30 junho, 2020

Neill Lochery e a cidade do Porto. Lisboa, não tenhas ciúmes, fica-te muito mal



Neill Lochery, autor e historiador escocês, doutorado em Ciências Políticas pela Universidade de Durham e responsável pela cadeira de Política Israelita na University College of London, acaba de publicar o seu mais recente livro que se intitula "Porto, a Entrada para o Mundo".

Este volume oferece uma narrativa dos mais destacados acontecimentos que ocorreram na Invicta. Foi para falar sobre este livro que acaba de ser lançado que se reuniu num hotel da Baixa do Porto com uma equipa da Notícias Magazine (NM). O Porto. Apresenta-lhe excertos desta entrevista, publicada hoje no NM.

Ficamos a saber que o título do livro "Porto, a Entrada para o Mundo" é o empréstimo de uma expressão utilizada pelo então Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, aquando da sua visita ao Porto em agosto de 1998 e foi escolhida por Neill Lochery porque "resume na perfeição o que é o Porto. A ideia de que é muito mais uma porta de entrada do que uma porta de saída é uma das razões que explica a atração dos que escolhem a cidade como base temporária ou permanente".

Nesta entrevista à Notícias Magazine, o autor fala ainda do papel subestimado do Porto na História de Portugal, do sentimento de identidade do Porto e de pertença a Portugal; aborda ainda o facto de "se trabalhar mais no Porto do que em Lisboa", o centralismo e a questão do turismo, e ainda a possibilidade de um presidente independente ser eleito para a Câmara Municipal de Lisboa.

Neill Lochery indica, nesta entrevista, que o seu objetivo foi "escrever um livro envolvente usando diferentes tipos de fontes que ajudassem a explicar de forma interessante a história da cidade sob diferentes pontos de vista das suas influências. A minha esperança é que as pessoas se revejam num livro de história que as atraia ao Porto."

O ponto de partida para uma leitura atenta deste livro pode muito bem ser a sinopse, que lê "Porto, a Entrada para o Mundo" como "um vibrante centro comercial e cultural, que se orgulha das suas ligações históricas com o mundo exterior".

Foi no ainda encerrado Hotel Infante Sagres, na Baixa do Porto, (que abriu em exclusivo para a realização desta entrevista) que o famoso autor se reuniu com a Notícias Magazine para apresentar o seu mais recente volume dedicado ao Porto.

Lochery confessa que apesar de ter escrito muito sobre Lisboa, se apercebeu da importância da cidade do Porto enquanto fazia investigações para livros anteriores, especialmente no que diz respeito ao Liberalismo. A pesquisa para este livro, agora lançado, teve início há dois anos em Inglaterra e depois já em Portugal para "aprofundar conhecimento" sobre as guerras liberais e absolutistas entre D. Pedro e D. Miguel.

De facto, Neill Lochery afirma à NM que um dos aspetos mais marcantes do livro que agora foi publicado e que "marca a personalidade do Porto", foi a guerra entre aqueles dois monarcas que tinham entendimentos diferentes sobre o exercício do poder, e que demonstra "a noção de resiliência dos portuenses, da sua necessidade de sobrevivência durante o cerco da cidade (1832-1833)".

Terminada a guerra, Lochery salienta que aconteceu "um movimento ao contrário", ou seja, segundo o historiador escocês, no Porto, "foi o começo de algo novo, de inúmeras batalhas entre diferentes grupos liberais sobre a Constituição, (...). E o interessante foi que esses debates sobre a Constituição não tiveram lugar em Lisboa, a capital onde estavam e estão o poder e as elites, mas no Porto", refere Neill Lochery.

Sobre se o papel do Porto na História de Portugal é subestimado, o reputado escritor atira um "claro que sim" e afirma que "muita da política de Portugal passou-se no Porto".

Lochery acrescenta, também, que outra das questões essenciais em relação à Invicta está relacionada com a questão republicana. "A primeira tentativa de derrubar a monarquia aconteceu no Porto a 31 de janeiro de 1891, quando os mais importantes movimentos políticos estavam lá centrados".

À questão sobre se o Porto será a cidade mais britânica de Portugal, Neill Lochery sugere a observação da arquitetura na cidade para afirmar que "olhando para alguns edifícios como o Palácio da Bolsa ou o Hospital de Santo António, é fácil imaginarmos que estamos em Edimburgo (...) ou em qualquer cidade do norte de Inglaterra".

Um outro aspecto que o escritor ressalta é o facto de que "geralmente as cidades têm um estilo único e o Porto é muito eclético".

O que o leva a concluir, na mesma entrevista, que "cosmopolita talvez não seja a palavra mais adequada" para classificar o Porto; para Lochery, "é mais uma espécie de sentimento europeu, mais até do que Lisboa, o que vem, lá está, da arquitetura e de como a cidade foi sendo ordenada ao longo dos tempos".

Além disso, para o historiador escocês, o "sentimento britânico" que o Porto sempre demonstrou no passado, "ainda permanece, nomeadamente na personalidade dos portuenses. Para as pessoas do Porto, o trabalho é encarado como a parte central da vida", referindo a título de curiosidade que "uma das primeiras coisas em que reparei quando cheguei ao Porto foi nos tempos das horas de ponta no trânsito, que são muito mais cedo do que em Lisboa. No Porto há uma cultura de empreendedorismo e de trabalho mais atrativa para estrangeiros que queiram investir em Portugal".

Acerca da relação do Porto com o turismo, Neill Lochery afirma que ao contrário de Lisboa, que se "tornou turístico-cêntrica", tendo sido "quase varrida pelo turismo", o Porto "teve mais cuidado nessa matéria".

Apesar de Portugal ser um país cuja dimensão geográfica não é muito extensa, Lochery considera que portuenses e lisboetas "são diferentes"; para o autor, "as pessoas do Porto estão mais comprometidas com o resto do país, ao passo que em Lisboa são mais centradas nelas próprias e na cidade" e acrescenta que "isso explica muito o centralismo do país". Fenómeno que surpreendeu Lochery, porque "não vejo pessoas no Porto a tentar declarar a independência da cidade e da região".

Para o professor de Ciência Política, "são questões históricas que continuam e que vão continuar na ordem do dia", exemplificando que "ainda recentemente houve um confronto público entre a Câmara do Porto e o Governo por causa da TAP".

O professor foi desafiado a clarificar se é verdade que existe "a identidade do Porto" ou não seria esta afirmação um cliché; ao que retorquiu "claro que existe! O Porto é muito distinto de Lisboa. É como estar em Portugal sem estar em Portugal", e prosseguiu afirmando que "apesar dessa forte identidade" ou de se afirmar na Invicta que "o Porto é uma nação", o "sentimento de pertença a Portugal é enorme".

Uma vez que o atual presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, se apresentou às eleições autárquicas como independente, tendo conquistado o seu segundo mandato com maioria absoluta, a NM perguntou a Neill Lochery se um candidato independente poderia ganhar as eleições autárquicas em Lisboa; o autor de "Porto, a Entrada para o Mundo", responde que "não tenho a certeza que um presidente independente pudesse ser eleito, até porque a Câmara de Lisboa funciona como catapulta para um cargo de relevo a nível nacional".

Neill Lochery participa em numerosas palestras por todo o mundo, é comentador regular em assuntos internacionais e tem inúmeras publicações na imprensa internacional, incluindo o Wall Street Journal.

Nota de RoP:
Para quem ignore o significado de ecletismo, talvez interesse saber o que consta do velhinho e reputado dicionário de Augusto Moreno sobre a palavra:

Sistema filosófico que consiste em escolher o melhor de qualquer doutrina ou sistema, com bom critério.

19 junho, 2020

Homens, cães e medos

Pandemia melhora imagem de António Costa. Marcelo perde ...
Nem um, nem outro, merecem
o lugar que têm. Uma verdadeira anedota


Gosto de animais, sobretudo de cães. Tenho uma particular empatia com eles, mesmo com os animais de outras pessoas. Às vezes acontece encontrar alguns, muito chatos, devido ao excesso de mimo que os donos lhe dão talvez por não saberem lidar com eles, tornando-os agressivos. Depois, se precisam de os controlar quando fazem disparates e mordem pessoas, ou outros animais, já é tarde para que eles obedeçam quando é preciso.   

Curiosamente, há uma certa afinidade entre o comportamento dos cães e de certo tipo de pessoas. Se lhes damos demasiada confiança antes de os conhecer bem, tal como os cães, a tendência é para abusarem. Recordo-me de uma cena ocorrida já há alguns anos quando me preparava para passar o portão da casa de um indivíduo que ainda não conhecia pessoalmente (ia em trabalho) que no momento de passar o portão onde atrás se encontrava um cão (Lobo de Alsácia) me alertou para não avançar porque ele podia morder, eu não obedeci porque instintivamente pousei a mão naturalmente na cabeça do animal que logo sentiu que eu não ia ali por mal. Os cães são assim, eles desconfiam quando o faro detecta o medo, e nesses casos podem morder mesmo. Claro que nem todos são assim, é preciso ter cuidado, mas não mostrar medo. Alguns foram "treinados" pelos próprios donos para serem agressivos, mas grande parte das vezes, mal. 

Vem esta cena a propósito do medo que se instalou nas gentes do Porto (e do Norte) com o poder político e judicial, quando as causas desse medo deviam servir de bálsamo para lhes revigorar a coragem. Está provado e comprovado que há uma incontestável intenção de prejudicar o Porto,e tudo o que possa relacionar-se com a cidade e região. Todos os nortenhos (excepto os que se renderam às "leis" da capital) sabem que há um intuito claro de nos fazer a vida negra. Um observador razoável não precisa de mais provas, eles expoem-nas constantemente em doses industriais.

O centralismo é discriminatório, feroz e descarado. Se fizermos uma pequena súmula, se nos lembrar-mos das promessas do 1º.Ministro, das tretas do Infarmed, da TAP, das vigarices da FPF, da história da Champions League no Dragão, da "Descentralização", da roubalheira no futebol, dos árbitros, da passividade da Justiça, só para falar das mais faladas, e acima de tudo da complacência das duas figuras estatutariamente mais relevantes do Estado, temos boas razões para os repelir, chamando-os à liça, combatendo-os. Por que não fomos já para a rua? E quando digo já, refiro-me há mais de um ano atrás porque agora eles vão agarrar-se à pandemia para justificar a inacção. É certo.

Nós sabemos que eles não são democratas, nem sérios, e a Europa precisa de saber disso, porque até prova em contrário, a UE não deve aceitar na organização do seu grupo países com tiques ditatoriais como aquele em que se tornou Portugal.

Por que havemos de pagar impostos se já nos estão a roubar? E os fundos da Europa que foram desviados para Lisboa quando deviam vir para o Norte? Mas que balbúrdia é esta? Que direito têm estes tipos de fazerem o que lhes vai na gana se ultrapassam demais as normas do bom senso, e da justiça? Que respeito merecem? Para mim, nenhum. Se quiserem que eu o diga em tribunal que avancem, eu não retiro uma vírgula do que aqui escrevo, porque nada disto é falso!

Quando a pouca vergonha das cartilhas, e toupeiras, saiu a público (não pela justiça, mas por mérito da colaboração que Francisco J. Marques prestou à PJ para investigação) e que estes aceitaram logo por considerarem válidos os comprovativos que lhes foram entregues, escrevi aqui na forma de aviso que se nós deixássemos marinar o caso, se continuássemos passivos, tudo iria agravar-se. Foi o que aconteceu. Se me disserem que os corruptos estão agora mais brandos, é mentira. Agiram tal e qual como agem os animais quando se lhes dá demasiada confiança, ou se pressentem medo (como os cães) e não se sentem ameaçados.

Ou seja, a partir de uma certa altura devia ser ao Governo, e ao Chefe de Estado, a quem devíamos pedir explicações perfeitamente pertinentes. Começava-mos por lhes perguntar (obviamente com ironia), se  sabiam o que se estava a passar, e se dissessem que sim, por que é que ficaram em silêncio sabendo tão bem como nós que o processo estava parado, sem qualquer justificação pública.

Infelizmente, Pinto da Costa voltou à estaca zero da luta. Ainda há pouco ganhou as eleições e o silêncio mantem-se. Enganou os portistas, mesmo os que votaram nele. Não faço ideia onde está a sua prometida luta na campanha eleitoral, que não se vê nem cheira. Fomos nós, eu, e outros portistas que discordaram da sua recandidatura à presidência que tínhamos razão.

Ele já não luta pela vida do FCPorto (que é dos sócios e dos adeptos), ele luta por ele próprio, e pela família. Seria normal e comprensivel se o FCPorto fosse propriedade sua ou uma empresa privada. Mas não é, felizmente.

Portanto, a família do FCPorto é a massa adepta não é a família do presidente.

PS-Recomendo aos leitores honestos do Renovar o Porto que vejam uma pequena entrevista no Porto  Canal feita ao ex-vereador da Câmara M. do Porto, Paulo Morais, o único homem que anda a estudar os crimes de corrupção deste país que fala sem papas na língua. 

O Programa pode ser visto às 00H00 do dia 20/06, ou às 07H30 do mesmo dia e chama-se "Porto Beats". Tal como eu aqui, responsabilisou também o 1º Ministro e o PR pelo que se está a passar.




17 junho, 2020

FCPorto, mais 2 pontos perdidos

O golo de Fábio Vieira que colocou o FC Porto em vantagem na final ...
Fábio Vieira e Tomás Esteves


Vá lá que ontem o Xistra não esteve nos dias mais nojentos da sua "performance". Deixou passar em branco algumas faltas para cartão vermelho aos jogadores do Aves, marcou um penaltie a favor do FCPorto que não me pareceu muito evidente, mas ainda bem que o Zé Luís não concretizou senão lá teríamos o choradinho do costume da comunicação social corrupta. 

O que é de lamentar é  a incapacidade de uma grande maioria dos nossos jogadores para marcar penálties (e rematar à baliza), o que revela que não estão a ser devidamente treinados para esse fim. Ou então, é um problema de incompetência técnica dos próprios jogadores. Enfim, só Sérgio Conceição saberá.

Arbitragem à parte, a equipa do FCPorto está a mostrar muitas dificuldades a jogar e a marcar cedo quando é necessário, o que torna os jogos sempre muito difíceis. As equipas adversárias mais frágeis jogam com o FCPorto sempre com o ferrolho na defesa, fechadas e muito agressivas. Além disso, não compreendo que SC não seja mais ousado a lançar os jogadores da formação mais promissores. O Fábio Vieira é, na minha opinião, o jogador tecnicamente mais completo do plantel da formação. Apesar de ser fisicamente franzino é consistente e tem uma grande capacidade de drible que a par da qualidade de passe e remate poderá compensá-lo dessa aparente vulnerabilidade.  Outro que lhe segue o talento e tem um grande sentido de oportunidade para marcar golos é o Fábio Silva, que aliás já marcou no Dragão. Enfim, se o treinador tem receio que a inexperiência destes jogadores o comprometa, não se compreende então que insista em meter o Marega (que está nitidamente em baixo de forma) e mesmo em Zé Luís que está a revelar-se muito pouco eficaz. Sinceramente, acho que SC esteve muito mal ontem, apesar de ter o plantel carente de Alex Telles (sem dúvida o melhor jogador do plantel) e Manafá.

Resumindo, ainda nada está perdido, mas como ontem aqui escrevi, o FCPorto continua a não reagir aos esquemas mafiosos da Comissão de Arbitragem que indiscutivelmente apoia o Benfica, e não o deve fazer, é uma vigarice que compromete o próprio Estado e quem o representa. Para mim, não há dúvida sobre isso. Não temos Governo, nem Presidência na República. É como se não existissem para mim, mas ocupam os cargos "legitimamente" porque os portugueses votantes contentam-se com qualquer habilidoso para representar o país no seu todo.

15 junho, 2020

Quero ver que tipo de "lutador" é agora Pinto da Costa

Carlos Xistra e três estreantes no novo quadro de árbitros - Arbitragem -  Jornal Record
Carlos Xistra
Bruno Esteves foi o árbitro que mais "faturou" - Arbitragem - Jornal Record
Bruno Esteves













O estilo "comer e calar" não me parece ser a melhor das tácticas. Os últimos anos falam por si. Depois do que chegou a público, que a dupla de arbitragem nomeada para o próximo jogo do FCPorto com o Aves vai ser a mesma da última jornada* (Xistra e Esteves no VAR) parece não ser necessário expectar o que pode acontecer a seguir. Se acontecer o que se prevê, será o maior sinal da incompetência que Pinto da Costa pode dar aos sócios que nele votaram. 

Nem no tempo de Salazar se chegou a este ponto! Nunca se abusou e desrespeitou tanto o FCPorto como agora! O governo actual é mais ditatorial que o de Salazar, e mais anti-democrático do que qualquer outro do pós 25 de Abril! Eu digo-o aqui, e repeti-lo-ei em qualquer circunstância. Hoje, já devíamos ter derrubado este governo, e os outros dois governos anteriores, mas deixamos correr o marfim. O resultado deu no que sabemos.

Estamos a agir como se fossemos nós os gangsters, os corruptos! Mas não somos, pois não? Ou haverá dentro do FCPorto quem tenha dúvidas sobre isso? Se não há, o que é que esperamos para avançar? A humilhação suprema?

Sugeri aos sócios portistas que desta vez fossem mais fieis ao FCPorto que a Pinto da Costa, justamente por não o considerar em condições para defender o nosso clube, mas lamentavelmente optaram pela pessoa do presidente e não pelo clube. Veremos se não vai  já ser amanhã que vamos ser afastados do campeonato com uma derrota ardilosa e golos "marcados" por Xistra e Esteves (como manda o padrinho).

Se tal acontecer, aguentem, não vale a pena torcer as orelhas... A culpa também será de quem devolveu o poleiro a quem já não quer mandar, e só se contenta a ser bajulado.

* os mesmos árbitros que tudo fizeram para evitar a derrota do Benfica com o Portimonense, e deram 10 minutos (sete seguidos de + 3) de tempo extraordinário de jogo, a que não tinham direito. Até os ponteiros dos relógios trabalham ao ritmo do Benfiquistão... E não acredito que seja o único portista a não acompanhar a opinião de Pinto da Costa que afirmou não acreditar na desonestidade dos árbitros. 

Pois eu não só acredito, como tenho a certeza, e já não é de agora. São eles próprios que o provam com as suas decisões sectárias.

10 junho, 2020

Timidez incompreensível, ou medo?

Costa não crê em avanço da regionalização "nos mandatos" de ...
Que queridos...


Quem por aqui costuma passar, e ler as minhas crónicas, já sabe o que penso do chefe do governo e da Presidência da República. E também sabe que não ando com rodriguinhos, que troco as cores do arco íris, olhar para o branco quando a realidade me garante que é preto. Por norma, sou um cidadão educado, que respeita quem me respeita, mas que abomino falsários armados em virgens ofendidas com o vício mais horrível do mundo que é acusar terceiros dos crimes e das vigarices que eles próprios praticam. Esses, não podem contar com a minha simpatia, nem muito menos com o meu respeito, seja qual for o estatuto social. Borrifo-me.

Ontem, o presidente Pinto da Costa lá falou da incompetência do secretário de Estado do Desporto, e também o Francisco J. Marques mais tarde, no Porto Canal,no Universo Porto de Bancada. Nada que não seja do nosso conhecimento. O que estranho, no meio desta grande pouca vergonha, é que estas pessoas precisem de tanto tempo para citarem sem papas na língua o nome dos principais responsáveis que permitem a continuidade no activo de tipos vigaristas como o referido secretário de Estado. 

Por que raio não acusam o primeiro Ministro e o Presidente da República se são as figuras com mais poder no país e têm o dever de acompanhar estes problemas mais do que qualquer outro cidadão e que, pelo contrário, têm a desfaçatez de não dizer uma palavra sobre o assunto. Opostamente ao que possam pensar, não é com este subserviente silêncio que o Porto faz ouvir a sua voz, dando o pretesto aos visados de pensarem que são muito temidos e respeitados.   

Marcelo Rebelo de Sousa é um rato manhoso. Gosta de mostrar uma generosidade que não tem. É um adversário, inimigo mesmo, da regionalização, e a prova disso, é que ainda esta semana tratou logo de dizer que não vai haver regionalização, só porque António Costa caiu na asneira de pronunciar essa palavra (regionalização) que por hábito evita. Marcelo mete-se  no que não deve, em vez de interferir no que é da sua obrigação. A magistratura de influência já devia ter sido usada e acontecido com a vergonha que grassa na justiça e no futebol português, mas não abriu a boca. Pois eu lembro-lhe que calar estas vigarices quando o governo não interfere, é apoiá-las. Então, o que será se não isso?


04 junho, 2020

Ò Costa! Ò Marcelo! Que pensam deste tipo de "heróis"...Tudo gente honrada, não é?

A juíza Fátima Galante foi aposentada compulsivamente, como consequência direta da sanção disciplinar que lhe foi aplicada pelo plenário do Conselho Superior da Magistratura.
Numa nota, o CSM adianta que a aposentação de Fátima Galante (arguida no inquérito-crime Lex) tem efeitos a 14 de dezembro de 2019.
O Conselho Superior da Magistratura explica que a aposentação compulsiva de Fátima Galante resultou também da "improcedência da providência cautelar intentada pela mesma de suspensão de eficácia do ato" deliberado pelo plenário do CSM.
O CSM refere que o cálculo do montante mensal da pensão a auferir pela juíza desembargadora é da responsabilidade da Caixa Geral de Aposentações e não do Conselho Superior da Magistratura.
O processo-crime Operação Lex, ainda em fase de inquérito, tem 14 arguidos e investiga suspeitas de corrupção/recebimento indevido de vantagem, branqueamento de capitais, tráfico de influências e fraude fiscal. Um dos arguidos é o juiz desembargador Rui Rangel, ex-marido da juíza agora aposentada compulsivamente.
Fátima Galante e Rui Rangel são dois dos principais arguidos neste caso, que envolve, entre outros, o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, o vice-presidente do clube Fernando Tavares, e ainda João Rodrigues, advogado e ex-presidente da Federação Portuguesa de Futebol.

01 junho, 2020

Júlio Magalhães nunca me enganou, é um menino de fretes

Júlio Magalhães quer uma telenovela no Porto Canal - Fantastic ...
Júlio Magalhães torceu pelo patrão.
Saltou aos olhos

Foi inconcebível o comportamento de Júlio Magalhães ontem, na entrevista que fez a José Fernando Rio, o candidato da lista C à presidência do FCPorto . Sendo habitualmente um entrevistador simpático e respeitador com as pessoas que convida, ontem foi notória a tentativa de desorientar JFRio sempre que este procurava expor as suas ideias.

Já uma vez me decepcionou, quando a primeira palavra que dizia sempre que começava uma entrevista aos seus convidados era dizer repetidamente "tenho a honra de entrevistar" . Bajula habitualmente, mas não é com qualquer pessoa. Tem de ter status, não é...  

Chegava a ser irritante a frequência com que repetia esta conversa. Curiosamente, numa entrevista feita ao conhecido Tino de Rãs, fiquei na expectativa de saber como é que o ia tratar, visto ser um homem simples, e essa expectativa reforçou a ideia que já tinha dele: para o Tino de Rãs não houve direito ao "tenho a honra" do costume... Esqueceu-se... Acontece! Isso revelou a falta de personalidade de Júlio Magalhães.       

Quanto a José Fernando Rio, defendeu-se muito bem das suas constantes interrupções, porque cada vez que o fazia Rio respondia-lhe sempre com honestidade e inteligência, a ponto de o deixar meio atrapalhado e dizer que não percebia nada do assunto. Enfim, uma figura triste que não augura nada de positivo para o Porto Canal.  De facto, ninguém pode ter grande sucesso enquanto jornalista depois de trabalhar num canal como a TVI.

Quanto a Pinto da Costa, depois de o termos ouvido dizer que não quer saber se os árbitros são honestos ou não, que não discute isso, dá para imaginar o que pensará destas palavras Francisco J. Marques, e os jovens que o acompanharam nas denúncias que fizeram dos cartilheiros... No lugar deles nunca mais queria saber de Pinto da Costa. Foram traídos, nitidamente.

Será que os sócios vão cair na asneira de reeleger outra vez Pinto da Costa, quando ele já bateu no fundo? Por favor, não façam isso ao FCPorto!

O nosso clube não o merece.   Precisamos de renovação, de gente nova. Temos de arriscar, mas com Pinto da Costa não. Esse é o risco maior.

28 maio, 2020

Factos e farsas

Cristina Azevedo - Bússola
Cristina Azevedo
"O Norte, a região de menor rendimento por habitante do país, foi a que mais contribuiu para o aumento da produtividade do trabalho em Portugal entre 2000 e 2017. Circunstância única na União Europeia (UE), onde as regiões mais desenvolvidas dos diferentes estados-membros (regiões-fronteira), maioritariamente as das suas capitais, foram as grandes impulsionadoras desse crescimento".

(...) "A debilidade do ritmo de crescimento da produtividade do trabalho foi especialmente notória e grave no caso da Área Metropolitana de Lisboa. O NORTE ESTRUTURA dá nota que, em termos comparativos, a evolução na Região Norte foi bastante mais favorável, tendo registado um crescimento acumulado de 20,0%". (......) in NORTE ESTRUTURA (CCDR-N, 25.05.2020)

Um dia depois a TAP informa que vai retomar a sua operação em junho e julho com apenas três voos a partir do Porto. Ao mesmo tempo espera uma injeção de capital de cerca de 1000 milhões de euros a voar do bolso de todos os contribuintes nacionais.

É certo que este anúncio se refere apenas aos meses de junho e julho e que uma linha perdida no comunicado afirma que o plano se alterará logo que as condições o justifiquem.

Mas é um sinal muito preocupante de uma postura reativa, estreita e, sobretudo, eternamente predadora de fundos públicos sem garantia de contrapartidas.

Por isso reagiram de imediato os autarcas do Norte, indisponíveis para aceitarem a cegueira estratégica e a espoliação despudorada.

Rui Moreira foi particularmente assertivo ao dar profundidade histórica a um comportamento que nunca deixou de ser "colonial" e oportunista, arrojado ao sugerir a incorporação da TAP na Carris se for para servir só os interesses de Lisboa, abrangente ao colocar o desequilíbrio num plano nacional (também perdem o Algarve, o Centro e as RA da Madeira e dos Açores) e racional ao impor um distanciamento obrigatório das decisões de figurinos ideológicos.

Veremos (escrevo logo a seguir à reação dos autarcas do Norte) se o Governo reage apostando em factos ou na farsa da inevitabilidade de uma bandeira que só se desfralda por alguns.

Cristina Azevedo
Analista financeira

Nota de RoP:

A postura da TAP com o aeroporto de Pedras Rubras, e o Norte, já vem sendo um hábito, mas os exemplos que o governo tem dado em matéria de rigor e de cumprimento da lei, é uma vergonha. 

Se permitiu que o próprio sistema judicial fosse invadido pela corrupção, tornando-o numa espécie de Estado dentro de outros Estados, não me surpreende nada o que está a acontecer com a TAP. Os administrados privados lá concluiram: se os "outros" fazem o que querem e andam a provocar e discriminar a gente do Norte, por que não tentarmos fazer o mesmo? 

Se a TAP não tem dinheiro, não pode ter vícios. Ora, é precisamente de vícios que a TAP mais se tem alimentado, que é viver do dinheiro dos contribuintes.