17 agosto, 2017

Incêndios para todos os "gostos"

Mais um verão de fogo e destruição no país. É assim, em Portugal, ano após ano, e cada qual o pior. Como noutras coisas, somos primeiros no que de mau se faz, e os últimos nas coisas mais relevantes. O pouco de positivo que conhecemos, é residual e muito particular. Não chega, para fazer de nós um país respeitável. Já nem há argumentos que sobrem para censurar esta forma de viver. Estou cada vez  mais enojado com a mediocridade dos governantes e da nossa classe política. Nada me retira a convicção de que, antes de mudarmos as leis, e os governos que as aprovam, temos de mudar de políticos e a política. A nossa exigência como povo tem obrigatoriamente de começar por aí, sob pena de tudo piorar, se é que ainda é possível piorar alguma coisa. 

No futebol, o problema é o mesmo. Mas agora não foi invertido, como os cartilheiros do regime fizeram crer. Agora, há mesmo matéria séria para investigar. Se houve mérito nas denúncias das trocas de e-mails entre a seita Benfica, o mais relevante foi ter apanhado de surpresa muita gente ligada à política e a diversos órgãos do poder, civil e desportivo. Sobre o da comunicação social nem é preciso falar, porque o silêncio a que se tem submetido é a prova acabada da assunção de culpas. E agora, qual é a iniciativa que se segue? Como é que o senhor Pinto da Costa e respectivo corpo directivo tencionam actuar? Continuar a apresentar denúncias, sem exigir do Estado a clarificação desta pouca vergonha? Ou vai dar tempo aos infractores para preparem a sua defesa? Sabendo como sabemos o tipo de personagens ligadas a este escândalo e o poder de que ainda gozam, será de uma intolerável estupidez não pressionar a investigação (se é que está a ser feita) e assim dar tempo aos envolvidos para continuarem a mover influências e tornar as provas mais fragéis.

Como sempre fui dizendo, pouco depois dos primeiros programas do U.Porto da Bancada, as denúncias isoladas, sem a abertura de um processo a quem de direito, podem ser esvaziadas pelo tempo e ganhar uma matriz negativa de credibilidade na opinião pública. Como tal, continuo a pensar que os sócios do FCPorto têm um papel muito importante, que é pedir explicações ao Presidente sobre o que tenciona fazer face a este caso que tantos dissabores trouxe ao FCPorto... Terão coragem para isso?   

08 agosto, 2017

Impensável, a réplica da época passada


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Já não sei o que é pior. Se a corrupção que se instalou no país, com a permissividade dos governantes, ou se são os cidadãos que a condenam, mas que ao mesmo tempo a toleram. 

Não fui eu, nem seguramente os leitores, que induziram os Dias Loureiros e os Duartes Limas desta bela democracia a enveredar pelos honrosos caminhos da delinquência. Se um, conseguiu escapar à Justiça e enriquecer subitamente, o outro, vai gozando os frutos das suas rapinagens num apartamento de luxo, em liberdade, embora nos queiram convencer que se mantém em prisão preventiva...

Podia falar também do ex-1º. Ministro José Sócrates, que só não foi condenado por viver em Portugal, onde a Justiça não passa de um constante circo cujas cobaias são zelosamente extraídas da pequena marginalidade para servirem de "exemplo". Esses, vão quase sempre parar à cadeia. Não faltam outros modelos, além dos que elenquei, davam para um livro com 600 páginas. Mas, não é preciso, porque sabemos todos muito bem quem eles são.

Mas, isto cansa de facto. Tal como os leitores, pouco mais posso fazer que denunciar esta pouca vergonha neste despretensioso espaço. No futebol, a nojeira é ainda mais difícil de suportar. O clima de impunidade perene  é cada vez menos tolerável porque além de sermos espectadores, somos simultaneamente testemunhas da podridão instalada nos bastidores do nosso futebol.   

A vergonha será tanto maior quanto a permitirmos. O futebol tem de ser antes de tudo regenerado. Mantê-lo neste estado, onde os sinais de corrupção já passaram ao patamar de provas, é colaborar para mais um campeonato viciado à partida. Os demais clubes (excepto o Sporting)  estão silenciosos. Não deviam, porque como já disse inúmeras vezes, nestes casos o silêncio é um voto de apoio ao criminoso. É outra forma de  cumplicidade. Mas isso, é lá com a consciência dos respectivos dirigentes.

Com o FCPorto não aceito mais um ano de silêncio. Estou (quero estar), convencido que depois de termos feito o papel de Sherlock Holmes, de denunciarmos este embuste mafioso dos e-mails, que não vamos deixar o(s) criminoso(s) sair intactos desta escandaleira, mesmo conhecendo a dimensão dos tentáculos do polvo. O campeonato já começou, e ao que pudemos ver, a bandalheira continua. Com vídeo-árbitro, ou sem ele, é a integridade dos homens que conta. Quem vicia o jogo no campo, também o faz frente a um ecrã. Não tenho ilusões sobre isso. A tecnologia vale o que vale. 

Não estou disposto a assistir a mais uma época de provocações e ofensas. O Porto, o meu Porto não era assim. Lutava, e exigia! Temos moral, e razões de sobra para ralhar com o Governo! Se o FCPorto se deixar de novo anestesiar por qualquer promessa politiqueira, sem que a Justiça seja reposta, deixo de uma vez por todos de falar do meu clube. Ele, como a cidade, como os portistas, merecem mais coerência com os slogans que o caracterizam. Basta de lamentos, vamos às atitudes e obrigá-los a olhar para nós com respeito. Definitivamente.
   

06 agosto, 2017

Há países, e paísezinhos

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Venceu a Holanda, mas se fosse
a Dinamarca era igual.
Venceu a dignidade e
o futebol sério


Assisti, por mero acaso, à final do Campeonato Europeu de futebol feminino entre a Holanda e a Dinamarca, e fiquei francamente impressionado. E não foi por se tratar do belo sexo das nórdicas e das holandesas. Foi muito mais do que isso. 

Quem quiser ficar agarrado a preconceitos machistas como aquele que por aí ainda anda, afirmando que o futebol é um desporto exclusivamente para homens, pode continuar a pensar assim, mas parou no tempo com certeza.

A evolução técnica do futebol feminino, comparada com o masculino, levando em consideração a antiguidade dos machos, é muito superior em muitos aspectos. Há na nossa 1ª. Liga, e mesmo nos escalões mais altos dos juniores, jogadores que rematam e dominam a bola muito pior que muitas mulheres. 

O facto de este jogo ter sido disputado entre duas equipas de países do Norte da Europa é de per si uma das razões que explica o fenómeno. E não se pense que as mulheres evitam o jogo "viril" muito peculiar nos homens. Não senhor, dão o corpo à bola com valentia, mas com muito mais fair play. Tive oportunidade de ver noutros jogos, jogadoras marcarem golos sem deixarem pousar a bola na relva verdadeiramente espectaculares! Golos que raramente, muito raramente mesmo, vemos no futebol masculino em Portugal. Para mim, são os golos mais sensacionais, porque não dão grandes hipóteses de defesa aos guarda-redes.

A cerimónia final deste evento foi sóbria, de uma dignidade tal, que ao vê-la, lembrei-me do esgôto descapotável em que se tornou o futebol nacional. Chegou-me logo aos neurónios a qualidade postiça dos nossos árbitros e a promiscuidade entre estes e um certo clube, abençoada e partilhada pelo Estado. Senti-me profundamente triste por ter nascido neste país, e simultaneamente (confesso),  com ciúmes daqueles dois pequenos/grandes países (apesar de todas as crises).

Caros amigos, não precisam evocar a universalidade da imperfeição humana, porque cá o rapaz já tem uns anitos, e já correu um pouco do mundo. Não há países perfeitos. Mas que diabo, podíamos ser um bocadinho mais amigos da rectidão e dos bons hábitos. 

  

05 agosto, 2017

Hugo Miguel...

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Será para isto que foi escolhido?

Tudo indica que é Hugo Miguel o árbitro nomeado para o jogo FCPorto-Estoril...

Este mundo do futebol não deriva muito dos outros mundos, mas amiúde parece destoar do resto da sociedade, cada vez mais dominada pelas redes sociais e pelos media. As más notícias saem, e repetem-se, mesmo antes de acontecerem. Mas quando se trata do Benfica emudece.

Se não conhecesse bem o projecto de país em que vivo, era capaz de estranhar esta nomeação. Talvez não acreditasse na existência de televisões especializadas em cartilhas, nem em pasquins boateiros, capazes de tudo para prejudicar o FCPorto.

Mas como tenho uma ideia realista e pouco fantasista do Portugal que temos hoje, tenho a certeza que quem nomeou este árbitro para o primeiro jogo do FCPorto, não o fez com a melhor das intenções. Sim, porque não acredito que quando escreveu no Facebook esta pérola, não estava seguramente a referir-se ao Benfica.

Já não falta muito para tirarmos a prova dos nove, é já 4ª feira...

04 agosto, 2017

"Continuamos a fingir que está tudo bem, é isso?"


Foi com estas palavras que Pedro Marques Lopes terminou o seu artigo habitual no jornal A Bola (li-o na blogosfera). Se o contexto fosse outro, se esta singela expressão estivesse relacionada com arrufos entre clubes, fruto das típicas rivalidades, ou por causa de uma ocasional má arbitragem, não vinha daí mal ao mundo. O caso, é outro. Trata-se de assuntos demasiado graves, da demissão pública do poder político pelo cumprimento da Lei. É o Estado, representado por um secretário de Estado, a fugir às suas obrigações, e a dar um péssimo exemplo aos cidadãos. Não é isso que reza na Constituição. Ora, como é sabido, trata-se de Luís Filipe Vieira, das suas vigarices, e da flagrante cumplicidade entre ele e várias figuras públicas com altas responsabilidades políticas!  

Considero portanto ser já altura de não nos ficarmos pelas denúncias, porque embora louvável, é assunto das autoridades [e dos jornalistas] depois de apuradas as investigações. Além de outras denúncias que possam vir a ser apresentadas, é imperioso acelerar a nossa indignação junto das figuras mais representativas do país e desafiá-las a provar-nos que a lei é mesmo para ser cumprida, sem excepções. E provar, nunca poderá passar por fechar os olhos [e refazer a lei] se o infractor fôr persona grata ao poder. Foi exactamente isso que fez o Secretário de Estado do Desporto, que para todos os efeitos se auto-desautorizou perante o governo e país ao irrelevar a lei permitindo a realização do próximo jogo na Luz entre o Benfica e o Braga! O 1º. Ministro devia tê-lo demitido, e não o fez. Perdeu uma boa oportunidade para atenuar os efeitos negativo dos incêndios, provando ao país [e não a um clube de futebol corruptor] que não se inclui no grupo imenso e pluri-partidário de cartilheiros.

Não gosto mesmo nada de continuar a ouvir este tipo de expressões simplórias como a de Pedro Marques Lopes. É demasiado suave face à gravidade do(s) caso(s). Não estamos a lidar com birras de crianças nem temos de a elas reagir como paizinhos "tolerantes".  Pedro Marques Lopes é um grande portista e nem sequer é isso que está em causa. Gosto das suas opiniões e da sua maneira de ser, mas este discurso assertivo parece-me demasiado tolerante e nada condiz com as exigências que tanto ele como todos os portistas fazemos aos nossos jogadores. Garra e valentia não é deixar a bola ao adversário só porque jogou com a mão, ou nos fez uma careta... Dizer-lhe: "ó pá, jogaste a bola com a mão, é assim?", não é grave, mas é pouco natural.

O caso Vieira/Benfica/Cartilheiros, envolve ocorrências da maior gravidade, exige outro tratamento, outra reacção da nossa parte. Mais duro, mais categórico. Senão, ninguém nos leva a sério, e vão continuar a olhar para nós com a soberba descrita aqui abaixo pelo senhor Embaixador...

O resto é paisagem


Francisco Seixas da Costa*
Tornei-me lisboeta pela vida. Meio século na capital, preservando as raízes nortenhas e mantendo-me como viajante obsessivo pelo país, acabou por me tornar um nativo diferente: olho os lisboetas com uma mirada algo exterior, julgo que lhes topo bem as reações, os não-ditos - para ser mais claro, os preconceitos.

Assumindo o risco de todas as generalizações, diria que o lisboeta médio, por muito que disfarce, dá razão íntima ao dito macrocéfalo de que "Portugal é Lisboa, o resto é paisagem". A sua curiosidade pelo resto de Portugal, salvo se tiver família numas berças a que, às vezes, vai por exercício folclórico-antropológico, é muito escassa. Arrumado abril, o Alentejo passou a ser, para o cidadão de Lisboa, o seu sinónimo de "campo", muitas vezes apenas visitado a caminho do Algarve, para um "fossado" gastronómico ou uma curta vilegiatura num monte "confortabilizado".

O Norte, para muito ulissipo-dependente, é um mistério que não chega sequer a mobilizar a sua curiosidade. Tenho amigos para quem chegar a Leiria significa atravessar uma fronteira psicológica que os coloca já às portas do Porto, mesmo na vizinhança da Galiza - dessa Espanha onde conhecem "de ginjeira" Barcelona ou Córdoba, Toledo ou Valência. Mas não Viseu, a Guarda ou Bragança - como há dias me confessava um amigo com décadas de mundo e cosmopolitismo.

No cume dessa geografia do desconhecimento está o Porto. O cinzento da pedra, o intrincado das rua, a reserva das famílias, as cumplicidades quase (e às vezes) maçónicas do círculos de amigos tornam o Porto praticamente ilegível para o lisboeta. Como resposta, usa a sobranceria, o olhar arrogante sobre uma "província" que o sotaque ajuda a caricaturar, ajudado pelo agravar das rivalidades do futebol. Para o cidadão da capital, a menor reivindicação do Porto surge como um ato de despeito, revela uma impotência feita reação. O lisboeta olha com risota o ar façanhudo com que alguns portuenses clamam contra a falta de atenção à sua especificidade, à dimensão nacional dos seus interesses.

Lembrei-me disto há dias, a propósito da Agência Europeia de Medicamentos. Sabe-se que António Costa, que tem do país uma visão menos "lisboeteira", expressou a ideia, desde o primeiro momento, de que esse era um tema em que importava envolver o Porto. Não foi esse o parecer de alguma vontade central, que sempre tem Lisboa como sinónimo óbvio do país. E as coisas deram no que deram. Se e quando o Porto vier a perder a candidatura, um certo centralismo lisboeta, agora derrotado, sentir-se-á vingado. Lisboa não admite que possa haver um oásis na paisagem.
* EMBAIXADOR (do JN)

03 agosto, 2017

A tarefa não é fácil, mas é possível. Há bons sinais no horizonte portista

Sérgio Conceição
A uma semana do início da nova época, não importa escalpelizar demasiado os contras do 4x4x2 de Sérgio Conceição. Prefiro destacar os prós, comparando este sistema de jogo com o de Nuno E. Santo e deixar que sejam os olhos a decidir qual é o melhor. No que cabe aos meus, e aconteça o que acontecer, a decisão já está tomada. Dando como garantida a impossibilidade da perfeição, admito, sem me chatear muito, que o FCPorto tenha de ganhar alguns jogos sem jogar bem, mas confesso que prefiro o modelo dois em um: ganhar,  vendo bom futebol...

Não é novidade para ninguém que este sistema de jogo exige uma preparação física superior, e uma melhor gestão da mesma. Quanto a mim, será essa a tarefa mais complexa que Sérgio Conceição tem pela frente: gerir o físico do plantel, sem lhe afectar a ambição. Além disto, vai ter de explicar muito bem aos jogadores o timing dessa gestão, ou seja, a importância de marcar cedo e de ampliar a vantagem para um resultado confortável (2, ou 3 golos) e só depois reduzir a intensidade ofensiva. 

Ao contrário de NES, Sérgio não faz afirmações fictícias, não diz publicamente que a equipa joga bem, quando não joga ou não corresponde às directrizes estabelecidas com os jogadores. Sérgio fala e vê como um adepto, com autenticidade. Tem muito pouco de político (o que é uma virtude). É exigente, sem ser postiço. Terá de moderar q.b. a impetuosidade que lhe é peculiar, sobretudo com os jogadores, sem nunca abdicar de lhes dizer o que fôr preciso, inclusive metê-los na ordem se eventualmente descambarem para birras de meninos mimados. Camaradagem, união e ambição, é o mais importante, o resto será a inteligência do grupo a decidir. 

Acredito que Sérgio vai cumprir a missão com sucesso. Paralelamente, há o outro lado do campeonato que já não depende dele, que é o da liderança do CLUBE. Já foram dados os primeiros passos, através do director de Comunicação Francisco J. Marques. Agora, é preciso ir até ao fim. E ir até ao fim significa não descansarmos enquanto não vermos, com atitudes, e não com promessas, a ordem e a lei restabelecidas. Permitir que o clube do regime repita as cenas aviltantes dos últimos anos, seria o maior erro da história que o FCPorto podia cometer.

02 agosto, 2017

Centralismo, não! Isto, é racismo!



Quem tem de si mesmo a certeza da sua própria integridade intelectual, não precisa de provas nem argumentos, para convencer quem quer que seja da malignidade do centralismo.  Ele é tão tão óbvio, tão imoral, tão provocador e injusto, que para melhor ser percebido, devia simplesmente chamar-se racismo.

Em Portugal, falar apenas de centralismo é uma ingenuidade. Hoje, usar esta palavra significa o mesmo que acariciar um cancro, em vez de o aniquilar, é perpetuar o branqueamento de um crime e dos seus autores.   

Por isso, caros amigos, ficam já a saber, a partir de agora vou chamar os bois pelo nome. Acabou-se essa abstração geométrica chamada centralismo. Não estamos a falar de pontos cardeais, ou de mapas, nem do local onde colocar um bibelot, trata-se do respeito devido a cidadãos do mesmo país, com deveres e direitos iguais.  Assim esclarecidos, podemos ser mais precisos na adjectivação: Portugal é um país onde se fomenta o racismo!

A primeira página do JN espelha o que acabo de dizer e confirma as suspeitas que logo aqui expus quando passou para a administração de Proença de Carvalho e para a Direcção de Afonso Camões (um gajo que ninguém do Porto conhecia). Eles bem se ginasticam para disfarçar as suas  reais intenções que é, paulatinamente, assim como quem não quer a coisa, tornar o JN mais um pasquim de Lisboa.

Honra seja feita a um dos poucos jornalistas que respeito, o Luís Costa actual director da RTP Internacional, (que naturalmente tem andado escondido das câmaras) que condenou energicamente a forma como foi dada a notícia associando a tragédia ao cadastro da vítima. Que necessidade, que interesse tinha dizer que o rapaz pertencia às claques dos Super Dragões e que já tinha sido detido?  Pensando bem, talvez entenda. 

Como o Director do JN é benfiquista, talvez tenha interesse em lançar fumaça para os olhos do grande público desviando-os da Benfica Central de Corrupção para um desgraçado que acabava de morrer e cometeu o crime de pertencer a uma claque legalizada, como é a do FCPorto. 

Ao contrário da do seu clube, e do seu  boçal presidente, o ex-presidiário Luís Filipe Vieira.

PS:
A  questão, é esta: como continuar a impôr a lei a uns, e a gozar de impunidade outros, sem perder toda a autoridade, senhores aprendizes de governantes? 
    

31 julho, 2017

Um Porto de pré-época com aroma Vintage

Ambiente relaxado no banco do FCPorto
É sempre o mesmo por esta altura, após assistirmos aos primeiros jogos de preparação que antecedem a época que se avizinha. Temos de ser muito cautelosos a dar a nossa opinião, de contrário lá temos de aturar os puristas com os seus avisos providenciais: "não podemos embandeirar em arco!", "não deitemos foguetes antes do tempo!".  Estas recomendações não deixam de ser sensatas, porque não falta quem se entusiasme demais e depois, quando começa o campeonato a sério, ao primeiro deslize, entram em depressão e começam a criticar tudo e todos. Mas, não há como contornar isto. As impressões que temos dos jogos nesta fase são apenas sinais momentâneos do que pode ser o futebol praticado na época que se segue.

Lembro-me muito bem de no ano passado por esta altura a pré-época não ter sido estimulante, mas mesmo assim, ficou uma reserva de esperança que fosse o tempo a burilar o que parecia estar menos bem, e que a adaptação recíproca entre o técnico e os jogadores fizesse o resto. Só que, para o bem e para o mal, nem sempre é isto que acontece.

Por mais que queiramos negar, o futebol de Nuno Espírito Santo era - desportivamente falando - mais resultadista que tecnicista. E, sejamos francos, muito pouco espectacular. Mas, mantenho a opinião de sempre: num campeonato são os resultados que contam, mas o espectáculo é a essência do futebol, sem ele, não há adeptos. Não foi por termos estado muito perto de vencer o campeonato passado, nem mesmo por termos sido manifestamente lesados pelas arbitragens que podemos dizer que praticamos um futebol espectacular. Longe disso.

A verdade  é que, repito, apesar de ser uma opinião momentânea, os sinais que a equipa agora comandada por Sérgio Conceição deixou foram extremamente positivos, considerando que estamos em pré-época. Deixemo-nos de tretas, Sérgio está a conseguir fazer precisamente aquilo que muitos de nós dizíam que NES não era capaz, que era dar mobilidade à equipa em pressão alta. O sistema de jogo ultra-cauteloso de NES com a equipa sempre muito recuada com trocas de bola lentas, lateralizadas e atrazadas, tornava ineficiente a pressão da sua equipa  porque obrigava os jogadores a percorrerem grandes distâncias para chegarem aos adversários, dando-lhes tempo de sobra para fugirem às marcações e contra atacarem. Se é certo que jogando desta maneira [com o bloco recuado] os adversários tinham alguma dificuldade em progredir no terreno, também é verdade que as dificuldades para a nossa equipa criar perigo eram tremendas. Foram muitos os jogos sem marcar um único golo nas primeiras partes!

Naturalmente, Sérgio Conceição terá de se precaver com a defesa, porque este sistema de jogo pede uma boa condição física, e sendo muito mais agradável [e produtivo], é também mais arriscado, e Sérgio já percebeu isso. Além de mais, esta forma de jogar, mais solta, mais subida, mais veloz e mais pressionante tem outros predicados que é revelar o verdadeiro talento dos jogadores que é muito melhor do que o sistema de NES fazia supor.

Já se ouvem por aí, nos programas do costume, com os comentadores do costume, muitos encómios a NES que antes nunca foram audíveis, nem legíveis, numa manifesta intenção de não (para já...) reconhecer o bom trabalho de pré época de Sérgio Conceição. É bom sinal:  é porque "gostam" do que vêem, sem querem assumí-lo...

Pela parte que me toca, o que os meus olhos têm visto de momento, dizem-me que há algumas coisas a afinar e muitas outras a melhorar. Mas dizem-me também que os jogos que vi, praticamente todos, não bastando para esquecer o sofrimento da época transacta, agradaram-me imenso e reabilitaram a minha confiança no futuro próximo. Sei que não estou só neste sentimento.

Que sejas feliz Sérgio!



    

29 julho, 2017

Tudo dentro da "normalidade"...

Recortes secretos de jornais

Faz agora um mês. Mas vamos começar por anteontem. O secretário-geral do Sistema de Informações da República, Pereira Gomes, assumiu no Parlamento ter sabido do assalto aos paióis de Tancos pelo SIS (os serviços secretos).
O SIS soube a 29 de junho do furto de material. Pela Imprensa. No dia em que a Imprensa o noticiou.
A secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda, que chefia a Unidade de Coordenação Antiterrorismo, também soube pelos jornais.
Neste entretanto, durante os três meses anteriores andava o Ministério Público a investigar informações (dadas por fonte anónima) de que estaria iminente o assalto a um quartel. Disto, não sabia o SIS, nem os serviços de informações militares.
Ponto intermédio. A Lei de Segurança Interna obriga à partilha de informação entre todas as estruturas associadas à segurança, desde o crime organizado, ao terrorismo.
Está a ser aplicada, como se percebe.
Recuemos ao dia do assalto. Ou melhor, aos dias em que se soube pela Imprensa.
O chefe do Estado-Maior do Exército considera o caso grave. O ministro da Defesa admite que as armas roubadas possam ir parar às mãos de uma rede terrorista. A Procuradoria-Geral da República alinha pelo mesmo temor. O primeiro-ministro vai de férias com as garantias, fornecidas pelos militares, de que o furto não tinha o dramatismo que lhe estavam a dar.
Cinco comandantes são afastados. Temporariamente. Para não constituírem um entrave às investigações. E reintegrados nos seus postos 15 dias depois por já não constituírem qualquer ameaça às investigações. Sem que se tenha qualquer informação sobre as conclusões das ditas investigações.
O primeiro-ministro regressa de férias. E reúne os militares. Que o sossegam. O material roubado só valia 34 mil euros. E a maior parte dele até estaria obsoleto. Um roubo que foi um alívio, portanto. Explosivos. Granadas de mão. Lança-roquetes. E munições.
Voltemos a anteontem. Júlio Pereira considera pouco provável que o armamento seja usado em Portugal, mas, claro, ninguém pode dar garantias quanto a isso. E claro que, através de sucessivas transações no mercado negro, o material pode ir parar "às mãos da ameaça terrorista".Já passou um mês. Voltamos ao assunto para o ano. 
Domingos Andrade
DIRETOR-EXECUTIVO (JN)

27 julho, 2017

Não podemos deixar morrer o escândalo dos e-mails!

Para que não haja equívocos, começo por assumir-me como parte integrante do grande exército de portistas descontentes com a moleza dos dirigentes portistas face à prepotência dos órgãos que tutelam o nosso futebol. Podem, se quiserem, colocar-me na fila da frente dessa multidão. 

Quem se habituou a ler o que aqui vou escrevendo sabe o que penso sobre o assunto, e o enorme desgosto que isso me provoca. Que diabo, o país e quem o devia governar, só nos dão decepções. Em quatro décadas de democracia (segundo a versão corrente), não tiveram capacidade para nos fazer sair do grupo de países mais atrasados da Europa. 

Persistem em centralizar em vez de regionalizar, sob o cínico pretexto de manter a coesão nacional, sem sequer perceberem que com isso estão a cavar uma maior desagregação territorial. E agora, o que nos resta? Até o futebol querem centralizar num só clube e numa só região? Onde pára a coerência da coesão nacional?  Mas, o que é isto se não uma grande fantochada, um grande embuste nacional? 

O FCPorto soube passar durante muitos anos por entre estes ácidos pingos de chuva com estoicismo e a grande competência do seu presidente. Enfrentou o sistema, combatendo-o sempre que era preciso, e com muita dedicação ao clube. Hélàs, o presidente mudou! Afrouxou, permitindo a intrusão de corpos estranhos ao clube, rendendo-se às fraquezas próprias da terceira idade. O resultado, é o que sabemos...

Pouco antes da época transacta terminar, surgiu a figura até então desconhecida de Francisco J. Marques, actual director de Comunicação do FCPorto que, através do Porto Canal, denunciou uma série interessante de contactos altamente comprometedores, entre o Benfica, árbitros, ex-árbitros e figuras destacadas da Federação.  O conteúdo, a identidade e o currículo dos protagonistas dos e-mails, são por demais inequívocos para lhes darmos o benefício da dúvida. Se os associarmos ao comportamento de alguns  árbitros (a maioria) destas últimas épocas, ficamos sem margem de manobra para admitir a presunção de inocência. 

Aliás, nem foi preciso esperar pela nova época para vermos a diferença entre Jorge de Sousa, que arbitrou sem problemas a 1ª.parte do jogo de preparação  entre o Victória de Guimarães e o FCPorto, e a 2ª. parte desafiante apitada por João Pinheiro, para notarmos as diferenças. Mais do que a mostragem do cartão vermelho à falta grosseira de André André, foi o contexto em que o fez (era um jogo particular) e sobretudo a atitude do árbitro. A arrogância e o exibicionismo falam por si! Sobre este, e outros passarinhos, não tenho a mínima dúvida: são desonestos!

Portanto, esperam-nos tempos difíceis.  Os dirigentes do Benfica, como gente habituada a viver fora da lei nas barbas do país, e porque não dizê-lo, com a cumplicidade de todos os governantes , vão testar até à exaustão a "fidelidade" das autoridades do regime para avaliar até onde os deixam ir. Isso, já está a acontecer, mas haverá mais, é só aguardar que o "circo" comece.  

Como tal, cabe-nos também a nós adeptos fazer o comboio andar, aditando-lhe o combustível que precisa com a nossa mobilização. Se o comboio (leia-se, dirigentes portistas) continuar a mostrar-se pêrro, somos nós quem tem de o forçar a abastecer-se, dando-lhes os sinais que precisam. Nada fazer, como disse um dia alguém, é o maior de todos os erros. Como dizia Martin Luther King, o tempo é sempre certo para fazer o que está certo! Não podemos permitir que o silêncio a que querem submeter Francisco J. Marques seja para respeitar, sem exigir respeito ao FCPorto, tratamento igual ao seu elemento mais sério:  os adeptos. 

Para isso, a Justiça civil tem de ser célere, de mostrar aos portugueses e portistas em particular, que é realmente cega e sabe trabalhar. 


26 julho, 2017

Francisco J. Marques não pode ficar isolado!

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E este? É um santo?

Duvido que as investigações aos e-mails suspeitos do Benfica possam avançar se da parte do departamento jurídico do FCPorto não houver uma reacção célere aos castigos do CD da FPF a Francisco J. Marques. Custa-me a acreditar que o FCPorto não tenha previsto este cenário intimidatório e garantido o devido apoio jurídico ao actual director de Comunicação de forma a que as multas e castigos agora aplicados o possam inibir de dizer o que sabe. É preciso não os deixar mexer os cordelinhos com este aparente à vontade, pois a intenção é fazer incidir sobre o FCPorto, na figura de Francisco J. Marques, o papel dos maus da fita.

Importa pressionar o Governo e exigir tratamento igual na resolução deste caso, tal como fizeram com Pinto da Costa, por razões fúteis, e juridicamente inválidas, como aliás a própria justiça desportiva acabou por confirmar com a absolvição de todas as acusações de que foi alvo. Sei que estamos ainda em período de férias, mas a pior coisa que podemos fazer é reanimar o monstro, permitir que a coacção disciplinar federativa o ajude a prosseguir na senda da fraude desportiva. Não devemos consentir que este caso comece a ser encarado como simples querelas entre rivais, "coisas típicas do futebol", porque é exactamente isso que eles querem, descredibilizar as denúncias.

Noutros tempos, estaria mais confiante na capacidade de luta dos dirigentes portistas, mas depois do que assisti nestes últimos anos [e não me refiro agora à vertente desportiva], depois de ver árbitros agirem em plena aliança com as equipas adversárias, poupando-as de faltas e prejudicando ostensivamente o FCPorto, receio que a cena se repita. As coimas da FPF a Francisco J. Marques são perfeitamente extemporâneas, disparatadas, e acusam mesmo uma grande dose de cumplicidade com os suspeitos. Pela mesma ordem de ideias, o departamento disciplinar da Federação podia ter intervido e punido pessoas como por exemplo, Pedro Guerra na TVI, que mais não faz senão levantar suspeitas e fazer acusações sobre o presidente do FCPorto e agora também do Sporting. Portanto, com esta postura sectária, o órgão do CD da Federação não está mais do que a criar motivos de suspeitas sobre si próprio. É mais do que evidente, salta aos olhos!

Senhores dirigentes do FCPorto: berrem se fôr preciso, mas imponham os nossos direitos! As eleições estão aí à porta, o Governo está a perder crédito à velocidade da luz, e mesmo que a oposição não seja melhor, o momento é para atacar, não para defender. As razões que nos assistem são muitas, são quase tão graves como as dos incêndios de Pedrogão Grande. De Pedrogão Grande, dos incêndios que se lhe seguiram e dos outros que ainda estão para vir (a obra suprema  de todos os governos deste miserável país!). 
  

25 julho, 2017

Do futebol à política, pouco se aproveita!

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Quem aqui devia esturricar, sei eu...

A senhora Dona Prudência aconselha a moderar o entusiasmo, mesmo que as expectativas sejam positivas. Portanto, como a nova época ainda nem começou prefiro não me estender muito em comentários sobre o que penso dos jogos de preparação da equipa do FCPorto. Há ainda muitas coisas por resolver para lá do lado restritamente desportivo. Há, e haverá.

Sintetizando, a que me parece até menos problemática é o futebol jogado. Penso que Sérgio Conceição percebeu o essencial: nenhuma equipa pode adquirir confiança sem correr riscos. Pelo que pude observar dos poucos jogos de pré-época, o novo treinador não gosta nada do futebol atrofiado do passado, e parece ter convencido os jogadores que para vencer não basta defender, é fundamental atacar e transformar o ataque em golos. Ponto. Gostei do que vi, e por aqui me fico. 

A única utilidade do tipo vestido de árbitro que apitou na 2ª parte do jogo amigável entre o Victória de Guimarães e o FCPorto foi um precioso alerta para o que nos espera. Os erros propositados contra o FCPorto vão continuar, assim o permita a FPF e o Ministério Público, e assim o consinta o FCPorto. João Pinheiro, a quem por alguma razão alguns baptizaram de Mostovoi, tem todo o direito de ser o quiser, até benfiquista, mas para isso tem primeiro de rasgar a camisa de árbitro, porque quando o carácter não existe é impossível conciliar as duas coisas. É o caso. Este humanóide, é cuspe sangrado, figura virtual da tuberculose equipada de árbitro sobre um corpo agarotado. O FCPorto não pode permitir que estas "coisas", estes freteiros, lhe sejam impingidas nos seus jogos, sob pena de voltar a perder pontos, e até campeonatos. O FCPorto tem de bater o pé a tudo e a todos, até ao Presidente da República, se fôr preciso.   

Tenho-me  perguntado se estes incêndios, este festival continuado de desgraças pelo que o país atravessa não será obra dos mafiosos vermelhos (quem trafica droga e rouba camiões, é capaz de tudo ) para afastar a atenção da Justiça e do país dos e-mails cartilhados e  juras de amor, mas como sei que este país é um "Benfica" a céu aberto, no que ele representa de pior, o veredicto é sempre o mesmo: incompetência+desonestidade governativa. De todos os governos! Passados, e contemporâneos!

Há coisas que não enganam. O comportamento de um governo é comparável ao de um cidadão. Se é responsável, se age de boa fé e evita opções de vida duvidosas, se procura cumprir com os seus deveres, nada tem que recear. Se faz o contrário, não pode esperar um tratamento de respeito e confiança. Estão neste grupo, os políticos.

Um pequeno exemplo do que é Portugal: no JN de hoje foi possível ler isto. Como é possível uma coisa destas não estar definitivamente regulamentada? Esta, é das tais situações em que não é preciso mexer na Lei! Por que andámos nós sempre nesta roda-viva de pára e arranca com tudo o que é legislação? Eu sei: porque a classe política faz questão de viver neste jogo de vaivém de forma a deixar sempre aberta a porta das grandes empresas para quando deixar a política poderem arranjar as suas habituais negociatas, e enriquecer... O resto, é conversa de... político, o pior ramo dos vigaristas. 

Agora, já começam outra vez a preparar terreno para irem às reformas mais baixas. A CGD está a pensar debitar mensalmente as reformas dos desgraçados! Mas, o que é esta porcaria de espaço onde vivemos que não uma pocilga onde os porcos de sempre se governam com a merda que fazem, tentando impingí-la a quem se lava todos os dias e vive longe do lamaçal?

22 julho, 2017

Olhando o Porto


Quando fui viver para a beira-rio de Gaia, território que hoje integro na minha urbe genésica, sentia-me estrangeiro. A beira-rio de Gaia era um microcosmo muito peculiar que conciliava, em estranho conúbio, os benefícios civilizacionais de uma grande cidade com uma mentalidade de aldeia. Hoje, a normalização imposta pelos mass media já quase não permite discriminar entre as idiossincrasias rural e urbana seja de que lugar for. Todas as particularidades étnicas se dissolvem no magma indiferenciado da normalização cultural que, quase sempre, corresponde à estupidificação maciça das mentes e vontades. Logicamente que a sanha acéfala das televisões generalistas na procura de audiências fáceis é responsável por este estado letárgico de iliteracia que caracteriza o urbano e o rural do Portugal hodierno.
Mas nunca reneguei, nem renego, a parte de mim que é povo-povo, no que este tem de fútil e descomprometido com asceses culturais ou perorações hermenêuticas sobre a existência humana. Sou a síntese de todos os passados que vivi e alguns não foram de todo culturalmente saudáveis.
Por isso convivo bem, com a parte desse povo que não tem pretensões a culta ou letrada, já convivo pior com aqueles que têm a mania que são intelectuais só porque leram os Maias e a Morgadinho dos Canaviais no ensino secundário e que agora escalpelizam os jornais desportivos numa hermenêutica de filólogos.
No verão, naqueles dias quentes de esturricar tenho um gosto especial em fazer duas coisas: nadar no rio frente a minha casa refrescando os coisos e a alma e, no fim de tarde já crepuscular, ficar no serrote com as minhas vizinhas. A Elisa e a Joaquina são as minhas interlocutoras nos serões vespertinos.
Elisa – Olha práquela com o cu à mostra!
Joaquina – Isto é uma pouco vergonha, todas oferecidas!
Zecas – O que é bom é para se ver; e oferecidas não o são senão eu tinha notícia.
Elisa – Tenha juízo pois tem uma namorada bem bonita.
Joaquina – Este óme não tem juízo nenhum.
Zecas – Tenho tempo na cova para ter juízo. Na cova não, no rio pois quero ser “cromado” e as minhas cinzas lançadas da ponte D. Luís ao rio Douro. Aí vou eu a caminho da América na minha versão atómica e subatómica.
Elisa (olhando para o prédio onde nasceu e agora comprado e remodelado para hostel). Quando olho para ali até me apetece chorar. Nasci ali e ali nasceram os meus filhos. Tenho o coração preso àquela casa. O que me custa olhar para aquela casa.
Zecas – Deixa lá Elisinha. Continuas a viver à beira-rio. Deixa-te de lembranças saudosas. Olha para o outro lado. Olha para o Porto.
Enquanto eu rodo o corpo no banco de pau feito de pedra para olhar o Porto a Elisa continua a olhar a casa onde veio ao mundo.
Zecas – Olha o Porto, Elisa.
Elisa – O Porto nada me diz. Isto sim.
Zecas – Que lindo é o meu Porto.
Continua lindo apesar das Elisas do Porto, também expulsas dos seus lugares genésicos, terem migrado para os bairros periféricos e muita da cidade ter perdido a sua alma.
Ó políticos de todos os matizes, aprendam que a alma de uma cidade não é dada pelos turistas, mas sim pelos seus habitantes. Os turistas podem acrescentar-lhe alguma alma, mas é uma alma fugidia, fugaz, temporária. A alma perene de uma cidade é criada pelos que nela nascem, crescem, vivem e morrem. Um turista que venera uma cidade acrescenta-lhe algo de inovador. É assim desde sempre. Quando os bárbaros do Norte conquistaram Roma respeitaram-na e admiraram-na na sua eloquente grandeza. Tomaram a cidade, mas respeitaram a sua alma. Coisa que os prosélitos do cristianismo não fizeram em relação aos lugares das pugnas desportivas. O cristianismo ascendente na Roma Imperial destruiu os lugares de culto das coisas do corpo considerados antros do demónio. Eis uma boa pergunta a fazer. O que é a barbárie?
Aqui e agora, talvez a turistificação descontrolada das cidades com alma. Porto, Lisboa, Veneza, Barcelona, Madrid, Roma, Atenas, têm de se defender do crescente surto de expansão turística desordenada.
Coloquemos as coisas como devem ser colocadas. Logicamente que tenho orgulho no reconhecimento internacional da cidade que me viu nascer. Sempre a propagandeei em todos os lugares a que aportei nas minhas viagens. É com imensa satisfação que vejo a cidade cada vez mais multitudinária, prenhe de turistas que são os melhores divulgadores das qualidades intrínsecas desta cidade maravilhosa. Não posso, nem quero, parar esse movimento de internacionalização do Porto num momento em que o afluxo turístico ao nosso país tem-nos dado alguma capacidade de resolução dos défices económicos que atavicamente nos fragilizam. Não me posso esquecer que o equilíbrio da balança de bens e serviços, que é algo que não acontecia em Portugal há muitos e muitos anos, tem na melhoria da balança do turismo um forte fator contributivo. Portanto, o interesse nacional também assenta na promoção, desenvolvimento e crescimento do turismo.
Os políticos e os homens de negócios recolherem, em proveito próprio, as benesses duma expansão turística sem precedentes e para a qual não contribuíram de forma significativa. Este surto acelerado de globalização da cidade do Porto e do país é menos resultado do labor orientado de políticos com visão de futuro e mais resultado duma conjugação de factores com origem tão distante como o médio oriente ou o norte de África. Obviamente que a peculiar idiossincrasia do português que sabe receber bem o estrangeiro, a excelência paisagística e culinária, a paz social e os programas de intercâmbio cultural e académico internacionais a que temos de acrescentar, para ser justos, as promoções dos agentes cometidos aos dossiês turísticos, são fatores que confluem em Portugal como destino turístico privilegiado. Temos de nos regozijar que Lisboa e Porto estejam entre os destinos turísticos mais elogiados por todas as revistas internacionais da especialidade.
Não podemos parar a roda do desenvolvimento e progresso, mas podemos, se tivermos políticos avisados e corajosos, controlar a sanha descaracterizadora que tudo o que é pato bravo pretende impor para sugar na teta turística até à exaustão. Tal como a reestruturação das florestas portuguesas deve pressupor a implantação, no meio das manchas “eucalípticas” predadoras, de zonas de florestação com espécies autóctones e ecologicamente mais adaptadas à biocenose portuguesa, também os autarcas do Minho a Timor (porra, já me esquecia que o Império já foi) devem cuidar em criar zonas urbanas recuperadas, acessíveis aos que querem habitar os centros das cidades, num equilibrado convívio com os visitantes.
Segundo um provérbio, ou persa ou indiano não me lembro bem, deixa de ser viajante quem permanece mais de 3 dias num sítio. Temos de privilegiar a guarida dos viajantes nos centros das cidades, mas não podemos esquecer aqueles que nela querem ficar mais de três dias, por vezes, uma vida.
(de José A. R.dos Santos)