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11 novembro, 2011

O fim dos transportes?

1. Quando começa a ser financeiramente mais vantajoso vir ao Porto num carro particular, algo está muito mal na política de transportes públicos. Toda a gente sabe que os prejuízos monstruosos que as empresas públicas de transportes têm vindo a acumular vão acabar por ser pagos pelos contribuintes. Os preços artificiais (ditos sociais) que se foram mantendo ao longo dos anos não podiam manter-se eternamente. Em algum dia isto teria que rebentar.

Mas os aumentos de que se fala, e que podem ascender aos 25%, são de uma violência atroz e ameaçam fazer com que o esforço de promoção do transporte público tenha sido em vão. As simples contas que o GRANDE PORTO hoje traz nas suas páginas são claras: actualmente, uma viagem ocasional com origem na Maia, Gaia ou outro concelho limítrofe já fica a um preço tal que muita gente pensa se não é preferível pegar no carro e, com mais conforto, fazer o trajecto até ao Porto. Nenhuma grande cidade sobrevive sem um sistema de transportes públicos bem articulado e que sejam uma verdadeira alternativa às viaturas particulares.

Os movimentos pendulares de e para o Porto já são complicados o suficiente para que venham acrescentar-se diariamente mais umas centenas de carros.

Este será o grande desafio da futura administração da empresa que vai tutelar o Metro do Porto e a STCP: articular os dois meios de transporte para que eles sejam competitivos e uma opção séria para quem vem ao Porto. Com a cegueira economicista que olha só para a contabilidade das empresas públicas, impondo aumentos de preços draconianos, o futuro é negro. Tão negro como o ar que vamos respirando de cada vez que somos obrigados a circular na VCI, por exemplo.

2. A Educação é a base de qualquer civilização. Esta é uma verdade incontornável. Daí que o desinvestimento galopante nesta área acabe por pagar-se bem caro no futuro. O que se passa com as bolsas de estudo é indigno de um país dito desenvolvido. Alunos que estão longe de casa, sem rectaguarda familiar, começam a passar dificuldades, o que, no limite, pode levar ao abandono escolar. O ministro Nuno Crato aportou ao ministério de tesoura em riste, sem uma ideia sobre o rumo da Educação. Limita-se a debitar uns conceitos que poucos percebem. No tal eduquês...

[Miguel Ângelo Pinto / Grande Porto]

08 outubro, 2009

Fusão do Grande Porto

Ler aqui. É muito interessante.

Nota:

Como diz Rui Moreira, e bem, quando se fala neste assunto, os políticos dizem: nim! O que corresponde, em pleno, à opinião que o grande povo faz deles, ou seja, tudo, menos correrem o risco de perder a "gamela" (esta pegou). Primeiro eu, depois a cidade ou o país. Neste ponto, poucos há que fazem a diferença, todos se regulam pelo mesmo padrão de mediocridade. Percebem porque me incomoda a palavra "elites"?

Quanto à posição medrosa de Carlos Lage, é natural, corresponde exactamente à ideia que tenho dele. Medroso.

24 julho, 2009

Grande Porto [4ª. Edição]

Ainda é cedo para fazermos uma apreciação séria e conclusiva sobre a qualidade deste semanário portuense que se propôs dar prioridade às notícias e aos problemas da nossa cidade. Como o povo costuma dizer, é muito importante que um projecto comece bem. Sobre isto, ainda não tenho uma opinião consistente. Contudo, indicarei alguns pontos que podem ser premonitórios de um final infeliz, caso as agulhas editoriais do jornal não passem a estar claramente apontadas para o Norte e para o Grande Porto [como o nome diz]. Aqui vão eles:
  1. Projectos anteriores no ramo da comunicação social [NTV, Comércio do Porto* e agora também, O Primeiro de Janeiro], mal estruturados, sem o capital e a autonomia adequados, faliram também por efeito de uma subalternidade provinciana à capital das novas colónias continentais. O slogan "do Porto para o Mundo" é um eufemismo para manter uma intolerável vassalagem a Lisboa. Quem quer afirmar-se a partir de uma cidade ou região, para o Mundo, tem de começar por fazê-lo dentro de portas e com a prata da casa. Dentro deste prisma, vejo com alguma desconfiança, a colaboração de algumas pessoas mais ou menos conhecidas que tendo noutros espaços de comunicação algum mediatismo, pouco fizeram ou escreveram em prol do Porto... É só um alerta.
  2. Falar deste tema parece-me uma coisa tão primária, que devia merecer um atestado de incompetência a quem é do Norte e dirige um simples quiosque. É o seguinte: só por profunda ignorância ou alheamento do que se passa na nossa região, é que um comerciante desconhece uma regra quase intuitiva que manda "mostrar, para vender". Ora, já há duas semanas falei nisto, mas voltei a observar o mesmo, desta vez noutra tabacaria. O jornal continuava escondido, quase envergonhado, debaixo de uma prateleira. O marketing, ou a noção de algo parecido com isso, parece não existir, e é no mínimo estranho que um comerciante não revele a menor sensibilidade para o ramo de actividade em que está envolvido. Aqui dou alguma razão àqueles que dizem com algum oportunismo, que a culpa do atraso do Norte é nossa. Não é nossa, porque essa é uma generalização abusiva e - para muitos -, conveniente, mas que é culpa de alguns, é verdade, e estes são apenas pequenos exemplos. Também, há alguma responsabilidade na Direcção do jornal que não promove as devidas influências junto dos distribuidores. É a tal mentalidade da capelinha, onde a cordenação entre pares é encarada como uma intromissão.
  3. Agora, passando a algumas notícias do mesmo jornal, aqui vai uma, que embora não seja, parece anedota. Ribeiro e Castro, eis candidato à Presidência do Benfica e ex-colaborador do vigarista Vale e Azevedo [que continua à solta] está de malas aviadas para o Porto para se candidatar à Câmara pelas listas do CDS. Isto é puro cartoon, mas sem bonecos.
  4. Por último, uma entrevista com duas semi-mediáticas figuras do Porto, que pertencem à classe mais "patética" das sociedades [não só a do Porto], que são os habitués do Jet-Set e das revistas côr-de-rosa. A entrevista, que tem lugar habitual num restaurante da cidade, foi feita a Cláudia Jacques, uma mulher charmosa que até já se deixou fotografar nua para uma revista, e o cabeleireiro Joaquim Guerra. Nenhum deles resistiu à contaminação do vírus lisboeta, talvez por quererem passar por gente muito p'rá-frentex, e descobriram que: "os portuenses são mais fechados e provincianos do que os lisboetas..." É precisamente isso que eles gostam de ouvir. Ai centralismo, centralismo, a quanto obrigas...

*Este caso é um pouco diferente dos restantes, porque o jornal estava bem feito, priorizava a Região,tinha leitores, e fechou para surpresa de todos. Pertencia a um grupo espanhol com outros negócios e deve ter caído por arrastamento dos outros.