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09 fevereiro, 2011

Um verdadeiro VIP

Não valorizo os títulos nem as classificações de fonte mediática. Regra geral, são  farsas de exibicionistas, fantochadas, ou então meros "furos" jornalísticos. Os meus VIP's, não são os vip's da comunicação social ou da imprensa cor-de-rosa. São, de preferência, como o médico de uma aldeia perdida de Macedo de Cavaleiros que teve a coragem e a feliz ideia de engendrar um sistema simples de recuperação de medicamentos usados ainda em perfeito estado de conservação e dentro do prazo de validade, para os utilizar, gratuitamente, no tratamento dos doentes mais carenciados.

Nas antípodas deste nobilíssimo médico, a fútil Ordem dos Farmacêuticos não resistiu à vil tentação de perguntar a esta alma caridosa porque é que não receitava medicamentos pagos aos doentes... Contrastes que fazem toda a diferença.

Este sim, é um Homem verdadeiramente importante, daqueles a que a Televisão não costuma atribuir grande interesse, excepto se em troca puder ganhar qualquer coisa com a cortesia. Talvez isto explique por si o facto de eu não ter conseguido registar o seu Importante nome.

Era apenas um Homem, um médico de uma aldeia remota do Trás-os-Montes profundo. Uma Pessoa Verdadeiramente Importante. Um VIP português, um transmontano, um VIP segundo os meus "esquisitos" conceitos... Como o invejo!

09 outubro, 2009

Há tripeiros e habitantes do Porto. Não são a mesma coisa!

As sondagens valem o que valem, mas convém estarmos atentos com quem as difunde e de onde provêm... O país é tudo menos simétrico e justo, por isso, muita atenção às fontes... Com as novas tecnologias, parece-me haver erros de cálculo a mais, para quem pretende fazer das sondagens uma actividade credível.
À imagem de outros jornais, o Grande Porto atribui a vitória a Rui Rio com 49,2% dos votos. Eu, tenho alguma dificuldade em digerir estas previsões, muito embora tenha reconhecido o incrível hara-kiri de Elisa Ferreira logo no lançamento da candidatura, porque me custa muito a acreditar que sejam efectivamente gentes do Porto todos aqueles que insistem em dar a Rui Rio o seu voto.
Custa-me a crer que os portuenses sejam tão pouco exigentes, tão desafeiçoados da sua cidade e da sua história, que não sejam capazes de reconhecer as incapacidades de gestão camarária de Rui Rio e o seu perfil típico de homem insensível e distante do povo. Não. Há, aqui um outro qualquer fenómeno que me escapa, porque os portuenses apesar de os tempos não serem os mesmos de outrora, não podem ter mudado tanto [e para pior].
Não sei quem foi o autor que comparou o Porto a um "Donut", mas foi seguramente alguém sem dificuldades oftalmológicas, tão precisa e "feliz" foi a comparação. Será que quem se desloca ao Porto, conseguindo compartimentar as noites de fim de semana nas ruas Galerias de Paris e Cândido dos Reis com o dia-a-dia rotineiro da baixa portuense, não percebe que a cidade não é só feita de animação nocturna? Será que ainda não deram pela falta da juventude na cidade e repararam na proliferação de gente envelhecida e pobre nos centros comerciais? Será que ainda não perceberam que a cultura é algo muito mais vasto, profundo, heterogéneo e abrangente do que os espectáculos do La Féria? Será que o blogue As Casas do Porto [passe a publicidade] é uma ficção deturpadora da realidade urbana da nossa cidade? Afinal o que é que Rui Rio fez de tão transcendental que os leva a negligenciar tanto desleixo?
Pode não explicar tudo, mas continuo convencido que estes últimos 20/30 anos de concentração do poder mediático [e não só] em Lisboa mais as suas campanhas diabolizantes contra o FCPorto, tiveram grande influência em muita gente que para cá migrou, por questões relacionadas com o trabalho ou estudo, trazendo consigo o veneno que lhe foi injectado cujos reflexos acabaram por se espelhar na política e consequentemente nos resultados eleitorais.
Há muita gente que vive no Porto que não é nem sente o Porto, tal como o portuense-tipo sente. Não, não confundam esta alusão a qualquer discriminação regional, porque se há coisa da qual nós sempre nos orgulhámos foi da fama de gente hospitaleira, mas com a perda de influência política do Porto, houve portuenses vindos de outras paragens que não tiveram oportunidade de assimilar a cultura portuense e a maneira de ser do seu povo.
Está plena de razão Elisa Ferreira quando diz que Rui Rio ficou famoso, apenas e só, por afrontar, desprezar o FCPorto, o melhor clube português e ao mesmo tempo o mais temido e invejado pela capital. Só portuenses atípicos, mal assimilados é que não querem aceitar este facto insofismável! Quem contraria isto, também confunde a água do vinho, não está a ser honesto consigo próprio.
Não estou muito confiante em relação à vitória de Elisa Ferreira, mas também ainda não me convenci que ela esteja garantida para Rui Rio.
Uma coisa posso porém garantir. Quem votar em Rui Rio é co-responsável pela continuidade da regressão e decadência da cidade do Porto. E esses, democracias de plástico à parte, jamais me conseguirão convencer do seu amor ao Porto. É falso!

14 agosto, 2009

O Tua e as Portas de Ródão

«Classificação das Portas de Ródão regulamentada

O Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional publicou, dia 20 de Maio, em Diário da República, o Decreto Regulamentar n.º 7/2009, alusivo à classificação do monumento natural Portas de Ródão.

O Governo considerou as Portas de Ródão “um relevante património natural”, que além de ser um geossítio (com particularidades geológicas, geomorfológicas e paleontológicas), inclui “outros valores geológicos, biológicos e paisagísticos”, além dos arqueológicos, “testemunho de uma presença humana com centenas de milhares de anos”. Por tudo isto, reiterou, por decreto, que “o carácter notável das Portas de Ródão justifica, per si, a importância da sua classificação”. A singularidade deste monumento natural também reafirma a sua importância em termos regionais e nacionais, o que também justifica a sua classificação.

Esta classificação, recorde-se, teve como principais objectivos “a preservação das formações geológicas e geomorfológicas e dos sítios de interesse paleontológico; a preservação das espécies e dos habitats naturais; a protecção e a valorização da paisagem; a preservação e valorização dos sítios de interesse arqueológico; a promoção da investigação científica indispensável ao desenvolvimento do conhecimento dos valores naturais referidos, numa perspectiva de educação ambiental; e a manutenção da integridade do monumento e área adjacente”.

As Portas de Ródão passam assim a ser geridas pelo Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), sendo dotado de um plano de gestão próprio, a elaborar no prazo de três anos a contar da entrada em vigor do Decreto Regulamentar agora publicado.

Por ser classificado como um monumento natural, dentro dos seus limites há actividades proibidas e outras limitadas, sendo a fiscalização das mesmas da responsabilidade do ICNB, das autarquias limítrofes (Vila Velha de Ródão e Nisa) e da entidade policial competente, se a infracção assim o justificar.»

in Jornal Reconquista de 228-05-09


O Vale do Tua e a sua riqueza paisagística e patrimonial têm diferenças óbvias com o Tejo e as Portas de Ródão. A saber:

1) No Vale do Tua não corre o rio Tejo;
2) As Portas de Ródão situam-se muito mais perto de Lisboa;
3) Os beirões e alentejanos residentes em Lisboa são muito mais influentes que os residentes durienses e trasmontanos.

P.S. - Concordo totalmente com a classificação de monumento natural atribuído às Portas de Ródão.

17 fevereiro, 2009

Nós, e os políticos

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É espantoso como a classe política corporiza na perfeição o velho lema que diz: "arranja fama, e deita-te na cama!".
Modéstia à parte, nada do que António Vitorino disse na conferência do I.D.N., é original. Eu mesmo, com grande antecipação, já me cansei de falar sobre o assunto. Mas, eu, não sou o Sr. António Vitorino, nem sou político. Por isso, mesmo que substantivamente o que ele pensa e diz, não traga vantagens visíveis em relação ao que eu penso e digo, a verdade, é que as coisas reveladas por personalidades ligadas à política ganham uma "credibilidade" que o cidadão comum dificilmente consegue. Se juntarmos ao fenómeno o facto de estes pareceres de figuras públicas serem muitas vezes remunerados (e bem), o cidadão anónimo, fica outra vez a perder, porque diz as mesmas "verdades", de borla! É, mais uma vez, a p..... da vida. Coitada da vida, que tão maltratada é pelos homens!
Pode-se sempre argumentar (ou, manipular, que é o que está na moda), alegando que não foi bem a mesma coisa, o que ele e eu escrevemos. É muito simples. Bastará observar que A. Vitorino, usou a frase "é necessário proceder à revisitação da democracia representativa" , enquanto eu tenho dito, "é preciso rever a democracia" . A única diferença estará na sofisticação do estilo e (talvez), na sinceridade da vontade de mudança...
Vitorino, disse que, é evidente a "incapacidade actual do sistema de partidos". Eu, tenho escrito e reescrito que, "os eleitores deviam dispor de mecanismos com mais e maior controlo sobre a actividade dos partidos, e dos políticos", que é bem mais importante e objectivo.
Que havemos de fazer, quando se cria fama na política, mesmo sem a merecer (nenhum político a merece), estas «descobertas», apesar de muito tardias, merecem artigos de jornal, quando somos nós a fazê-lo, é: populismo. Critérios.
PS-Quando digo que nenhum político merece a fama que lhes é dada, refiro-me ao contexto governativo do país. A nível autárquico não tenho a mesma opinião. Há, apesar de tudo, alguns homens de valor. Lembrei-me agora de um que não gosta de holofotes e tem feito um trabalho notável de continuidade à imagem do seu antecessor. Chama-se Bragança Fernandes, Presidente da Câmara Municipal da Maia.

27 janeiro, 2009

O outro Regime e este

Para quem tenha dúvidas, informo que ainda sou do tempo da(s) outra(s) senhora(s), o que significa que pude viver a experiência dos regimes de Salazar e Caetano. Tinha 26 anos quando os capitães de Abril promoveram a revolução que, supostamente, deveria conduzir Portugal à Liberdade, à Democracia e ao dito Progresso. Destas três ambições, apenas conquistámos uma: a Liberdade. Só, a Liberdade, sim.
Gostaria então de colocar algum rigor sobre a ideia que hoje, muitos fazem da falta de Liberdade vivida no antigo regime. De facto, não havia eleições livres, nem liberdade para discutirmos de forma pública e explícita, determinados assuntos, mas também não tínhamos um polícia em cada esquina a espiar-nos, como alguns inventam. Como muitos jovens na altura, eu pertenci àqueles que passaram algumas noitadas, na rua, com os amigos a falar de tudo, incluindo, de política. Sim, de política (mais idealista que partidária) e do nosso país.
O regime salazarista tinha tanto de opressor, como de estúpido, e como tal, não conseguiu impedir-me a mim, e a muitos outros, de sair (com passaporte de turista) de Portugal, mesmo em plena época de guerra colonial e com idade para apresentar os sinais para a tropa.
Com um pai profundamente anti-salazarista, também aprendi a torcer o nariz ao ditador, mas não foi o regime que me fez partir, foi a minha grande paixão pela aventura. De tal modo que, enquanto uns pagavam para fugir do país e da guerra colonial, eu, regressava do estrangeiro, para pouco tempo depois ingressar no exército e ir parar a Moçambique, para a guerra colonial.
Não me censurem, porque fi-lo com a ingenuidade de um jovem relativamente politizado, mas algo influenciado pelo orgulho pátrio da época (e pelo meu avô), pensando estar a prestar um grande serviço ao país. Se, hoje, me perguntassem se estava arrependido, diria claramente, que estou. A minha experiência militar no chamado Ultramar não trouxe nada de importante à minha vida, a não ser o refinamento da consciência do racismo que alguns portugueses praticavam em África. Eu vi.
Mas, por que é que estou a falar-vos da minha vida? É só para que entendam, que, como a minha, há outras vidas e experiências com pontos intermédios com as contemporâneas, que nos autoriza a estabelecer comparações. Como tal, estou à vontade para dizer sem qualquer hesitação que, apesar dos regimes fechados e cinzentões de Salazar e Caetano, não tenho memória de ver com os meus próprios olhos tanta bandalhice e desonestidade intelectual como agora. Podem-me dizer que naquele tempo as sacanices já se faziam, mas às escondidas. Pois bem, dou de barato esse argumento. Mas, que importância tem isso? Será somente, pelo contraste entre ocultar e exibir a hipocrisia política (e social), que está a grande vantagem da "Democracia" em relação à Ditadura? Se é, então ainda estamos pior. Eu prefiro não ver o que me repugna se me for negada a possibilidade de intervir. E foi só para isto que se fez o Portugal de Abril?
Pensando bem, vivemos hoje uma outra espécie de Ditadura. Não, como a de outrora, mas ainda mais cínica, porque através do mito da nossa liberdade de opinião, criou-se no povo uma falsa ideia de democracia que lhe castra a capacidade de revolta e lhe tolda a lucidez. A Ditadura dos novos tempos, reveste-se da máscara perigosa da Democracia, e é exercida pela comunicação social, e de forma habilidosa. De tal modo que, frequentemente, parece constituir-se numa forte oposição aos poderes públicos e económicos, mas está neles estrategicamente incorporada.
No "tempo da outra senhora", a televisão era mais hermética, cinzentona, tecnicamente menos sofisticada, tinha menos programas, mas nunca nos fez sentir discriminados. O que se fazia, era igual para todos. Os de Lisboa, ouviam os mesmos "sermões" e as célebres conversas em família de Marcelo Caetano que ouviam os do Porto, Braga, Guimarães ou Coimbra. Hoje, em "Democracia", o discurso é de Lisboa para Lisboa, tomando-a como o todo nacional. Nós, no Porto, sabemos que não estamos a ser tratados por igual. Há facciosismo, há intriga, há conspiração contra o Porto, e a "Democracia" não nos serve para nada, ri-se da nossa impotência. Os cães de fila do regime fazem o que lhes apetece.
Sinceramente, acho que por muito menos se fez o 25 de Abril. A Liberdade do homem, em qualquer circunstância, tem de ter limites. Eu estou preparado para assumir os meus, o que não estou é com muita paciência para continuar a assistir a esta pouca vergonha. Esta gente é um nojo. Quando é que nos dispomos a metê-los na ordem?