30 dezembro, 2013

UM FCPORTO SEM LIDERANÇA NO BALNEÁRIO E NO TREINO

Pessoalmente, já não tenho muito a acrescentar ao que penso das capacidades técnicas, tácticas, estratégicas, e de liderança, de Paulo Fonseca. Já disse tudo.

Resta-me aguardar o que irá fazer (se fizer) a estrutura directiva do FCPorto. Se tenciona esticar a corda toda e manter o treinador até ao limite do possível (conseguir guardar alguma coisa para ganhar esta época), ou se estará disposta a continuar a aposta arriscada em Paulo Fonseca e sujeitar-se a perder tudo aquilo que ainda pode conquistar (Campeonato, Taça de Portugal, Liga Europa e Taça da Liga), o que poderá implicar a assunção implícita do fracasso de todo uma época.

Vista a situação pelo lado positivo, temos de admitir que ainda há 4 competições em disputa, que está "tudo" em aberto, mas já sem acesso aos milhões da Champions, que tanto jeito dariam aos cofres da SAD. Realisticamente pensando, e fundamentado no péssimo futebol exibido pela equipa há mais de 5 mêses consecutivos, corremos o risco de continuar a ver o FCPorto praticar o pior futebol dos últimos 30 anos... e sem resultados.

Paulo Fonseca, será para continuar? Se sim, teremos de concluir que não é o único teimoso no clube. E se não sabem o que eu penso dos teimosos, façam o favor de ler aqui.

23 dezembro, 2013

Se houvesse Justiça

Eu não sei se os tribunais reconhecem oficialmente [ou não] que a Justiça não está a ser aplicada a todos e da mesma maneira. Não sei se reconhecem que a Justiça está a intensificar a protecção e a deixar fora da sua alçada aqueles que mais obrigações têm de a respeitar. Melhor que ninguém, os juízes deviam saber o que a expressão latina dura lex sed lex quer dizer [a Lei é dura, mas é Lei]. Por outras palavras, que a Lei só se reconhece na irreversibilidade do rigor.

O rigor pressupõe precisão e severidade,  justamente o contrário  da complacência e da flexibilidade. Logo, não havendo rigor na aplicação da Lei a Justiça está sem dúvida a ser mal exercida, está a ser INjusta. Apenas em casos específicos, particularmente com os mais carenciados ou com comprovados inimputáveis é que o rigor da Lei pode fazer algumas concessões. Mas, não é bem isso que acontece. As concessões estão a ser feitas àqueles que podem defender-se melhor, ou seja, os poderosos. Uma justiça assim, também carece ser julgada...

Volto de novo à questão da democracia representativa [que é o modelo em que vivemos] para lembrar que o poder não caiu à rua, que o povo vota e delega em terceiros o poder e a responsabilidade de o governar, não se governa a si próprio. Poder e responsabilidade são duas proposições que se devem contrapor como factor de equilíbrio, nunca como conjugação de prepotência. Se há poder, há responsabilidade, e o poder só deve crescer se for proporcional à responsabilidade. Assumida.

Então, que conclusão podemos tirar? Que tem sido esse o padrão comportamental de quem nos tem governado e de quem nos tem julgado? A resposta não merece dúvidas: Não! Afinal, quem é que devia estar a pagar a crise? Nós, os governados, ou os governantes? Ninguém estará interessado em esclarecer de uma vez este embuste? Por que é que os cidadãos devem ser bons cidadãos se os governantes são péssimos governantes e abusam do poder? Por que temos nós de pagar impostos se eles não os pagam. Por que temos nós de ir para a cadeia só por falar se eles não vão por falcatruar? Por que temos nós de  ser julgados quando eles têm como fugir dos julgamentos? Vão dizer que isto é mentira? A sem vergonhice dará para negar esta realidade? Não são todos, já sabemos que não devemos exagerar. Muito bem. Então por que é que Cavaco nunca se mostrou publicamente indignado com as canalhices dos seus colegas de partido e homens de confiança que estiveram envolvidos no escândalo BPN? Imaginará ele porventura que o seu silêncio nos fará dissociá-los uns dos outros como se fossem ilustres desconhecidos? Imaginará que pensamos que são de níveis éticos muito diferentes? Pelo contrário, o silêncio de Cavaco em relação aos seus antigos homens de confiança, Dias Loureiros, Duartes Limas e Oliveiras e Costas, não apaga a relação entre eles nem as identidades, antes as une e lhes acrescenta afinidade.

Se houvesse realmente Justiça, Cavaco Silva jamais seria Presidente da República, ou sendo-o, depois do BPN, hoje já não o era. 


21 dezembro, 2013

Carlos Eduardo

Ainda é cedo para se poder traçar um perfil consistente das qualidades do médio do FCPorto, que tantas expectativas está a levantar aos adeptos portistas. Mas há coisas que não enganam, para lá das suas valências como jogador: a sua personalidade. Posso vir a arrepender-me do que hoje estou a dizer, porque as pessoas mudam bruscamente, mas é assim que penso neste momento. Carlos Eduardo reúne todas as características daquilo que deve ser um jogador à Porto. Tem qualidades técnicas, inteligência, humildade, garra e boa têmpera. Nem sempre é possível, porque não há muitas pessoas com este perfil, e ainda menos no mundo do futebol, mas deviam ser assim todos os jogadores do FCPorto.

Carlos Eduardo sempre aceitou, sem reclamar, o facto de não ter sido inscrito na Champions por opção do seu treinador, nem ser encaminhado muitas vezes para jogar na equipa B. Quando entrevistado, não personaliza demasiado a sua importância na produção da equipa optando preferencialmente pelo colectivo. Posso enganar-me, mas o FCPorto tem aqui um diamante já meio lapidado. Oxalá saiba aproveitá-lo e rentabilizá-lo, como costuma. Tem a batuta, o treinador.
CARLOS EDUARDO

19 dezembro, 2013

Jornalismo à Pingo Doce

Já todos sabemos que os jornalistas não gostam de ser criticados, que preferem que os leitores aceitem incondicionalmente tudo o que escrevem e decidem, como se fossem proprietários exclusivos do saber. Afinal, esta forma de estar na vida não difere por aí além da dos políticos e de outras profissões com algum peso social. Julgam-se insubstituíveis a tal ponto que nem se dignam admitir que alguém, que não os próprios, possa ver as coisas com mais objectividade que eles. É pena que assim seja, porque se descessem mais vezes à terra, em vez de levitarem na inocuidade das sua convicções e das entrevistas à la carte, talvez prestassem melhor serviço público do que imaginam.

Os anos que tenho de idade a ler e a conhecer jornalistas são demais para poder tolerar o marasmo em que a classe se deixou cair. A ideia com que ficamos  muitas vezes é que, mesmo quando se atrevem a usar da irreverencia junto de algumas figuras públicas poderosas, nunca tocam nos pontos mais incómodos de forma a deixá-las sem resposta. Parece que já ficam realizados com a glória de ter conseguido a entrevista. A proximidade com os poderosos inibe-lhes a coragem e fá-los imaginar estarem no mesmo patamar de importância, ainda que por instantes. A vaidade tem destas coisas...

Não tenho a menor dúvida do que atrás escrevi, porque se assim não fosse nunca mais veríamos na televisão figuras como o dono do Grupo Jerónimo Martins (do Pingo Doce) a dar pareceres políticos,como se fosse alguém com estatuto cívico e moral para o fazer. De todas as ocasiões que Alexandre Soares foi à televisão, não me lembro de nenhum jornalista lhe ter perguntado porque é que não pagava condignamente aos seus empregados para ajudar a economia a rolar, e porque é que sediou a empresa na Holanda e fugiu ao fisco escandalizando o país inteiro... Mas não. Só podemos deduzir que o exemplo deste "grande" empresário deve ser para louvar, caso contrário não se entenderia porque continuam a chamá-lo à televisão. O resultado é que cada vez o homem diz mais disparates, mas tal como num Big Brother ele aproveita para se achar importante. Mas, pior que ele, é o jornalismo de sarjeta que se continua a fazer em Portugal.  O jornalistas querem audiências não querem mudar o país.


17 dezembro, 2013

RTP 2 vai passar para o Porto. Irá mesmo? E em que condições?

A produção da RTP2 vai passar para o Porto, uma transferência que já está a acontecer, disse à Lusa fonte oficial da Rádio e Televisão de Portugal (RTP).

“Toda a produção da 2 vai passar para o Porto e outras produções de outros canais passam também para o Porto”, nomeadamente da RTP 1 e da RTP Internacional, afirmou a mesma fonte, adiantando que esta decisão da Administração liderada por Alberto da Ponte não traz encargos extra já que alguns serviços que eram contratados externamente passam a ser feitos dentro da estação pública.

Questionado sobre se a decisão implica a contratação de trabalhadores ou a ida de alguns de Lisboa para o Porto, a mesma fonte disse apenas que esta “significa a melhor utilização dos meios humanos e físicos que existem no Porto”.

Os serviços de produção da RTP2 vão começar a ser transferidos ainda durante o mês de Janeiro.
(do jornal Público)


Nota do RoP:
Notem bem as preocupações de quem está mal habituado. Em vez de se regozijarem com a notícia [que ainda nem sequer está garantida], os jornalistas querem é saber se o pessoal de Lisboa vai ser transferido para o Porto, em vez de procurarem saber quantos postos de trabalho serão abertos aos nortenhos, que como é sabido têm sido muito mais flagelados com o desemprego que qualquer outra região do país. Por outras palavras, o que eles querem dizer é o seguinte:  se querem descentralizar descentralizem, mas nunca à nossa custa.
Tenho a impressão que isto ainda vai dar muito que falar. Aguardemos...   

15 dezembro, 2013

Portocentrismo


 

Porto, Gaia e Matosinhos resolveram criar uma liga de cidadesquecendo o passado dividido, por vezes conflituoso. Procuram uma Frente Atlântica, que poderá mesmo dar origem a uma associação de municípios, para perseguir interesses comuns. Aquilo que, em abstrato, seria uma boa ideia tem todas as condições para se transformar num movimento divisionário típico do pior portocentrismo.

A forma mais benigna de olhar para esta nova liga é considerá-la um exercício exploratório de um objetivo de união mais amplo. Vale aqui recordar que Rui Moreira defendia há 10 anos a criação de uma única cidade, unindo o Porto, Gaia e Matosinhos, invocando a mais óbvia de todas as razões: não existe fronteira real entre as três. É bom de perceber que não é aceitável que três presidentes recém-eleitos coloquem sobre a mesa a fusão dos respetivos municípios, sobretudo quando tal não estava explícito nos seus manifestos eleitorais. Assim, iniciar um processo de aproximação mais técnico e menos político permitiria ir, paulatinamente, entranhando a ideia da cidade única. A verdade é que os três autarcas emprestaram à iniciativa um simbolismo político mais amplo do que um simples processo incremental de aproximação.

Abre-se, assim, espaço para uma leitura menos prosaica, que é a de que o Porto vira costas à região. A história recente da região Norte revela um espaço geográfico, administrativo e político muito dividido e muito desequilibrado, que entrou numa deriva de empobrecimento verdadeiramente vergonhosa. E, por muito que o Norte grite contra o centralismo de Lisboa, quase sempre com razão, a suposta liderança desta região tem também sérias responsabilidades nesta rota de insucesso. O Porto, sempre mais preocupado com o seu umbigo, não tem sabido nem querido liderar. Satisfaz-se com o exercício do controlo dos fundos do Programa Operacional Regional, capturando por completo as estruturas de decisão, esquecendo que, com isso, enfraquece toda uma região e, por maioria de razão, definha ele próprio.

A prova acabada desta visão curta é a declaração que os autarcas do Porto, de Gaia e de Matosinhos vão assinar contra "o reforço centralista" da RTP. É claro que o Centro de Produção da estação de televisão pública em Vila Nova de Gaia tem de ser preservado, e sobre isto sou insuspeito pois já o defendi neste mesmo espaço, mas o que estes três autarcas parecem ignorar é que esta é uma infraestrutura que serve e interessa a toda a região Norte. A lista de subscritores de tal documento teria de ser mais regional e menos portocêntrica.

Mas é ao nível da Área Metropolitana do Porto (AMP) que a nova Frente Atlântica causa mais engulho. A AMP foi recentemente redesenhada, num exercício cínico de lhe conferir uma massa crítica esmagadora face às restantes NUT3 do Norte. Foram assim considerados metropolitanos municípios como Arouca, Oliveira de Azeméis e Vale de Cambra, o que não deixa de ser surpreendente. A razão reside, naturalmente, na perspetiva de este ser um nível territorial supramunicipal privilegiado na atribuição de fundos europeus. Tal facto faria supor um aguçado apetite pelo controlo do Conselho Metropolitano. Surpresa das surpresas, assim não foi. Os municípios de maior peso mostraram-se muito desinteressados no processo, acabando por ser eleito presidente Hermínio Loureiro, um autarca muito competente que, todavia, representa um município de menor peso.

Percebe-se agora que havia já uma estratégia autónoma para a captação de fundos por parte de Porto, Gaia e Matosinhos, a qual será, quer queiramos, quer não, conflituosa com a estratégia que estava já a ser iniciada pelo Conselho Metropolitano do Porto. O facto de este órgão não ter tido conhecimento da nova liga de cidades é bem elucidativo.

O desconforto está instalado a todos os níveis. Na capital, o que me preocupa pouco, mas também na CCDRN, na AMP e em muitas das mais importantes cidades e municípios da região.

Não escondi o meu ceticismo quando, no seu discurso de tomada de posse, Rui Moreira se referiu a uma liga de cidades. Achei a ideia demasiado vaga para merecer uma referência explícita. Esperei. Confesso hoje que o meu ceticismo, ao invés de se diluir, se intensificou. Temo que possamos ter mais do mesmo.

Nota de RoP:

Sempre embirrei com esta mania, [ainda mal resolvida], de relacionar o protagonismo do Porto com o portocentrismo [versão "regionaleira" de centralismo que alguém, em má hora, se lembrou de inventar]. Em primeiro lugar, porque a responsabilidade  de descentralizar ou concentrar o poder, parte, antes de mais, de quem o detém, ou seja, do Governo central, e não das autarquias, cujas competências já de si limitadas pouco podem fazer e decidir a nível nacional contra a macrocefalia do poder do Terreiro do Paço. Em segundo lugar, porque por vezes se confunde o dinamismo próprio e histórico de cada cidade/região com a vontade intrínseca de nelas concentrar o poder, secando todas as outras. O Porto, tal como Braga [o autor do artigo é bracarense], tem a sua história ligada à do país, ainda mais importante que a da própria capital.

O autor tem razão quando refere que o Norte "tem empobrecido nos últimos anos o seu espaço geográfico, administrativo e político", mas mais por culpa do marasmo dos nortenhos em geral, do que por culpa exclusiva dos portuenses, porque de facto, ainda não foram capazes de se unir e afirmar como um contra-poder respeitável. Mas, não me parece oportuno, nem feliz, que no momento em que Rui Moreira consegue dar o primeiro passo no sentido de juntar as forças políticas do Grande Porto, coligando-se estrategicamente com as câmaras de Matosinhos e Vila Nova de Gaia, se veja nisto a intenção de virar as costas ao resto da região. Pelo contrário, pode ser o primeiro dos pequenos grandes passos que será preciso dar, com a inclusão das principais cidades nortenhas. Francamente, não creio que Rui Moreira tenha uma visão tão curta e mesquinha da descentralização.

Por isso me parece algo precipitada a conclusão de José Mendes, de mais a mais, quando a presidencia da CCDR-Norte não tem sabido bater o pé às decisões arbitrárias do governo central, como aconteceu recentemente, com o cancelamento abrupto de uma conferencia previamente marcada com o Governo no sentido de o informar sobre as necessidades e os destinos dos fundos europeus. O Dr. Emídio Gomes, limitou-se a calar e obedecer. O que me leva a concluir que este artigo foi redigido sob o efeito de alguma pressão, com os preconceitos regionalistas do costume, esses sim, divisionistas. 

Falar de portocentrismo depois de tantos entraves e marchas-atrás à Regionalização, é um contra-senso. O poder não está no Porto. O Porto é vítima do centralismo, tanto quanto Braga, o Norte e, sobretudo, o nordeste transmontano.

12 dezembro, 2013

Rescaldo do post anterior

Não foi preciso ser adivinho para prever o que ia acontecer no jogo de ontem. Continuo a manter o que sempre aqui escrevi: a responsabilidade pela contratação do treinador é, em primeiro lugar, do Presidente e de toda a Direcção, e a responsabilidade pelo desempenho e produtividade da equipa de futebol é, naturalmente, do treinador. Se entendermos avaliar o mau momento do FCPorto de uma forma mais anárquica esquecendo a importância das escalas hierárquicas sem ter de apontar o dedo a ninguém, então podemos dizer que a culpa é de todos.

Pessoalmente, não alinho nestas mariquices de culpar todos. Se nunca aceitei, e até considerei um insulto à minha dignidade, que os Governos responsabilizassem todos os portugueses pela crise de que só eles e os seus "amiguinhos" de eleição [bancos, PPP's, etc.] , foram responsáveis, não é por se tratar de futebol que agora vou mudar os meus critérios de responsabilização. O que sei, é que algo vai mal no reino do Dragão, o que me leva a suspeitar que esta época a alegria vai continuar arredia das hostes portistas, o que para nós é quase uma heresia, porque fomos bem habituados, durante os últimos anos... 

Mas no FCPorto nada é inultrapassável. Ao contrário de alguns pensadores, não creio que Pinto da Costa esteja finito. O que receio é não haver tempo para recuperar a equipa ainda esta época. Com, ou sem chicotadas psicológicas.

11 dezembro, 2013

Triangulo invertido? Mas por quê?



Que me perdoem a redundância, aos que pensam como eu, mas há quem não veja diferenças entre a esperteza e a inteligência. Eu vejo. O esperto, não pensa os obstáculos, cavalga sobre eles. O esperto, é aquele indivíduo que está atento a todas as oportunidades que o possam beneficiar sem pruridos de ordem moral e social, e por isso, sem preocupações com os efeitos secundários que as suas acções possam causar a terceiros. O inteligente, abdica naturalmente da esperteza porque tem uma concepção civilizada e humanista das coisas, o que o leva a agir com mais prudência e respeito pela inteligência dos outros. Esta peculiaridade  leva-o muitas vezes a perder muitas vantagens materiais, mas reforça-lhe a índole. Mandela, por exemplo, era um Homem inteligente. Cavaco, pelo contrário, é esperto e saloio.

Entre o teimoso e o determinado também há algumas diferenças a separá-los. O teimoso é o tipo sem flexibilidade para admitir que pode errar [Cavaco dizia que nunca se enganava] . Já o determinado, pondera os prós e contras, estuda, e faz experiências até descobrir a fórmula que melhor encaixa no seu projecto e aplica-a.

Mas desta feita não foi a pensar na política e nos políticos  que cheguei a esta conclusão, foi a pensar no jogo que o FCPorto vai disputar dentro de sensivelmente 4 horas, mais propriamente no treinador Paulo Fonseca. É que, a menos que haja engano, ao olhar para o esquema da equipa plasmada no JN fiquei com a certeza que Paulo Fonseca pertence ao grupo dos teimosos. Vai voltar a repetir o triangulo invertido, isto é com Fernando acompanhado de Defour - que é onde rende menos -, com Lucho [recém-lesionado] mais à frente, e com Josué no papel de (falso) lateral direito com Varela do outro lado. Será possível? É! Paulo Fonseca ainda não está convencido que o seu modelo de jogo não funciona, que está a desorientar os jogadores e os adeptos, mas vai, ao que parece, insistir no erro. Se der para o torto, terá desculpa tamanha teimosia? Eu acho que não tem. Primeiro porque o sistema é feio, em termos futebolísticos e é extremamente vulnerável. Segundo, porque nem sequer é um sistema resultadista. Por último, porque impedirá o clube de amealhar alguns milhões que a continuidade na Champions poderia proporcionar. 

Já  sei que em futebol tudo é possível, mas também sei que não foi com teimosia que o FCPorto habituou os adeptos a vencer. Foi com a determinação própria de quem estuda bem o seu trabalho e as equipas adversárias. A determinação admite o erro e prepara-se bem para o evitar. A teimosia tem palas.

07 dezembro, 2013

Hipocrisia cavaquista e as condolencias ao "amigo" Mandela

Se às sociedades livres da Europa continuarmos a chamar democracia, então, é porque aceitamos o jogo de quem nos quer enganar. Pela minha parte, e enquanto cidadão que exige ser respeitado, recuso-me terminantemente a exercer o meu direito de voto enquanto as regras desta "democracia" não forem alteradas de modo a ter garantias da idoneidade de quem se propõe governar o país. Se nada for feito nesse sentido, apenas votarei para as autárquicas, e mesmo assim, só depois de saber que o currículo dos candidatos é merecedor da minha consideração e da minha confiança. Por outras palavras, só depois do 1º- mandato é que estarei disponível para lhes dar carta branca para o 2º, e assim sucessivamente. Fiar, é que já não fio mais. Acabou!

É quando assisto a shows deploráveis, da mais vil hipocrisia, como o que Cavaco Silva deu no seu discurso de conveniência à morte desse grande Humanista chamado Nelson Mandela, que consolido mais e mais, o meu desprezo profundo, a minha imensa vergonha por ver no mais alto cargo da nação um homem tão insignificante e hipócrita como Cavaco Silva. Mas, se o mal viesse só dele ainda podíamos vislumbrar algumas réstias de esperança para o futuro, o drama é que este Portugal tem mais cavacos por metro quadrado que Mandelas no Mundo inteiro.

Homens como Mandela são antes de tudo HOMENS completos, íntegros, humanistas, jóias raras nos tempos que correm. Pessoas com aspecto de homens, ordinárias, fingidas, há muitas, como Cavaco, mas que não valem um centimo, o "mercado" está a abarrotar, sobretudo na classe política [que o diga Marinho e Pinto].

O tipo que em 1987 era então 1º Ministro de Portugal também se chamava Cavaco Silva. Esse fulano, é hoje Presidente da República*, carpiu mágoas pela morte de Nelson Mandela, mas é o mesmo que votou contra a uma resolução das Nações Unidas que pedia a sua libertação... Resumindo e concluindo: dependesse da vontade de Cavaco, Mandela tinha apodrecido na cadeia.

Que asco de gente!

* Em Portugal os traidores e incompetentes são promovidos. Ainda há dúvidas?

04 dezembro, 2013

Não se trata de pessimismo...

 

...mas, partilho muito do que Manuel Serrão escreveu no artigo aqui publicado e vou mais longe: creio que, nos últimos anos, é na escolha de alguns dirigentes/técnicos que a SAD e o Presidente Pinto da Costa têm sido mais relaxados [embora felizes...].

Receio que se tenham deixado entusiasmar com as soluções de última hora como a contratação de Victor Pereira que, melhor ou pior, foi relativamente bem sucedida em termos desportivos, mas que deixou muito a desejar nos aspectos financeiros [afastamento prematuro da Champions] e na qualidade do futebol praticado. 

Sem pretender especular com a situação actual, tudo leva a crer que a vinda de Paulo Fonseca tenha sido também uma solução de recurso, talvez provocada por um atraso qualquer ou impedimento à contratação de outro treinador.  O certo, é que, o FCPorto parece um tanto adormecido em relação a assuntos da maior importância para o clube, como é o da equipa principal de futebol, e também o da comunicação [refiro-me, ao Porto Canal]. A este respeito, também tenho dúvidas que Júlio Magalhães tenha o perfil indicado para um projecto inovador de televisão, como se esperava que fosse o Porto Canal. Um canal que devia atrair os portuenses e nortenhos em geral, está a fazer exactamente o contrário [e falo por mim], consegue repelir, tal é a monotonia da programação.

Pior do que errar, é insistir no erro. Os remedeios são isso mesmo, servem para remediar, mas quando se perverte o sentido das razões, passa a tornar-se um hábito. Os casos de Liedson, Izmaylov, Fucile [e outros] como está bom de ver, foram paradigmáticos da inversão lógica do remedeio e vieram trazer mais problemas que soluções. Para colocar a cereja no topo do bolo, fala-se no regresso de Quaresma para resolver a escassez de flanquedores no plantel... Quaresma, caprichoso como é, até é capaz de fazer umas flores nos primeiros jogos e ressuscitar o saudosismo deixado nos adeptos "brinca-na-areia", mas duvido que consigam ver em Quaresma o lateral consistente e lutador de que o FCPorto precisa. Mas, gostava de me enganar.

Estranha, esta forma de gerir. O FCPorto habituou-nos tão bem... Estará a pensar em habituar-nos mal?

O destino marca a hora





No F. C. Porto, como todos os dragões sabem, o nosso destino é ganhar. Como o nosso desatino é perder. Esta época chegamos ao ponto de não retorno. Que é aquele ponto em que a nossa equipa com o treinador que tem não é mais capaz de nos dar retorno.

O tempo que lhe demos, já ninguém nos devolve. Cumpre-nos impedir que a este tempo se acrescentem outros tempos, tempos mortos.

Em condições normais sou um defensor acérrimo da estabilidade no comando da equipa técnica e já disse e escrevi várias vezes que os treinadores só devem ser substituídos quando se tornam impossíveis os objetivos anunciados no princípio da caminhada. Julgo que estamos perante um caso em que a morte anunciada não deve esperar pela matemática.

Para a nossa equipa de futebol a temporada não começou nada mal, somando-se o nosso mérito inicial ao destempero com que Benfica, Sporting e até Braga deram os primeiros pontapés.

Quando se julgava que a competição nacional ia ser um passeio relaxado, virando as nossas preocupações para o desempenho na Champions, eis que a frente interna nos surpreendeu negativamente, primeiro com aquilo que parecia ser apenas um acidente de percurso, para depois se tornar de facto num verdadeiro percurso acidentado.

O jogo de Coimbra foi a cereja em cima do bolo... que já tínhamos estampado na testa! Enquanto nos desaires anteriores pudemos falar de equipas poderosas como o líder do campeonato espanhol, de erros flagrantes de arbitragem ou de uma tremenda falta de sorte aqui e ali, com a Académica, as desculpas só vêm agravar a missa, porque ficou um penálti por marcar e o que foi marcado é no mínimo duvidoso.

Mas para além disso, o que me "destruiu" em Coimbra, para já não falar daquele deserto de ideias do "chuveirinho" final, foi a exibição confrangedora da primeira parte, que pode até ter sido o pior jogo que eu vi o F.C.P. fazer desde que Pinto da Costa regressou ao clube. Em boa hora!

O nosso presidente, que prima por uma memória de ferro e que alguns gostavam de enterrar mais cedo (pelo menos para o mundo do futebol) há de conservar a saúde e a destreza suficientes para perceber que, com ele, cometemos um monumental erro de casting .

No fundo já não há muita coisa para inventar. Mudar de presidente, só quando Deus quiser e espero que não queira tão cedo. Mudar de jogadores, ainda por cima a meio da época, é uma missão impossível, mesmo que alguns pareçam estar mesmo a pedi-lo. Resta mudar de treinador.

Paulo Fonseca será uma excelente pessoa, de uma educação esmerada e com um currículo curto, mas curioso. Imagino que goze de enorme simpatia no grupo de trabalho e seja credor da admiração dos dirigentes que com ele mais privam. Mas está visto que não chega. Não se trata de vencer um concurso de Miss Simpatia, mas de ser capaz de pôr esta equipa do Porto a jogar e a ganhar, no mínimo, com o registo dos últimos anos.

Infelizmente, em pouco mais de um mês, Paulo Fonseca desbaratou cinco pontos de avanço na Liga, ficou senhor do pior registo de sempre na Champions (nos jogos em casa), averbou a primeira derrota depois de 671 dias invictos e temo que a lá continuar ainda seja homem para acumular mais recordes deste jaez.

Admito que ainda tenha de dirigir a equipa contra o Braga, à espera da derradeira jornada europeia, em que já nem sequer dependemos só da nossa vitória obrigatória em Madrid. Admito que se o improvável acontecer, que o queiram segurar. Mas se o milagre não nos reabrir as portas da Champions esse será o momento certo para mudar de vida. A dois meses da Liga Europa e a um mês do jogo da Luz, ou há coragem para mudar, ou então, depois só vale a pena voltar a pensar o assunto quando se começar a tratar da próxima época.
Se esta equipa e estes jogadores valem mais do que têm mostrado e valem mais minutos do que aqueles 20 ou 30 em que nos mostraram o que podem valer, então o que já sabemos é que Paulo Fonseca não consegue pô-los a render como devia.

A correr bem até pode ser ele a perceber isso primeiro. Se é que ainda não percebeu..

03 dezembro, 2013

Só podia ser assim

É assim, unidos, solidários e determinados, que gosto de ver os líderes da região, particularmente, do Porto.

Sempre entendi que os amuos do passado recente seriam devidamente esclarecidos e rapidamente ultrapassados. 

Vamos lá PORTO!

Para ver o vídeo [JN] clicar aqui.

30 novembro, 2013

A bola queima!

Contrariando aquilo a que me tinha proposto há uma semana, que era não voltar a assistir aos jogos do FCPorto enquanto não tivesse sinais de melhoras, acabei por ver  o jogo de hoje com a Académica que mais pareceu um  filme de terror.  Fiz muito mal, permitir que a curiosidade cedesse lugar à razão, porque o que é facto, é que não se vislumbra qualquer evolução na liderança de Paulo Fonseca, nem na qualidade de jogo da equipa. 

O que começa verdadeiramente a surpreender-me não se limita a isto, mas mais à capacidade e rapidez com que Paulo Fonseca está  a destruir uma equipa que apesar de não estar a jogar bem, ainda é constituída em parte por alguns dos jogadores que já foram campeões nacionais e que ganharam há bem poucos anos troféus internacionais. Esse é o meu maior espanto.

Nem o penalti falhado de Danilo, e a angustiante repetição de maus passes, da falta de fio de jogo, da perda de capacidade de drible, dos maus cruzamentos, da deficiente pressão e a atrapalhação geral, me faz colocar nas costas dos jogadores a responsabilidade por tanta incompetência. Neste contexto específico, a responsabilidade pertence exclusivamente ao treinador, agora no da contratação do treinador, a culpa vai toda para a SAD e para o Presidente Pinto da Costa. Foi um flop e dos grandes!

Com esta derrota, se o treinador não se demitir ou não for demitido em tempo útil, o FCPorto arrisca-se a fazer a pior época dos últimos anos e a deixar de receber as preciosas verbas da Champions com que costuma financiar-se. Mesmo porque quem vier a seguir [se vier] para ocupar o lugar do actual treinador, terá uma tarefa muito ingrata para resolver, que consiste na dupla responsabilidade de recuperar a equipa técnica, táctica. e principalmente, psicologicamente!

Agora é a valer, enquanto Paulo Fonseca for treinador do FCPorto não vejo mais futebol.



Porto Canal - Homepage

OUTRA DECEPÇÃO!

Bem podem os dirigentes portistas reclamar das reacções de desagrado dos adeptos que ninguém lhes dará razão, exceptuando talvez o pessoal assalariado que vive à custa do clube e não quer desagradar à entidade patronal que lhes paga. Aliás, creio que tirando uns quantos energúmenos que nunca estão bem com a vida que têm, os adeptos, incluídas as claques, são quem mais tem apoiado o clube em todas as modalidades, mesmo quando as coisas não correm bem.

Por falar em pessoal assalariado, confrange ouvir os comentários posteriores aos jogos no Porto Canal. Então, José Fernando Rio, o comentadorde serviço, usa e abusa na forma como branqueia as últimas exibições do FCPorto. Para ele o FCPorto nunca merece perder e tem sempre azar. É impressionante como este canal se está a parecer com os canais lisboetas! Ontem, por exemplo, no mesmo momento que a equipa exibia uma das piores exibições de sempre, o Porto Canal mostrava pela enésima vez o golo do Kelvin que deu a victória sobre os vermelhos e o campeonato sobre a linha ao sortudo do Victor Pereira, o que em vez de animar os adeptos, ainda os irrita mais.

Lamento ter de dizê-lo, porque respeito o trabalho de Pinto da Costa como poucos, mas considero que, a par do futebol, os erros de casting estendem-se à escolha de Júlio Magalhães para director geral do Porto Canal. Sugiro àqueles que já desistiram de sintonizar o canal que lá voltem para verem a seca que oferecem aos espectadores com gravações constantemente repetidas, sem apresentarem um simples pedido de desculpas. Mas o pior, é que, enquanto nos impingem gravações, falham redondamente na informação sobre a transmissão dos jogos das modalidades.

Se cada vez que sintonizo o canal me impingem imagens de programas repetidos à náusea, por outro lado quase omitem o que mais interessa aos espectadores, como por exemplo o horário dos jogos das modalidades, que esses sim, deviam ser mais divulgados. Por essa razão vi-me privado de assistir ao fantástico jogo de andebol e à consequente victória sobre os dinamarqueses do Kolding.

A direcção do canal anda alheada destes problemas e parece estar mais interessada em chamar ao canal políticos fracassados [quererá regenerá-los?], ou os betinhos da socialite lisbonense, do que informar os portuenses e os nortenhos em geral dos temas que lhes interessam. Sobre questões relacionadas com a regionalização, já não se fala mais...

Eu que tanta esperança tinha, e que até elogiei inicialmente este projecto, apesar de mal o conhecer, sinto-me completamente defraudado. À imagem da actual equipa de futebol, o Porto Canal é um canal de televisão sem vida [apesar da alegre Maria!], sem alma, nem conteúdo. Pobre, paupérrimo!

Afinal, quanto estará a ganhar Júlio Magalhães no Porto Canal para não se envergonhar de escrever para um pasquim que odeia o FCPorto, como é o Record?

28 novembro, 2013

Criticar o FCP construtivamente

Opostamente ao que se diz, o FCPorto da era Pinto da Costa não habitou mal os adeptos, habituou-os até muito bem, isto é, a ganhar. Sempre gostava de saber se haverá clube ou dirigente que não queira criar esse "vício" nos seus adeptos...

Quando digo ganhar, não estou só a falar de jogos, falo de ganhar troféus, campeonatos, dentro, e fora de portas. Ah, e contra vários adversários, além dos tradicionais que jogam futebol, também contra uma comunicação social sectária  e manipuladora, com epicentro em Lisboa e várias sedes no resto do país. Se lutar contra todos estes adversários com armas tão desiguais e mesmo assim vencê-los não é tarefa árdua, e por isso louvável, então o que será?

É deste lado complementar do problema que muitos adeptos portistas se esquecem quando as coisas começam a correr contra o que vem sendo habitual, que  é ganhar e jogar bem, e desatam a bater em tudo e a duvidar de todos, incluindo do melhor [e menos rico] presidente de clubes de futebol que há no mundo. Sem se darem conta, criticando destrutivamente o clube, não estão mais que fazer o jogo dos nossos adversários, para não dizer talvez de forma mais apropriada, inimigos.

Basta ler o que venho escrevendo ultimamente sobre o FCPorto para se ver que, como adepto portista também não estou a gostar do futebol actual do clube, que também faço as minhas críticas. Afinal, mais não é do que a expressão sincera do que penso da situação, que consiste, resumidamente, em responsabilizar as partes por ordem hierárquica. Agora, mesmo discordando de uma ou outra má decisão, a gratidão pelo que já fez Pinto da Costa pelo clube, manda que o bota-abaixismo fanático não faça parte do "cardápio"...

Mais do que no futebol, é na comunicação - agora, que o clube dispõe de um canal de televisão -, que a estrutura directiva está a falhar. É uma ferramenta preciosa que não está a ser devidamente aproveitada para fazer mais e melhor, mesmo no âmbito dos conteúdos desportivos. Diria mesmo que o Porto Canal de Júlio Magalhães está em certos aspectos, pior do que quando era dirigido por Bruno de Carvalho, que ainda por cima é benfiquista... Falta um contraditório saudável, faltam novos programas, criatividade em full-time.
                                                                                                                                    

26 novembro, 2013

Um FCPorto irreconhecível

Não é esta a imagem de marca do FCPorto
Uma vez mais ficou provado que o FCPorto de Paulo Fonseca está totalmente descaracterizado dos aspectos principais do seu ADN: não tem confiança, não joga, não controla, não marca, nem impõe respeito ao mais débil dos adversários. Os eternos "optimistas" dirão que não é bem assim, que estarei a exagerar, mas eu que sou realista digo as vezes que forem precisas, este Porto pertence ao passado, ao tempo  anterior a Pinto da Costa.

Não posso aceitar que um treinador diga publicamente que os jogadores pecaram na finalização sem perceber que é da sua responsabilidade a resolução desse problema como de todos os outros, sejam eles de ordem técnica, táctica como psicológica.

Mais uma vez, os jogadores entraram completamente nervosos, temerosos, o que significa que P. Fonseca também não sabe prepará-los psicologicamente, nem motivá-los mesmo para os jogos de menor importância. Agora, a Champions é quase uma miragem, só um milagre tornará a manutenção uma realidade.

Sendo eu um grande admirador de Pinto da Costa por tudo o que de bom trouxe ao clube, tenho de admitir que a aposta neste treinador, de recurso ou não, está comprometida. Talvez tenha chegado a hora de mudar o paradigma dos treinadores baratinhos do tipo aposta de totoloto, porque os tempos são outros e não se compadecem com riscos desta natureza.

Estamos ainda na frente no Campeonato Nacional, é verdade, mas já tivemos os adversários principais mais distanciados e as últimas exibições são tudo menos promissoras para o futuro. Temos a Taça de Portugal e a "Lata" da Liga, portanto, ainda não está tudo perdido. Agora, resta-nos aguardar pela metamorfose milagreira de acabar com o futebol feio e medroso da actualidade, para passarmos a jogar com inteligência e sangue na guelra. Não sei é se o conseguiremos com este treinador.


PS-[longo...]

Há uma onda de comentadores da blogosfera portista que sustentam a opinião de que esta época o plantel do FCPorto é inferior em qualidade ao da época transacta. Pessoalmente não tenho essa opinião. Salvo um ou outro caso, o problema não está no valor do plantel, está nas competências do treinador.

Penso que o "fenómeno" Mourinho gerou uma onda exacerbada de fanfarronice sobre a qualidade dos técnicos nacionais que contagiou a maioria dos clubes, inclusivé, o FCPorto, sobretudo desde que venceu a Taça UEFA, e a Champions, ao serviço do nosso clube. A partir daí, a comunicação social tratou de endeusar aquele que antes odiava, acrescentando ao conto demasiados pontos à qualidade dos técnicos portugueses. Tipicamente portuga...

Se me disserem que o recurso à "prata da casa" na contratação de treinadores nacionais se deve exclusivamente a factores de ordem económica, compreendo, agora se não fôr esse o caso, não penso que os treinadores portugueses sejam melhores que os demais. 

Claro que o Mourinho é um excelente treinador, que o Vilas Boas também o é, e que o Fernando Santos chegou a seleccionador da Grécia. Mas outros há tão bons ou melhores que eles. Aliás, na minha opinião, o melhor que os treinadores portugueses têm [não todos, como é óbvio], está na vertente táctica e estratégica. Tecnicamente, não acredito que tenham grande capacidade para "trabalhar" os jogadores. 

Além dos passes errados, das desmarcações imperfeitas,no FCPorto actual, há uma pecha antiga nos jogadores portugueses que nenhum técnico nacional foi capaz de resolver até hoje, que é ensiná-los e mentalizá-los a chutar sem preparação, como se vê em Espanha, na Alemanha e na Inglaterra. Este aspecto técnico é muito importante porque em certos jogos em que as equipas se fecham sem conceder tempo e espaço para preparar o remate, como se viu no jogo de ontem, saber rematar de primeira pode resolver jogos.

Não gosto de contrariar por contrariar, mas sou avesso a unanimismos e a verdades imutáveis. Quase tudo pode ser melhorado e reinventado. O futebol não é uma ciência exacta, por isso só vencem os mais criativos, os mais ousados. Ora, não me parece que 5 mêses seja tempo insuficiente para testar as qualidades como treinador de Paulo Fonseca. 

Já alguém referiu, plagiando Camões, um mau treinador pode fazer má uma boa equipa. Parece-me ser o caso. É impossível dissociar o trabalho dos jogadores das (in)competências do técnico, quando sabemos que os mesmos jogadores que ainda há poucos meses eram muito elogiados, agora passaram a ser contestados por alguns adeptos. Se as chicotadas psicológicas não são solução, também não o é deixar um cadáver espernear até à morte, para depois o tentar salvar.  
 

Ramalho Eanes, o Presidente respeitável

Gen. Ramalho Eanes
Li, no JN de hoje uma declaração de Pinto da Costa em que dizia que o antigo Presidente da República, General Ramalho Eanes: "é o português vivo que mais admiro. Será sempre o meu presidente".

Nem sempre entendo os padrões de Pinto da Costa para alguém poder merecer a sua consideração, mas desta vez percebo e concordo inteiramente com ele. Realmente, Ramalho Eanes é o que resta da dignidade exigível a cargos de tão alta responsabilidade como a de Chefe de Estado. Perto dele, só o Marechal Costa Gomes. 

Nem mesmo Spínola, com as manobras conspirativas da direita mais reaccionária e o seu MDLP [Movimento Democrático de Libertação de Portugal], se lhe compara. Eanes foi sem dúvida o mais respeitável, o mais valente e o mais democrata de todos os Presidentes da República, do pós 25 de Abril. Os outros, foram o que sabemos, simples mas vaidosos funcionários... Pouco mais do que isso.

Mas, nem o vazio de competência e de dignidade que se instalou nos mais altos cargos da nação fez mudar as coisas ou ressurgirem candidaturas promissoras. Basta darmos uma vista de olhos aos potenciais concorrentes a Presidentes da República para perdermos a esperança. Ei-los, ansiosos por imitarem o Cavaco:

Marcelo Rebelo de Sousa,  António Costa, Durão Barroso, António Guterres, Luis Marques Mendes. 

Já agora, por que não Sócrates?  Ou, Relvas? E por que não, Duarte Lima?  O povo é sereno, o povo é porreiro, o povo esquece...


24 novembro, 2013

Mais do mesmo, 5º. episódio

Fiquei com a premonição que o FCPorto ia iniciar mal a 10ª. jornada da Liga, a partir do momento em que ouvi Paulo Fonseca a sobrevalorizar mais o adversário que a moralizar a sua própria equipa. Foi no mínimo infeliz, para não dizer, um tremendo sinal de imaturidade, considerar o modesto Nacional da Madeira "a besta negra do FCPorto", como se fosse habitual o FCPorto perder ou empatar mais frequentemente com esta equipa do que vencê-la. Mas felizmente, ainda não é. Que raio, nem oito, nem oitenta! Se é contraproducente e deselegante desprezar o valor dos adversários, antecipando grandes victórias apenas por os considerar teoricamente inferiores, fazer deles uns bicho-papões, como fez Paulo Fonseca, é aumentar a insegurança da própria equipa.  Não terá sido por acaso que Otamendi que até estava a jogar bem, borrou a escrita por causa do medo que Paulo Fonseca tem instalado na equipa.

Estes episódios de mau futebol e insegurança estão a ser de tal modo repetitivos que, agora, quando o FCPorto marca o 1º. golo começa o sofrimento dos portistas, porque é sempre quando consegue a vantagem mínima que o FCPorto começa a jogar a favor do adversário até sofrer o golo do empate. E, claro, quando os adversários estão ao nível da equipa, o risco é maior, sujeitando-se mesmo a sofrer o segundo golo e a perder, como aconteceu com o Atlético de Madrid, também no Dragão.

Curiosamente, ou talvez não, a equipa B do FCPorto padece do mesmo mal, parecendo assimilar os maus desempenhos [e resultados] da equipa principal. Aliás, isto não é de agora, acontecia também no tempo de Victor Pereira quase não se notando qualquer diferença nos métodos de jogo de um e outro escalão . Convém lembrar que Victor Pereira teve a sorte de salvar o Campeonato quase em cima do seu terminus, no célebre golo  de Kelvin aos 92', no jogo com o Benfica e posteriormente com a victória em Paços de Ferreira, vencendo a Liga, mais por incompetência do adversário directo do que por indiscutível mérito.  Estaremos nós dispostos a arriscar e a cometer os mesmos erros ainda antes da primeira metade do campeonato?

Outra coisa me irrita no discurso do treinador e de muita outra gente, que é a conversa traiçoeira do chamado controle do jogo. Mas, do que é que estaremos a falar, afinal? Que controlar um jogo é ter mais tempo a bola nos pés sem tirar disso benefício, como está a acontecer ao FCPorto, ou será ter mais tempo de bola consequente, que mais não é do que a fazer entrar na baliza adversária? E esse suposto controle do jogo, é para acabar depois do 1º. golo, passando a defendê-lo miseravelmente, sem ambicionar marcar o 2º., e até o 3º.? Francamente, não entendo a pobreza deste discurso num clube como o FCPorto da era Pinto da Costa. O que se passa? Estaremos a copiar os maus hábitos da concorrência?

Resumindo: gosto muito do FCPorto, mas gosto mais da minha saúde, e como não sou masoquista, tenciono não ver os próximos jogos até ter sinais de que algo começa a mudar para melhor, e que estamos a recuperar a ambição do passado recente e o gosto de jogar bom futebol. Tudo o que o FCPorto de agora não nos está a dar.

22 novembro, 2013

Acudam que é fogo!



Às vezes tenho a imensa vontade de voltar atrás e viver num sítio onde se pudesse tocar o sino a rebate e, por urgência, juntar todos os que se interessam pelo sítio onde vivem para pensar alto e não perder o futuro. Se pudesse, tocava-o hoje.

Por mais calmas que pareçam as marés e por mais razoável que seja o tempo em que, por exemplo, os novos eleitos autárquicos tenham de dispor para se adaptar, temos de ter na ponta dos dedos a rapidez que a ação política, mesmo que no sentido lato de governo da polis, exige.

Quem de nós nortenhos está a seguir de perto as congeminações sobre a reforma da RTP? O que vai, afinal, acontecer ao Monte da Virgem? Irão conseguir esvaziá-lo até ao ponto de todos acharmos que já não é preciso? Há pouco tempo, ouvi de profissionais da Casa que "em Lisboa nem sabem o meu nome", ou "fazemos uma produção nos limites mínimos porque não podemos gastar dinheiro em aluguer de equipamentos e pedir equipamentos a Lisboa é muito complicado"!

Primeiro vinha o jornal da noite, depois a RTP internacional, agora nem o único programa de análise política que era feito no Norte do país sobreviveu. Atenção, sr. presidente da Câmara, sr. presidente da Área Metropolitana, sr. diretor do JN, sr. presidente da AEP, sr. presidente do FCP, srs. reitores, srs. presidentes de Câmara. Atenção, porque é preciso ter uma opinião e lutar por ela, em conjunto, enquanto é tempo.

Tal como todos devíamos tocar a rebate para fazer ouvir ao sr. ministro Nuno Crato que não se trata assim as universidades e não se desconsideram assim os srs. reitores. Infligir um corte cego médio aplicado à massa salarial de toda a Função Pública às universidades sem perceber que estas instituições já fizeram metade desse ajustamento é no mínimo negligente (por desconhecimento) e no máximo ação de má-fé. isto quando a performance das universidades portuguesas, e desde logo as do Norte, é dos poucos desempenhos que nos orgulham a nível internacional.

O que se passa, afinal, com o terminal da Trafaria e que relação existe entre este investimento e o correlacionado desinvestimento nas infraestruturas nortenhas? Houve notícias inquietantes a respeito. A reunião prevista entre o sr. presidente da Câmara do Porto e o sr. presidente da CCDR-N já aconteceu? Foi esclarecedora? Uma das vantagens do toque a reunir era a da moderna "accountability", ou seja, a de sabermos de forma transparente e em tempo útil como vão os processos. Neste caso e quanto mais não seja para ficarmos todos descansados sobre a defesa desta Região no que respeita à única alavanca ao investimento de que vamos dispor.

E a propósito também seria muito útil perceber que contornos terá o banco de fomento que será sediado no Porto. Quando se diz que desempenhará um papel importante na gestão dos incentivos comunitários às empresas isso quer dizer que a dotação preliminar alocada ao Programa Operacional do Norte será expurgada de uma parte substancial cuja gestão é entregue ao banco? Não virá daí grande mal se o banco for gerido por uma equipa equilibrada, desde logo no conhecimento das várias zonas industriais do país (e Lisboa não é exatamente uma delas). No entanto, tarda em saber-se com quanto podem afinal os municípios e outros beneficiários contar no que respeita ao envelope que virá para o Norte.

E o aeroporto? Li que a Irlanda cobra "zero" à Ryanair (presumo que também as outras companhias low-cost, mesmo não sendo irlandesas) pelas suas operações aeroportuárias. Não li, mas já ouvi dizer que talvez Lisboa faça o mesmo. E o Porto? Será abrangido ou agora que a ANA é privada a discriminação é possível? Têm noção de qual será o impacto de um desinteresse ou mesmo abandono da Ryanair no turismo do Porto? Não é de tocar a rebate?

E mesmo no que diz respeito à atuação de instituições privadas de interesse público como é o caso da Fundação de Serralves. Partindo do princípio de que serão sem dúvida convocados fundos comunitários para o novo projeto da Casa do Cinema de Manoel de Oliveira, não seria de explicar melhor por que é que a que já foi feita no tempo do Porto 2001 afinal já não serve?

Mas a perguntar era agora. Em casa roubada...

[do JN]

19 novembro, 2013

Rui Moreira reclama justiça para o Norte nos fundos comunitários

Rui Moreira
Foto: Arq/Cláudia Silva



O presidente da Câmara do Porto reclamou esta segunda-feira justiça para o Norte na distribuição dos fundos de coesão, afirmando que estes só vêm para Portugal “porque há regiões que estão abaixo da média europeia”.

No jantar-debate sobre o tema “O Porto que queremos”, organizado pela Associação Portuguesa de Gestão e Engenharia Industrial (APGEI), Rui Moreira endureceu o discurso relativamente ao próximo Quadro Comunitário de Apoio, começando por dizer que “se Portugal tem hoje ainda condições para recolher fundos de coesão é exactamente porque tem regiões como o Norte, que está abaixo da média europeia”.

“Temos todo o direito, acima de tudo de reclamar uma coisa: não queiram por favor manter a nossa região como uma região pobre apenas para que Portugal possa continuar durante muitos anos a receber fundos de coesão”, criticou.

O presidente independente da Câmara do Porto condenou ainda o facto de estes fundos de coesão serem depois aplicados não no Porto, “mas noutro lado para que o círculo nunca se inverta, para que se mantenha sempre o mesmo”.

“Para que depois digam: não, são precisos fundos de coesão porque, coitadinhos, os do Norte são muito fracos, são muito pobres. Esta não é uma batalha por razões bairristas, é uma razão de justiça”, enfatizou.

Rui Moreira reiterou que os fundos de coesão só vinham para Portugal porque havia “regiões que estão abaixo da média europeia”.

“Mas não tentem perpetuar isso. Não tentem fazer de nós os desgraçados apenas para virem fundos europeus que depois são desviados”, sublinhou.

18 novembro, 2013

Os melindres de um canal com pouco PORTO

Se há forma de contribuirmos para a manutenção da degradação do património urbanístico da cidade do Porto e para a perda de qualidade de vida dos seus habitantes, é sonegarmos o reconhecimento de tudo o que está mal e que urge mudar, e sentirmo-nos ofendidos quando alguém, portuense ou não, nos alerta para essa realidade.

Vem isto a propósito de uma notícia veículada na 6a feira passada pelo Porto Canal pela voz da apresentadora Claudia Fonseca, segundo a qual, um jornalista da BBC teria ficado chocado com o número elevado de casas degradadas no centro da cidade e com o facto de ainda se verem pessoas a lavar roupa na rua em tanques públicos. Com maior ou menor sarcasmo, o facto, é que infelizmente para nós, as declarações do jornalista inglês não são nenhuma deturpação da realidade. Por isso, não posso compreender o excesso de melindre manifestado pela apresentadora quando comunicava a notícia mais se parecendo com as virgens ofendidas dos canais lisboetas que relevam o irrelevante e omitem a substância. Para dourar a pílula, de quem é que os repórteres do Porto Canal se lembraram de entrevistar para falar da heresia? Adivinham quem? As lavadeiras das Fontaínhas, que com a vida já desgraçada pelas asneiras da garotada que (des)comanda o país, desataram a desancar no tipo da BBC com medo que lhes fossem roubar o tanque e a contradizer o que está à vista de toda a gente, ou seja, a degradação urbana e social do Porto. 

Contudo, o que é realmente reprovável, é o alarido gerado pela repórter do Porto Canal e o melindre empolado por uma notícia que esteve longe de ser excessiva. Se houvera necessidade de provar o estado lastimável em que (ainda) se encontram inúmeros edifícios do Porto [e não apenas do centro histórico], bastaria clicar no blogue As Casas do Porto   , que as dúvidas ficavam logo desfeitas. Não creio é que alguma jornalista do Porto Canal esteja interessada em trocar a máquina de lavar roupa por um tanque público, apenas para dar um ar mais bucólico ao Porto ou para seduzir turistas...

A direcção do Porto Canal parece partilhar a ideia daqueles imbecis de Lisboa que só sentem motivação para apelar ao orgulho pátrio beliscado quando lhes falam mal de Mourinho ou do Ronaldo, ou quando alguém lhes aponta os erros que cometem, como por exemplo, o de andarem há mêses com uma programação baseada em gravações repetidas, sem dar uma simples explicação aos espectadores. Nem sequer se dignaram informar em 1ª. mão os espectadores sobre o recente internamento hospitalar de Pinto da Costa, deixando o campo vazio às especulações de Correios das Manhãs e quejandos. É assim que pensam levantar o Norte? Se é, ficam sabendo que só estão é a contribuir para o afundar ainda mais.

15 novembro, 2013

O desafio à Liga das Cidades

 

A criação de uma Liga das Cidades, "que vá do Porto a Bragança, passando, entre outras, por Viana do Castelo, por Braga e Guimarães, por Chaves e Vila Real, num traço contínuo" que una o Norte é um dos desejos do novo presidente da Câmara do Porto. Na tomada de posse, Rui Moreira explicou que só assim "a Região Norte, que indiscutivelmente partilha interesses, problemas e um destino comum, poderá ter hipótese de reivindicar com eficiência e de forma consistente aqueles que são os seus direitos e aspirações legítimas". Neste ponto, é impossível estar em desacordo com Moreira.

Pois aí está o primeiro grande desafio à Liga das Cidades, que, não existindo no papel, pode muito bem começar a forjar-se a partir do combate que tem pela frente. O facto de a peleja tocar a Região Centro torna o tema ainda mais atrativo.

Resumidamente, a matéria é esta: o Governo criou um grupo de trabalho para estudar que grandes projetos na área da mobilidade (portos, ferrovias, rodovias, aeroportos) devem ser abraçados nos próximos anos. Deste grupo não fazem parte as comissões de coordenação regional, por acaso as entidades que mais e melhor conhecimento e ligações têm ao território.

A explicação para esta ausência é muito simples: o que está em cima da mesa é a discussão sobre a distribuição dos milhões e milhões de euros de fundos comunitários que o país vai receber nos próximos anos, pelo que não dá jeito ter cadeiras para sentar os chatos que querem ir ao bolo cortar uma fatia para as regiões longe da capital.

Descontentes, as comissões de coordenação e as associações empresariais do Norte e Centro uniram-se e elaboraram um documento para entrar na discussão. Bastou, contudo, um telefonema de um governante a mandar parar o baile para que os comissões baixassem a crista, para dizer o mínimo. Quem pensou que, dobrando agora a espinha, dava um passo atrás para a seguir dar dois em frente, à moda de Lenine, enganou-se redondamente. É verdade que os presidentes das comissões regionais são indicados pelo Governo. Mas, uma de duas: ou se sentem capazes de defender os interesses do território em que trabalham - e aí batem o pé, independentemente das consequências; ou vergam ao primeiro ralhete - e aí perdem a face perante os atores do território, restando-lhes uma saída honrada e honrosa do cargo.

O Governo faz aqui o papel de Kit Carson, o temível caçador que, a mando do exército dos EUA, quis exterminar os índios Navajos. Já que os líderes das comissões regionais se escondem atrás das árvores à espera que Kit não os veja, cabe aos municípios do Norte e Centro (à proto Liga das Cidades) recorrer ao lema que serviu de escudo aos Navajos: se avançarmos, lutamos; se recuarmos, morremos. A tribo sabia que não tinha outra hipótese senão batalhar. Era uma questão de vida ou morte. Sobreviveu.
(do JN)


Nota de RoP:

É impressionante a rapidez com que determinados regionalistas "convictos" [adoro o qualificativo], mudam de agulhas, quando vão para o Governo. Não são capazes de opinar, sugerir, contrariar, aconselhar. Limitam-se, como dóceis cordeiros, a obedecer, sem se importarem de comprometer publicamente as suas firmes "convicções". Depois, à guisa da cereja no alto do bolo, queixam-se que no Norte há falta de líderes. Lá isso há. A começar por eles próprios. 

14 novembro, 2013

Governo esmaga Norte e Centro





1. Em pleno agosto o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, consegue oficializar em "Diário da República" a criação de um "Grupo de Trabalho para as Infraestruturas de Valor Acrescentado" (GTIVA) com o objetivo de estudar os novos projetos na área da mobilidade do país - investimentos no porto de Sines e outros ao longo do país, a nova ferrovia de bitola europeia, políticas aeroportuárias, rodovias, etc..

2. Sérgio Monteiro escolhe para presidir ao grupo José Eduardo Carvalho, um empresário e ex-mandatário de Miguel Relvas pelo PSD de Santarém em 2009 que é, simultaneamente, o presidente da Associação Industrial Portuguesa (com sede em Lisboa). Não é convidada a Associação Empresarial de Portugal (AEP), nem a Associação Industrial do Minho, nem o Conselho Empresarial do Centro (CEC). Só há um lugar para os empresários - a Confederação da Indústria Portuguesa. O GTIVA inclui o próprio Estado (LNEC, AICEP, Instituto Mobilidade Terrestre, CP, REFER) e as associações setoriais: Logística, Carregadores, Transportes Rodoviários, Mercadorias, além do operador privado de ferrovia, Takargo. Está também a Associação de Municípios, mas não estão as comissões de Coordenação Regionais (sobretudo Norte e Centro, com trabalho feito nestes dossiers).
Questão: o GTIVA (as tais 16 entidades) têm alguma capacidade de dizer "não" aos investimentos mais vultuosos que o Governo queira apresentar-lhes como cenoura apetitosa à frente do nariz? Não é crível. Os milhões são bons para todos os que lá estão sentados. Investimentos novos!, sejam eles quais forem.

3. Várias fontes afirmam que o principal objetivo do Governo é o de fazer um novo porto na outra margem de Lisboa (Trafaria) a todo o custo. O tal porto, supostamente privado, que precisa de quase mil milhões de investimento em infraestruturas ferroviárias, pagas por dinheiro comunitário e público. Algo para mostrar e criar emprego rapidamente.

4. O que fizeram as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento do Norte e Centro, juntamente com a AEP, AI Minho e CEC? Criaram um grupo de trabalho para mostrar que os empresários (os tais, exportadores, de que o Governo não para de elogiar) têm de ter uma palavra a dizer sobre como precisam de exportar. Esse trabalho ficou pronto há mais de uma semana e uma conferência de Imprensa esteve marcada para terça-feira.

5. A conferência de Imprensa foi desmarcada no próprio dia. Razões para a desmarcação? A oficial: o empresário líder do CEC, José Couto, verificou na noite anterior que, afinal, o documento não tinha a anuência da sua instituição. Uma desculpa tardia que só poderia envergonhar o Conselho Empresarial do Centro - caso fosse verdadeira.

Há outra versão, mais consistente: o secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, o nortenho Castro Almeida, pede em desespero de causa ao presidente da CCDRN, Emídio Gomes, que cancele a conferência de Imprensa porque o Governo não quer ter os "exportadores" contra uma estratégia do Governo que já está a avançar a grande velocidade. Em consequência desta pressão, a CCDRN comunica unilateralmente aos outros parceiros a impossibilidade de se fazer a conferência de Imprensa. Tudo isto num contexto em que Castro Almeida e as Comissões de Coordenação estão impotentes para conseguir que os fundos comunitários 2014-2020 sejam atribuídos - mas também selecionados e geridos tecnicamente - nas regiões fora de Lisboa. Uma guerra quase perdida, diz-se.

A máquina do Estado está ao rubro. Quem fica com os fundos? E quem assegura os milhões com que se remunera os batalhões administrativos de aprovação de candidaturas europeias, advogados, consultores próximos do poder, etc., no formato "business as usual"? Lisboa não quer abrir mão desses empregos altamente remunerados.

Ninguém sabe como isto vai acabar - de que lado está Poiares Maduro ou Pires de Lima, Passos ou Portas. Quem é a voz do resto do país nisto. Enquanto isso, os números revelados há dias pelo JN mostram a acentuação das assimetrias Lisboa/resto do país na distribuição per capita do rendimento.

Enquanto isso, e debaixo do manto hipnótico das discussões troikianas, ficam duas perguntas concretas: a Trafaria é a nova Ota? E o farisaísmo centralista permanece para sempre?

11 novembro, 2013

FCPorto joga sobre brasas

Paulo Fonseca:  "Provámos que estamos fortes"! Estamos?
Como se pode constatar alguns posts mais abaixo, preferi não comentar o jogo do FCPorto com o Zenit para a Champions, tendo-me limitado a escrever um elucidativo "mais do mesmo", para dizer o que me ia na alma. 

Ontem, o jogo para a Taça de Portugal, com o Vitória de Guimarães, não veio alterar grandemente o meu estado de espírito em relação ao jogo das Champions e de Belém. A diferença esteve apenas no resultado. Passámos para a próxima eliminatória, e pronto.

Se quisesse ser fiel à tese que reparte em doses iguais as responsabilidades pelos sucessos e fracassos por toda a estrutura do FCPorto [Presidente, direcção, treinador e jogadores] seria politicamente correcto e não acrescentava nada ao assunto. Sendo ainda cedo para tirar conclusões, a ideia com que fico é que, se a SAD portista falhou ao contratar Paulo Fonseca, este também parece estar a falhar na organização técnica, táctica e psicológica do plantel.

Enquanto certos adeptos, começam a lançar culpas sobre as prestações, e até a duvidar da qualidade dos jogadores - e nalguns casos, com razão -, eu continuo a pensar que existe da parte deles empenho, vontade de mudar, mas falta discernimento e calma para o conseguir. O modo como a equipa joga é notoriamente anárquico porque a inteligência deu  lugar à ansiedade. Se o leitor bem reparou, ontem, voltamos a ver certos movimentos de ataque [e contra-ataque] interrompidos porque o jogador que transportava a bola não tinha jogadores a acompanhá-los nas alas, a desmarcarem-se com rapidez, obrigando-o a parar, para passar para atrás, permitindo assim que a equipa adversária se reorganizasse. Se isto é recorrente, é porque isto o treinador não tem sabido corrigir... 

Custa-me argumentar com a falta de jogadores que já não estão no clube, como Moutinho, por exemplo. Mas a verdade é que, embora Fernando continue a fazer [e bem] o seu trabalho à frente da defesa, falta mais à frente um Moutinho não só a servir de primeiro tampão como a distribuir jogo para as linhas da frente. O que noto, é que o Fernando tem estado a fazer os dois papéis [ o dele e o de Moutinho], o que lhe provoca enorme desgaste e desestabiliza o sector defensivo.

Também não concordo totalmente com aqueles que dizem que Jackson Martinez não marca porque as bolas não lhe chegam. Se me disserem que as bolas que lhe servem não são em qualidade e quantidade suficiente, posso aceitar, agora, ele também tem falhado muitos remates. Ainda ontem aos 21' da 2ª. parte [creio], Defour colocou-lhe na perfeição uma bola longa, mas Jackson é que não teve talento para rematar espontaneamente. E isso aconteceu pelo menos, outras duas vezes... Ora, a conclusão que daqui se retira, é que quanto mais tempo a equipa tardar a reorganizar-se, mais tempo perdem os jogadores a recuperar a eficiência. E estas questões, é ao treinador, e só ao treinador, que compete rectificar. Não chega dizer que é preciso fazer isto ou aquilo, o importante é mostrar aos jogadores como se faz. Corrigir-lhes as posições, os movimentos errados, e reensiná-los [se souber] a atacar a bola e reaprender a contornar os adversários que têm pela frente com determinação e confiança. Embora isto possa parecer contraditório, a verdade é que não jogando tudo o que sabem, têm sido os jogadores, em lances individuais, que têm evitado dissabores maiores à equipa! Ora, não é isto que se pretende, os jogos têm de ser resolvidos pelo trabalho coordenado da equipa.

Portanto, não tendo um plantel de luxo, o FCPorto tem um plantel mais equilibrado que o ano passado, agora, falta é colocar as "peças" nos respectivos lugares para a equipa funcionar como uma máquina [afinada] e produzir um futebol atractivo e eficaz.

Porque se Paulo Fonseca não percebe a ansiedade que se instalou há já demasiado tempo nos jogadores e não faz o que é preciso para lhes restaurar a confiança, então, repito, apesar de ainda nada estar perdido, os portistas, tal como o ano passado, vão ter ainda muito que sofrer, e pior do que isso, vão ter de deixar de ver os jogos para não morrerem de tédio ou de um problema cardíaco. O amor ao clube não justifica tão alto sacrifício.


08 novembro, 2013

"Imperdoável





"Imperdoável" é o nome de um belo "western" de Clint Eastwood, ator e realizador premiado com vários "prémios" por este filme extraordinário de 1992, que conta a história da indignação de uma prostituta desfigurada cobardemente por um "cowboy" que consegue escapar à justiça graças a um xerife que o protege em retribuição de uma velha amizade. Escandalizadas, as prostitutas resolvem quotizar-se para oferecer uma valiosa recompensa pela captura do desprezível bandido, que de outra forma ficaria impune. Toda a mitologia fabricada em Hollywood de "cowboys" indómitos e de heroicos "justiceiros" é "desmontada" ao longo deste filme cujo revisitação não poderia ser mais oportuna! Imperdoável é o comportamento de um grupo de personalidades públicas que persistem na tentativa de pressionar as decisões do Tribunal Constitucional, grupo a que recentemente se vieram somar as figuras de José Manuel Durão Barroso e de José Pedro Aguiar-Branco.

O primeiro é ainda presidente da Comissão Europeia, cargo a que acedeu quando "saltou" da chefia do Governo português para o governo da União, depois de ter feito declarações bombásticas sobre o estado do país cujo governo se preparava para abandonar. Ficou célebre a sua proclamação, já lá vão mais de dez anos, de que Portugal estava "de tanga". Disse, e foi-se embora. Mas esta semana, em Bruxelas, segundo a edição de ontem do "Jornal de Notícias", "durante uma conferência de imprensa, ao lado do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no final de um encontro entre o Governo português e o colégio de comissários", Durão Barroso anunciou que a eventual inconstitucionalidade do Orçamento de Estado para 2014 "pode pôr em risco o regresso de Portugal aos mercados" e obrigar à substituição das medidas ali previstas pelo Governo, por outras ainda mais penosas para os portugueses e mais prejudiciais para o crescimento da economia. Claro que o presidente da Comissão logo se apressou a desmentir a menor intenção de interferir com a independência dos tribunais...

O outro é o atual ministro da Defesa que, dois anos e meio depois de ter iniciado as suas lides governamentais, descobriu a urgência da reforma do Estado e da revisão da Constituição, como remédio contra a "tentação de um Estado totalitário"! Para o ministro da Defesa, o "que cria as promiscuidades (...), as clientelas (...) e as dependências" que enfraquecem a sociedade e dão corpo à ameaça totalitária não é a impunidade daqueles que obtiveram ganhos absurdos e se aproveitaram da Sociedade Lusa de Negócios, do BPN e mil e um outros estratagemas para lançar mão de isenções, subvenções estatais, cargos públicos, funções privadas e acessos privilegiados aos "fundos europeus"! Nem sequer a circunstância de permanecerem impunes e de continuarem a ocupar relevantes posições na República. Nada disso! A "ameaça totalitária", segundo José Pedro Aguiar-Branco, esconde-se na ideia do chamado "Estado social" - ou seja, no subsídio de desemprego, no rendimento social de inserção, na segurança social, na proibição do despedimento sem justa causa, na saúde, na educação, no abono de família... Infelizmente, o ministro não teve oportunidade de nos esclarecer com algum rigor sobre quais os aspetos da Lei Fundamental que gostaria de ver revistos e abandonou a sessão "sem prestar declarações aos jornalistas".

É claro que estes comportamentos subversivos do Estado de direito e do princípio constitucional da separação dos poderes - gravemente atentatórios da independência do poder judicial e do exercício imparcial da missão específica do Tribunal Constitucional de "fiscalização da constitucionalidade das leis" - eram facilmente prevenidos se o Presidente da República requeresse o controlo preventivo da constitucionalidade deste Orçamento. Não resistimos, enfim, a evocar "Kid", o terrível bandido que se associa a Clint Eastwood na caça ao "prémio" oferecido pelas prostitutas, e que por fim confessa que é míope e que nunca matou ninguém...

[do JN]

06 novembro, 2013

Sobre o Zenit 1/ FCPorto1 ...

..mais do mesmo. E fico-me por aqui.

Exemplo a seguir

Executivo da Câmara de Braga

É ainda cedo para retirar ilações destes actos simbólicos, mas podem significar que alguma coisa estará a mudar  no modo como em Portugal se olha para a política . 

Rui Moreira e Manuel Pizarro deram o mote na Câmara do Porto, ao priorizarem os interesses da cidade aos interesses mesquinhos dos partidos, unindo-se e cooperando [espera-se]. Ricardo Rio em Braga parece querer seguir-lhes o exemplo, e faz aquilo que o governo central, depois de impor tanta austeridade ao país, não teve a dignidade [simbólica ou não] de fazer.

Os mais cépticos dirão que estas acções não passam de populismo. Até pode ser, mas ninguém pode negar que estes pequenos exemplos transmitem dignidade a quem os dá, contrariamente àqueles que se limitam a seguir a norma "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço". 

Pessoalmente, valorizo estes actos, desde que, claro, não sirvam para encobrir futuras manobras politiqueiras. O tempo o dirá.

04 novembro, 2013

O crime de corrupção jornalística (1)




A corrupção é a chaga das modernas democracias, é o verdadeiro cancro do nosso Estado de direito. Ela distorce o funcionamento das instituições democráticas e, no plano da economia, subverte as regras da concorrência, pois num mercado onde impera a corrupção as empresas que mais prosperam não são as melhores (que produzem melhor e mais barato), mas sim aquelas que pagam maiores subornos aos decisores públicos.
No seu sentido estritamente jurídico, a corrupção é um crime próprio ou específico; isto é, um delito que só pode ser cometido por quem é agente do Estado, embora, em caso de comparticipação criminal, essa qualidade pode ser estendida a outras pessoas. Tecnicamente, a corrupção consiste em usar o poder ou as funções públicas para obter benefícios pessoais indevidos. A sua forma mais grave verifica-se quando um agente do Estado (político, administrativo ou magistrado) pratica um ato contrário aos seus deveres funcionais (ou omite um ato que devia praticar) em troca de vantagens que não lhe são devidas.

Normalmente, a vantagem é concedida ao próprio funcionário, mas também o pode ser a terceiros (familiares, partidos políticos, clubes desportivos) e pode ser atual (contemporânea do ato ou omissão) ou futura (um bom emprego quando se sai do Governo, por exemplo), bem como patrimonial (normalmente dinheiro) ou não patrimonial (um apoio político em troca de uma decisão favorável, por exemplo).
A corrupção pode ser ativa (aquele que corrompe) ou passiva (aquele que é corrompido) e para ato ilícito (prática ou omissão de um ato em violação dos seus deveres) ou para ato lícito (o ato não é, em si mesmo, ilícito mas o funcionário recebe vantagens que lhe são oferecidas ou que ele propiciou para o praticar ou omitir). Esta última hipótese (popularmente designada como "olear a máquina") distorce o funcionamento das instituições públicas, levando alguns agentes do Estado a "criar dificuldades para depois vender facilidades".

Modernamente, os estados democráticos têm vindo a tipificar como crimes de corrupção condutas idênticas em domínios não especificamente públicos. Um exemplo é a designada corrupção desportiva, que pune os atos daqueles que, em troca de vantagens indevidas, falseiam os resultados das competições desportivas. Não estamos aí numa área da esfera pública, mas sim num domínio onde existem interesses públicos relevantes que reclamam uma proteção reforçada do Estado. Aqui, os valores são a verdade e a lealdade desportivas, que sairão mais protegidas se se prever a punição daqueles que atentem contra elas, nomeadamente dos que têm o dever de as defender, como os árbitros, os atletas, os médicos e os dirigentes desportivos. A melhor forma de proteger bens ou valores de interesse público é criminalizar as condutas que atentem contra eles.

Ora, um dos domínios onde existe um grande interesse público é o da informação nas sociedades democráticas. Não há democracia nem Estado de direito sem uma efetiva liberdade de imprensa. A liberdade de imprensa não existe como um fim em si mesmo, mas antes como um meio para se procurar e publicar a verdade, esta, sim, um bem jurídico, político e social absolutamente necessário à vitalidade da comunidade e ao seu desenvolvimento harmonioso.

Infelizmente, em Portugal, a verdade informativa não teve ainda do Estado a proteção que merece e que já foi dispensada, por exemplo, à verdade desportiva, sendo certo que há indícios chocantes do seu aviltamento (em troca de vantagens ilícitas) por parte de quem tem o dever legal e deontológico de a defender. Torna-se, pois, necessária uma proteção qualificada da verdade jornalística, através da criação do crime de corrupção informativa, ou seja, de uma tipificação criminal dos comportamentos ativos e passivos que atentem contra a verdade jornalística em troca de vantagens indevidas para o jornalista ou para o órgão de informação. Aqueles a quem compete a denúncia pública das condutas delituosas devem, também eles, ser objeto de um escrutínio mais intenso da sociedade e dos órgãos públicos que combatem a criminalidade. Também aqui é preciso alguém que guarde a guarda.