouco mais faz do que eu e outros cidadãos fazemos, regularmente, ou seja, questionar quase tudo. Por quê? Porque, de facto, aqui, em Portugal, quase nada funciona bem e nós pouco mais podemos fazer do que observar e praticar o tradicional desenrascanço para resistir à inépcia governativa e sobreviver-lhe.
O problema, é que o articulista questiona muito e reclama pouco. Não consegue ser afirmativo nem solicita reformas efectivas, a começar pela exigência imediata de um maior e mais eficaz controle do eleitorado face ao poder político que o «representa» para assim poder lidar eficientemente, com estes abusos, estas cenas de meninos colegiais a quem o papá, endinheirado, assegura a conclusão do curso académico, mesmo que seja burro e preguiçoso!
Sejamos sérios, e esqueçamos o verniz: têm os nossos governantes revelado competência na gestão do país? Têm-se empenhado na solução concreta dos nossos sempre-eternos problemas, com trabalho e dedicação? É claro, é evidente, salta à vista que não! São ou não uns incompetentes? Em que ficamos? E, será sensato, respeitável, considerar populistas estas afirmações?
Pessoalmente, quero crer que nem todos serão iguais, mas não seria uma louvável atitude de solidariedade e dever cívico, que os políticos responsáveis denunciassem os colegas inúteis que lhes mancham a credibilidade e a reputação? Se eles não o fazem, como pode o eleitorado fazê-lo? Passando séculos a levantar interrogações, escrevendo em jornais e na blogosfera? Por que não se mostram incomodados e inconformados os "bons" elementos dos partidos com os "maus" exemplos dos seus colegas? Não será esta opção de silêncio ou alguma poeira para os olhos do povo com medidas avulsas e inócuas, uma implícita cumplicidade com os prevaricadores?
Sendo "consensual" que os tradicionais partidos de oposição (pequenos partidos) não são "credíveis" pela sua baixa expressão eleitoral, como poderemos nós contornar o problema, sem ser pela força da Lei? E a Lei, para vestir bem o seu fato, tem de cumprir com as consequentes penalizações dos prevaricadores, sejam eles quem forem, porque,os maus exemplos da classe política, dos homens do Poder, são os que mais facilmente são imitados pelo resto dos cidadãos. Não sendo assim, que respeito podem infundir às populações quando do topo do Poder saem exemplos como os que temos observado em anos sucessivos de suposta democracia? Ainda nos pedem discursos contidos? Esta gente a última coisa que merece é respeito.
A Democracia não existe, e andamos todos a assobiar para o ar, convencidos que não percebemos esta realidade sem darmos passos concretos para lhe dar vida e sentido. Isto de termos Liberdade para dizer o que pensamos, não chega, não governa famílias.
Senhores deputados "sérios", por favor, é mais do que tempo de mostrarem serviço, investiguem, apurem de facto responsabilidades e ponham, sem tardança, na rua, os malandros dos deputados que andam a gozar na nossa (e na vossa) cara impunemente. Ou preferem ter "amigos" (leia-se, colegas de partido) deste calibre?
Nesse caso, não se atrevam então a continuar a pronunciar a palavra "populismo", porque, em contra-ponto, a que me ocorre dizer reactivamente é: cadeia! Com V. Exs., lá dentro. O tempo necessário para despoluir a sociedade ingovernável que pariram.
* Por outras palavras: somos como o Lucky Luke. O que esperamos para deitar a mão aos irmãos Dalton do Poder?

11 dezembro, 2008

Resquícios de Outono



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Hoje, dia do 100º.aniversário, Oliveira. Amanhã, estará na (sua) cidade do Porto, em Serralves

José Manuel Ribeiro/Reuters
Jonathan Romney compara Oliveira a Tolstoi: "Mas Tolstoi não é tão divertido"

Críticos internacionais e um realizador português falam daquele que dizem ser um dos maiores cinestas do mundo

11.12.2008 - 09h33 Kathleen Gomes

“Estamos habituados à frase Manoel de Oliveira é um dos maiores cineastas do mundo”, não estamos habituados à frase “Manoel de Oliveira é o maior cineasta do mundo". O autor é francês – se calhar, só a crítica francesa, decisiva no processo de reconhecimento de Oliveira, teria autoridade suficiente para afirmar uma coisa aparentemente tão audaz. E ela não é de agora, quando, apesar de tudo, seria mais fácil proclamá-lo – cem anos são cem anos, a vénia é recomendável. Frédéric Bonnaud, ao telefone a partir de Paris, garante que nem sequer estava a ser irónico quando escreveu isso. “É uma graça, mas é real.

Serge Daney, um grande crítico francês, costumava dizer, quando encontrava Oliveira, “eis o maior cineasta do mundo”, e Oliveira ria-se. A questão é que Daney acreditava mesmo nisso. E eu também.”

Foi o que levou o PÚBLICO a contactar críticos, exegetas e programadores da obra de Oliveira nos Estados Unidos, Espanha, Reino Unido e Portugal: o que é que encontram de particular no cinema do realizador português, o que é que faz dele, senão o maior, um dos maiores cineastas do mundo? É preciso avisar que o Oliveira deles não tem nada a ver com o senso comum – as descrições sobre as quais se metem de acordo são coisas como “ultracontemporâneo”, “lúdico”, “aventureiro” – mas também são espectadores incomuns, isto é, viram (e, nalguns casos, mais do que uma vez) a totalidade, ou quase, dos filmes de Oliveira.“É muito fácil explicar por que é que ele é o maior cineasta do mundo”, diz Bonnaud. “O cinema, mesmo quando é um grande cinema feito pelos maiores cineastas, obedece a um certo número de regras que são intocáveis.

O que é fascinante em Oliveira é que ele não respeita regra nenhuma. É alguém que opera quase como se não tivesse havido cinema antes dele – é preciso inventar ou reinventar tudo. É como um primitivo italiano que tem de inventar a pintura porque ela não existe antes dele ou como Jean Dubuffet ou Picasso, que não se contentam com os códigos da pintura, mas que a querem reinventar o tempo todo.”“Manoel de Oliveira é a mais bela anomalia do mundo”, escreveu Bonnaud em 2000, num texto para um catálogo do Festival de Turim sobre o realizador, e era, evidentemente, um elogio. Aí, o crítico francês demonstra como Oliveira não faz nada como ninguém.

“Não existem cinco cineastas que sejam tão livres assim”, diz Miguel Marías, ex-director da Cinemateca Espanhola, figura tutelar da crítica em Espanha (e irmão do escritor Javier Marías). “A única certeza que se pode ter é que cada filme seu será uma surpresa: nunca é convencional, é sempre atrevido”, escreve, por mail.

Sim, Oliveira faz cem anos, mas para lá de tudo aquilo que é imediatamente impressionante nessa longevidade, o mais admirável é o que fez com ela, o “desprendimento e a liberdade que esse trajecto lhe dá”, como assinala o realizador João Mário Grilo, uma das pessoas que em Portugal mais consistentemente têm escrito sobre a obra dele. “O Oliveira tem essa coisa de não ser um clássico – é um cineasta com cem anos, mas não é um clássico. Está permanentemente a criar um efeito-surpresa, é capaz de fazer um filme mínimo a seguir a um filme máximo. Aliás, costuma fazer isso.”

À frente do cinema actual o leitor já percebeu: Oliveira é um caso à parte no cinema. Mas essa dissidência, fundadora de tantos equívocos e da divisão que existe sobre a sua obra, não é programática (no sentido de deliberada) ou puramente excêntrica, nem existe para contrariar as plateias (como, por vezes, os portugueses parecem pensar do seu cinema). As razões para isso derivam do facto de ter começado a filmar numa altura em que o cinema estava no começo, antes de muitas das inovações que viriam a transformá-lo (isso confere-lhe uma inteireza: “é como no cinema de John Ford, o mais importante são os valores que se desprendem do filme”, assinala Grilo), do seu invulgar percurso (as paragens “forçadas”, durante a ditadura; e o crescente ritmo criativo das últimas duas décadas).João Mário Grilo nota, por exemplo, que um filme como Amor de Perdição (1978), objecto de escândalo à época, surgiu num contexto pós-Revolução, e era radicalmente diferente do cinema militante que estava a ser feito à altura. “De repente, o filme parece totalmente deslocado dessa ‘moda’. Ele apresenta uma certa retoma dos sentimentos num momento em que isso parece totalmente fora da ordem do dia. A grande questão do filme é se se pode amar, ainda, assim – a tal ideia do amor de perdição.

”Jonathan Rosenbaum, decano da crítica americana, diz que Oliveira “está à frente de muito do cinema que é feito hoje”. Grilo, novamente: “É muito mais fácil, daqui por 20 anos, as pessoas enfardarem-se com o Bergman do que com o Oliveira. Bergman é alguém muito mais comprometido com o seu público”, porque os seus filmes, genericamente falando, lidam com “temas existenciais” que correspondem às preocupações da sua geração.“Oliveira nunca está a trabalhar para um público”, distingue Grilo, e esta afirmação não deveria ser objecto de indignação – ninguém se escandaliza que Van Gogh não tenha pintado para um público (o que é inseparável da sua grandeza).

“Uau, de onde vem isto?”O primeiro filme de Oliveira que o britânico Jonathan Romney viu foi Non, ou a Vã Glória de Mandar (1990). “Não sabia como classificá-lo. Não sabia se pretendia ser kitsch, se era satírico, ou até que ponto jogava com as convenções do cinema. Os filmes dele confundem as expectativas.” O artigo que Romney assina na revista Sight & Sound deste mês, a propósito do centenário de Oliveira, é, no fundo, a recensão de um óvni – o texto é pródigo em adjectivos como “estranho”, “escorregadio”, excêntrico”, “obscuro”, “bizarro”.

O cinema de Oliveira, diz Romney ao telefone, “é um género em si mesmo”.Richard Peña, programador do New York Film Festival e um dos grandes divulgadores de Oliveira nos Estados Unidos – foi ele que organizou a primeira retrospectiva americana, “Manoel de Oliveira é a mais bela anomalia do mundo”, escreveu Bonnaud em 2000, no catálogo do Festival de Turim sobre o realizador, e era, evidentemente, um elogio em Chicago, em meados da década de 80 – reconstitui a primeira impressão que os filmes dele lhe causaram. “Apesar de ser um filme europeu, o efeito foi de estranheza. Os filmes estrangeiros em geral são muito diferentes do cinema americano, mas o Oliveira parecia vir de outro lugar e de outro tempo, quase. É como se a história do cinema tivesse tomado outro rumo. Os seus filmes parecem mostrar-nos o que é que o cinema seria se tivesse escolhido a via do teatro em vez da literatura.

”Randal Johnson, professor de Literatura Luso-Brasileira na Universidade da Califórnia (UCLA) e autor do único livro em inglês sobre Oliveira, publicado em 2007, conta: “Nós abrimos uma retrospectiva aqui na universidade com Viagem ao Princípio do Mundo e a reacção das pessoas foi: ‘Uau, de onde é que isto vem?’ Elas saíram dali com vontade de ver mais filmes dele.”Oliveira é um autor praticamente confidencial nos Estados Unidos, Reino Unido e Espanha, um realizador com seguidores nos circuitos cinéfilos e minorias exíguas (Rosenbaum nota a existência de um culto recente de “filmes exigentes” na Internet, nos blogues) – excepto em França, onde, como assinala Bonnaud, o facto de se ter associado a actores conhecidos como Catherine Deneuve, Michel Piccoli ou John Malkovich, lhe permitiu “tocar um público mais amplo”.

Miguel Marías nota que ele é, hoje, um cineasta mais divulgado do que há 20 anos, ou seja, a probabilidade de um crítico espanhol ter contactado com a sua obra é maior, mas isso significa que “juntamente com os cinéfilos e críticos que o admiram, agora há os que viram algum filme e o detestam”. “Oliveira ainda está a ser descoberto”, diz Romney. “E vai continuar a ser descoberto.” Não é só no Reino Unido – em Portugal também. “Não sei com quem compará-lo. No cinema não há ninguém. Na literatura, há o Tolstoi, que também tem uma produção inesgotável. Mas Tolstoi não é tão divertido”, afirma Romney.E não é humor britânico.

*Extraído do jornal Público

o decreto comentado, por ssru


“Porque esperam, meus senhores?” é uma pergunta legítima que fizemos no artigo anterior, mas com dupla intencionalidade, porque perante tanta ferramenta para trabalhar interrogamo-nos porque é que tão pouco fizeram; e por outro lado também sabemos que vos falta o principal, aquilo que falta a (quase) todos: o dinheiro, o capital (com implicações no capital humano)… que tarda a chegar, e cuja ausência ninguém admite ser o grande obstáculo, para não ferir as susceptibilidades de quem tem a obrigação de abrir os cordões à bolsa.
Pois é, no vosso caso, Porto Vivo SRU, estamos a falar do IHRU e da CMP, que como accionistas têm essa obrigação, numa responsabilidade partilhada em 60% e 40%, respectivamente.
Não deixa de ser caricato que a ”jóia da coroa” da política de reabilitação da Baixa da Cidade ande a penar, à espera dos milhões do empréstimo que o IHRU fez ao BEI e da aprovação dos projectos candidatos ao quadro comunitário do QREN. Pois é meus senhores, quanto custa por ano a Porto Vivo e donde vem o dinheiro que a sustenta?

Mas vamos ao decreto. Este tema da Reabilitação Urbana não é seguramente recente nem brotou do nevoeiro com a aparição da Lei 106/2003, de 10 de Dezembro, ou do Decreto-Lei 104/2004, de 7 de Maio.
Se recuarmos cerca de um século, já o ‘Regulamento de Salubridade das Edificações Urbanas’, aprovado pelo Decreto de 14 de Fevereiro de 1903, concedia poderes de fiscalização administrativa das edificações urbanas, às câmaras municipais. O que para a época era extremamente avançado e já demonstrava profundas preocupações.
Quase meio século depois o famoso ‘Regulamento Geral das Edificações Urbanas - RGEU’, Decreto-Lei n.º 38 382, de 7 de Agosto de 1951, previa a possibilidade das câmaras municipais determinarem a execução de obras nos edifícios.
Posteriormente, a Lei n.º 2088, de 3 de Junho de 1957, veio estabelecer os parâmetros legais em que o proprietário (senhorio) podia denunciar o contrato de arrendamento para aumento da capacidade do prédio ou, para uma eventual demolição, por motivos de falta de segurança e degradação.
Recentemente o ‘Regulamento Jurídico da Urbanização e Edificação - RJUE’, Decreto-Lei n.º 555/99, de 16 de Dezembro, inserido na Secção IV (Utilização e Conservação do Edificado) do Capítulo III (Execução e Fiscalização), mesmo na sua última versão, confere às respectivas e competentes câmaras municipais a determinação de obras, vindo a responsabilizar de forma ‘qualificada’ os próprios proprietários.
Com efeito, bem vistas as coisas, o DL 104/2004 vem criar no ordenamento jurídico português um regime jurídico excepcional de reabilitação para as zonas históricas e para as ACRRU’s, “cujas conservação, recuperação e readaptação constituem um verdadeiro imperativo nacional“. Sem dúvida um instrumento em toda a linha inovador.
Num primeiro momento porque responsabiliza - no quadro dos poderes públicos - cada município, pelo respectivo procedimento de reabilitação e, por esse motivo, vem agora conceder aos municípios a possibilidade de constituírem as sociedades de reabilitação urbana.
Contudo, num segundo momento reafirma um eterno princípio de incumbir aos legítimos e legais proprietários (senhorios) o dever de reabilitar os respectivos imóveis. Estes vêem salvaguardados os seus respectivos direitos, como o direito de preferência caso o imóvel possa ser colocado à venda.
Ao mesmo tempo a reabilitação urbana, revela-se um mercado extremamente apetecível para promotores privados dinamizarem a sua actividade, pese embora a escolha do parceiro privado tenha imperiosamente e de forma inevitável que ser feita por concurso público.
Por último, o diploma não se limita a efectuar uma intervenção de cariz urbanístico. É aqui que consideramos ter ido mais longe nos seus propósitos, consciente da necessidade de maior celeridade procedimental. Procedeu a alguns reajustamentos como: procedimentos simplificados, prazos legais mais curtos e o recurso sistemático à figura do deferimento tácito.
Apesar de todas e quaisquer operações de reabilitação a realizar quer em Zonas Históricas quer nas ACRRU’s se revestirem sempre de interesse público urgente, às questões jurídicas devemos juntar outras que devem igualmente suscitar o maior interesse como as questões técnicas e construtivas.
Para além de dinamizar e constituir uma nova aposta no sector da construção, a reabilitação urbana veio criar novas exigências aos arquitectos, engenheiros, empreiteiros e demais profissionais envolvidos no processo e a todos se exige uma maior qualificação profissional.
* Post extraído do Blogue ssru.sociedade secreta de reabilitação urbana

10 dezembro, 2008

O manguito de Manoel de Oliveira

Como portuense, sinto-me orgulhoso de ter Manoel de Oliveira como conterrâneo. Como espectador de cinema, confesso nunca ter visto um filme dele, desencorajado que me sinto por alguns extractos que me pareceram fora daquilo que aprecio no cinema. Defeito meu com certeza. Abro excepções para aquele fabuloso documentário Douro Faina Fluvial, e também para o Aniki-Bobó. Mas não pretendo comentar os méritos de MO como cineasta. Quero é referir a sua incisiva recusa em receber as chaves da cidade que Rui Rio pretendia entregar-lhe, em gesto que reputo de oportunístico folclore político. Gostei especialmente quando MO faz uma distinção entre os portuenses, isto é aqueles que têm raízes biológicas ou afectivas na cidade onde ele nasceu, onde vive e que ama, e de quem aceitaria homenagens, por oposição à "a pessoa que gere a casa dos portuenses" que, presume-se não é portuense, e de quem tem recebido "ofensas e provocações". Em cheio, mestre Oliveira!

Alameda das Antas

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A bandalhice agudiza-se!

Quem, depois do que se passou sexta-feira na Assembleia da República, ainda tiver confiança na qualidade dos políticos portugueses," que o diga já, ou se cale para sempre". Por razões de economia temporal, agradecemos que se identifiquem. É sempre útil sabermos com quem não podemos contar.

Há quem insista na fatalidade da Democracia, na impossibilidade de criar um novo regime, mais fiável e humanizado. Não sou tão céptico. Acredito sim, que haja quem esteja interessado em manter tudo na mesma por simples comodismo ou medo da mudança. Eles lá saberão por quê, o que não podem é pensar que estão a dar um bom contributo para alterar as coisas.
Eu já não sei, que outros "exemplos" teremos de ser obrigados a suportar dos nossos "ilustres" deputados, para que as pessoas recuperem a capacidade de se indignarem. Não faço ideia.


Regimento da Assembleia da República

É o regulamento interno da Assembleia da República, aprovado por resolução, onde estão previstas todas as regras relativas à sua organização, funcionamento e formas de processo para o exercício das competências previstas na Constituição. Compete à Mesa interpretar o regimento e integrar as lacunas.

(Fonte: Wikipédia)


Nota de RP:

Pronto, já sabemos o que é o Regimento da Assembleia da República, que o Regulamento existe. Agora, vamos ao que interessa. Para que serve o Regulamento, se é perfeitamente imprestável, se é mera figura retórica escrita? Para que serve?

09 dezembro, 2008

Miolo do velho casario

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Dragão,património do orgulho tripeiro

Ao contrário da estrutura da (actual) CMP, a organização do Futebol Clube do Porto, não sendo perfeita (e qual é?), funciona bem. Estas duas instituições do burgo, outrora amigas e cumplíces em iniciativas e afectos, estão hoje de costas voltadas, resultado de uma queda paraquedista na cidade do Porto, do actual Presidente da Câmara e da sua política completamente desastrada.
Oito anos decorreram, e, como previa, a cidade nada ganhou com a gestão de Rui Rio. Pelo contrário. O Porto definhou, tornou-se mais triste, sombrio, tímido e pouco ambicioso, à imagem do seu edil.
As excepções, devem-se à iniciativa privada que, apesar das crises (ainda não descobri onde acabou a primeira e todas as que lhe sucederam), lá vai procurando remar contra a maré e mexendo com a cidade. Isto, passa-se também, em termos de reabilitação urbana. Pelo que consegui apurar, através do trabalho efectuado para o blogue As Casas do Porto, onde vou retirando alguns registos de imagem, a SUR continua a "trabalhar" a passo de lesma e só agora, com a aproximação das eleições, é que começa a fazer aquilo que devia ter feito há 8 anos atrás. Mesmo assim, o que conseguimos verdadeiramente descortinar, são os andaimes e os painéis a tapar o casario, e não, gente a trabalhar efectivamente nas obras...

Coincidência, ou não, o facto é que Rui Rio com o seu anti-portismo primário, deu um grande contributo (ou pelo menos, "abriu o caminho") para o arranque da caça às bruxas que foi levada a cabo pelo governo centralista e suas instituições a Pinto da Costa e ao FCPorto. Com a sua atitude (de desprezo e provocação ao clube portuense), Rui Rio transmitiu um recado que Lisboa interpretou como um sinal de ordem para avançar, e foi o que se viu. Suspeições atrás de suspeições sobre o Presidente do Clube, com todos os prejuízos que tal acarretou para a imagem do clube e da própria cidade, quer desportiva, quer financeiramente, para chegarmos à conclusão que a montanha pariu um rato... Rui Rio, pode bem limpar as mãos a esse trapo. Provavelmente, e ao contrário do que imaginou, vai-lhe custar o acesso ao lugar cimeiro (Presidente) do PSD.

Como dizia há dias o amigo Rui Farinas, em conversa pessoal, realmente, os portuenses só podem ser masoquistas se voltarem a reeleger para a Câmara do Porto o actual Presidente. Eu concordei com ele. Mas, pensando melhor, caso tal venha a acontecer, não será também uma consequência perversa da imigração quando uma cidade se abre para o "Mundo"? Exceptuando os lambe-botas do costume, os amiguinhos de conveniência partidária, que vendem a alma (e a cidade) ao diabo só para continuarem ligados ao Poder e ao tradicional tacho, suspeito que o principal eleitorado de Rui Rio seja efectivamente tripeiro.

Talvez seja, sim, um eleitorado "portuense", com pouca tripa, e muita alface.

08 dezembro, 2008

Hipocratocracia, o nosso regime

Por tradição, ou questões genéticas, este país, dá-se muito mal com o rigor e com a integridade. Para nosso desgosto, esse, não é o seu único defeito, nem o pior de todos: acrescenta-lhe sempre um ponto (como quem conta um conto). Só que esse ponto acrescido, está longe de se parecer com a cereja que alguém coloca no bolo para o embelezar; mais se assemelha ao dejecto sobre outro dejecto. Neste país, poucos assumem o que realmente são. Aqui, rouba-se, desvirtua-se, mente-se e no fim, reclama-se tratamento respeitável, quase reverencial.

Sendo assim, de futuro, veremos se consigo adjectivar com rigor algumas expressões que me parecem completamente deslocadas da sua significação original, mais que não seja para não me transformar em mais um contribuinte acéfalo da vigarice institucionalizada.

Alguém disse um dia (não sei quem foi), ser necessário inventar palavras. Eu também acho. Não sei é se terei de pagar direitos de autor pelo "invento" que se segue já que não disponho de dados para tal, mas se assim for, o eventual lesado ou lesada, só tem é que apresentar o respectivo registo da patente...

Decidi portanto, votar num nome mais apropriado à realidade nacional: Hipocratocracia! Ou seja, um regime político governado com base na hipocrisia e nos hipócritas que o sustentam. Alternativamente, também o podíamos designar por Falsocracia, mas este nome já soa a coisa mais populista, mais susceptível...
Com esta "revolução" gramatical, já não temos tantos motivos para nos indignar-mos pelas poucas vergonhas rotineiras de quem devia ser exemplar e não é, nem com o nosso próprio grau de exigência cívica. Vamo-nos assim entretendo, rindo, contando umas anedotas sobre o savoir faire privado dos nossos "mandantes", com a vantagem estratégica de evitarmos úlceras ou doenças cardíacas, libertos da ideia assassina de que, de facto, vivemos numa Democracia.


A Democracia é um mito. Ponto final.


06 dezembro, 2008

Bert Kaempfert - Medley (1967)

Políticos, amigos e sucateiros. Vale tudo!

Ontem, não me foi possível escrever o que quer que fosse. Matéria para isso, lamentavelmente, não faltava, mas às vezes é assim, quando os assuntos são mais polémicos e susceptíveis para comentar, por qualquer motivo, não o podemos fazer. Outras vezes, o desânimo, a impotência, são tão grandes que até nos apetece desistir, tais são os escândalos que rodeiam os mais "altos" representantes da Nação.
De Dias Loureiro, Conselheiro de Estado e ex-Ministro, a Jorge Coelho,ex-Ministro, agora accionistas de Sucateiros vigaristas, até à "sempre oportuna" solidariedade de Freitas do Amaral para com Cavaco Silva, passando pelo espantoso emaranhado de ligações (nacionais e internacionais), entre políticos, empresários, amigos (libaneses), traficantes de armas e de droga e banqueiros, é um nunca acabar de "surpresas" com alto teor vitamínico e proteico para o "órgulho" (o acento agudo é propositado)"Lusitano" ...
Apesar de tudo, nós, simples mortais, cidadãos sem status nem saber, temos a humildade bastante para fazermos mea-culpa e reconhecer a nossa infame ingratidão por não sermos capazes de fechar os olhos a estes expedientes inofensivos, tendo em consideração os excelsos serviços que os respectivos protagonistas prestaram à Nação enquanto governantes, guindando-a para patamares de riqueza e desenvolvimento, ímpares, na Europa e no Mundo... Só não o vê, quem não quer, quem tiver maus fígados. Enfim, somos uns ingratos.
Para ajudar à festa, o senhor Freitas do Amaral, «arguto» e «estratega» de eleição, vem agora a terreiro (não perde estas oportunidades, para nos lembrar que existe, ou ganhar uns euros), solidarizar-se com o Presidente da República. Este ilustre cavalheiro, está com medo que Portugal se envolva num conflito muito grave, com a ampliação de poderes nos Açores. Pelo que se pode deduzir, Freitas do Amaral é adepto da política do eucalipto praticada pelos diversos governos nestes cintilantes anos de democracia. A coesão nacional, para ele, defende-se com a intensificação das assimetrias regionais e consequente revolta e injustiça que provocam nas populações da parte paisagística do País, isto é: o resto, para lá de Lisboa.
Enquanto viver, não haverá Génio nenhum no Universo que me convença da "normalidade" (essa sim, promíscua, Dr. Rui Rio), de misturar actividades políticas com privadas. Cada macaco no seu galho. É perceptível que os governantes medíocres discordem da minha opinião, mas isso também pouco me interessa. Tenho, é sérias dúvidas, que o Povo diga ámen com eles. Apesar desse «bilhetinho» inócuo, mas ao mesmo tempo traiçoeiro, chamado voto.

04 dezembro, 2008

Louvável iniciativa da Associação Comercial do Porto

Sou portuense e portista, mas como tripeiro dos "sete costados" que me prezo de ser, tenho muito respeito e simpatia por todos os clubes rivais da nossa cidade. São todos do Porto e Grande Porto! Neste particular, penso não estar só. Esquecendo alguns fanáticos (que os há em todos os clubes), não exagero se apostar como a maioria dos portistas respeitam e simpatizam com os outros clubes da cidade. Não sei é se se poderá garantir o contrário, mas para o caso isso não importa agora.
Além do FCPorto, já fui sócio do Boavista e do Estrela Vigorosa e Sport (para jogar ténis) e sinto igual estima pelo Leixões e o Sport Comércio e Salgueiros. O que importa realçar, é a iniciativa de Rui Moreira, através da ACP, de promover eventos de apoio ao clube do Bessa. Esperemos é que a ingratidão nunca aconteça e que o Boavista renasça para a 1ª. Divisão.
Clique sobre o título do post para ver vídeo da RTPN

Para quando, o Processo "Bancos de Platina"?






Bem sabemos que não cabe à comunicação social investigar a criminalidade, cabe às instâncias judiciais. Apenas não se compreende lá muito bem por que é que, depois de "levantarem a lebre" acerca de pessoas e instituições sob suspeita de procedimentos ilícitos, não acompanham até ao fim os respectivos processos, independentemente do estatuto dos arguidos. E até ao fim, para bom entendedor, quer dizer, até serem apuradas todas as investigações policiais, incluindo os motivos pelos quais grande parte das vezes elas "encravam". Era neste ponto concreto, que os media podiam realmente fazer a diferença (para melhor), em relação à actividade dos investigadores, podendo, deste modo, contribuir para a descoberta do tráfico de influências que eventualmente aí também ocorressem.
Casos há, em que, dependendo da pessoa ou entidade sob suspeita, os media não desarmam, chegando a empolar e a especular os casos, como sucedeu com o hiper-envenenado Processo Apito Dourado, cujo objectivo principal, não obstante encapotado, era atingir o dirigente do Futebol Clube do Porto e o próprio clube. Aqui, não desistiram, fizeram render o "peixe" até ao limite do imaginável, apresentando diariamente casos "novos" e inventando outros tantos. Isto, durante anos! Agora, após a frustração causada pelas decisões dos Tribunais civis e desportivos, favoráveis ao invejado "troféu de caça" e respectiva "reserva privada" (Pinto da Costa, versus FCP), andam mais "calmos", mas ainda assim, não enjeitam a oportunidade, sempre que podem, para reacender a fogueira da conspiração.

Ainda agora, ouvimos da voz do bastonário da Ordem dos Advogados dizer que o caso BPN é indiciador de verdadeira associação criminosa, não sendo sequer possível estabelecer comparação razoável com as pretensas e «nefastas» influências de Pinto da Costa no futebol português, já que nada de concreto se conseguiu apurar. E, mesmo que assim não fosse, é abissal a diferença entre as duas situações. Uma, "envolvia" supostamente um Dirigente desportivo, sobre o qual se promoveu uma campanha nacional de difamação sem nada de substancial ter sido provado. A outra, envolve "só" (entre outros), um ex-ministro, actualmente com estatuto de Conselheiro de Estado, responsável máximo da Administração de um Banco (BPN)e de uma sociedade financeira (SLN) de onde "desapareceram" milhões e milhões de euros. A diferença só é possível medir com exactidão, com a consciência, e por quem (ainda) a tiver. É digna de um genuíno livro, sem "salgados" nem "carolinas", mas com montanhas de indignação e de vergonha.