05 dezembro, 2016

CENTRO HISTÓRICO DO PORTO É PATRIMÓNIO MUNDIAL HÁ 20 ANOS


Tenho um hábito comigo, que não sei explicar muito bem, que é desconfiar do lançamento de foguetes, antes de saber onde é a festa. Só sei, é que, ao contrário do que acontece com a sorte, pressinto os inconvenientes das euforias mediáticas quando não as vejo sustentadas em fundamentos sólidos, e nestes casos, acerto quase sempre.

Ninguém, mais do que eu, portuense, portista, bairrista (e cosmopolita), se empolga quando lê e ouve, coisas elogiosas sobre o Porto e a região. Agora, esta história de se andar a dizer que "o Porto está na moda", pode, ao primeiro impacto, parecer  uma coisa boa, mas não deixa de me soar estranho comentar a nossa cidade como se tratasse de uma casa de alta costura. As modas são isso mesmo, modas apenas. Renovam-se continuamente para promover o consumo, nada mais. 

Uma cidade, não pode traduzir-se nestes termos, porque o Porto é sobretudo a sua gente. E porque não quero que o Porto seja apenas um capricho de momentos, sujeito a ocasionais ditaduras inspiradas em modas, preferia um slogan mais apropriado e intemporal. O Porto é eterno, não anda ao gosto de quem quer. Em vez de se dizer que o Porto está na moda, devía optar-se por clamar que "o mundo despertou para o Porto", porque a cidade está no mesmo sítio onde sempre esteve. Se esteve fechada tanto tempo foi porque não nos deixaram ir mais além (o centralismo dos governantes).

Pragmaticamente, o Porto modernizou-se (há que reconhecê-lo), sobretudo nestes três anos de mandato de Rui Moreira. A reabilitação urbana avança, o centro histórico regenerou-se a olhos vistos, a actividade cultural saiu da mediocridade inspirada no La Féria (de Rui Rio) para patamares de excelência, e a baixa nunca esteve tão pujante de povo de todo o mundo. Para além de isto, houve dois factores fundamentais responsáveis pela ideia parva de relacionar a moda com o Porto, como seja a modernização do Aeroporto Sá Carneiro (com os vôos low cost), complementada com a implantação do Metro. Estas duas obras, foram as principais dinamizadoras responsáveis pela "descoberta" da cidade para o Mundo. Tudo o resto já cá estava, não fossem as políticas mesquinhas centralistas e o Porto hoje estaria ainda melhor. 

De resto, as minhas únicas inquietações nesta matéria, prendem-se com o fundamental: a população. Urge incentivar o regresso dos portuenses ao centro da cidade, criando fórmulas acessíveis à habitação. O Porto tem de ser uma cidade multi-classista, com gente de diferente matiz. Esta onda algo obssessiva de impulsionar o turismo está a inflaccionar o valor das rendas e a obstar o repovoamento da cidade. É um problema que deve merecer a atenção de Rui Moreira, de modo a evitar que o desenvolvimento do Porto aconteça da pior maneira engendrando uma cidade comercial sem gente para a consumir. Os turistas, vão e nem sempre regressam. Os habitantes são potenciais clientes, não vitalícios, mas para a vida.

PS-Não liguem a este meu estilo de falar frequentemente na primeira pessoa, porque tenho sempre de admitir que nem todos concordem comigo, apesar de sermos todos portuenses. 




02 dezembro, 2016

As frases ôcas de Pinto da Costa são a sua nova imagem de marca

"No último jogo, eles deram um exemplo fantástico do que é o amor ao clube. Quem gosta do FCPorto, tem de apoiar, mas nós sabemos que nem toda a gente que vai ao estádio do Dragão é do FCPorto. É por isso que se ouvem assobios ao primeiro passe errado, mas os SuperDragões abafam-nos imediatamente com o seu apoio".

Foram estas, entre outras, as palavras que Pinto da Costa usou na festa dos 30 anos da claque SuperDragões. Palavras merecidas, porque é um facto que os SD têm sido inexcedíveis no apoio ao clube, deslocando-se incansavelmente para todo o lado, dentro e fora do país, para darem força e moral às equipas do FCPorto. Contra isso, nada, tudo a favor. Só que, o senhor presidente do FCPorto, ultimamente, fala muito do que lhe convém, e pouco, ou nada, do que interessa a todos os portistas, incluindo os SuperDragões. 

Por exemplo, devia explicar-lhes seriamente o que se passou durante estes últimos 3 anos para que a equipa principal não tenha produzido o rendimento a que estávamos habituados, quer em termos qualitativos, quer classificativos. Todos nós sabemos que não se pode vencer sempre, porque os nossos rivais directos têm as mesmas pretensões. Mas, três anos sem ganhar um campeonato, com grandes probabilidades de chegar ao quarto, já justificariam uma outra postura no relacionamento com os adeptos que não o silêncio, a indiferença, ou processos de mudança pouco convincentes. E quando falo em adeptos, falo dos sócios, dos não sócios, dos superdragões, dos colectivo-ultras 95, enfim, de todos os que amam efectivamente o FCPorto.  

Um clube com a dimensão do FCPorto alberga todo o tipo de simpatizantes, não sendo portanto de estranhar que alguns tragam consigo as limitações intelectuais que a natureza lhes deu. Estão neste grupo, os assobiatores de combustão acelerada que, antes mesmo dos jogos começarem já estão a afinar a melodia. A mim, também me irritam, mas dizer que eles não são do FCPorto, é deitar areia para os olhos dos portistas, é dividí-los. É o mesmo que insinuar que só pode haver um modo de amar as coisas, mesmo que essa "coisa" se chame FCPorto.  

Também eu posso estranhar o modo como o senhor Pinto da Costa assume os seus compromissos amorosos, mas isso não me dá o direito de afirmar que não os leva a sério. Cada um tem a sua maneira própria de viver e manifestar afectos, ninguém tem o direito de se achar melhor que os outros. E a ser verdade o que disse, que os assobiadores não são portistas, que o prove, e os afaste do Dragão, pois nós não queremos ter inimigos dentro de casa.

É que, às tantas, esses assobiadores podem ser sócios pagantes. E das duas, uma: ou decidem identificá-los, e os aconselham a alterar o comportamento, caso sejam mesmo portistas (P. da Costa disse que sabia que não eram), ou se não forem, expulsam-nos e abdicam das cotas que indevidamente receberam de sócios que sabiam ser falsos portistas.

Não podemos é andar a fazer estas tristes figuras, de falar só para não estar calado. Não é assim que se unem os portistas, não é assim que se apoia o clube. E já agora senhor Presidente, porque anda tão calado com a roubalheira de que o FCPorto tem sido vítima? Terá voz para responder a isto?

PS-Pensando melhor, acho que estou a perder o meu tempo. O senhor presidente disse que não lia blogues (tal como o Julio Magalhães do Porto Canal), mas a verdade é que alguém o(s) anda a influenciar... Agora (talvez já seja tarde), começam a fazer debates no Porto Canal sobre as arbitragens. 

Se não somos nós a influenciá-los, quem será? Os jornais?! As redes sociais? Humm, não sei como.

30 novembro, 2016

Centro Hospitalar do Porto é o melhor do país



O Centro Hospitalar do Porto voltou a ser distinguido como o melhor hospital entre os maiores do país.


O Centro Hospitalar Póvoa de Varzim / Vila do Conde, os hospitais de Cascais e de Braga e a Unidade Local de Saúde de Matosinhos completam o "TOP 5" dos melhores hospitais do Serviço Nacional de Saúde.

Os prémios do "Top 5'16 - A Excelência dos Hospitais" atribuídos pela multinacional IASIST foram entregues, ao final da manhã desta terça-feira, em Lisboa, na presença do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo.

À exceção do Hospital de Cascais, todos os outros vencedores são da região de saúde do Norte.
O Centro Hospitalar do Porto - do qual faz parte o Hospital de Santo António, o Centro Materno - Infantil do Norte e o Joaquim Urbano - e o Hospital de Braga, gerido em parceria público-privada pela José de Mello Saúde, consolidam o reconhecimento, repetindo o primeiro lugar dos respetivos grupos.
Na avaliação da IASIST, empresa que se dedica à realização de estudos de benchmarking na área da Saúde, os hospitais são divididos em cinco grupos, definidos segundo critérios da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), e comparados com outros de mesma dimensão e nível de diferenciação.

Em cada grupo são nomeados três finalistas, entre os quais é escolhido o vencedor.
O estudo avalia o desempenho dos hospitais em 2015, analisando indicadores de qualidade assistencial (índices de mortalidade, de complicações, de readmissões e de cesarianas) e indicadores de eficiência (índices de demora média, de cirurgia ambulatória, número de doentes por médico e por enfermeiro e custos operacionais por doente padrão).

No grupo das maiores e mais diferenciadas unidades do país, o Centro Hospitalar do Porto bateu-se na final frente ao Centro Hospitalar de São João e ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.
O Hospital de Braga voltou a destacar-se diante dos finalistas Centro Hospitalar Tondela - Viseu e Hospital Espírito Santo, em Évora.

A Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos destronou a ULS do Alto Minho, que tinha ficado em primeiro lugar no ano passado e este ano estava novamente nomeada para a final. Neste grupo das Unidades Locais de Saúde estava também nomeada a ULS do Nordeste.

O Centro Hospitalar Póvoa do Varzim / Vila do Conde venceu os finalistas Hospital de Santa Maria Maior, em Barcelos (vencedor 2015) e o Hospital de Vila Franca de Xira.

O Hospital de Cascais conquistou o lugar que no ano passado tinha sido ocupado pelo Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa. Neste grupo tinha sido também nomeado o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures.

Todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde aceitaram participara no estudo "Top 5 - A excelência dos hospitais portugueses".

Apesar de a ACSS definir um grupo dos institutos de oncologia (Porto, Coimbra e Lisboa), o desempenho dos IPO não são analisados neste estudo da IASIST.

Do futebol deprimente para as modalidades brilhantes

Acho que já não vale a pena falar do futebol sénior do FCPorto, tal é a desorientação da equipa e do treinador. De qualquer maneira, é inevitável destacar os pontos mais fracos que o futebol de Nuno Espírito Santo revela. 

Aqui vão:
  • Sector ofensivo do meio campo sem rotinas de movimentos consolidadas nas desmarcações
  • Extremos impreparados para cruzar para a área adversária com regularidade (acontece uma vez por outra). A qualidade dos centros também nem sempre é a melhor.
  • Pouca velocidade nos lances de ataque, inviabilizando os contra-ataques, facilitando assim a vida ao sector defensivo dos adversários
  • Chuta-se muito pouco, fraco, mal, e sem convicção. Tudo indica que há um défice de confiança tremendo nesse aspecto, a baliza torna-se um pesadelo para os avançados. Mesmo com espaço para chutar, preferem endossar a bola a um colega marcado de perto por um defesa.
  • Pressão alta inócua e casual
Exceptuando a decadência da SAD, são estes, quanto a mim, os principais problemas do FCPorto que me parecem caber ao treinador corrigir. Duvido que o NES seja a pessoa certa para dar a volta à situação, mas acho que não devemos esquecer que esta inconsistência de jogo já vem de trás, pelo menos, dos tempos de Paulo Fonseca, Lopetegui e Peseiro, porque na verdade nenhum conseguiu acabar definitivamente com vícios que ainda persistem, entre os quais pontuam os passes para trás e para o lado.  Podemos alegar que nos falta um ponta de lança com créditos firmados, e é verdade, mas a jogar desta maneira decerto não teria muitas chances para marcar golos. Tudo isto resumido, está preparado o caldo ideal para colocar em causa a qualidade de todosos jogadores, incluindo os defesas. O sector recuado tem tido o mérito, mas também a sorte, de não sofrer muitos golos, mas bastaria aos adversários marcar apenas um para ser todo posto em causa.

Ora, aceitando que haverá meia dúzia de jogadores no plantel sem perfil técnico e psicológico para jogar no FCPorto (dos bons tempos), outros há (a maioria) que o têm, por isso daqui concluo que os treinadores de hoje já não perdem muito tempo a preparar e rectificar individualmente os pontos fracos dos atletas, o que leva a admitir estar instalada uma uniformização dos métodos de treino insuficiente para solucionar estes problemas. Estas conclusões podem ser imprecisas, admito, mas sem podermos ver com os nossos próprios olhos como treinam os técnicos, é impossível avaliar melhor.

Para terminar, gostaria apenas de dizer que lamento que o andebol, e o hóquei em patins, não rendam tantos euros como o futebol, porque estaríamos bem de finanças. Ao contrário do que sucede no futebol, tanto o Hóquei como o Andebol do FCPorto possuem excelentes planteis. Dá gosto ver como têm evoluído os jogadores de uma e outra modalidade, e a qualidade de espectáculos que proporcionam aos adeptos. Ambos os treinadores têm-se revelado extraordinários (Ricardo Costa, e Guillem Cabestany). Oxalá não se deixem infectar pelo vírus depressivo instalado no futebol sénior... Seria o caos. Para eles, os meus parabéns e votos de felicidade. Merecem-no. Isto, independentemente do que possa acontecer no futuro, porque não será por falta de qualidade que não serão campeões nacionais e talvez (quem sabe?) mais qualquer coisa...
Plantel de Hóquei em Patins do FCPorto

Plantel de Andebol do FCPorto


  

29 novembro, 2016

NORTE FOI O GRANDE MOTOR DA RECUPERAÇÃO ECONÓMICA DE PORTUGAL


A região Norte foi o “principal motor de crescimento da produtividade” no país durante o período de recuperação económica, concluiu uma análise aos resultados de 10 anos do relatório Norte Conjuntura da CCDR-N.
“Dada a dimensão económica da região do Norte, esta região foi o principal motor de crescimento da produtividade em Portugal”, indica em comunicado a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), responsável pelo relatório trimestral que completa 10 anos, assinalados com um ciclo de conferências que termina esta quarta-feira.
Numa análise aos dados estatísticos, reunidos durante os 10 anos do relatório, “conclui-se que a produtividade aparente do trabalho era na Região do Norte a quarta maior em Portugal em 2015 e cresceu 6,5 por cento entre 2008-2015, acima da média nacional”.
“O setor das indústrias transformadoras destaca-se claramente com um contributo relativo de 7,3 por cento. Sem este contributo, a produtividade total das empresas da região do Norte teria tido um decréscimo em vez dos +6,5 por cento verificados”, indica o relatório.
Já no chamado período de recuperação económica, entre 2012 e 2015, a produtividade na região “cresceu 8,0 por cento, bem acima da média nacional (5,2 por cento) e da NUTS II de Lisboa (1,8 por cento)”, acrescenta a CCDR-N.
Comparando indicadores estatísticos, nos 10 anos em causa o Norte perdeu pouco mais de 1.300 empresas (uma diminuição de 0,3 por cento entre 2008 e 2015), o que compara com as mais de 100 mil (8,3 por cento) que se extinguiram a nível nacional no mesmo período.
Já em termos de pessoal ao serviço, entre 2008 e 2015 o Norte registou uma redução de 80 mil trabalhadores, uma taxa de variação de -6,3 por cento, a menor quando comparada com outras regiões e mesmo a nível nacional.
No período de recuperação económica, a variação acumulada de pessoal ao serviço nas PME foi de 72.524 em Portugal e de 55.891 no Norte, de onde se conclui que “a Região do Norte contribuiu com 77,1 por cento para esse acréscimo nacional”, indica o relatório que junta 10 anos de indicadores económicos.
Em termos setoriais, os setores de atividade que mais contribuíram para a redução do pessoal ao serviço no Norte entre 2008 e 2015 foram o da Construção (-5,4 por cento), o das Indústrias Transformadoras (-3,0 por cento) e do comércio.
Quanto a gastos com pessoal por pessoa empregada (que inclui remunerações, contribuições para a segurança social, fundo de pensões, entre outros) os verificados na região do Norte só foram superados pela região de Lisboa em 2015.
Já numa análise a 10 anos, entre 2008-2015, estes gastos cresceram 8,4 por cento no Norte, contra 6,2 por cento em Portugal.
Em matéria de exportações, conclui a CCDR-N que “as empresas nortenhas demonstraram que foram capazes de reagir rapidamente à diminuição de atividade sentida em 2009, como consequência da crise internacional”.
“Logo em 2010, as empresas do Norte voltaram a exportar mercadorias num valor relativamente próximo do de 2008 e em 2011 voltaram a ter um crescimento muito acentuado”, destaca.
Estes e outros indicadores relativos à “resiliência e à capacidade exportadora” que as empresas do Norte de Portugal demonstraram nos últimos 10 anos de Norte Conjuntura serão apresentados pela CCDR-N esta quarta-feira, pelas 15h, no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, em Matosinhos.

28 novembro, 2016

O Porto votou SIM à Regionalização no referendo de 1998



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As 5 regiões teriam simplificado as coisas
Há um livro, chamado Constituição da República Portuguesa, ao abrigo do qual, todos os governantes e presidentes da República, nos respectivos actos de posse, prestam juramento de defender, cumprir e fazer cumprir, o que lá vem exarado.

A Constituição de 1976 foi lavrada dois anos após o 25 de Abril, data que  marca oficialmente a época da democracia em Portugal, vindo substituir a Constituição do Estado Novo de 1933. Quarenta e três anos de ditadura depois, parecem não ter sido suficientes para que os redactores da constituição democrática de 1976, tivessem plena consciência da importância de lá inserirem o Artº. 256º, do Capítulo IV, com estes três simples pontos:
  1. As regiões administrativas serão instituídas simultaneamente, podendo o estatuto regional estabelecer diferenciações quanto ao regime aplicável a cada uma.
  2. A área das regiões deverá corresponder às regiões plano.
  3. A instituição concreta de cada região dependerá do voto favorável da maioria das Assembleias municipais que representem a maior parte da população da área regional.
Como disse anteriormente, 43 anos de centralismo salazarista, com tudo o que isso teve de retrógrado, não bastaram para tirar as dúvidas aos políticos "democráticos" do pós Abril de 1974, com uma proposta referendária à regionalização (em 1998) desde logo envenenada, não fosse o próprio texto um convite ao fracasso. A saber:
  • «Concorda com a instituição em concreto das regiões administrativas ?»
  • «Concorda com a instituição em concreto da região administrativa da sua área de recenseamento eleitoral ?» (pergunta apenas colocada aos cidadãos recenseados em Portugal Continental)
Num país onde, apesar do referendo, se continua a não querer esclarecer a população sobre as vantagens da regionalização, dando como exemplo a maioria dos países evoluídos da Europa, tal reforma só terá sucesso se forem os próprios cidadãos a exigirem-na, em vez de a questionarem. Mas para isso, têm de se interessar pela causa, não podem ver no futebol a solução para os problemas políticos e sociais. Porque, está visto e provado que os políticos de todos os partidos não querem a regionalização, dado que isso ia obrigá-los a governar melhor, a terem de apresentar serviço junto dos eleitores, enquanto assim, como as coisas estão, sempre podem governar-se dentro dos partidos, movendo influências aqui e ali, pulando da política para os Bancos, ou grandes empresas, dos ministérios para a UE  (sempre apunhalando o povo), até à cadeira de sonho da Goldman Shachs (só um pequeno e vergonhoso exemplo)... 

É no entanto falso que os portuenses tenham votado NÂO no referendo à regionalização. O SIM, venceu no Porto, em Matosinhos e Gondomar. Obtiveram muito bons resultados Gaia, Maia e Valongo (e Vila do Conde). O NÂO prevaleceu no distrito de Braga e na Beira Litoral. As regiões de Trás-os-Montes e Alto Douro e Beira Interior conseguiram melhores resultados que  Entre Douro e Minho e Beira Litoral. No Algarve, houve um empate entre o SIM e o NÂO, e só o Alentejo respondeu SIM às 2 perguntas, bem como no distrito de Setúbal partilhado com Lisboa e Alentejo.

Portanto, sem negar a incompreensível indiferença dos nortenhos em geral por estas importantes causas (sobretudo entre Douro e Minho, com Braga à cabeça), mesmo assim houve muita gente a votar SIM. Não foi suficiente para ganhar, mas a pergunta devia ter sido mais simples e com mapas mais englobantes (5 regiões). Depois, houve a abstenção... Como devem intuir a essas eleições não me furtei, compareci, e comparecerei sempre que fôr preciso. Mesmo assim, ainda alimento a esperança que a pouca vergonha das arbitragens contra o FCPorto, bem como a despudorada e prostuída comunicação social "nacionalista", tenham aberto os olhos aos eleitores portistas e respectivas famílias por forma a que, se houver novo referendo (o que duvido), dessa vez, votem em massa no SIM.

Independentemente destas malabarices constitucionalistas, de consultas referendárias oportunistas, a Constituição permite revisões pontuais aos seus articulados, mas sempre no sentido evolutivo, não o contrário. O referendo, foi para mim, o maior atestado de desonestidade que a classe política passou a si mesma. Depois, os Dias Loureiros, os Relvas, os Sócrates, os Coelhos, os Duartes Limas, os Barrosos desta vida, estão aí para confirmar a tendência para a traição (e não só...).

Obs,- Depois da Constituição de 1976, fizeram-se 7 revisões (1988/1989/1992/1997/2001/2004 e 2005) 

26 novembro, 2016

FCPorto, pequenino, pequenino

Neste momento, só me apetecia dizer uma coisa, que era perguntar ao senhor Pinto da Costa se não se importaria que eu aproveitasse a expressão usada por ele próprio há dias , quando disse que os árbitros só iam marcar penalties a favor do FCPorto quando os adversários partissem uma perna a um dos nossos jogadores,  na versão adepto/presidente. 

Por outras palavras, se ele estará há espera que o FCPorto fique outra vez arrumado de todas as competiçoes - que para mim é tão grave, como partir uma perna - para admitir que está a mais no FCPorto e apenas a contribuir para nos deixar profundamente decepcionadas com a triste figura que anda a fazer, e sobretudo pelo mal terrivel que nos está a causar.

Sobre a exibição da equipa, foi um nojo. Não houve equipa, nem treinador. Não digo mais, nem é preciso.

Sem líder, não há FCPorto, não vale a pena alimentar ilusões, eu nunca as alimentei.

25 novembro, 2016

Os blogues fazem pouco, mas fazem alguma coisa

Desporto
Serve mesmo o FCPorto? Ou estará a servir alguns?


Já devem ter reparado que ninguém fala da regionalização. Na blogosfera azul e branca, mais que não seja, por causa das patifarias contra o FCPorto, já há quem comece a perceber os danos do centralismo, embora persistam dúvidas que tal seja bastante para mobilizar a maioria dos portistas na causa da regionalização. Ainda assim, seria importante começarmos a ligar as pontas do mesmo cordel, porque não é só no futebol que as marcas centralistas se fazem notar, é nos media audio-visuais, na imprensa, na rádio, nos salários, na distribuição de fundos, nos transportes, enfim, em praticamente tudo.


Há motivos de sobra para andarmos todos ansiosos e até zangados com o país. Não é incomum lermos aqui, no Renovar o Porto, alguns comentários reveladores de um certo desespero, chegando a ponto de nos responzabilizarem por darmos as nossas sugestões ou tecermos as nossas críticas, sem irmos mais além. O desalento compreende-se, mas seria bom que quem quer ir mais além (e eu sou dos que gostava de ir), não se limite a exigir, mas que proponha e se disponibilize a cooperar com ideias acompanhadas de acções.

Por vezes esquecem-se que elaborar um blogue, alimentá-lo diariamente com temas de interesse público, dá algum trabalho, que nem sequer é remunerado, mas é sempre alguma coisa. Os jornais, estão praticamente todos centralizados, generalistas e desportivos, e os que lá trabalham nem sempre fazem serviço público, sendo no entanto pagos. O que nos resta, senão os blogues?

Como há sempre quem nunca esteja bem com o que lhe é oferecido, sem levar em conta que o fazemos de borla, torna-se muito cansativo estarmos sempre a explicar que, estando cientes do nosso parco mediatismo, ousamos mesmo assim lutar contra máquinas incomparavelmente mais poderosas que para nosso mal, estão todas sintonizadas  na mesma onda centralisma. Até o JN,  com a ajuda do novo corpo administrativo (Proença de Carvalho & Ca.), está sorrateiramente a exaurir o pouco cariz portuense que ainda tinha para nos encher os olhos de Lisboa. Uma "lógica" editorial que não tem "naturalmente"  o mesmo tratamento nos jornais de Lisboa, em relação ao Porto, claro, é tudo simples, até usurpar o que não lhes pertence. 

O que terão a dizer os meus amigos portistas (todos, super-dragões incluídos), quando o nosso FCPorto, proprietário-mor do Porto Canal, alvo de caça permanente do centralismo, se recusa a tirar partido dessa máquina poderosa que é a televisão, para difundir nacionalmente a causa regionalista com debates, e informação pedagógica sobre o tema?

Onde estará a coerência das nossas queixas, quando o Presidente do FCPorto critica o centralismo, e depois, tendo nas mãos um canal de televisão, não só não o usa para nos defender, como além disso acabou com o único que existia (Pólo Norte, com David Pontes)?  Quem estará a manietar-nos a Liberdade? Que interesses?  Não é com comentadores tímidos e receosos que defendemos o clube, é com a denúncia frontal, com factos facilmente prováveis e nos lugares próprios, que lá chegamos. Antigamente, até podíamos compreender, e no entanto o Presidente lutava, ia à RTP, mas eramos silenciados pela censura manipuladora centralista, agora já não faz sentido, temos um canal. Não o usar, é puro acto de cobardia e humilhação para o Porto.

E poupem-me com proteccionismos ao presidente, como se ele fosse uma criança, porque se porventura estiver condicionado por qualquer razão, não pode nem deve condiconar o clube. Se ele decidiu parar, não pode nem deve parar o clube. Deve sim, renunciar ao cargo e anunciar novas eleições.  Só fará sentido o FCPorto ser dono de um canal, se fôr para tornar o clube mais forte, ou no mínimo dos mínimos, para o defender, nunca para se tornar num palco de cobardia e rendição humilhante.


PS-Nem a victória no Campeonato me fará mudar de opinião. Pinto da Costa já só vê no FCPorto uma almofada de conforto para a uma reforma passiva.


23 novembro, 2016

O lado externo dos problemas do FCPorto

Ultimamente não tenho escrito outra coisa que não seja falar do FCPorto. O Renovar o Porto não é propriamente um blogue clubista-desportivo, mas o seu cunho generalista e a situação actual do clube desculpam o exagero.

O actual momento (já longo) depressivo  do nosso clube, a par de uma governação política do país mais moderada que a de Passos Coelho - que praticamente só soube obedecer às ordens da troika e da União Europeia - são talvez as causas mais prováveis para o enfoque no FCPorto. Não quero com isto dizer que António Costa seja fantástico, não, porque as vicissitudes do centralismo ainda estão pervertidas de vícios, mas pelo menos respira-se um pouco melhor. Resta-lhe, começar a olhar para o mundo do futebol com os mesmos olhos. Mas vamos por partes.

Tive o cuidado de separar as águas entre aos problemas exclusivos ao FCPorto e aqueles de responsabilidade única da Federação Portuguesa de Futebol, especificamente o Conselho de Arbitragem (órgão que lhe está adstrito), a fim de evitar interpretações erradas. Sobre o tema concreto do FCPorto, conhecem de sobra o que penso. Quanto ao Conselho de Arbitragem propriamente dito, só posso pensar o pior. E aqui, entra inevitavelmente a figura do ex-dirigente do FCPorto, Fernando Gomes, actual presidente da FPF que também deve ser responsabilizado pela pouca vergonha das arbitragens com o nosso clube, embora o dito Conselho tenha os seus responsáveis próprios, como o seu presidente José Fontela Gomes.
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Fontela Gomes
Pres. do Conselho de Arbitragem da FPF

Estou repugnado, e já farto, com a argumentação falaciosa que os media do regime lançam na opinião pública a despeito dos erros humanos dos árbitros. Primeiro, porque não têm mostrado categoria moral, nem intelectual, para o fazerem, senão não eram falaciosos, e depois, porque os erros humanos, para serem humanos, não devem ser ajuizados pelos próprios, nem por tablóides ou tvs suspeitas, mas sim por estruturas independentes acima de qualquer suspeita. E, não é isso que deixam transparecer. Os 12 penalties não marcados (e não só) a favor do FCPorto não são demagogia, são factos e factos sérios, não perniciosos como são as decisões destes árbitros. Ainda ontem, no jogo da Dinamarca, lances houve que se fossem avaliados por árbitros portugueses, (mesmo os ditos melhores) não teriam sancionado a equipa adversária. E o que vimos, foi um árbitro isento, sério, que apitava quando devia, sem discriminar nenhuma das equipas, ou seja, um ser humano com consciência da sua responsabilidade, uma pessoa efectivamente HONRADA que tendo noção  dos seus limites, sabia que o seu papel ali era errar o menos possível, o que, louve-se, conseguiu. Não precisamos que nos digam que lá fora também há maus árbitros, que erram, etc., o que queremos é que os piores sejam devida e imparcialmente penalizados quando erram tendencialmente para o mesmo lado, e a avaliação desses factos não pode nunca ser sectária, e em Portugal, contra o FCPorto, é-o, de forma aviltante.

Sendo relativamente simples acumular provas destas ocorrências manifestamente tendenciosas, com registo  de calendarização e horário, assim como compará-las com as arbitragens dos adversários directos, porque não recorre o FCPorto a essas ferramentas tecnológicas para sentar na cadeira dos tribunais os responsáveis por tantos prejuízos, dado que a justiça desportiva portuguesa perdeu toda a credibilidade?

Bernardino Barros, é dos poucos que vai defendendo o clube, sem floreados, e num canal lisboeta... Mas não chega. No Porto Canal, os comentadores continuam muito cautelosos nas críticas, como quem teme ser processado por qualquer palavra mais dura. Cândido Costa é o mais "maricas" de todos, porque fala muito de portismo, mas não resiste a  passar a mão pelo pêlo aos infractores antes de os censurar. Por que raio mostram tanto medo pelos censores da arbitragem quando esses censores não mostram nível para ajuizar e muito menos processar? A classe respeita-se, o poder absoluto combate-se. Será que os nossos argumentos de queixa são só válidos porque são nossos, ou valem porque os consideramos mesmo justos?  Se a resposta é, como penso, porque achamos justas as nossas reclamações, porque renunciamos aos órgãos da Justiça, onde quer que ela esteja? Em que ficamos?

A continuar nesta onda de medos e apatia, o que estamos a dizer aos nossos inimigos e a nós próprios (esqueçamos a politicamente correcta palavra adversários, porque eles portam-se como inimigos) , é que nos rendemos ao totalitarismo, tal como o "nosso" presidente.

Já agora, faço daqui um apelo aos Super Dragões, que tanto apoio têm dado às nossas equipas por esse mundo fora, não apenas no futebol, como nas modalidades, que reflictam seriamente no que se está a passar e se estão disponíveis para ajudar o FCPorto, em conjunto com os adeptos, para "pelejas" importantes, como por exemplo, combater o centralismo, e usar a sua influência junto do presidente, mesmo que seja para o criticar. Assim, seremos Porto. Separados, seremos frágeis e um foco de desestabilização a explorar pelos inimigos.

Para terminar, para aqueles que circunstancialmente achem imprestável o que aqui proponho, só peço uma coisa: sugiram ideias mais pragmáticas. Mas, por favor, expliquem por onde havemos de começar, e com quem.   

22 novembro, 2016

Para a Champions, outra vez um deserto atacante

Não sei, não faço a menor ideia do que anda a fazer Nuno E. Santo para ensinar os jogadores a chutar à baliza, em vez de se atrapalharem uns aos outros. Mais uma vez, houve muita vontade, posse de bola, algum domínio na segunda parte, mas uma produção absolutamente nula. 

Nuno, disse que sabia(m) o que devia corrigir, já o disse outras vezes, mas não corrigiu o que falta: boas desmarcações e golos, as tais chatices de que falei no post anterior.

Assim, não há defesa que resista.

Melhores em campo:

Toda a defesa + Danilo e Oliver


Youth League, o mal de sempre, perder, depois de estar a ganhar

Copenhaga 3 - FCPorto 1


Acabei de ver o jogo entre o Copenhaga e o FCPorto, para a Youth League, Está o tornar-se dramática a tendência para desperdiçarmos um golo de vantagem.

Só isto, justificava que os nossos treinadores "martelassem" a cabeça dos jogadores o tempo que fosse preciso para os mentalizar para marcarem logo o 2º. golo como se ainda estivessem empatados a zero. Só o saudoso Boby Robson tinha talento para tanto, e contudo parece um hábito tão simples de entender (o Folha que o diga).

Quando comecei a ver o jogo, já o FCPorto ganhava por 1-0. Seria injusto não reconhecer que os pupilos de António Folha não se esforçaram, porque até gizaram lances de excelente futebol, com passes assertivos, boas triangulações e muita vontade de ganhar (prova que a garra não resolve tudo). Só que, do outro lado, estava uma equipa tipicamente nórdica, fisicamente possante, tecnicamente evoluída, e sobretudo, muito pragmática (qualidade muito nórdica também), que logo nos primeiros minutos do 2º tempo, com trocas de bola muito rápidas e directas marcaram o golo do empate e poucos minutos depois o 2-1, para quase na parte final do jogo concluirem com o terceiro. Três a um, foi um resultado aparentemente injusto para um FCPorto recheado de jovens  jogadores muito bons, mas que (infelizmente para eles) são treinados num país onde se contiua a trabalhar pessimamente o remate à baliza, os processos mais simples para os transformar em golos. Quem dúvidar, sugiro que accione (se puder) a repetição deste jogo e cedo perceberá o que acabo de dizer. Observe-se o  modo sóbrio, mas rápido,  e objectivo, como os dinamarqueses se mexeram para chegarem ao golo. Eles desde sempre assimilaram que é com golos que se ganham jogos, e que no futebol moderno não há tempo para  ajeitar a bola, e que é preciso atacá-la antes do adversário para chutar ou cabeçear de primeira. Nós por cá, parece que achamos isso uma inutilidade,  algo transcendental, reservado aos super-homens, a bola tem de ser primeiro condimentada com o toquezinho da ordem até ficarmos sem ela. Andamos há anos nisto, não evoluímos nada nesse aspecto. Cá para mim, que não vou em patriotices made in Lisbon, prefiro os golos fantásticos do Gareth Bale, aos do 'nosso' Cristiano Ronaldo, mas pronto, pode ser uma questão de gosto. A verdade é que os golos de Bale são tecnicamente mais espectaculares, talvez porque ousa chutar sem preparação.

Só espero, é que o NES tenha visto este jogo e se prepare para evitar cair no mesmo erro que caiu, quando jogou contra o clube dos vouchers, e não se lembre de recuar a equipa quando marcarmos o primeiro golo.

Para bom entendedor...

20 novembro, 2016

Os adeptos do nim

Agora com mais tempo, volto ao assunto do post anterior. Aceitando naturalmente as diferentes opiniões, é inverosímel que, seja que portista fôr, não queira o melhor para o seu clube. Qualquer que saia deste perfil, só pode ser louco, ou... inimigo do FCPorto.

Certo é, que o temperamento e a inteligência, por não poderem ser naturalmente iguais, nem sempre são passíveis de gerar laços unanimes no modo de amar o clube, mas podia (e devia) muito bem conciliá-los.  Será assim tão difícil unirmo-nos pelo elo mais forte, que é o nosso portismo? Que interesse tem para um portista de gema medir o seu portismo com o de outros portistas, perder tempo com futilidades, se a nossa força e o nosso emblema comuns, só podem crescer unidos?  Então, tenhamos juizinho e aceitemos as ideias daqueles que, pensando sempre no melhor para o FCPorto, não se recusam a olhar para a realidade, e se dispõem a mudar quando percebem que esse momento chegou.

O que se está a passar no FCPorto não é muito diferente do que se passa na política, mas não devia ser assim. Primeiro, porque o amor a um clube é eterno, é uma emoção de paixão vitalícia, enquanto que a opção por votar no partido A, ou B - partidarites e interesses (inconfessáveis) à parte -, é uma decisão cívica, racional,  frequentemente variável. Em ambos os casos, há contudo uma coisa que não devemos nunca evitar de fazer, que é procurar fazer  sempre a melhor escolha, e no momento certo. 

Respeito - sem me atrever a discutir o portismo de cada um -, diferentes formas de avaliar a situação actual do FCPorto, mas já tenho alguma dificuldade em compreender a coerência daqueles que, admitindo os erros do presidente Pinto da Costa, ora se queixam dele, ora dos árbitros, ora se viram contra o treinador e jogadores, como se fossem departamentos com tutelas diferentes. Em termos institucionais, até é verdade, os problemas do clube pertencem ao clube, os da arbitragem são da responsabilidade da Federação Portuguesa de Futebol.  

Objectivamente, quando o organismo federativo (Comissão de Arbitragem da FPF) cumpre mal a sua função, ou não a cumpre de todo como é o caso, com benefício directo para uns clubes, e prejuízo para outros, cabe ao responsável máximo de cada clube zelar pela verdade desportiva (mas, onde é que já ouvi isto?), exigindo tratamento igual e a reposição atempada da normalidade. Ora, é aqui que esbarra a minha incompreensão com aqueles que insistem em criticar o treinador e os jogadores passando sempre por cima do presidente, com argumentos passadistas discutíveis (do género: antigamente também eramos prejudicados pelos árbitros e ganhávamos), parecendo querer poupar o principal responsável que é o presidente, como se não fosse ele o decisor-mor da escolha de treinadores e jogadores!

Há aqui um visível proteccionismo que já não faz sentido e que pode ter um efeito pernicioso no futuro próximo do nosso clube. Como é que se podem comparar coisas diferentes, em tempos e com líderes diferentes? Será que o Pinto da Costa dos bons velhos tempos de que todos nós gostávamos, tinha a mesma postura mansa e permissiva do Pinto da Costa de agora? Além disso, que obrigação imoral (diria mesmo, masoquista), tem o nosso clube de ter as suas equipas a lutar contra mais do que uma equipa (como mandam as regras), sejam as equipas intrusas os árbitros, ou a comunicação social?

Que raio de amor ao clube é esse que exige dos nossos atletas aquilo que o próprio presidente agora é incapaz de exemplificar para os motivar?  Desculpem lá, mas não alcanço a dimensão desse portismo servil, embora queira acreditar na sua boa fé. É que sem darem por ela, estão a dizer, que os nossos jogadores se tornem super-homens, que corram mais, que joguem mais, que dêem show de bola, que ganhem mais vezes que os seus adversários, com "armas" diferentes. Isso era antigamente. Hoje, os jogadores estão de passagem (mesmo os portistas) para quem lhes pague mais. O mercado ultrapassou o amor clubista. Mas, se quiserem insistir na demagogia, é convôsco. Só que depois não têm autoridade intelectual para culparem o treinador de gerir mal o plantel, nomeadamente no que concerne as performances físicas e psicológicas... 

A mim, não me diz nada a apreciação do portismo pelo tempo de cartão de sócio, ou até mesmo por ser sócio, ou não ser. Essas são opções muito pessoais que não desprestigiam nem dignificam ninguém. Aliás, não é por serem sócios que os sócios (passe a redundância) têm sido mais considerados que os simples adeptos. Explicações, nikles! E não me venham com as histórias bipolarizadas dos adeptos de victórias (os maus) e os das derrotas, como se fosse possível extravazar daí um certificado de pureza clubista.

Deixemo-nos de tretas e decidam-se, se puderem, a atacar já o mal pela raíz, antes que o FCPorto se torne num segundo Boavista, teso e quase esquecido. Promovam eleições calmamente, mas quanto antes. Avalizem muito bem a idoneidade dos putativos candidatos à cadeira de sonho (que hão-de aparecer), e votem.

Diz o ditado: o tempo, é composto de mudança.


FC Porto arrasa arbitragem: "É urgente acabar com esta pouca vergonha"

Nota de RoP:

Este título, mais do que sensacionalista, é um atentado à inteligência dos leitores de O JOGO. O FCPorto arrasa o quê, e quem, objectivamente? 

Infelizmente, agora não arrasa coisa nenhuma, limita-se a gemer como os cordeiros, retroactivamente...



Falar por falar

O Jogo


Mas será que os neurónios de Pinto da Costa só transmitem mensagens óbvias e sempre tardias? Mas quem quererá ele enganar com esta conversa de conveniência? Julgará ele que os adeptos são todos um bando de néscios incapazes de discernir oportunidade de oportunismo? Cada vez que decide falar, a mim, só me provoca repulsa. Onde é que ele guardou a coragem? No estádio dos túneis, ou já terá feito as pazes com o traficante de droga? Já que decidiu calar-se, então não abra mais a boca se é só para lançar areia para os olhos dos portistas.

Porque não protesta? Porque não recorre à UEFA? Porque não usa o Porto Canal para defender o clube, seu proprietário?  Porque não promove um boicote? Enfim, porque não luta a sério como tão bem fazia no passado? Assim, não é nada, sobretudo quando os serviçais do clube do regime já fizeram o trabalho de casa (as tais coisas pelo outro lado  do Orelhas).CHEGA de conversa mole!

Obs.- Por favor, não é o momento para imitarmos as redundâncias de Pinto da Costa. Explico-me. Dizer que o problema do FCPorto não se limita aos roubos de igreja das arbitragens, é de persi tão óbvio como as declarações do ex-líder e tem a agravante de branquear o que nos andam a fazer compensando os criminosos. Parem com isso. Tudo começa e acaba no "comandante, das tropas", para o bem, e para o mal.   

19 novembro, 2016

Um problema chamado Pinto da Costa


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Já me faltam as palavras para expressar o que me vai na alma. Se bem se lembram, desde há uns tempos para cá, talvez mais de um ano (o tempo passa tão depressa), que considero Pinto da Costa o principal responsável pelo estado deprimente a que chegou o nosso querido FCPorto. Claro que não é o único, porque ele não está só na SAD, tem outros, que por interesse pessoal, ou por fraqueza, nada têm feito para ajudar o FCPorto a sair desta situação, embora tudo façam para o "ajudar" a ele, que (já) não é a mesma coisa. Sempre foi este o meu critério de avaliação da responsabilidade, do mérito, e do demérito, e continuará a ser. Louvei, apoiei, Pinto da Costa, quando o merecia, censuro-o agora pelas mesmíssimas razões. Nada de insólito, portanto.

Falar da arbitragem de ontem de Capela é uma perda de tempo, ainda que me sinta profundamente revoltado com este bandalho. Já sabia que, se outros árbitros mais sofisticados mas não menos desonestos, nos têm prejudicado, não era este - que tráz espelhado nas trombas um anti-portismo sectário - que ia fazer melhor. Pelo contrário, fez, como sempre, pior, e não foi apenas por ignorar as grande penalidades, foi por outras "subtilezas" e manhas.

Tem sido recorrente, o uso e abuso dessas habilidades por parte de equipas que defrontam o FCPorto. Uma das mais comuns - que também não têm merecido qualquer reparo por parte dos responsáveis portistas -, é simularem lesões quando percebem que o FCPorto começa a ter mais ascendente no jogo. É sistemático, atiram-se para o chão, contorcem-se, gemem, com a complacência desta corja de árbitros, e assim vão queimando o tempo.

Ontem, a cena repetiu-se. O curioso, foi ver aquele vigarista a olhar para o relógio para dar a entender que estava a controlar o tempo, para afinal dar apenas 5 minutos de descontos, quando o mais simples e pedagógico era exigir rapidamente a entrada da maca para logo a colocar fora do campo, e então sim, ser dada a assitência devida ao jogador, de acordo com as manifestações de dôr exibidas.  Mas isto, meus caros, é Portugal, este belo país, mas tristemente dominado por gente muito mal formada, e charlatões da pior espécia.

E é isso que me incomoda, quando vejo Pinto da Costa ficar indiferente a esta gigantesca palhaçada, sem acusar o toque, sem reagir nem se preocupar minimamente com os sentimentos dos adeptos, face a tanta displicência. Isto, eu não lhe perdôo, não tenho nenhum dever sacramental para com ele, o mais que podia (e gostaria) de ainda sentir, mas já não sinto, é gratidão, porque até a gratidão tem regras para ser incondicional. Não é o caso, infelizmente, porque Pinto da Costa julga-se um Deus, alguém acima de qualquer suspeita. E, se houve momento para levantar suspeitas, para mim, não foi o do Apito Dourado, que como sabemos foi premeditado pelos corruptos de Lisboa, é agora. O seu silêncio, a sua passividade perante tanta sacanice que, sem o mínimo pudor, nos têm feito estes últimos anos.

Já nem quero saber as causas para tão brusca mudança de rumo, é tarde para Pinto da Costa se fazer ouvir. O que queria, é que os sócios, juntamente com os adeptos - que são sempre os portistas genuínos - se unissem para discutir à exaustão este modelo pacóvio e submisso de gerir o clube e obter as respostas que possam eventualmente justificá-lo. Se a ideia é continuar nesta onda humilhante, então pedir-lhe que se demita, porque o FCPorto, esse, está sempre primeiro. Chega!

Por tudo isto, é irrelevante agora falar das competências do treinador e do plantel, porque ambos são da responsabilidade exclusiva do Presidente e seus acólitos.

18 novembro, 2016

Queixem-se à polícia...

...porque o "dono" do Dragão, é o único responsável pelo que está a acontecer ao FCPorto. Dentro, e fora do campo.

Com este presidente, nunca mais vamos ganhar nada.

E mais não digo. Estou enojado com tanta incompetência.

É só vapor

David Pontes (JN)

Imaginem que se desligaram do Mundo durante um dia. Nem jornais, nem televisão, nem redes sociais. Depois desse jejum, sentam-se numa confeitaria para um café, levantam a cabeça e está na televisão a seguinte frase: "Da boca de Bruno de Carvalho, só saiu vapor".

Confesso que esfreguei os olhos duas vezes perante a frase com contornos mitológicos, antes de conseguir sintonizar no candente tema que, ao que percebi, tem ocupado fóruns de debate, rios de tinta e muitos minutos de televisão. E depois de me contextualizar, veio-me à memória uma conferência de imprensa do treinador de basquetebol dos norte-americanos Golden State Warriors, Steve Kerr, no dia seguinte às eleições norte-americanos.

O treinador tinha estado no balneário com os seus jogadores, muitos deles pertencentes a minorias raciais, e não conseguiu conter-se a um comentário sobre o novo presidente: "Olhando para os 10 últimos anos, talvez nós devêssemos perceber que isto vinha aí. Quando olhamos para a sociedade, para o que é popular, quando pagamos milhões de dólares para as pessoas irem para a televisão berrar umas com as outras, seja em desporto ou no entretenimento, acho era só uma questão de tempo até contaminar a política. Subitamente, estamos confrontados com a realidade: que o homem que te vai liderar emite rotineiramente mensagens racistas, insultos. Isto é duro".

É duro, é real e, sem fugir à autocrítica de quem trabalha todos os dias num jornal, acho que se torna cada vez mais premente questionarmos a qualidade do debate no espaço público, o clima de conflitualidade e de discurso irracional que ocupa muito do nosso tempo. Então, se pararmos para olhar os programas de desporto, percebemos como absolutas irrelevâncias se tornam assuntos de suprema importância, capazes de despertar as mais acesas paixões. Como lembrava Steve Kerr, é todo um clima que acaba por contaminar a sociedade.

Vale a pena lembrar o importante livro que Neil Postman escreveu em 1985, "Amusing ourselves to death" [Divertirmo-nos até à morte], sobre o nosso tempo, muito mais próximo, segundo ele, do "Admirável mundo novo" de Aldous Huxley, do que de "1984" de George Orwell. "Orwell receava aqueles que nos poderiam privar de informação", mas "Huxley temia aqueles que no dariam tanto, que nos reduziriam à passividade e ao egoísmo. Orwell receava que a verdade nos fosse ocultada. Huxley temia que a verdade se afogasse num mar de irrelevância".

Pode ser que seja só vapor, mas é cada vez mais difícil de ver o que quer seja de inteligente no meio disto.

*SUBDIRETOR

16 novembro, 2016

Miguel Veiga, um homem do Porto, para alguns...

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(Imagens do JN)

Nota de RoP:

À sua maneira, Miguel Veiga amava o Porto. Respeitando a sua morte, e o sentir de todos aqueles que apreciavam a sua forma de estar na vida e de amar o Porto, entre os quais Rui Moreira, eu não era propriamente seu admirador. Havia nele uma excessiva vaidade que não me era simpática. A sua costela de burguês antiquado, retirava-lhe a patine de um genuíno homem do povo. E quem não é do povo, é porque prefere ser outra coisa qualquer, mais vã, mais remota...


Rui Rio devia chamar-se Rui Nim

Se o PSD precisa de um homem de confiança,
esse homem, não é certamente Rui Rio

11 novembro, 2016

Sobre a entrevista de Nuno Espírito Santo ao Porto Canal

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Francamente, não esperava nada de especial da entrevista, e o que vi confirmou a suspeita. Mesmo assim, o entrevistado foi um pouco melhor que o entrevistador. E explico porquê: o estilo parcimonioso, pouco directo, de Júlio Magalhães, facilitou o trabalho de NES, ou seja, ajudou-o a fugir às perguntas e tornar a entrevista uma espécie de consulta psicológica cheia de descrições prosaicas e processos de intenção.

Entre outras respostas, NES disse coisas banais como: para poder marcar golos, é preciso ter presença na área, é preciso encontrar os caminhos para a baliza. Questionado se era capaz de dizer porque a equipa não marcava golos, respondeu: "somos humanos e às vezes erramos". Júlio Magalhães devia persistir e perguntar-lhe o óbvio, como por exemplo: "é capaz de descrever o que faz nos treinos para corrigir essas dificuldades? Nuno fartou-se de relevar o facto de ter uma equipa jovem, que estava a crescer, sem ser confrontado com a questão do timing que isso comporta. Uma equipa jovem, com responsabilidades de sénior que se quer competitiva, corre sérios riscos de cair se o crescimento não contemplar o tempo adequado.

Enfim, ficaram por fazer mais perguntas e sobretudo obter respostas pragmáticas, coisa que NES evitou (ou não quis dar). Sobre as arbitragens, reconheceu os erros, mas logo foi dizendo que não punha em causa a honestidade dos árbitros, que confiava neles... Isto, não é ser Porto, não é carne, nem é peixe, é nim. Bem pode esperar deitado (como diz o patrão), que os árbitros agradecem a compreensão, e assim podem respirar à vontade.

Este estilo politicamente correcto, quase seminarista, pode ser muito agradável para os nossos adversários, mas não é a forma mais indicada para defender um clube como o FCPorto, odiado e perseguido pelos clubes da capital. Isto é um facto, não é demagogia. E os resultados são sobejamente conhecidos.