19 agosto, 2019

Ao Porto


Entendo bem porque Dom Pedro, o primeiro do Brasil, à inauguração daquele maravilhoso país, quis de qualquer modo deixar o coração no Porto, cidade intrincada que se ama apenas por maturidade. Não é para paixões inconsequentes, o Porto é uma disciplina, uma localização espiritual que se reconhece sobretudo no mapa da resiliência.


Resultado de imagem para valter hugo mae , Porto
Valter Hugo Mãe *

Julgo que aprendi a amar o Porto pela robustez do casario. Vinha de olhos cheios com as minhas terras de Guimarães, onde passávamos sobretudo pela aldeia, as pessoas esparsas, uma rarefação maior, e encontrava nos Aliados a monumentalidade da pedra, a declinação em direção ao rio onde a pedra é uma ideia contínua. Eu via um povo contínuo. Gente junta como a fazer força, a erguer uma cidadania preparada para qualquer ataque.
Diziam-me que era a cidade Invicta, a que nunca sucumbiu. E o meu pai explicava sempre que o fascismo começou a cair ali, e que a consciência elementar do bem e do mal se apurava muito mais naquele lugar, na cidade monumental do trabalho. Mostrava os braços. O meu pai foi longamente um administrativo, mas mostrava os braços porque a palavra trabalho esplendorava quando implicava o dispêndio físico. O Porto, eu via pelas pedras habitadas, era uma ideia conquistada a certo milagre físico. Não se entende sem assombro e sem sombra.
Lembro bem da idade em que comecei a ir de comboio sozinho às livrarias e às lojas de discos na Cedofeita e nas imediações do Rivoli. Erguia a cabeça como um portuense orgulhoso, mesma carne daquela antiquíssima equação. Eu lembro do entardecer, quando o povo eminentemente proletário recolhia e o intrincado das ruas deitava fantasmagorias sobre a minha solidão. Pouca coisa enriqueceu o meu imaginário mais do que isso. Essa insinuação de gente no bulício quase nenhum que me pareceu invariavelmente coisa de inverno. Uma estranheza de sentir prazer ao demorar ali, demorar no entardecer, chegar à noite com o frio, um pouco de vento, o silêncio profundo.
Em algumas alturas, como agora, vou deitar os olhos pelo promontório da Sé e espio só como é obrigatoriamente brava a vida naquele lugar. Seguimos meditando naquelas pedras, fugazes na sua eterna memória, na sua paciente resistência. O Porto permanece feito para amores maduros. Entrega-se devagar, talvez se entregue nunca. Num frasco de vidro ou num poema, sei bem que também eu lhe deixarei, inevitavelmente, o coração. Sinto pelos braços um leve sobressalto. Pudesse o poema levantar as pedras, ser físico, valer à cidade como quem nela trabalhou.

Escritor

Nota de RoP: 

Valter Hugo Mãe foi protagonista de um programa cultural do Porto Canal, no qual fazia também o papel de entrevistador. Foi do melhor que vi na televisão do FCPorto. É um comunicador do melhor que há neste país. Como sempre, o que é bom, se não é bem estimado,procura novos ares... 

PS-Esta crónica sobre o Porto é uma delícia para a alma portuense 

18 agosto, 2019

O céu azul estará a chegar? Palpita-me de repente que sim?

Temos goleador? Eu acho que temos.


Tapar o sol com a peneira, como se dizia antigamente, significa encobrir as causas de um problema durante algum tempo, com iniciativas ténues, habitualmente inadequadas, que só servem para o agravar numa espécie de fuga às responsabilidades. Este, é o risco que os dirigentes do FCPorto optaram por correr, deixando em paz os prováveis autores de uma série incontável de crimes, que apenas podem contribuir para a prescrição dos processos de que são acusados. No caso, as ditas iniciativas nem sequer foram assumidas pessoalmente pelos administradores da SAD, o que à partida retirou ao processo peso institucional, deixando, como se constata, o clube  vulnerável às perfídias dos criminosos.  

Isto não é nenhuma novidade, é corrente, e uma das causas principais dos maiores problemas do FCPorto que estão na origem das muitas preocupações de numerosos portistas, desde uns tempos a esta parte.  É um facto.

Se querem saber, neste momento, nem sequer interessa explorar demasiado quem está do lado dos dirigentes, ou quem está contra, embora não se possa afirmar que é algo de insignificante, porque não é (quem comanda, tem de assumir responsabilidades). Neste momento, o que devemos fazer é pensar no nosso clube como elo principal de união, mais nada. Somos todos portistas, temos de ser uma família, uma comunidade de gostos e classes diversas, mas com o símbolo do Dragão a colar-nos. Isto, é irreversível. Tem de ser irreversível! E temos de nos proibir reciprocamente de interpretar as diferentes opiniões de cada um, sempre como uma barreira. Pode até ser uma alternativa. O que vale é nunca esquecermos que o FCPorto é a nossa casa comum. Eu tenho as minhas convicções, mas nunca deixarei de olhar para um verdadeiro portista como alguém próximo. Ponto.

Resumindo. Sobre o que penso, mantenho, sem ter motivos para mudar por agora. Mas isso, não me impede de ter ficado extremamente contente com a exibição do nosso clube. Entraram no jogo determinados, e concentrados. Venceram com garbor. Bravo! Acho que ontem a ideia defendida por alguns adeptos sobre a fraca qualidade de reforços se dissipou. Hoje, tenho a certeza  que vamos ler muitos elogios a todos jogadores. Eu não fujo à regra. Todos merecem elogios, mas fiquei particularmente feliz por finalmente saber que temos gente que gosta e sabe rematar, o que é um grande passo para a rentabilidade do grupo. Depois, descobrimos um guarda-redes que me enche as medidas, não só pela sua personalidade, como pela elasticidade que revela. É caso para esquecermos os primeiros jogos da época. Foram péssimos, é um facto, mas isso confirma outro facto: falhámos no timing da contratação dos reforços, e ninguém pode argumentar que não tenha sido a causa principal das más exibições da abertura da época. A Champions é só para o ano, e devia ser este. Que chatice.         

15 agosto, 2019

Mudar de opinião é para homens, não mudar, é para burros

Resultado de imagem para adeptos portistas
TÊM DE SER ESTES OS SALVADORES DO FCPORTO
TODOS, SEM DISTINÇÃO
!

Por vezes, temos de dar alguns exemplos para que certas pessoas compreendam por que é que mudamos de opinião àcerca de alguém, ou de alguma coisa. 

Comecemos pelo Porto Canal. Tal como o FCPorto, continua a ser pessimamente gerido. A programação é pobre, oscilante, e vulnerável ao déjà vu. Os melhores programas são poucos, e por serem poucos, repetem-nos tantas vezes que acabam por cansar os espectadores, prejudicando quem os criou, o que revela uma enorme falta de sensatez e de criatividade.

A informação vai de mal a pior, reduziram-lhe a regularidade, e o conteúdo. O horário do único telejornal do dia passou das 20H00 para as 21H00, sem que se vislumbre na alteração o menor proveito. Detalhes destes, mais não são que o reflexo da soberba do "patronato" (o FCPorto), distante e incomunicável, como se fosse propriedade privada. Incompetência no clube, incompetência na empresa de comunicação. Coerência igual, mas coerência danosa.  

Regressando à questão das opiniões e sua volatilidade, gostava de esclarecer que nem sempre resulta da instabilidade dos destinatários. Pelo contrário, frequentemente resulta duma sequência de erros do transmissor. Como muitos outros portistas, fui apoiante sincero de Pinto da Costa, e se hoje mudei de ideias, não foi de um dia para o outro, nem porque acordei mal disposto. Foi porque Pinto da Costa mudou muito, e para pior. Se se tratasse tão só de um simples empresário de sucesso, que de repente se desmazelou levando a empresa à falência, o problema era apenas dele e dos seus empregados. Mas o caso de Pinto da Costa é diferente, o FCPorto não é uma empresa privada, e o capital não é de origem pessoal.  O FCPorto é uma Sociedade Desportiva, tem adeptos, tem sócios pagantes, ambos merecedores de respeito, coisa que nos últimos tempos não tem acontecido...   

Com o programa Universo Porto da Bancada nota-se a mesma instabilidade. Foram todos de férias, mal terminou a época passada. Férias merecidas, como é óbvio, mas que logo deviam terminar para retomarem o programa o mais cedo possível, de forma a não deixarem no ar a ideia  de desistência. Mostrar sinais aos nossos inimigos (sim, porque este grave conflito não é entre adversários) abrandando a defesa do nosso clube dos seus constantes ataques, não é a melhor forma de luta.

Francisco J. Marques anda desaparecido até hoje. O FCPorto está a sofrer as consequências dos golpes de uma Máfia poderosa, e mesmo assim deu-se ao luxo de interromper todo este tempo talvez a programação mais importante do Porto Canal, enquanto os mafiosos não param de nos prejudicar. Ninguém compreende, nem esta estratégia de luta, nem tanto tempo de interregno do  objectivo... 

Ontem, inesperadamente, como vem sendo costume, e sem aviso prévio,  surgiu no ecrã do Porto Canal o Universo Porto da Bancada Imprensa, dedicado a comentar o mal dizer dos media da capital, como se fosse uma grande novidade. Já todos sabemos o que aquela gente vale, e do que é capaz. Se há coisa que este, e outros blogues portistas têm feito, é denunciar a nojenta comunicação social de Lisboa. O Renovar o Porto é talvez o único blog que anda há anos a denunciar as consequências do veneno do centralismo, mas o Sr. Pinto da Costa como não lê blogues, não tem conhecimento, o que é lamentável. Portanto, o que é preciso é fazer alguma coisa para acabar com esta pouca vergonha, e não passarmos a vida a pregar no deserto. Os blogues têm menos visibilidade e influência que a televisão, já sabemos. Portanto, é necessário fazer muito mais, e um clube como o FCPorto não está a retirar a vantagem precisa de dispôr de um Canal de televisão. Os blogues, sozinhos, pouco mais podem fazer, a não ser sugerir e denunciar.

Nota-se que não existe qualquer confiança no sucesso das denúncias apresentadas por Francisco J. Marques no Ministério Público. Agora mudaram de chip para entreter os adeptos com coisas que eles estão fartos de saber.

Diogo Faria e José Cruz foram os únicos comentadores que apareceram mas nada de novo acrescentaram ao verbo. Como de costume, antes, o José Cruz começa sempre por passar a mão pelo pêlo a quem vai criticar a seguir, o que seria dispensável e é irritante. O Diogo Faria é mais contundente, mas já deve ter percebido que todo o trabalho feito vai acabar por morrer na praia. O Porto Canal é a cara do FCPorto destes novos tempos. Não ata, nem desata.

Como já disse noutras ocasiões, só os sócios e adeptos do FCPorto podem fazer qualquer coisa para defender e salvar o clube. O primeiro passo a dar é UNIREM-SE. Sem isso, só vamos prolongar o problema. Não podemos estar toda a vida à espera que se faça luz da voz do presidente, ele não está para aí virado. Eu compreendo os que o protegem, mas não tenho bem a certeza se o fazem por convicção ou por interesse. Acho que deviam olhar mais para o clube, porque o timoneiro anda à deriva há tempo demais.

Não percamos mais tempo. Essa união, deve agregar adeptos comuns, das duas claques, e sócios. Todos eles apostados a pensar primeiro no FCPorto, sem nunca inverter prioridades. Nenhum de nós pode negar o silêncio de Pinto da Costa com os adeptos. Os discursos nas Casas do FCPorto para onde tem sido convidado não são os que devia fazer. Falar da situação actual do clube, dos projectos futuros, das dificuldades financeiras, do plantel, do treinador, enfim do que mais importa, não fala. Portanto, não podemos adivinhar se tenciona mudar algo, ou se acha que tudo rola dentro da normalidade.

Temos de lhe dizer que a paciência e a tolerância não são para abusar. Deixando tudo como está, receio que seja ele a sofrer consequências, que não lhe desejo. Está a revelar fraca coragem com os adeptos, e uma recatez inútil com os inimigos do FCPorto.

Estou chateado com ele, mas gostava que saísse do FCPorto com o respeito e a consideração que já mereceu. Que diabo, haverá algum portista que não tenha gostado dele? 


14 agosto, 2019

E agora, onde vai buscar o FCPorto dinheiro? O BES só «fia» ao Benfica...


Há quem prefira ver o que não é visível, e não ver o que é evidente. Uns, fecham os olhos a realidades inconvenientes, e outros vendo-as, evitam falar do assunto para não ferir susceptibilidades.

Estes lapsos sensitivos podiam tolerar-se, caso fossem inofensivos a terceiros, ou úteis para a sociedade. O drama, é que não são uma coisa, nem outra.  São comportamentos nefastos, e nalguns casos, crimes gravíssimos para a estabilidade de qualquer país. Depois, há excepções raras, onde encaixam aqueles que não confundem cores, nem sons. Trata-se de uma minoria, apenas normal. Nada mais que isso.

Falando do grupo onde me incluo (portista), há uns que foram admiradores de Pinto da Costa, que lhe reconheceram o mérito sem favor, e com a mesma coerência lho retiraram, a partir do momento em que o mérito se esgotou. Outros há que acham a competência um predicado perene. Seria bom que assim fosse, mas não é. Não são os Cândidos Costa desta vida que simbolizam o portismo mais puro. Por favor poupem-nos da hipocrisia. Quando louvei Pinto da Costa ainda não existia o Porto Canal, portanto não o fiz para arranjar um tachinho, e a seguir pular para o ninho dos abutres de Lisboa , rendido às "cores" do euro.  

Foram (e ainda são) os defensores da manutenção de Pinto da Costa na presidência do FCPorto os responsáveis pela decadência dos últimos 6 anos, por mais amigos que sejam do nosso clube. Nestas circunstâncias, é uma absoluta incoerência. O FCPorto é o clube, o presidente é só o motor, mas se funcionar, caso contrário o clube avaria. Nesse caso, é preciso mudar.  

Há outras categorias de sistemas sensoriais avariados. No poder político, na comunicação social, na justiça, nos órgãos desportivos, etc. Todos sofrem do mesmo mal. Todos! Não vêem, não ouvem, nem falam, mas a deficiência padece de síndromas opostos. Funcionam na perfeição quando se trata de elogiar, promover ou proteger o omnipotente Benfica, mas ficam completamente avariados quando é para censurar ou castigar. É um autêntico "fenómeno", ninguém fala mal, ninguém ouve, ninguém vê. Mudos, surdos e cegos, é assim sempre!

Até já consta que António Costa tenciona exportar o símbolo Benfica para os hospitais de todo o mundo, desde que os doentes se inscrevam todos sócios do referido clube. Imaginem só, um clube que já tem mais adeptos que habitantes, agora com o mundo a seus pés...

Estou a gozar com a coisa, mas o FCPorto e o Porto cidade não pode continuar apático, quer com uma coisa, quer com a outra. O FCPorto, principalmente os sócios, têm  de se decidir a apresentar soluções para mudar a presidência sem confusões, e os portuenses têm de ser mais agressivos (lamento falar assim) com o poder político, que é - permitam-me a grosseria do desbafo -,  repito, uma colossal merda. 

Uma vergonha! Sim, Sr. Marcelo Rebêlo de Sousa! 

11 agosto, 2019

Parabéns ao João Rodrigues & Ca. e a W52/FCPorto!

Alegria sempre bem vinda!

Não deixarei de me congratular com as victórias do W52/FCPorto na volta a Portugal em bicicleta. E muito!  Foi uma parceria bem sucedida que repete esta mesma façanha pela quarta vez consecutiva, deixando o universo portista muito feliz, apesar da má entrada de ontem no Campeonato nacional. Não será por isso porém que  alterarei a minha opinião acerca da gestão descuidada da SAD do FCPorto na área do futebol, pela péssima forma como tem sido defendido. 

Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O FCPorto é um clube eclético, sendo o futebol o mais relevante e economicamente dependente dos êxitos alcançados na Champions, a sua fonte principal de receitas. De qualquer modo, adorei ver a alegria dos adeptos nos Aliados.

Viva o FCPorto! 

E abaixo todos os traidores corruptos!

Para os portistas, com solidariedade




Como se não bastasse vivermos num país onde o futebol corrupto foi institucionalizado com a maior naturalidade por um clube com carta branca para dominar os rivais, parte deles reféns e cúmplices do corruptor, também temos de aguentar um presidente teimoso e acabado.  A teimosia do Pinto da Costa competente era benéfica para o FCPorto, a teimosia do Pinto da Costa de agora, é um desastre e uma humilhação.

O jogo de ontem com o Gil Vicente foi só o primeiro da época, mas  correu muito mal. O clube de Barcelos bateu-se bem e foi melhor que o FCPorto. Desta vez o árbitro não teve qualquer interferência no resultado - o que não significa que não venha a acontecer futuramente -, apenas não fomos capazes de jogar bem. Ponto. Aqui, não há desculpas esfarrapadas, nem negações dos factos, aqui há transparência. Acho desnecessário voltarmos a carregar na tecla do "ainda é cedo", ou do "ainda estamos no início".  É com este tipo de discurso resignado que temos fragilizado a força da nossa alma portuense e portista. Tudo, porque em vez de dosearmos o apreço por Pinto da Costa, sustentado na cronologia dos resultados, fomos fechando os olhos durante um período demasiado longo de insucessos, tornando o presidente num mito, perdendo a noção da realidade. Hoje, estamos cativos da sua vontade, e a tendência é lançarmos as culpas para terceiros. A tolerância também tem limites, ou então, paga-se cara.

O grave da situação, entre outras causas, advém de termos conseguido vencer um campeonato com alguns jogadores de qualidade discutível, contratados ainda no tempo de Lopetegui, que nunca chegaram a afirmar-se como grandes jogadores. No entanto, alguns deles foram demasiado elogiados para além do seu real valor (Brahimi, por exemplo).  

Sérgio Conceição apostou num futebol físico, de pressão alta, que foi funcionando enquanto Marega e a Aboubakar aguentaram o esforço. Com o tempo, as lesões foram-se agravando e instalando noutros jogadores. O ritmo de jogo foi baixando, a pressão alta foi abrandando, os adversários adaptando, e foi o que se viu...

Tudo isto, não invalida nem muito menos serve, para branquear as vigarices do clube do regime. Este foi o problema mais grave, o que transcende o FCPorto, o mais escândaloso e nefasto! Aqui, quem falhou foi toda a SAD, com Pinto da Costa à cabeça. E continua a falhar. Não souberam defender o clube, e tudo piorou, como fui aqui prevenindo, quase diáriamente, desde que a máfia foi denunciada no Universo Porto da Bancada. Que também não resultou, como também previa. Não espero que este golpe mafioso venha a ser julgado e punido devidamente, porque o tempo vai acabar em prescrição... O Rangel, já está cá fora...

Claro que ainda estamos a começar, mas algo me diz que Sérgio Conceição está mudado, que já não acredita muito nas suas capacidades. Ontem, devia ter sido mais atrevido. O jogo estava a correr demasiado mal para não lançar em tempo útil os jogadores mais cotados. A falta de entrosamento neste contexto não se justificava. O Uribe, não tenho dúvidas, é um excelente médio, ontem o Bruno e o Sérgio não se entendiam, e não foram substituídos (pelo menos um). Uribe, possui qualidade de passe, é forte fisica e mentalmente. Tem técnica, chuta bem. Assim como o novo guarda redes Marchesín não engana, é mesmo do melhor que vi. O Nakajima chuta, e mexe-se melhor que os que jogaram. Se não havia meio campo, nem quem rematasse, porquê não colocar "a carne toda no assador"? Se a equipa estava em perda acelerada, porque não ousar?

Não costumo entrar muito nestas apreciações de "treinador de bancada", mas o que vi ontem deixou-me completamente decepcionado com a postura de Sérgio Conceição! O futebol de facto não pode brilhar apenas com a técnica da força, da pressão alta. É preciso também jogar, apurar as desmarcações, o movimento entre o que transporta a bola e o(s) receptores. Não se viu nada disso. Os jogadores pareciam assustados, desorientados mesmo. Nada é irremediável, mas talvez haja demasiada confiança num modelo de jogo muito discutível, onde a pressão alta é a trave mestra. Sérgio Conceição vai ter uma tarefa complicada pela frente. Dá-me a sensação que anda perdido sem saber bem como modelar a equipa. Espero que o "milagre" da redenção se dê na próxima terça-feira contra os russos. Muita concentração, e muito futebol corrido. Treinem, treinem muito! Chutem! Ganhem força, e confiança nos pésinhos! Ah, e não ganhem o vício de coçar a cabeça se falharem um golo, como o Brahimi  fazia e tanto me irritava. Acreditem nas vossas capacidades!

08 agosto, 2019

Eu treinador de bancada me confesso


Foi muito bom, para começar...
Não quero meter-me em questões técnico-tácticas do futebol, nem armar-me em treinador de bancada. Se é melhor jogar em 4X4X2, ou 4X3X3, ou com o jogador A, ou B. Isso caberá apenas ao treinador, e só com o decorrer do  jogo podemos concluir se o sistema e a equipa funcionaram bem.  

Porém, há aspectos do jogo que saltam mais à vista dos espectadores que lhes dá todo o direito de transmitir a sua opinião pessoal, seja ela positiva ou negativa. 

Antes de mais, felicito-me pelo resultado obtido ontem pelo FCPorto na Rússia, com o Krasnodar. O 1-0 é curto em resultado, mas pode vir a tornar-se grande lá mais para diante. Tendo em conta a conjuntura actual do clube e da equipa, foi um bom resultado. Fosse essa a minha maior preocupação com o FCPorto. Por mais difíceis que sejam os adversários que vai ter de enfrentar para chegar à fase de grupos da Champions, podemos ter a certeza que não vamos ter os árbitros, ou a comunicação social a fazerem a triste figura dos portugueses, ou seja: "as coisas pelo outro lado" . A não ser que tenhamos muito azar, ou que a mão "cartilheira" já tenha chegado à Europa (o que não me surpreendia). 

O plantel teve muito pouco tempo de preparação, é sabido. Há jogadores novos na idade e no clube, portanto ainda é muito cedo para começarmos a "malhar" nos rapazes que se portaram pior. Toda a gente considerou o Sérgio Oliveira o melhor da equipa, opinião com a qual não discordo, até pela importância do golo, mas coloco-a ao mesmo nível da estupenda defesa de Marchesín, sem a qual o resultado podia ter ficado em 1-1. Posto isto, passo ao que mais me preocupa para o futuro (próximo): é preciso rematar, rematar e rematar! Muito treino específico.

Esta é uma fraqueza já antiga que urge resolver. Se como adeptos não podemos assistir aos treinos regulares de vez em quando, para podermos entender melhor esta dificuldade, só a podemos avaliar pelos jogos. Na minha opinião, este é o problema maior do nosso plantel, sobretudo com alguns jogadores antigos. Ontem Soares falhou várias oportunidades de golo, Marega e Corona também, e todos por manifesta impreparação técnica e posicional. Naturalmente que vão melhorar com o tempo, mas então talvez seja imprudente intensificar demasiado cedo a questão física, que é o aspecto que mais caracteriza o modelo de jogo de Sérgio Conceição.

Neste capítulo, a prematuridade da época não pode servir desculpa, porque já aconteceu o ano passado, praticamente durante todo o campeonato. Criávamos muitas oportunidades, é verdade, dominávamos os adversários, mas não soubemos transformar esse domínio em golos, o que contribuiu (em parte) para a perda de mais um campeonato... É portanto um aspecto técnico que tem de ser revisto, e bem. Sabemos que isso tem também a ver com a habilidade pessoal de cada jogador, mas justamente por isso, requere acompanhamento individual, consoante a competência de cada jogador. Será que este treino específico tem merecido a atenção necessária?

O outro aspecto que conviria melhorar, e muito, é a qualidade do passe (intensidade e direcção), mas também a velocidade de jogo nos contra-ataques com as respectiva desmarcações consoante o posicionamento dos adversários.

Claro que Sérgio Conceição sabe isto muito melhor que eu (treinador de bancada), mas a verdade é que só vi estes movimentos serem executados na primeira fase da temporada 2017/18. Por fim, a rapidez de execução é também fundamental. Se não formos evoluindo nestes "detalhes", vamos ter muitas dificuldades tanto a nível nacional como europeu. Podemos não ter super-craques mas temos de fazer tudo para os aproximar desse nível. Isto, ignorando o que não é conveniente ignorar, os rivais da corrupção. Esses, precisam de ser combatidos com outro tipo de equipas, e de "treinadores"... 
  
   

05 agosto, 2019

Os portistas querem estar unidos, mas há alguém que não quer...


Resultado de imagem para adeptos do FCPorto

Cansados de sentir o seu clube  orfão de líderança , existe uma considerável facção de adeptos portistas a viverem condicionados entre a dúvida de pressionar os dirigentes por não serem mais activos na defesa do clube, e o receio de virem a ser acusados de divisionistas pela mesma razão. E há outra parte, mais condescendente, e menos combativa, que não está para se chatear por causa do FCPorto, mesmo que o clube continue a ser prejudicado pela máfia instalada no futebol português (e não só...)  

Quando isto acontece, é mau sinal. Significa que a liderança é fraca por qualquer razão estranha, e que além disso não a reconhece, preferindo ignorar o estado de angústia em que deixa os adeptos, mesmo os mais passivos, o que é uma grande ingratidão.

Resulta que desta ambígua e grave situação, os portistas acabam por ver-se entalados  numa controvérsia que não pediram. Porque, se há uns que já não hesitam em apontar o dedo aos principais responsáveis (que, como é óbvio, é quem manda), outros preferem acusar como responsáveis os elementos directivos do escalão secundário, ou mesmo os jogadores (o que é uma tolice).

O certo é que, uns e outros, já não sabem para onde se virar. Pudera! O problema do FCPorto não é meramente desportivo, é de raíz política! Os organismos desportivos, as Federações e as Ligas, estão sob a tutela do Estado. Ora, se as tutelas são facciosas e disfuncionais, como é que os adeptos de um clube podem defender-se  dentro da Lei, senão através dos respectivos dirigentes? Só se forem para a rua manifestar-se! E mesmo assim, quem nos garante que o Governo não intercede com a polícia de choque? Será isso que o Sr. Pinto da Costa e o grupo da SAD esperam? Então, mais uma razão para mostrarem o que valem e assumirem de vez as responsabilidades que lhes compete.

Vivemos num país, sem rei nem roque, governado por bandalhos, mas ainda assim, com figuras de Estado pagas e nomeadas para executar, mas que se contentam em representar, sem interferir quando lhes dá jeito, mesmo indo contra as normas constitucionais!

Um Estado sectário, hipócrita e divisionista, absolutamente anti-coeso, inimigo da unidade nacional! E, por mais paradoxal que isso pareça, um Estado que rejeita a Regionalização administrativa (menos autónoma que a regionalização política)  é um Estado totalitário, inimigo confesso da democracia.  Por conseguinte, porque tem medo de sofrer as consequências do separatismo que os seus próprios agentes andam há anos a semear, também através do futebol! Eles temem que um dia façamos uma revolução que possa conduzir à independência do Norte. O medo é esse. Mas a estupidez é tanta que acaba por denunciá-los. E o Sr. Presidente da República em vez de abrir os olhos, de corrigir a asneira do referendo anterior para o qual contribuiu, devia ser o primeiro a apoiar essa reforma. 

Resumindo, das duas, uma: ou o Presidente do FCPorto muda de agulha, e decide enfrentar o Estado, reforçando o Porto Canal com uma política de comunicação frontal, e competente, ou vamos continuar a ter dissabores. Os corruptos, continuam activos, e nem o melhor plantel do mundo nos salvará da derrota, porque o Benfica tem o poder na mão e todas as instituições desportivas controladas, para além de muitos clubes "concorrentes".

Se não quiserem entender isto, depois que não se queixem, não respondam com histórias da carochinha, porque já ninguém acredita nelas.

PS-A previsível absolvição do "juiz" Rui Rangel não é mais que a confirmação do que acabo de escrever. Portugal tornou-se numa ditadura corrupta, de rosto "democrático". Se alguém ainda tiver dúvidas, é porque anda na vida a ver passar os "comboios", e não passa de um resignado.

02 agosto, 2019

Jornalismo terrorista, e Regionalização venenosa...


É já longo o hábito adquirido de ler diariamente jornais . Iniciou-se no Porto, na minha cidade natal, com o "JN", depois o "Primeiro de Janeiro", o "Comércio do Porto", e por fim o "Norte Desportivo". Mais tarde, já em Lisboa, no princípio dos anos 70, pouco antes do 25 de Abril de 1974, seleccionei o "República", a seguir o "Diário de Lisboa", e por fim "O Jornal" e "O Jornal Novo". Era uma época rica nesta matéria, surgiam jornais, uns atrás dos outros. A democracia dava os primeiros passos, despontava a discussão política, e a imprensa proliferava como nunca, particularmente em Lisboa. 

Liam-se artigos de diferentes tendências políticas, e a credibilidade do jornalismo ainda respirava alguma saúde, à excepção de um pasquim chamado "O Diabo", fundado por Maria Armanda Falcão, mais conhecida por Vera Lagoa, uma reaccionária extremista que só a tolerância de uma democracia incipiente tolerava. Havia jornais para todos os gostos e tendências, uma fartura que com o avançar do tempo se foi degradando, tal como a actividade política, e com ela a democracia que julgávamos finalmente conquistada. Os partidos abandonaram as ideologias, passando a defender as suas teses através de promessas que sabiam nunca cumprir, até chegarmos ao deboche político que hoje conhecemos.

Foi assim que se foi perdendo a ilusão de algum dia chegarmos a ver um Portugal próspero e civilizado, económica e socialmente justo. Naturalmente dir-me-ão que é mentira, que agora o país está "muito" melhor, que os pobres do interior já não se limitam a comer um naco de pão com sardinha, que há auto-estradas, enfim, um paraíso. Claro que para os que enriqueceram corruptamente (e continuam a enriquecer assim), tudo foi conquistado a pulso, com o suor do trabalho, mas isso é música em que já ninguém acredita, ou quer ouvir. Todos sabemos que a falta de vergonha impera, e nos mais poderosos, naqueles que deviam estar na cadeia em vez de desafiar o próprio poder judicial, provando definitivamente o  grau de libertinagem a que chegou o próprio Estado.

Andam a iludir o povo com Comissões pró Regionalistas, procurando mais uma vez enganá-lo. Há ainda quem acredite que agora alguma coisa será feita. Desde já começam mal, ou seja, deixam a nu o rabinho da ratoeira, outra vez com o veneno do referendo. Claro que o primeiro foi mal explicado, que as regiões quadro foram confusas, divisionistas de per si, que nunca devia ter sido aprovadas. Mas, foi preciso tantos anos para chegarem a essa conclusão? Ou dói-lhes a consciência saber que nos andam a roubar, a tratar com desprezo? Ou será que o Sr. Costa quer apenas garantir uma maioria absoluta? Que "esperto" que é o rapaz. Vem vender-nos o patuá, para saberes como acreditamos em ti e na tua legião de serviçais. 

E agora, que garantias nos dão de tudo o que vier a ser decidido se mesmo pouco antes das próximas legislativas continuam a discriminar o resto do país, económica e socialmente?   Serão porventura gente habituada a respeitar a Constituição? A Lei? Serão mesmo?  Então, porque é que a alteraram, se nela nada constava sobre o referendo para avançar com a Regionalização? Quem nos diz que não voltam a fazer o mesmo? A Lei? O que é que significa um documento constitucional para suas Exas."? Mas o que vale a Lei para os políticos? E para a própria Justiça, o que vale? Valerá a prisão de Rui Pinto, ou a liberdade de Vieira? Serão estas jogadas meliantes, a justiça nacional? Que vergonha.

Seria mais indicado que gozassem a família, não nós. Que respeitassem quem é respeitável, que não brincassem com gente séria. Qualquer dia acordam, e quando forem ao espelho deparam com um verme pela frente. Era bom que se assustassem.

Pois se ainda acreditasse na palavra dos políticos, esta seria uma boa razão para regressar ao hábito de votar, mas primeiro quero ver para crer. Lamento, mas eu não arrisco. Se me enganar, cá estarei para me redimir.

28 julho, 2019

Ana Gomes, a única referência ética da política portuguesa?


A ex-eurodeputada e ativista Ana Gomes divulgou um relatório da Comissão Europeia sobre os riscos de branqueamento de capitais no futebol
A ex-deputada do Parlamento Europeu, Ana Gomes, divulgou este domingo, na rede social Twitter, um relatório elaborado pela Comissão Europeia sobre os "riscos de captura e 'lavandaria' por máfias via clubes de futebol", que entre outros refere um esquema russo em Portugal, detetado pela Polícia Judiciária e a Europol, a conhecia Operação Matrioskas,
Ana Gomes refere que na página 235 do relatório, "a Comissão Europeia aponta o uso de "membros de família, advogados, consultores e contabilistas" em transferências de jogadores de futebol para criar estruturas para branquear e transferir fundos e investimentos mafiosos em negócios legítimos, via contratos de imagem, publicidade e patrocínio". Neste segundo tweet, a socialista refere-se a Carlos César, presidente do PS, quando diz: "Para ilustração de César e de todos que fecham olhos: relatório da CE sobre riscos de captura e "lavandaria" por mafias via clubes de futebol"
o/files/supranational_risk_assessment_of_the_money_laundering_and_terrorist_financing_risks_affecting_the_union_-_annex.pdf 
Recorde-se que Carlos César (presidente do PS) respondeu ao Benfica, que enviara uma carta ao Partido Socialista de forma a esclarecer a posição do partido sobre a acusação da eurodeputada Ana Gomes em relação à transferência de João Félix para o Atlético de Madrid. Uma resposta a que O JOGO teve acesso e na qual o Partido Socialista demarca-se das acusações feitas por Ana Gomes, ex-eurodeputada do partido, em relação à transferência de João Félix. Sobre isso, Ana Gomes reagiu também no Twitter: "Agradeço ao presidente Carlos César o afã de esclarecer o óbvio: não represento o PS e o que digo e escrevo só me vincula. Sendo socialista, e não apparatchik, não abdico de dar uso à minha cabeça... Já César, usa o que pode face a [Luís Filipe] Vieira: a César, o que é de César", escreveu, na sexta-feira de manhã.

De recordar que Ana Gomes questionou na rede social Twitter se a venda do avançado português não seria um "negócio de lavandaria", em resposta a um outro tweet e levantando a possibilidade de um crime de branqueamento de capitais a envolver as negociações.

27 julho, 2019

Um pouco de orgulho pessoal e familiar compensa o desgosto nacional. Ainda bem

Ana Gomes faz a diferença. E não deixa dúvidas


Ana Gomes reagiu esta sexta-feira à tomada de posição do PS sobre as declarações que a ex-eurodeputada havia feito sobre a transferência do futebolista João Félix para o Atlético Madrid.


"Agradeço ao presidente Carlos César o afã de esclarecer o óbvio: não represento o PS e o que digo e escrevo só me vincula. Sendo socialista, e não apparatchik, não abdico de dar uso à minha cabeça... Já César, usa o que pode face a Vieira: a César, o que é de César. E viva o Partido Socialista!", pode ler-se no tweet.


Renovar o Porto:

Os últimos tempos têm-me levado a questionar como andará a trabalhar a cabeça de alguns agentes das instituições judiciais deste miserável país. Reporto-me propriamente ao desempenho face às suas próprias consciências... O que é que eles pensam (se é que pensam) da opinião de um grande número de cidadãos sobre os seus métodos de trabalho enquanto funcionários do Estado responsáveis por diferentes processos. 

Para falar apenas do casos mais conhecidos (entretanto silenciados), destaco o dos Emais, do chamado "Polvo Encarnado", e mais recentemente do "Hacker" Rui Pinto, esse "monstro" malfeitor, rápida e zelosamente encarcerado por esses cavalheiros. O que irá naquelas cabecinhas de  funcionários públicos? Que imagem pensam eles deixar na opinião pública livre, honesta e descomprometida? Da sua integridade profissional? Do seu sentido de responsabilidade? Do seu carácter? Será que atribuem nota positiva aos seus próprios desempenhos?  Até pode ser que sim, só que para que outros acreditem, importa cumprir certas premissas: uma, é a coerência, e a outra a honestidade! Mas, será que tanto num caso como noutro têm revelado esses dotes? Pois cá para mim, não! De todo. Basta comparar a rapidez,  o empenho com que prenderam Rui Pinto, com a frouxidão pacífica como lidam com os processos do Benfica para termos fortes dúvidas sobre a sua idoneidade. Cheira mesmo a trafulhice. Lá diz o ditado, para ser sério, primeiro é preciso parecê-lo, e a Justiça também não foge à regra, apesar das suas mui labirinticas "leis" (será por acaso?).     

Para que certos cretinos não tentem intimidar-me com faltas de respeito ao Estado, informo, sem ponta de presunção, que sou neto de um oficial do exército medalhado com a Torre e Espada (a mais alta condecoração nacional) com nome gravado numa rua da cidade do Porto, facto que me enche de orgulho. É um orgulho alimentado pela sua coragem e integridade não tanto pelo seu estatuto multi-relevante. Como não canso de dizer, o estatuto é apenas estatuto. Sou também  filho de um  Inspector da PJ, igualmente competente e honrado. Ambos já falecidos, ambos cidadãos íntegros! 

Se meu avô teve a coragem de colocar no banco dos réus um determinado presidente da Câmara por suspeitas de corrupção, não cedendo a uma subtil tentativa de o "amansar" para evitar julgamento, o meu pai testemunhou pessoalmente a corrupção que pairava naquele tempo na PJ (foi Inspector), que tantos prejuízos pessoais lhe causaram por desalinhar do esquema vigente... Isto, no tempo do outro regime, em plena ditadura! Um regime também hipócrita, que apesar disso não se arvorava em democrata, como fazem os políticos contemporâneos com o mais nojento dos cinismos.  Tenho idade suficiente para saber muito bem como funcionavam as coisas nesse tempo  e como funcionam agora, e não tenho a menor dúvida de que pouco falta para voltarmos atrás, a uma ditadura pidesca. A corrupção dos tempos que correm é muito maior, e mais descarada, que naquele tempo, porque apesar de tudo as pessoas ainda tinham vergonha. Hoje, até os políticos denunciam essa ausência de pudor. Nunca vi o país tão pobre de valores como agora! Nunca! 

Por isso pergunto: como é possível que um ex-traficante de droga, um tipo com currículo de ladrão ousa pedir a um partido de governo para se demarcar da posição de uma ex-deputada (Ana Gomes) sobre um assunto do foro judicial em que o seu clube foi envolvido? Como? Eu respondo: porque a classe política deixou-se prostituir sem dar por isso (que ainda é pior). E aqui, entra a passividade do presidente da República e do próprio 1º-Ministro, todas as outras instituições relevantes pactuam por subalternidade hierárquica. É este o quadro miserável em que vive hoje o país. E é muito triste vermos tão pouca gente a insurgir-se, revoltar-se mesmo com esta pouca vergonha. Ontem, por exemplo foi o ministro da Administração Interna a fazer figura de urso com um palavreado trapalhão de irresponsável, quando interrogado sobre a incompetência do combate aos fogos, atirar-se contra um presidente de Câmara para poupar a rotineira incompetência dos governos nesta matéria. Dá vontade de lhes bater. As suas reacções causam revolta, estimulam a violência popular. O que lhes tem valido é que, como alguém disse um dia, o povo é sereno... Se assim não fosse já outra revolução constava da nossa História.  

PS-Sobre os incêndios em Portugal ando há ANOS a escrever sobre isto. Já cansa. Sobre a contínua incapacidade dos governos para lidarem com este trágico problema. Prometem isto e aquilo, e volta tudo à incompetência de sempre. Só sabem é aldrabar, e mesmo assim mal. São uns inúteis. Era um boa oportunidade para se queixarem das abstenções...  


23 julho, 2019

Um clube com um presidente passivo terá futuro?


Ninguém pode acusar-me de me abster de dizer o que penso sobre o comportamento actual do presidente do FCPorto, lamentavelmente bem diferente do passado, para pior. Sempre o respeitei, mesmo nos momentos em que se deixou envolver com gente pouco recomendável para o clube e para a sua própria imagem. Antes de tudo, importava-me era que fosse um líder competente, interventivo e presente, como foi durante muitos anos, o resto, pouco me interessava.

Até ao momento em que entrou numa espiral de desmazelo, reflectida no preço e valor técnico de alguns jogadores (e treinadores). Até aí, sempre o apoiei, respeitei e defendi. A partir dessa altura, e dos consequentes resultados, acompanhados pela descarada protecção do Estado ao clube do regime, sem que PC ousasse tomar medidas firmes contra a situação, fui-me decepcionando, perdendo-lhe parte considerável do respeito que lhe tinha (apesar da idade).  

Não sou dos que criticam de viés, daqueles que pensam que só por um homem ter feito algo de positivo numa fase da vida, e de merecer respeito por isso, passa a ser respeitado eternamente mesmo que desrespeitando quem o apoiou enquanto mereceu. Se censuro o que está mal no FCPorto não recorro à imputação abstracta da culpa, alegando que "alguém" do FCPorto tem de defender o clube. Não caio nessa demagogia, vou directo ao assunto, e cito o nome desse alguém escrevendo legivelmente o seu nome, incluindo os cavalheiros que representam a SAD.  

A frontalidade é isto, não é fugir à realidade só porque o nim é mais conveniente. Ser frontal é citar o nome das coisas, para não deixar equívocos. O respeito é importante, mas deve ser equilibrado, eu gosto de respeitar todos por princípio, mas na volta gosto de ser retribuído. Ora, como adepto que já foi sócio, acho que o senhor presidente do FCPorto não me está a respeitar por se remeter ao silêncio sobre assuntos da maior gravidade que estão a acontecer e a prejudicar o FCPorto. Todos sabem do que se trata, mas segundo Pinto da Costa, silenciar quando a comunicação social vai divulgando sucessivas ilegalidades praticadas pelo clube do regime, parece ser a reacção certa. Ninguém compreende isto. Eu pertenço a esse grupo. Não olho para Pinto da Costa como se fosse um Deus, olho com o realismo de quem olha apenas para outro homem. Um homem que já fez coisas importantes, e que admirei, mas que agora está diferente, para pior. 

O factor idade aqui é irrelevante. Nada lhe falta, dinheiro, conforto e saúde. E isso já é muito bom para um homem da sua idade. Enquanto adepto do FCPorto só me faz falta é alguém que o governe de forma competente, corajosa, séria e interventiva. Mas esse alguém já não pode ser P.Costa, porque o clube precisa de fibra, de se defender de um regime ditatorial, e sectário.  Digo eu. Mas se o Sr. Pinto da Costa considera democrático este governo, então que reclame, que pergunte ao 1º. Ministro porque é que Paulo Rebelo ainda não foi corrido do IPDJ, porque é que as arbitragens continuam a ser tendenciosas com o FCPorto, por que é que os órgãos desportivos ainda não foram saneados. 

Ou será que Pinto da Costa ainda acredita que eles não vão continuar a prejudicar-nos?  Se há mérito nesses gajos é o da "arte" de representar, ainda que insuficiente para encobrir a máscara. Já falta pouco para a próxima época começar. Se o próprio calendário dos jogos do FCPorto é de per si tão estranho e revelador ao mesmo tempo, o que será daqui a meia-dúzia de jornadas?

Será que não deu para perceber essa tendência do assobiar para o lado quando há lances violentos mesmo nos jogos  de  pré-época? Então a forma excessiva, sarrafeira mesmo, como o Getaf jogou contra o FCPorto não justificava desde o início do jogo várias intervenções com cartões coloridos? E se um dos nossos jogadores fosse outra vez para o estaleiro, já se faziam ouvir as vozes? Aguardemos pelas cenas dos próximos capítulos para ver se vai tudo ser como dantes? Talvez depois apareçam os queixumes da praxe. Depois, sempre depois do mal estar feito.


22 julho, 2019

Rescaldo da Copa Ibérica

Há talento, é preciso saber aproveitá-lo,
 e DEFENDÊ-LO...
Ainda é cedo para termos uma ideia do que vale o plantel actual do FCPorto, até porque ainda não foi definido que jogadores vão ser dispensados (além dos que já partiram), nem se vai chegar um ou outro reforço.  Além disto, será necessário  algum tempo para afinar o sistema de jogo, e determinar a equipa que pode conferir melhores garantias, ou seja, escolher a formação tipo. Portanto, começar já a tirar conclusões precipitadas, como alguns portistas já andam fazer, para o bem e sobretudo para o mal, é manifestamente prematuro, e imprudente.

Este hábito de apreciação prematura é errado, especialmente quando dirigido a jogadores sobre os quais ainda pouco se sabe em termos genéricos. O que importa é que sejam tecnicamente bons, e essencialmente com grande sentido de equipa. Não querendo evocar águas passadas, cito o exemplo de Brahimi, a quem no decorrer do tempo foram dirigidos elogios exagerados, e mesmo logo nas primeiras exibições, antes de se afirmar, e que mesmo assim gozou dessa fama quase até ao fim do contrato. Era um jogador de raros bons momentos, e de baixíssima auto-confiança. Sempre o vi como um jogador demasiado individualista, com uma técnica vistosa, mas pouco eficiente. Era o típico jogador de caprichos. O que quero dizer, é que o FCPorto não pode dar-se a esses luxos, porque quem tem menos a ganhar é o clube, não o jogador.  Este tipo de atleta é antítese do jogador à Porto. Citei este exemplo como podia citar outros, mas como disse, não é esse o objectivo deste artigo. Só para citar o exemplo radicalmente oposto, escolho o inesgotável Alex Telles, um jogador de equipa, raçudo, e tecnicamente evoluído.

O primeiro ponto que me ocorre referir, sustentado nas fragilidades evidenciadas na última época tem a ver com o modelo de jogo que o treinador Sérgio Conceição pretende privilegiar. Será o mesmo? Então, importa saber se está preparado para aperfeiçoar a gestão do esforço físico que esse modelo implica. As lesões da época anterior foram constantes, apesar dos cuidados físicos médicos e de treino, portanto é um aspecto que importa ponderar. Depois, o aperfeiçoamento técnico da qualidade e intensidade de passe, e do remate. Há jogadores, que já estão há uns anos no FCPorto, cuja identificação me escuso a revelar por uma questão de bom senso,  que ainda têm algumas dificuldades nestas vertentes específicas. Penso que deviam merecer treinos particulares e mais intensos para esses fins. Outros há, que sendo até muito mais jovens que os seniores, já revelam uma qualidade de passe e remate acima do que seria previsível para a idade. Refiro-me naturalmente aos juniores, como Fábio Silva, Romário Baró, Fábio Vieira e Tomás Esteves, só para falar dos mais destacados (porque há outros). Há jogadores que já nascem com esses dons, que quase não precisam de treinos. O gosto pela redondinha é tão forte que desde pequenitos se esforçam por imitar os craques seu ídolos, e conseguem fazer em poucos anos o que outros não conseguem a vida inteira. Quando jogadores deste tipo sabem conciliar o talento natural com a maturidade precoce, quase dispensam treinadores técnicos. Em princípio não criam grandes dores de cabeça aos treinadores.

Sucede que existem outros jovens que não tendo as mesmas faculdades dos mais talentosos, podem vir a ser também grandes craques, a diferença consiste em necessitarem de mais tempo de treino, mais apurado e específico. E é aqui que persiste a minha dúvida. Será que para estes casos concretos há treinos suficientemente eficazes? Terão o êxito  esperado? Tenho dúvidas.

Se os leitores observarem com atenção o modo como estes jovens talentosos tratam a bola, como a passam, e como a chutam, independentemente da experiência de cada um, vão reparar que não é só no contacto nem na posição como tocam a bola que está a arte, está também na posição do corpo consoante a direcção da baliza, ou no caso do passe, do colega mais próximo. Esses não se limitam a olhar para a relva, apenas onde está a bola, eles olham rapidamente também para o local onde está o objectivo, e só depois concretizam. Nem sempre com êxito, é natural, mas com mais sucesso do que aqueles que se limitam a olhar para a bola. Eu acho que é aqui que reside a diferença. Se aliarmos ao talento pessoal do jogador, mais ou menos talentoso, o hábito de levantar a cabeça para o campo antes de decidirem para onde enviar o esférico, teremos seguramente um jogador mais completo, mais assertivo.

Em pouco tempo, os poucos jogos que vimos desta mistura entre jovens e seniores, deu para perceber porque é que uns falham menos que outros.  O talento é também inteligência e auto-confiança. Sem beliscar o orgulho de Brahimi, para mim, além da sua vaidade excessiva, relevava o seu pior defeito, que era não acreditar em si próprio. O que mais me chateava nele, para além do individualismo que tantas vezes o fez perder a bola, era colocar as mãos na cabeça após o falhanço. Esse gesto vicioso impediu-o de evoluir. E foi pena.

17 julho, 2019

Rui Pinto crucificado por crimes de terceiros que vivem em liberdade...

Resultado de imagem para Rui Pinto
Rui Pinto, ajuda o país
que o mantém na prisão...


Delphine Halgand-Mishra, directora-executiva da organização The Signals NetWork, protectora de denuciantes, que apoia e suporta os custos de Rui Pinto, anunciou o seguinte:

"a informação revelada e publicada nos meios de Comunicação levou 9 países a abrirem processos de investigação. Há procuradores a trabalhar e a perseguir verdadeiros criminosos. E é importante que a colaboração continue. Mas a questão é que terminou desde que (Rui Pinto) foi detido em Portugal. Os procuradores não conseguem falar com ele. O facto de estar preso fez parar a investigação de 9 países...

Conclusão: 

Rui Pinto está preso, entre outras perplexibilidades, por ter mais conhecimentos técnicos, e intelectuais, que os agentes de investigação portugueses e, paradoxalmente, por retribuir a "delicadeza" da hospitalidade com a denúncia de crimes gravíssimos contra o próprio Estado que de outra forma nunca seriam revelados...

Segundo Ana Gomes, a ministra da Justiça garantiu-lhe apoio e colaboração judicial. Ana Gomes adiantou que se as autoridades francesas pedirem, podem vir e obter a colaboração de Rui Pinto. 

As denúncias de Rui Pinto (piratas são os corruptos que por aí andam à solta) já permitiram a recuperação de 35 milhões de Euros, embora ainda não se saiba de quem... 

Resultado de imagem para Procuradora Eva Joly
Procuradora francesa
Eva Joly

«Se não fôr investigado aqui, será
noutro sítio. E para o mundo Portugal
fica como o país que não quis ou
"não podia" saber»

Resultado de imagem para Ana Gomes
Ana Gomes
«Se a evidência que serve para os outros
é desconsiderada em Portugal, é porque
alguma coisa vai mal. E não é no
 reino da Dinamarca»

Resultado de imagem para delphine halgand-mishra
Delphine Algand-Mishra, Directora-Executiva
da THE SIGNALS NETWORK