27 novembro, 2008

Vista do terreiro da Sé


O Bloco largou o "Zé"

Artigo de opinião de Paulo Martins (JN)

O "Zé", aquele que tanta falta fazia a Lisboa, já não é "provedor do cidadão", lamenta, amargamente, o Bloco de Esquerda. É capaz de ter razão: José Sá Fernandes parece outro. Está mais institucional e menos disponível para desembainhar a espada. Devem ser efeitos da "real politik", um vírus que lhe corrói a alma desde que começou a andar de braço dado com António Costa. Suspeita-se que passou de provedor a "provador". Tomou o gosto ao poder, esse supremo afrodisíaco que perde por completo a eficácia se tiver de conviver com a contestação.

No entanto, como se diz no futebolês quando o jogador falha o remate decisivo, o Bloco só pode queixar-se de si próprio. Adquiriu peso eleitoral às cavalitas do "Zé" e ganhou poiso no governo de Lisboa graças a um acordo com o PS, que subscreveu de livre vontade. Se concluiu que o seu representante no Executivo não cumpre o programa político, tem todo o direito de romper com ele. Tem é de pagar as favas, porque sendo independente não o pode substituir. É este o ponto que interessa discutir. Mais do que a guerrilha em ano pré-eleitoral.

Em Portugal, onde um dos temas predilectos do anedotário são "os políticos"- labéu atirado à ventoinha, indiscriminadamente, que em conversas de café significa pessoas pouco recomendáveis, potencialmente desonestas - fica sempre bem imputar aos partidos todos os males do Mundo. Por contraposição, ser independente cai no goto. Foi por isso - e pela combatividade demonstrada enquanto cidadão civicamente empenhado, concorde-se ou não com as causas defendidas - que o Bloco "recrutou" Sá Fernandes. A estratégia pouco teve de original. Muitos outros partidos acolhem independentes no regaço, por causa do seu valor no mercado eleitoral.

Desde que a lei permite candidaturas independentes, apenas até ao nível municipal, uma tendência tem vindo a manifestar-se: poucos são "genuínos". Abundam casos de ex-militantes de partidos que, de um momento para o outro, se viram contra a "casa-mãe". Alguns até têm assento na sala de reuniões do Executivo lisboeta. Com frequência, esses independentes apresentam-se como "puros", regeneradores do sistema, cheios de boas intenções. Prontos a denunciar as malévolas maquinações dos partidos de que na véspera faziam parte.

Sá Fernandes não encaixa neste perfil de ressabiado, é certo, porque que se saiba nunca teve cartão partidário. Mas não resistiu a lançar a "boca": o Bloco move-se, afirmou, por "interesses partidários" (o tom negativo fica nas entrelinhas). Só duas perguntas muito simples. Por quais haveria de mover- -se? É ilegítimo que os partidos tenham "interesses" ou só os individuais são admissíveis?

Nota de RoP:
Afinal, o Poder, corrompe ou não? Será que ainda alguém não percebeu porque não poupo os políticos?

Estou cansado de saber que o oportunismo e a falta de vergonha, não são exclusividade da classe política, mas, se não lhe for exigido comportamentos de outra grandeza moral e cívica, que poderemos nós esperar dos restantes cidadãos?

Em princípio, a corrupção pode não ser, necessariamente, um fenómeno de interesse material, é sobretudo mental, castrador e obediente à noção de integração no grupo (partido). E é a partir daí que a outra corrupção começa a ganhar corpo.

Links (JN)

Metro anuncia reforço de serviço na linha Vermelha

Molhes com derrapagem de 2,6 milhões

Metro do Porto testa "tram-train" (notícia de ontem)

Sobre esta última notícia, foi anunciado na comunicação social que a entrada em funcionamento destes veículos (train-train) teria início no passado mês de Setembro. Agora, já não há datas previstas. Das duas uma, ou a comunicação social informa mal, ou os cálculos da Metro do Porto foram mal feitos.

26 novembro, 2008

Outono no Douro (por Carlos Romão)


Pessimismo ou realismo?

Os jornais noticiaram ontem que vários organismos do Minho se vão reunir para estudar soluções para a crise que (há muitos anos, não só agora) afecta a região, nomeadamente os vales do Ave e do Cávado. Desta reunião sairão conclusões que serão enviadas ao governo sob a forma de um documento pedindo a criação de medidas excepcionais para combate à crise.

Esta notícia, anódina e repetitiva, pode ter várias leituras diferentes e suscitar comentários diversos. O primeiro que me ocorre é aconselhar os peticionários a esperar sentados. Há tantos anos que se pede socorro para a região, sobretudo para o vale do Ave, sem que efectivas medidas sejam tomadas, que não vejo porque motivo desta vez será diferente. Na melhor das hipóteses, já que as eleições não estão longe, haverá promessas alicerçadas em milhões de euros... virtuais. Já não seria a primeira vez. O memorando a enviar ao governo terá apenas a finalidade de "sensibilizá-lo" para o problema, pois o alcance não será maior do que isso. A propósito aproveito para confessar a minha embirração com esse termo. "Sensibilizar" não é mais do que "mendigar", e eu julgo indigno que cidadãos deste país que pagam impostos ao poder central, sejam forçados a mendigar, não favores, mas sim justiça e tratamento equitativo a quem arrecada o seu dinheiro.

Penso que provavelmente a solução da maior parte dos problemas que serão levantados no memorando que o Minho vai enviar ao Terreiro do Paço, seria passível de ser tomada num nivel intermédio de poder, se ele existisse, com todas as vantagens daí decorrentes.

Pergunto-me se as pessoas directamente interessadas na implementação de medidas susceptíveis de melhorar a sua situação, estarão conscientes de que a existência do tal poder intermédio poderia ajudar a minimizar ou resolver os seus problemas. Por outras palavras, estarão essas pessoas conscientes de que a regionalização ( ou melhor ainda, a autonomização das regiões ) poderá ter uma influência positiva no seu dia-a-dia? Infelizmente penso que não, nunca ninguém lhes tentou explicar isso, nem qualquer governo central estará nisso interessado.

Esta lacuna é, para mim, um dos grandes "calcanhar de Aquiles" para a regionalização que, antes de ser implementada, tem de passar a barreira contituída pelo referendo. Em 1998 o NÃO venceu, e os votantes foram inferiores a 50%. Não vejo nada que me faça crer que durante estes dez últimos anos o sentir popular tenha evoluído tão significativamente que leve a pensar na inversão dos resultados. Pessimismo meu? Oxalá seja.

O despertar do Dragão

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Parece que os êxitos do Futebol Clube do Porto deixaram de interessar a alguns tripeiros.
Não faltam blogues temáticos sobre futebol e para o melhor clube da nossa cidade, mas continua a notar-se noutros espaços de cidadania, algum "desconforto"(ou complexo), em abordar um dos maiores pólos de sucesso da Invicta.
Ontem, contra as expectativas de muitos (incluindo, eu), o FCPorto ultrapassou mais um obstáculo, atingindo um dos objectivos desta época: atingir os oitavos de final da Liga dos Campeões Europeus.
Se existe assunto em que não me importo, mesmo nada, de me equivocar, é nos insucessos do Futebol Clube do Porto, incluindo nos do seu treinador...
(Foto de RV)

Desabafos de Jorge Fiel



"É tempo de dar um murro na mesa e declarar guerra ao centralismo ladrão. De aprendermos com Mao que o poder está na ponta da espingarda – ninguém dá nada a ninguém, se o puder evitar. De aprendermos com João Jardim, que, usando os cotovelos, fez da Madeira a segunda região mais rica do país, com um rendimento 25% superior à média nacional.Para começar, a AEP devia reconverter a campanha Compre Português por uma campanha Compre Nortenho.
E como o Governo é surdo a vozes que não venham da rua e se exprimam na primeira metade dos telejornais, ganhávamos em boicotar a visita ao Norte de governantes, enquanto não for dado um sinal claro de que o roubo vai acabar. Eu estou pronto a atirar o primeiro ovo podre."
(Parágrafos finais do post, de Jorge fiel, in Bússola)

Os políticos e as «sociedades secretas» (vulgo, off-shores)

Se quiséssemos fazer um teste às pessoas para distinguir as sábias (anti-populistas), das demagógicas (populistas), bastaria submetê-las a um simples referendo colocando-lhes a seguinte questão:
"considera haver condições de compatibilidade moral e social, para os detentores de cargos políticos exercerem funções administrativas em empresas privadas?"
Seguramente, que, da classe política nem precisamos de saber a resposta. Apesar dos cíclicos envolvimentos desta "classe" em fraudes de toda a espécie, podíamos estar certos que poucos haveria, que responderiam negativamente à pergunta. E por quê? Porque todos sabem, mas "nem às paredes confessam", que esse é o caminho mais curto para enriquecerem! Se algum deles me estiver a ler, parece que já estou a adivinhar o tipo de argumentação que sacaria do cardápio da banha-da-cobra para me provar o contrário à laia de donzela ofendida na sua "honra". Honra? Mas, saberão muitos deles, por acaso, o que isso significa? Tenho a certeza que não.
Honra, seria, por exemplo, o senhor Victor Constâncio e Dias Loureiro, face às suspeitas de má gestão e de negócios pouco claros respectivamente, demitirem-se imediatamente, ou, no mínimo solicitarem a suspensão dos cargos que desempenham até se provar (ou não) a sua inocência.
Ninguém duvida que qualquer pessoa, sobretudo as que detêm cargos públicos, está à mercê da calúnia e da difamação de um impostor, de um invejoso ou até de um doido, mas é exactamente por isso que os seus métodos de trabalho têm de ser mais límpidos e rigorosos do que os de um cidadão anónimo. Mas, como se constata, não é isso que eles fazem. São "responsáveis" para deterem e gozarem do Poder e para ganharem bom dinheiro, mas já não o sabem ser quanto a práticas de gestão claras e cuidadosas. E o que é isto, de ex-Ministros abrirem off-shores em paraísos fiscais? Será legal (está mal), talvez, mas... e a questão moral, a tal "honra" que todos reivindicam, quando estão sob suspeita, onde é que fica?
De Vale e Azevedo, até aos (ainda por julgar) membros da rede pedofilia, não houve um único (à excepção do mais pobre, o Bibi) que tivesse confessado o crime e não se considerasse pessoa honrada. Todos afirmam à boca pequena que o são, e depois? Vamos deixá-los em paz e em liberdade só porque são (ou foram) gente "importante"? É evidente que não, a sua "importância" termina no preciso momento em que perdem a confiança do país, passando assim a ser, isso sim, gente nefasta e perigosa para a sociedade. É preciso parecer sério!
Ora, com os políticos, ainda é pior. Veremos, se mais uma vez, o crime continua a compensar.

25 novembro, 2008

Quo vadis, Casa do Douro?

O que é que se passa afinal com a Casa do Douro?

O que terá levado a Casa do Douro a não liquidar as suas dívidas ao Estado?Há, ou não há um responsável por essas supostas dívidas?

Segundo a notícia do Público, a Casa do Douro solicitou financiamento para um processo de reestruturação financeira em 1997 para o qual o Estado serviu de avalista.

A dívida ascende a 100 milhões de euros, e foi proposta ser paga com vinhos em stock na Casa do Douro. O que o seu Presidente, Manuel dos Santos, devia fazer antes de mais, era explicar publicamente as razões da não liquidação do empréstimo bancário. Assim, levanta-se mais um manto de suspeitas sobre a forma como são administradas empresas desta importância para a economia nacional.

Agora, o Estado deita a mão (penhora) os vinhos e deixa a Casa do Douro com o pescoço do cêpo, visto fazer depender da futura avaliação dos vinho a aceitação ou não da liquidação da dívida. A Casa do Douro detinha também 40% de acções da Real Companhia Velha e tem hipotecada a sua sede (imaginem) no BPN, o famigerado banco dos ilustres Loureiros & Companhia que, como pudemos comprovar, sabe cuidar com "zêlo e segurança" os bens que lhe são confiados...

Falar demais é prejudicial à Justiça

De vez em quando, é bom sairmos dos problemas de âmbito local e procurar coordená-los com as questões «nacionais», que, como diria, ironicamente, o meu amigo Rui Farinas, pouco mais são do que assuntos, igualmente de carácter local, isto é, assuntos de Lisboa.
Estes crimes, roubos de igreja e pedofilia, com origem na capital do cosmopolitismo, por isso, isentos de formações de equipas especiais para a devida investigação, para nós portuenses, servem para fazermos a ponte, entre critérios analíticos com algumas semelhanças, consoante o estatuto ou local onde tenham ocorrido.
Ao ler a primeira página do Público de hoje, li com alguma estranheza, uma declaração do procurador responsável pelo processo Casa Pia que dizia isto sobre Carlos Cruz: "cometeu suicídio quando foi às televisões explicar-se". A minha estranheza nada tem a ver com a culpabilidade ou inocência do visado. Quanto a isso, tenho as minhas convicções pessoais e não me interessa agora pronunciar-me sobre elas. O que me ocorreu esmiuçar melhor, foi a frase do senhor procurador e questionar se a conclusão que ele extraiu do comportamento de Carlos Cruz, segundo a qual, a sua ida à televisão para dar explicações, serviu para acentuar a sua eventual culpabilidade.
Pela ordem de ideias do senhor Procurador, há uma lista interminável de gente graúda (é quase a esta, em exclusivo, que a TV se disponibiliza para "ouvir", quando recaem suspeitas sobre ela), que deveria estar sob a mira do senhor procurador com poucas chances de absolvição. Vejamos apenas os casos mais recentes:
  • Dias Loureiro
  • Victor Constâncio
  • Cavaco Silva

Depois, recuando uns tempos, lembramo-nos de:

  • Carlos Melancia
  • Vale e Azevedo
  • Paulo Pedroso

Para sintetizar, citei apenas estes seis casos, uns mais recentes e outros já com uns anitos, mas -se fosse essa a ideia -, podia facilmente aumentar o ménu dos que falaram à televisão sobre assuntos pouco nobres que de algum modo lhes dizia respeito. Ora, não é isso que objectivamente quero destacar, mas sim a declaração do senhor procurador que me parece um tanto mal explicada, ou infeliz.

De algum modo, até posso concordar com o senhor Procurador João Albéo, porque até já o escrevi várias vezes, que os programas de grande audiência onde participam figuras públicas e políticas, pouco mais servem do que para branquear maus desempenhos políticos ou casos de envolvência em processos de óbvia criminalidade. Mas, das duas uma, ou as minhas convicções são mais pragmáticas do que eu próprio imagino, e nesse caso há muita gente sob séria suspeita, ou então o senhor Procurador devia ter-se remetido a um eloquente silêncio. À partida, este senhor, está a fazer discriminação judicial pouco antes da decisão final do Tribunal, e isso, além de me parecer um tanto folclórico para alguém com o seu status, é cometer o mesmo erro do que aquele de que acusa Carlos Cruz, mas com objectivos opostos. A única diferença, é que não o cometeu na televisão.

24 novembro, 2008

Arca d'Água + poema de Outono

O Outono já chegou aos arrufos do vento
as folhas num desmaio embalam-se pelo ar...
- vão caindo... caindo... uma a uma,
em desalento e uma a uma, lentamente, vão no chão pousar...
O céu perdeu o azul - vestiu-se de cinzento e envolveu na neblina a luz baça do luar...
- na alameda onde vou, de momento a momento, há um gemido de folha a cair e a expirar...


O arvoredo transpira as carícias dos ninhos, e o vento a cirandar na curva das estradas eleva o folhareu no espaço em redemoinhos...


Há um córrego a levar as folhas secas em bando...
- e à aragem que soluça entre as ramas curvadas, parece que o arvoredo em coro está chorando!...


Autoria: Oriza Martins

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Jardim de Arca d'Água

...ou Praça Nove de Abril
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CASA PIA! Será hoje que se vai fazer justiça, a sério?

O Processo Casa Pia arrasta-se durante longos anos, e o julgamento há já quatro anos, arriscando-se a que outras crianças, em situações idênticas, passem pelas mesmas vicissitudes, por mais torturas físicas e psicológicas. Há quem garanta até, que isso já aconteceu.
Não concordo nada que esses indivíduos sejam mantidos em liberdade e em cargos de responsabilidade, nomeadamente naqueles que impliquem o contacto directo com crianças.
Deviam ser colocados num hospício próprio, como qualquer doente mental e tratados (se é que tal doença tem tratamento). Sou absolutamente contra a manutenção da liberdade destes indivíduos. Quem defende esta opinião, defende de forma irresponsável e desumana que outras crianças se arrisquem a que as sua vidas sejam destruídas por estes lobos com pele de cordeiros.
Não precisava de me repetir, mas vou fazê-lo expressamente para reiterar a minha profunda convicção: os maiores criminosos, aqueles para quem a Justiça deverá ter a mão mais pesada, são os poderosos, os políticos & companhia... Só por essa razão. Por serem poderosos! Nâo são precisas mais.

23 novembro, 2008

A propósito de ruas...

Travei uma longa «batalha» com os serviços da Divisão Municipal da Via Pública da CMP, para a convencer a substituir as placas toponímicas referentes à Rua do Cor. Almeida Valente, depois de ter constatado que, a par da Rua do Dr. Carlos Ramos, eram as únicas naquela zona que se mantinham por alterar. Finalmente, a 21 de Outubro deste ano, recebi a informação dos referidos serviços, que as novas placas, referentes à rua com o nome do meu avô, tinham, finalmente, sido instaladas.

Contudo, fiquei algo decepcionado, quando verifiquei que a oportunidade da execução daquele serviço, não foi aproveitada para se proceder à substituição da Rua do Dr. Carlos Ramos, já que também tinha chamado a atenção da Câmara para o facto. Como se pode ver pelas imagens, as duas ruas bifurcam neste muro arredondado, encontrando-se, a de cima, a placa do Dr. Carlos Ramos, como antes (velha e ferrugenta), e a inferior, do Cor.Almeida Valente, já devidamente colocada.

Como já referi, não percebo esta forma de trabalhar da CMP, nem imagino que tipo de argumentação a poderá justificar, além da implícita falta de respeito pela figura do homenageado com o nome da referida rua.


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Rua do Coronel Almeida Valente


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Fotos retiradas a partir do entroncamento com a Rua Conde de Avranches, sentido nascente/poente, e poente /nascente,respectivamente.
PS-Foi o melhor que se pôde arranjar Sr. Vila Pouca. Espero ter satisfeito o seu "pedido".