12 novembro, 2011

Espírito nortenho, mito, ou contaminação política?


O Norte, anda há décadas a ser espoliado por uma política centralista digna de fazer ciúmes à ditadura de Salazar. No entanto, os nortenhos ainda não fizeram valer a reputação de gente rija e determinada, de que tanto  dizem orgulhar-se. O que estará então a acontecer? Terão os nortenhos mudado e perdido a capacidade de se indignarem? Será por alguma estranha alteração genética que os tornou frouxos e masoquistas? Será da globalização? Da migração proveniente de gente de outras regiões do país? Da clubite? Ou será que, nada mudou e a fama do Homem do Norte não passa de um mito? O que será, afinal?

Correndo o risco de parecer demasiado redutor, até porque raramente há uma só explicação para estas coisas, em síntese, diria que o que se perdeu quase por completo [e não foi só no Norte], foram os mais importantes valores de cidadania, como o sentido de ética e de responsabilidade. Para que tal acontecesse, não foi preciso nenhum fenómeno ambiental, responsável pela eventual alteração genética que atrás admiti. Não. Bastou que o povo copiasse os exemplos de quem os (des)governou, que passasse a fazer - como se diz na gíria benfiquista -, "as coisas pelo outro lado". De facto, não foi por fazerem as coisas pelo lado certo, que figuras públicas ligadas a casos de corrupção [BPN, BPP, Moderna, Freeport, Face Oculta, e tantos outros], ficaram subitamente milionárias. Isto, já para não falar da impoluta honra de Isaltino Morais, Dias Loureiro e Duarte Lima... E até de outros mais antigos, que metiam melancias e helicópteros, que a espuma dos anos se encarregou de fazer esquecer e "inocentar". E como em "guloseimas" destas não pode faltar a cereja, a Justiça faz esse papel.

Só a perda do sentido do que é correcto e do que é errado, e sobretudo do que é uma acção criminosa, é que explica a desonra generalizada que é nunca ninguém [particularmente gente graúda] admitir a culpa de um crime, mesmo que não faltem provas. Que diabo, a essa gente não se exige que limpem a honra da família como os samurais, praticando Hara-Kiri, mas querer convencer o Mundo inteiro que a delinquência é vocação reservada a gente pobre, é outra forma de crime. 

Só assim se percebe por que é que pessoas do Norte, algumas desempenhando cargos directivos em órgão de comunicação social, e outras em lugares destacados da política, não têm mostrado coragem para defender a causa regional, preferindo colar-se confortavelmente à concepção centralista, colaborando mesmo com ela. Dois jornais, ditos de referência, e com sede no Porto, o Público e Jornal de Notícias, andam a reboque da política centralista, ainda que, em privado e nalguns artigos se afirmem defensores da Regionalização.

Nas televisões públicas, e apesar de constar da Constituição a Regionalização, debatê-la é assunto tabu, quase crime! Na política, é pornográfica a descontracção com que os políticos mudam as agulhas, depois de gastarem rios de dinheiro em campanhas eleitorais prometendo à população que "desta vez é que vai ser" a Regionalização, para, mal chegados ao Governo, a deixarem cair, remetendo-a para um silêncio revoltante. 

Estas pessoas perderam a coragem para assumir responsabilidades para grandes desafios. Têm medo, imaginem! Em democracia! Dá para perceber por que é que vivemos 47 anos debaixo de uma ditadura. Dá para concluir também que se não fossem os militares, não seriam estas pessoas a dar o corpo às balas. Como agora.

Os espanhóis, anteriores donos do Porto Canal, tiveram a coragem e a inteligência, de lançar no Norte um canal de cariz regional, coisa que outros não conseguiram, ou não souberam impor. O FCPorto vai-lhes suceder, esperemos que seja para melhor. Há coisas que continuo a ver que não me agradam. Vejo demasiada abertura, quase subserviência, para os mesmos de sempre. Os convites para participação em programas de pessoas ligadas ao espectáculo, estão a ter uma preocupante incidência em pessoas de Lisboa, algumas delas até conhecidas pelo seu anti-portismo primário, como é o caso de António Salla*,  o próximo convidado de Ricardo Couto para entrar no "seu" programa. Não percebo isto.

Não esperem, porque não é isso o que pretendo dizer, que esteja aqui a defender uma posição discriminatória  na inclusão de colaboradores, ou convidados, de Lisboa. O que digo, é que me parece perigoso inverter a pirâmide das prioridades.

O Porto Canal ainda tem poucos anos de vida para se dar ao luxo de divagar com a génese do seu espírito, a pretexto nem sei bem de quê. Há, repito, imensa gente no Porto e em todo o Norte extremamente interessante em todas as áreas, sejam elas da ciência, da tecnologia, da cultura ou do desporto. Apostem nelas. O Porto Canal só tem de as procurar. Chamar até nós pessoas que já conhecemos de ginjeira e que se estão a borrifar para o centralismo, não é propriamente o mesmo que usar mel para caçar moscas. As "moscas" que nos interessam chamar vivem no Norte, e são essas que importa congregar no projecto da Regionalização, o que não é fácil.   

Não tenho nada de pessoal contra Ricardo Couto, pelo contrário. Acho que pode vir a ser um grande profissional de comunicação, mas precisa de saber o que quer, e onde o quer fazer. Mais do mesmo, já chega. Para isso, existem as televisões de Lisboa, mas por lá a concorrência é feroz...

Cabe à Direcção da Porto Canal decidir. Espero, é não estar a elevar as minhas expectativas para plataformas conceptuais de televisão incompatíveis com os interesses do FCPorto. Se for esse o caso, cá estarei para me pronunciar.

*
António Salla, nasceu em Vila Nova de Gaia, não é portanto de Lisboa, mas é quase como se fosse... Obviamente, não era a ele que me referia, quando falava de figuras de Lisboa, embora seja um anti-portista execrável.

Entrevista de Vasco Lourenço, ao jornal "I"


Vasco Lourenço
Vasco Lourenço recebeu o i na sua sala na Associação 25 de Abril, para defender que os militares devem fazer hoje uma manifestação pacífica. Mas o capitão de Abril também avisa que, se a situação se agravar, os militares poderão ser obrigados a “dizer basta”. Com quase 70 anos, Vasco Lourenço lamenta que “se esteja a tentar destruir tudo o que se conseguiu com a revolução dos cravos”, que ajudou a fazer.

Tem aqui três cravos na sua sala. O que é que eles ainda hoje simbolizam para si e para o país?

É um dos símbolos principais, que gosto de usar em momentos importantes. É uma esperança de liberdade permanente, de paz, de justiça social e de democracia.

As chamadas conquistas de Abril estão mais do que nunca em causa?

Com certeza que estão. Nós hoje estamos, e já não é segredo para ninguém, a assistir a uma guerra sem qualquer contemplação contra aquilo que foram as melhorias que o país teve com o 25 de Abril. Está a tentar-se destruir tudo aquilo que se conseguiu. Está aí o capital, que é insaciável. Os neoliberais estão a tentar destruir isto por completo. Hibernaram, mas nunca se acomodaram à situação democrática de uma sociedade mais justa.

A maioria dos economistas diz que essas conquistas não são sustentáveis. Ou seja, não há dinheiro para continuar a pagar reformas tal como elas existem, os subsídios de desemprego...

Então para que serve o Estado? Há dinheiro para isso. O dinheiro não falta. Está é locais errados.

Onde é que está?

O dinheiro existe, está a fugir para offshores, as empresas principais pagam impostos fora do país e grande parte desses economistas são papagaios do sistema. Eu se fosse economista e tivesse participado na vida política, depois da hecatombe a que assistimos em relação àquilo que eles defendiam, pintava a cara de negro, como se dizia na minha terra. A grande maioria deles – dos fazedores de opinião – considera que só eles é que têm direito a ter opinião. Um dos grandes comentadores nacionais até disse que eu tinha era de estar calado.

Marcelo Rebelo de Sousa?

Você é que disse o nome, é exactamente esse. Disse que tinha muita consideração por mim, mas que eu tinha era de estar calado e não intervir. Eu lembro-me daquela fadista que dizia “cantarei até que a voz me doa”. Eu falarei até que a voz me doa. Não admito a ninguém – nem ao Marcelo Rebelo de Sousa, por quem eu não tenho consideração nenhuma, nem pelo seu passado, nem pelo seu presente, apesar de ele dizer que tem muita consideração por mim – que me diga “já fizeste o que tens a fazer”. Eu sou cidadão de corpo inteiro e tenho o direito de intervir. Assim como o outro vem dizer...

Quem?

O Sousa Tavares. Ele diz: “haja alguém que lhe explique [a Vasco Lourenço] que estamos em democracia”. Mas é a mim que ele vem explicar que estamos em democracia? O despautério destes fulanos, que estão convencidos que sabem tudo... Nós assistimos à manipulação permanente das ideias feitas por esses indivíduos.

O que o leva a não ter consideração pelo professor Marcelo Rebelo de Sousa?

Não tenho e não lhe admito que ele me diga que tenho de me calar. Sou um cidadão empenhado, que participou num dos actos mais importantes da história do país. Tive essa sorte e continuo a pugnar para que isso se mantenha. Não aceito que me ponham mordaças.

Já lhe perguntaram muitas vezes se estaria disposto a fazer outra revolução?

Costumo dizer que uma geração que tenha a sorte de participar numa revolução já se pode dar por muito satisfeita, mas é evidente que muitas vezes olho para a situação e apetece-me fazer alguma coisa. Os dados são outros, nós teoricamente continuamos a viver em democracia, e quero continuar a viver em democracia. Mas a democracia tem regras, não é só votar de quatro em quatro anos.

Mas é inegável que vivemos em democracia.

Vivemos numa democracia formal. A democracia está doente há muito tempo. Os eleitos, de uma maneira geral, esquecem imediatamente os eleitores, rasgam as promessas que fizeram e conduziram à sua eleição e, por isso mesmo, na minha opinião perdem a legitimidade. Estou farto de ouvir dizer que este governo foi eleito há pouco tempo. É verdade, mas a legitimidade só a mantém se cumprir aquilo que disse que ia fazer. E o governo perdeu-a por completo quando rasgou as promessas que fez ao eleitorado. E portanto não é esta a democracia que eu quero e, a continuarmos assim, o ciclo da democracia está a encerrar-se no mundo.

E o que vem a seguir?

Não conheço nenhum sistema menos mau que o sistema democrático e tudo o que vier é pior. A democracia continua a ser o menos mau.

Está a dizer que a degradação da classe política neste regime democrático pode conduzir a uma ditadura?

É muito natural que possa caminhar nesse sentido. O problema é que o poder económico domina o poder político...

Essa foi a grande mudança desde o 25 de Abril? O facto de o poder económico ter conseguido sobrepor-se, em alguns casos, ao poder político?

Os políticos têm sido autênticos instrumentos do poder económico. Eu diria que, nos últimos 20 anos, isso se acentuou, e de que maneira!, mas não foi só em Portugal. Tínhamos grandes líderes e hoje não temos. Hoje temos a Merkozy [junção dos nomes de Merkel e de Sarkozy] e o Berlusconi. Por isso mesmo, não há saídas. Os grandes líderes desapareceram. Quem é que temos? Vê alguém com características de líder?

O nosso primeiro-ministro não tem características de líder?

De maneira nenhuma. Ele descredibilizou-se imediatamente. Como é que pode ter credibilidade se prometeu uma coisa e está a fazer outra? Não pode.

Mas não admite que, perante a situação em que o país está e perante a obrigatoriedade de cumprir um programa que foi assinado com a troika, são necessárias algumas destas medidas para controlar a despesa?

Já lhe disse: o dinheiro existe, está é mal distribuído. Como é possível ter uma sociedade relativamente justa quando a média do vencimento em Portugal é cerca de 40% a 60% do vencimento na Europa mas os quadros em Portugal ganham cerca de 20% a 30% mais que na Europa? Isto são situações aberrantes a absolutamente pornográficas.

É uma forma de esses quadros não saírem do país e irem ganhar mais lá para fora.

Fujam todos. Com os resultados a que levaram a economia podem fugir todos. Se lhes pagam melhor, vão lá para fora. Não fazem cá falta. Quem levou o país a esta situação não faz falta.

Quando é que entende que começou a situação em que o país se encontra actualmente?

Há muitos responsáveis, mas na minha opinião os problemas começam quando o actual Presidente da República chega a primeiro-ministro e permite, por exemplo, que os subsídios da Europa sejam utilizados para tudo menos para o bem de Portugal. Quando se recebem subsídios para destruir a agricultura ou para destruir as pescas os problemas começam a acentuar-se.

Embora essa altura tenha sido vivida com alguma euforia pelos portugueses, que deram a Cavaco Silva duas maiorias absolutas como primeiro-ministro e, mais tarde, duas como como Presidente da República.

São os males da democracia. Costumo dizer: não se queixem, vocês é que votaram. São os males da democracia. A democracia tem defeitos e um dos defeitos é a propaganda e a publicidade...

Mas os portugueses votaram nele e não me parece que tenham sido enganados com propaganda durante tanto tempo. Não acha?

Com certeza. A responsabilidade é sempre dos principais dirigentes, mas também é de todos. Nós temos uma maneira de estar que nos leva a estas situações. A pequena cunha, a pequena vigarice, a economia paralela. Como eu digo às vezes, isto já não é um país, isto é um lugar mal frequentado. Somos o que somos. Ainda sofremos as consequências da inquisição, que secou as elites em Portugal, e faltam-nos elites.

São fracas?

São. Os portugueses são bons em todo o mundo, mas é chefiados por outros.

Qual é o sinal que os militares querem dar com a manifestação de hoje?

Os militares vão manifestar a sua revolta por duas razões: uma como militares e membros de uma instituição, que tem sido destruída, na sua essência, como suporte útil do Estado português e da pátria. Há aquilo a que se chama condição militar. Os militares têm restrições de direitos, têm deveres especiais, juram defender a pátria com o risco da própria vida e, por isso mesmo, a Constituição compensa-os com alguns direitos que o cidadão normal não tem. Isso tem vindo a ser retirado por completo.

O poder político deixou de perceber essa diferença?

Há muito tempo. O PS tem também uma responsabilidade enorme. Há muito tempo que não olham para a especificidade das Forças Armadas. Por outro lado, os militares são cidadãos e estão a sofrer na pele as consequências de uma política inqualificável, que põe uns cidadãos contra outros. Quando se dividem os cidadãos em funcionários públicos e não funcionários públicos está-se a pôr uns contra os outros e estão a criar-se condições que podem acabar em convulsões complicadas. E sabemos como as coisas começam, mas nunca sabemos como acabam.

Mas também há quem diga que os militares têm excessos de regalias e sobretudo que têm de participar no esforço pedido a todos os portugueses. Há pouco tempo Macário Correia dizia que estamos a alimentar oficiais superiores que não fazem nada e que o mundo militar vive de privilégios e mordomias que devem acabar. Não sei se ouviu.

É de uma ignorância sem par e provavelmente tem uma razão de ser. Ele terá digerido mal a sua passagem pelo serviço militar obrigatório, no qual não esteve porque foi requisitado para um gabinete ministerial. Teve um privilégio enorme. Parece também que terá a ver com umas instalações militares, em Faro, a que ele queria deitar a mão, e não está a conseguir.

Mas falava-lhe era das mordomias.

Essas afirmações só mostram ignorância. Nem merecem resposta. São tão estúpidas que não merecem resposta. Lembro-me que ele dizia que beijar uma rapariga que fumasse era a mesma coisa que lamber um cinzeiro. Ele lá saberá as linhas com que se cose. Uma coisa dessas só tratada como o coronel Lacerda tratou o Alberto João Jardim.

Como é que o tratou?

À bofetada. O Alberto João Jardim disse que os militares estavam a ficar efeminados e um coronel, que o conhecia de pequenino, fardou-se e foi lá ao palácio. Quando ele lhe apareceu disse-lhe: “eu agora vou-te explicar quem é efeminado”, e pregou-lhe duas bofetadas na cara.

Voltando à manifestação. Acha que há a garantia de que os protestos dos militares serão pacíficos?

A minha convicção é que irão manifestar-se de forma correcta, dentro das regras, mas na esperança de que o poder político saiba ler os sinais que surgem de uma manifestação deste género.

Teme uma atitude mais radical se o poder político não ouvir as pretensões dos militares?

Quero crer que não. Tudo vai depender da evolução da situação, de haver um acentuar da convulsão social, de haver a entrada em ruptura. Apesar de quase terem acabado com o grande espírito das Forças Armadas, a instituição militar ainda é o sustentáculo de alguma estabilidade. Quero crer que não haverá, da parte dos militares, acções que vão contra o Estado democrático. A convulsão social está em marcha, mas não é só em Portugal. Há alguns idiotas que dizem que estou a apelar à revolução, mas só estou a alertar.

A ideia de os militares voltarem a tomar conta da situação não faz sentido nenhum neste momento?

Neste momento não. Em momento de forte perturbação e de forte convulsão é capaz de fazer sentido. Neste momento não preconizo que os militares façam um golpe e tomem conta do poder e substituam os governantes eleitos democraticamente. Longe de mim.

Já defendeu, no entanto, que, se as forças de segurança abusarem da repressão, os militares devem ter uma palavra a dizer...

Isso é outra coisa. Eu falei em termos hipotéticos e em situações extremas, porque nunca defendi a anarquia, nem nada que se pareça. Se houver anarquia, situações de distúrbios de ordem pública, como aconteceu noutros países, a repressão é desejável. O que temo, por alguns sinais, é que haja a tentação do poder de, às primeiras convulsões na rua, mesmo que sejam relativamente pacíficas, aparecer com mangueiradas à moda antiga e outro tipo de atitudes. Se nós tivermos, por exemplo, as forças de segurança a atirar sobre a população, como é?

Se isso acontecesse e os militares saíssem à rua contra as forças de segurança, seria o caos absoluto...

Não, os militares nessa altura teriam de dizer basta e dizer ao poder que acabou. Basta! Se chegarmos a esse extremo – e não desejo de maneira nenhuma que lá cheguemos, nem defendo que isso venha a acontecer –, aí acho que haverá legitimidade e espero que as Forças Armadas consigam manter a serenidade suficiente para ver que não podem permitir que isso continue. Não podemos olhar para a população como o inimigo interno.

Se chegarmos a um caso extremo, os militares devem tomar conta do poder?

Se chegarmos a um ponto em que, a certa altura, o inimigo é a população, não é a população que está errada. É de certeza absoluta o poder que está errado. Oxalá não cheguemos.

Os militares protestam e outros sectores protestam, mas o país está dependente do exterior e numa situação muito complicada. Não entende a necessidade de alguns sacrifícios de que fala o governo?

Deixaram-nos chegar a esse ponto. Talvez a primeira coisa a fazer seja saber exactamente o porquê de responsabilizar quem nos deixou chegar aqui. Eu gostava de saber se o meu 13.o e 14.o mês vão servir para tapar o buraco da Madeira. Ou vão servir para tapar o buraco do BPN? Há responsáveis. No BPN só ouve um que esteve preso e acho que já nem está. Os outros andam por aí a pavonear-se...

Também defende que deve haver uma responsabilização criminal dos políticos que conduziram o país a esta crise?

Em último caso sim. Há situações que o exigem. Os únicos crimes cometidos são os da ferrugem do Godinho, que começou esta semana a ser julgado? Não estou a dizer que esse não deva ser penalizado, se o fez. Mas não se utilize isso como bode expiatório para tudo.

Como vê estes movimentos dos jovens da geração à rasca, que representam uma nova forma de contestação que tem tido alguma adesão das pessoas?

Com agrado. É um sinal de que os jovens estão a ganhar consciência de que têm de participar na causa pública e na definição da política do seu país. Não podem abster-se. Já tomei a iniciativa de os convidar para dialogar e já fizemos uma acção conjunta, que foi um debate sobre o aprofundamento da democracia.

Ao contrário do que aconteceu a seguir ao 25 de Abril, os portugueses hoje também mostram pouco interesse nessa participação de que fala.

Eu costumo dizer que assistimos a uma bebedeira colectiva. As pessoas iam a reuniões, a debates, não ficavam em casa e defendiam os ideais. Depois a participação começou a ser um exclusivo dos partidos, que boicotaram a participação cívica. E na minha opinião os partidos falharam todos.

Mas os partidos são essenciais para a democracia. Sem eles não há democracia.

A democracia formal, como nós a entendemos, é uma democracia representativa. Defendo um entrosamento entre a democracia representativa e participativa ou directa. Os partidos falharam e agora são um obstáculo a que quaisquer outros participem. Aquilo a que assistimos ao longo destes últimos anos é que os partidos procuram infiltrar e dominar as tentativas de participação cívica.

Foi o caso do Fernando Nobre, que acabou por ser convidado pelo agora primeiro-ministro para as listas do PSD?

O Fernando Nobre foi um falhanço total. Foi uma esperança extraordinária e a seguir, por um penacho, para ir para deputado, estragou tudo. Foi imediatamente comprado por um partido político.

Tem alguma preferência política?

Sempre disse que o espaço político, em termos ideológicos, em que me situo estava ocupado pelo PS. Sempre tive maior inclinação para o PS, mas a sua prática desiludiu-me muito e neste momento não tenho nenhuma preferência.

Passou a rever-se no PCP ou no Bloco de Esquerda?

De maneira nenhuma. Nunca me revi e em 74/75 isso ficou bem claro. O Bloco de Esquerda tinha muitas coisas aliciantes, mas não posso aceitar que tenha determinadas atitudes porque sabem que nunca vão chegar ao poder.

Acha que o Bloco de Esquerda peca por ser demagógico?

Não lhe chamaria só demagogia. É irrealismo. Eu lembro-me logo de uma amigo meu que esteve na extrema-esquerda em 74/75 e, há dois ou três anos, disse-me: “Não há dúvida que nessa altura tinhas razão, mas tens de concordar que eu gozei muito mais do que tu.”

Não tem nenhum político como referência?

Não, não tenho.

Nem o Mário Soares, por exemplo?

Penso que ele conseguiu ser, a partir de certa altura, o único político com envergadura em Portugal, embora a sua permanente incapacidade para perceber as Forças Armadas me tenha levado também a ser crítico. Mas é o que resta de alguns grandes políticos que houve na Europa. Reconheço-lhe algumas qualidades extraordinárias, como, por exemplo, o facto de a liberdade, para ele, ser uma barreira intransponível.

Vivemos num país livre?

É evidente que temos liberdade. Tenho liberdade de falar, mas quando há desemprego e começa a haver fome a liberdade começa a ser condicionada. E há medo. Há muito tempo que em Portugal voltou a haver medo.

Encontra algum paralelo entre os tempos de hoje e os da ditadura?

Aí havia censura clara.

Estou a referir-me também às condições de vida, ao facto de as pessoas enfrentarem grandes dificuldades.

Em termos globais estamos ainda muito melhor.

Como encara a hipótese de comemorar o feriado do 25 de Abril – que em 2012 é a uma quarta-feira – na segunda-feira?

Não me vejo a comemorar o 25 de Abril no dia 23, vou comemorá-lo no dia 25. Espero conseguir e que nesse dia venha muita gente para a rua mesmo que não seja feriado. Acho que isto é tudo demagogia. Qualquer dia estão a sugerir que se comemore no dia 28 de Maio.

Nota do RoP:

Genericamente, estou de acordo com todas as respostas de Vasco Lourenço. Se me tivessem feito as mesmas perguntas, tenho a impressão que as respostas seriam iguais.

Curioso, é que, tal como eu, Vasco Lourenço, pretende apenas a responsabilização efectiva da classe política, como forma de corrigir os desvios que foram sucessiva e crescentemente perpretados pelos governantes. Porém, não sendo ele comunista, embora simpatizante de uma esquerda moderada, não tarda que os liberais da treta lhe comecem a colocar rótulos leninistas, estalinistas, maoistas e [porque não?] ... populistas [coisas que eles "não" são].

Cores de Outono, em Barcelos


Campo 5 de Outubro, Barcelos

Tenham um excelente fim de semana, e esqueçam os troikanos

11 novembro, 2011

O fim dos transportes?

1. Quando começa a ser financeiramente mais vantajoso vir ao Porto num carro particular, algo está muito mal na política de transportes públicos. Toda a gente sabe que os prejuízos monstruosos que as empresas públicas de transportes têm vindo a acumular vão acabar por ser pagos pelos contribuintes. Os preços artificiais (ditos sociais) que se foram mantendo ao longo dos anos não podiam manter-se eternamente. Em algum dia isto teria que rebentar.

Mas os aumentos de que se fala, e que podem ascender aos 25%, são de uma violência atroz e ameaçam fazer com que o esforço de promoção do transporte público tenha sido em vão. As simples contas que o GRANDE PORTO hoje traz nas suas páginas são claras: actualmente, uma viagem ocasional com origem na Maia, Gaia ou outro concelho limítrofe já fica a um preço tal que muita gente pensa se não é preferível pegar no carro e, com mais conforto, fazer o trajecto até ao Porto. Nenhuma grande cidade sobrevive sem um sistema de transportes públicos bem articulado e que sejam uma verdadeira alternativa às viaturas particulares.

Os movimentos pendulares de e para o Porto já são complicados o suficiente para que venham acrescentar-se diariamente mais umas centenas de carros.

Este será o grande desafio da futura administração da empresa que vai tutelar o Metro do Porto e a STCP: articular os dois meios de transporte para que eles sejam competitivos e uma opção séria para quem vem ao Porto. Com a cegueira economicista que olha só para a contabilidade das empresas públicas, impondo aumentos de preços draconianos, o futuro é negro. Tão negro como o ar que vamos respirando de cada vez que somos obrigados a circular na VCI, por exemplo.

2. A Educação é a base de qualquer civilização. Esta é uma verdade incontornável. Daí que o desinvestimento galopante nesta área acabe por pagar-se bem caro no futuro. O que se passa com as bolsas de estudo é indigno de um país dito desenvolvido. Alunos que estão longe de casa, sem rectaguarda familiar, começam a passar dificuldades, o que, no limite, pode levar ao abandono escolar. O ministro Nuno Crato aportou ao ministério de tesoura em riste, sem uma ideia sobre o rumo da Educação. Limita-se a debitar uns conceitos que poucos percebem. No tal eduquês...

[Miguel Ângelo Pinto / Grande Porto]

09 novembro, 2011

As "Faces Ocultas" da vida

Se Duarte Lima se chamasse Bruno Pidá, tão certo como certa é a morte, já estaria a ver o sol aos quadradinhos há muito tempo, e não havia habeas corpus, nem advogado nenhum que lhe valesse. O mesmo se pode aplicar ao grupo de cavalheiros envolvidos no processo Face Oculta. São todos filhos de boa gente, todos institucionalmente inocentes. Por quê? Porque a Justiça que temos é um mito, uma brincadeira de mau gosto, uma instituição submissa com os poderosos e cobardemente intolerante com os pobres.

Será pois de toda a conveniência, caso o leitor tenha filhos com o futuro por definir, que ponha os olhos nestes exemplos de cidadania, e trate de os filiar no PS ou no PSD/CDS, para ver se está a tempo de os formatar para um dia chegarem a Presidentes do BCP [como Armando Vara], ou da Rede Eléctrica Nacional [como José Penedos]. Se optar pelo caminho errado, ou se acreditar que a sociedade está preparada para os premiar apenas pelo seu empenho ou competência, pode ter a certeza que não chega lá acima, ao topo da pirâmide. Ou se chegar, irá seguramente demorar mais... Não tem de se preocupar com essa coisa romantica de fazer deles pessoas honradas, porque hoje já nem preciso é parecê-lo, bastará afirmá-lo. Pode confirmar o que estou a dizer, lendo ou ouvindo, as recentes declarações de todos os suspeitos por corrupção no processo Face Oculta, todos eles, sem excepção, se dizem inocentes...

Mas, se quiser que os seus filhos não fiquem por aí, que acumulem fortuna sem grande esforço e depressa, é suficiente usar da prolífera chico-espertice  sempre presente no ADN portuga, rodeá-los de colaboradores videirinhos [tratados pelas mamãs por homens de vida], diligentes e sem escrúpulos, que tratarão de olear a máquina, de forma a comprar algumas ovelhas ranhosas que ousem emperrá-la...  Depois, fica tudo mais simples. Um telefonemazinho para o Ministro A, outro para o Secretário B, a recomendar a obra ao Mafioso-Mor e não há escutas que o demovam.

Caso o cambalacho se descubra, na pior das hipóteses, há os tribunais, e para os tribunais, recrutam-se meia dúzia de advogados ambiciosos [do tipo Duarte Lima], aos quais se paga o bastante até descobrirem nos calhamaços jurídicos um qualquer buraco legal que sirva para o transformar na mais inocente das vítimas. E a vida continua.  


FCPorto quer fazer parte da RTP Portugal


A empresa FCPorto Media está interessada em participar na RTP Portugal, nome provisório para a emissão sucessora da RTPInternacional, juntando conteúdos à emissão ou mesmo fazendo parte da sua futura estrutura societária.

Esta matéria parece ser ponto assente entre os responsáveis pelo Porto Canal, desde Julho uma estação dirigida pelo clube. O objectivo vai ao encontro da intenção do ministro Miguel Relvas, responsável pela pasta da comunicação social, disposto a transformar essa antena numa aposta forte, contando para isso com parceiros diversificados, incluindo grupos de media com principal actividade na Imprensa. Miguel Relvas chegou a apontar o contributo do Público e d'A Bola.

Já a eventual presença da empresa do clube num futuro concurso a uma licença da RTP é outra questão que está ainda em aberto. Fonte do FCMedia deixa claro que este outro dossiê está em fase de análise. Será uma questão a ponderar, mas sempre no quadro de uma participação no consórcio.

Miguel Relvas, pelo seu lado, desvalorizou ontem a notícia do Diário Económico que avançava com o interesse do FCPorto na privatização da RTP. O ministro nega ter sido contactado pelo clube para qualquer parceria.

No canal detido pelo FCMedia, o Porto Canal, está em preparação uma remodelação de fundo na grelha, que será visível em Janeiro de 2012, e também na organização interna. Em breve, às cinco delegações existentes, com sede no Norte, irão juntar-se duas outras determinantes na cobertura a nível nacional: em Lisboa, para o acompanhamento da política nacional; e uma outra para servir a região de Aveiro e Viseu.

[Fonte: JN] 

O regresso da nação


Nas últimas semanas, tenho visto e lido muita gente a confundir o momento actual da equipa de futebol profissional do F. C. Porto com o clube que ostenta o mesmo nome. Convém que ninguém esqueça que mais até do que um particular momento, eventualmente menos feliz, a própria equipa de futebol sénior dos dragões, não é a mesma coisa que o F. C. Porto.

O F. C. Porto é muito mais que um clube e, por maioria de razão, muito mais que uma equipa de futebol.

Dito isto, imaginem o que penso quando o que se tenta confundir com o F. C. Porto é apenas e só um determinado momento, menos venturoso é certo, da sua equipa de futebol.

Devo até dizer que o que me levou a escolher o tema desta crónica nada tem a ver com futebol, tendo tudo a ver com o F. C. Porto.

A imprensa económica de ontem dava grande relevo ao interesse do meu clube em concorrer à anunciada privatização de um dos canais da RTP.

Como não tenho nenhuma outra informação privilegiada, tomo a notícia como boa e para o meu objectivo nesta crónica até a considero muito boa.

Vamos admitir que sou um portista exagerado, que exagera no amor ao clube e nesse amor exagerado entram fantasias sobre um clube que é mais do que uma equipa de futebol.

Vamos dar de barato que o F. C. Porto é mesmo unicamente uma equipa de futebol, ainda assim, uma das melhores do Mundo, que não se pode tratar por menos, quem já tem dois títulos de campeão do Mundo conquistados numa única geração. (Graças a Deus, na minha.)

Com estes considerandos, a pergunta que se impõe é muito simples: para que é que um clube que é só uma equipa de futebol (mesmo muito boa e triunfante) quer um canal de televisão nacional e generalista, quando até acabou de comprar um por cabo de inspiração regional?

Os seus adversários troçarão da coisa e já devem estar em curso graçolas várias sobre essa hipótese.

Também devo dizer que este é o lado para que durmo melhor, porque estas graçolas e os mails piadéticos costumam acabar por volta do Natal, que já está aí ao virar da esquina. Para dar lugar à habitual choradeira que só termina com a chegada do Verão.

Apesar de nem todos terem capacidade para reconhecer esse atributo, o F. C. Porto tem sido um baluarte de toda a região em que está inserido. É normal que se sinta vocacionado para estender a sua influência e a sua comunicação no espaço, no tempo e nos targets.

A tomada do poder no Porto Canal já foi um sinal claro, sobretudo desde que se soube que o F. C. Porto não queria o canal para fazer uma Porto TV à imagem da paupérrima Benfica TV. Onde se aplica o velhinho "hit" dos Taxi: quem vê TV sofre mais que no WC...

É verdade (e é também uma pena...) que nem todos os nortenhos são adeptos do F. C. Porto. Mas neste particular o futebol une mais que a política e é possível encontrar mais disponibilidade para defender em coro as questões da região no quadro do F. C. Porto, do que nos areópagos da política partidária.

Num tempo em que a instabilidade e a crise vão ditar as suas inexoráveis leis, num momento da vida nacional em que o pretexto da poupança pública tem servido para aumentar a concentração dos poderes de decisão na capital, uma voz como a do F. C. Porto, amplificada por canais de televisão poderosos faz todo o sentido. É até urgente, atrevo-me eu a dizer.

Com a bênção do senhor presidente da República (por acaso um Dragão de Honra), entrou no léxico quotidiano a questão de saber a diferença entre o que é urgente e o que é importante.

Em conformidade com essa moda, diria que é urgente pôr a equipa de futebol do F. C. Porto de novo na senda das vitórias e das boas exibições, mas é importante não confundir essa urgência conjuntural com a realidade F. C. Porto, que paira acima, bem acima, de qualquer bola que teima em não entrar.

Porque o Hulk falha de modo incrível um penálti e a recarga, ou o árbitro escamoteia de uma forma ainda mais incrível outras duas grandes penalidades.

A Nação, perene, não pode depender de coisas tão efémeras como estas.

[extraído do JN]



08 novembro, 2011

06 novembro, 2011

Victor Pereira, assim não vai lá...


Victor Pereira
Ninguém que acompanhe com regularidade o Renovar o Porto me pode acusar de não defender o FCPorto, sobretudo nos momentos mais difíceis, em que toda a sua estrutura, incluindo Pinto da Costa, foi atacada e perseguida pela comunicação social centralista, apoiada por um Procurador Geral frouxo e incompetente, que nunca revelou a mínima coragem para manter o distanciamento e a isenção que o seu cargo exigia. Censurei-o a ele, e aos diversos agentes ligados àquele infame processo, que nunca souberam mostrar categoria e capacidade para lidar com a situação antes mesmo que ela ganhasse as proporções que levaram ao escabroso Apito Dourado.

Cheguei, inclusivé, a encabeçar uma Petição no sentido de responsabilizar a RTP e respectivas Direcções, pelo trabalho macabro de apoio e cobertura aos criminosos que estavam por detrás de toda aquela tramóia. Resultado: em 4 mêses, não consegui mais do que mil e poucas assinaturas...  

Por conseguinte, pouca moral têm essas criaturas agora para me encher a caixa de comentários, caso o que vão ler a seguir não seja de seu agrado. É que nem sequer os publicarei, que é para ficarem desde logo a saber o valor que lhes atribuo.

Ora, se defendi o FCPorto em momentos difíceis, como foi o que já citei, na qualidade de adepto, tenho legitimidade para criticar o treinador do FCPorto, porque mesmo sabendo que este também não é um momento fácil para o clube, não tem, nem de longe nem de perto, a gravidade do Processo Apito Dourado. A gravidade do momento existe de facto, mas é de outro tipo. Em causa está, a possível perda de importantes verbas para o clube e o eventual afastamento prematuro das competições que ainda tem para disputar. Sem querer ser demasiado simplista, tudo isto se resume ao seguinte: Victor Pereira, foi o treinador de recurso, o pronto-socorro que Pinto da Costa tinha à mão para substituir o recém premiado com o Dragão de Ouro, André Villas Boas. Quem disser que uma coisa não tem a ver com a outra, está a navegar no reino da fantasia, mundo em que Pinto da Costa não tem por hábito entrar, embora as circunstâncias o forcem por vezes a improvisar. Foi o caso, com Victor Pereira, e desta feita, não está a resultar...

Como adepto sinto-me insultado com as declarações irreflectidas de Victor Pereira, quando depois de vários jogos a jogar mal, vem para a comunicação social fazer afirmações surrealistas sem qualquer conexão com a realidade. Mais uma vez, VP repete o discurso anterior,  dizendo que a equipa "trabalhou muito durante o jogo", como se isso significasse trabalhar bem, que é a "pequena" diferença que ele ainda não   foi capaz de estabelecer entre os dois advérbios, talvez por não compreender que ela é fundamental. As suas afirmações espelham de certa maneira - ou pelo menos fazem-nos intuir -, as dificuldades que seguramente terá em comunicar com os jogadores, não devendo por isso espantar que eles pareçam autênticas baratas tontas em campo, sem lucidez nem garra competitiva. Exactamente o inverso do que ele diz...

A cereja no pico do bolo, foram as suas palavras denunciadores de fraqueza quando, à pergunta se achava que  "ainda mantinha a confiança dos adeptos" respondeu, procurando passar a mão pelo pêlo a Pinto da Costa, dizendo "temos um grande líder, que não vai pela teatralização que há à volta do futebol...". Estas não são respostas de um líder, são respostas de quem sente o barco a afundar e não sabe o que fazer para o evitar. Decisivamente, Victor Pereira não é treinador para um clube com as ambições do FCPorto. Podia ter resultado, mas não resultou. Podem-me dizer que nada está perdido, mas o que vejo não me alimenta minimamente a confiança numa reviravolta.

Só não queria, era estar no lugar de Pinto da Costa e da SAD, porque este de facto, é um daqueles momentos complicados para tomar decisões.

O FCPorto corre o risco de sair da Champions sem os milhões que tanta falta fazem ao clube, já que as receitas de publicidade e de bilheteira são risíveis. Arrisca-se a perder o campeonato, até porque este ano está mais competitivo, com as principais equipas separadas por poucos pontos. O que fazer então? Manter, reforçar a confiança num treinador que não dá sinais de saber aproveitá-la em seu benefício e do FCPorto, ou dispensar os seus serviços numa altura em que o mercado de treinadores cotados está fechado? E quanto terá o clube de lhe pagar para o indemnizar?

Todas estas dúvidas servem também para percebermos as contradições e verdadeiras armadilhas do regime capitalista e dos famosos mercados que o dominam. Há quem sobreviva nesta selva, mas que pode transformar, num ápice, um Herói em vilão, disso penso que já ninguém duvidará.

Esperemos é que - mais uma vez -, aqueles que nem sequer coragem tiveram para assinar uma simples Petição, não venham agora pedir a cabeça do Presidente, à boa maneira dos "amiguinhos" de Lisboa.