23 maio, 2017

Vamos falar claro sobre o centralismo?



É verdade. Quando este monstrozinho estende as garras, quando começa a arranhar bem fundo o povo do futebol, aí sim, o centralismo existe mesmo, adquire importância, e desperta a atenção que afinal sempre devia merecer. Não será por acaso, embora não deixe de ser um sinal de inépcia, que lisboetas e benfiquistas são maioritariamente contra a regionalização. Uns, porque beneficiam directamente com isso, e outros, porque ignorando o mal que provocam às  suas regiões de origem (alguns são do Norte), optam por estar com o clube. Num país de gente civilizada isto é impossível.

Mas, afinal, o que é o centralismo? Por que só agora é que começamos a ler comentários sobre o assunto, quase em exclusivo nos blogues portistas? É simples: porque sofreram na pele o efeito da sua acelerada implementação. Centralizar, é antes de tudo fazer batota no modo de governar um país, é tornar a desonestidade uma coisa natural. É discriminar, é exercer a injustiça em todas as suas vertentes: na ética, na moral e no exemplo. No futebol, o centralismo tem mais dificuldade em se esconder (que o diga, António Costa), e só por isso é que já começa a levantar suspeitas e... apreensão.

Chamemos os bois pelo nome, e não tenhamos medo de ser politicamente incorrectos. Os leitores acham que são os adeptos comuns, os que seguem o FCPorto no futebol, nas modalidades, em casa ou nos estádios, quem têm o dever e as ferramentas para lutar contra o centralismo? Seguramente que não. Nós, aqui na blogosfera, só podemos dar um pequeno contributo, porque os meios são escassos e de irradiação restrita. Mas, o FCPorto, que é propritário do Porto Canal e tem recursos financeiros, podia, ou não fazer muito mais pela descentralização?

Eu, não só o afirmo, como tenho a certeza que podia fazer mais. Promovendo debates temáticos com protagonistas livres, sem amarras a jornais, a negociatas obscuras, a compromissos não declarados, a conveniências. A verdade, é que o Porto Canal limita-se a ser simpático com outras regiões, deslocando para lá repórteres, abrindo agências, mas não promove o tema, não o desenvolve, denunciando a perversidade do centralismo. Não informa.

Algumas vezes até, roça a contradição, chama a si protagonistas indesejáveis, alguns dos quais anti-portistas e anti-regionalistas que nenhuma relevância têm para o país. Não é selectivo, não inova, nem agita. Não desafia os políticos, não os persuade a aderir em favor da causa, limita-se a ouvir calmamente a sua linguagem trapaceira e defensiva.

O Porto Canal precisa de temas? Mas, é coisa que não falta. Que pergunte aos políticos, sem lhes dar ensejo a respostas manhosas, como explicar que a segunda cidade do país tenha perdido protagonismo e até autonomia, com o 25 de Abril,  com a "democracia", comparando com o passado salazarista? Perguntem-lhes se isso é evoluir, ou regredir, se é uma vantagem, uma conquista da Democracia? Mas não aceitem nunca a negação dos factos.

Bancos, como o BBI (Banco Borges & Irmão) e o BPM (Banco Pinto Magalhães) puderam abrir as suas sedes no Porto, agora, em liberdade, nada têm. Rádios, jornais, tudo se esfumou, até o JN agora está nas mãos de lisboetas. Querem audiências no Porto Canal? Pressionem-nos, obriguem-nos a largar a máscara, vão ver que aos poucos as coisas mudam. Saber quem é responsável por esta regressão, é fundamental, e embaraçá-los também. Políticos ou empresários do norte, forcem-nos a tomar decisões, em vez de possibilitar desculpas. Incomodem-nos!

Têm medo? Por quê, se em Lisboa há carta branca para produzir o que de mais ordinário e divisionista existe na programação televisiva do país? Se fôr preciso, apresentem provas, como fazem agora no futebol com o Universo Porto da Bancada, é tão simples. 

É que, se o senhor Pinto da Costa voltar a queixar-se do centralismo e a permitir ao mesmo tempo a entrada em estúdio (ou no Dragãozinho) a gente que não merece o mínimo de respeito, a centralistas doentes, então teremos a prova acabada que nunca mais restauramos o Porto da dignidade que o simbolizou.

Não me esqueço. O presidente Pinto da Costa disse que não lê blogues, mas talvez aprendesse alguma coisa se soubesse que aquilo que o Universo Porto da Bancada está agora a fazer, já nós aqui e noutros blogues denunciamos. E de borla... Se quiserem podem pegar nas ideias acima expostas e avançar. 

Prometo que não cobro royalties. Mas, mexam-se! Com o tempo, vão chegar à conclusão que o silêncio às vezes pode ser veneno. 

22 maio, 2017

O Porto, precisa de um FCPorto mais político

Já me tenho interrogado várias vezes da razão que me leva a envolver-me de forma tão intensa com o FCPorto. A primeira resposta que encontro tem a ver com o gosto pelo futebol e a relação feliz que o nome deste clube tem com a cidade onde nasci. 

Começou muito cedo esse amor, ainda na infância. E não estava só, partilhava-o com os amigos daquele tempo maravilhoso. Eramos enraizadamente Porto, sem ainda sabermos a dimensão genética do termo, mas tínhamos todos bem dentro de nós o mais importante: o sentimento. Outros clubes existiam, mas para mim só o Porto interessava. Nem o efémero sucesso europeu do Benfica beliscou o meu gosto, continuei sempre fiel ao clube da minha querida e única cidade. Curiosamente, numa época em que era proibido falar de democracia, nunca senti a repulsa que tenho hoje por esse clube, e até gostei que tivesse ganho os dois únicos troféus europeus que tem no palmarés.

Mas hoje, o meu interesse pelo FCPorto é mais amplo, mais circunspecto, mais político, se assim se pode dizer. E é essa vertente da paixão, mais racional e pragmática, que gostava de ver consolidada em todos os meus amigos portistas, porque isso ajudá-los-ia a distinguir o sentimento da razão, quando é preciso separá-los, sem nunca os danificar. Respeitando os sentimentos de cada um, talvez tenha chegado o momento de não confundir o FCPorto com Pinto da Costa. 

Ninguém que acompanha este blogue me pode acusar de não ter elogiado o trabalho notável do ainda presidente do nosso clube. Quando nos tentaram matar com o processo Apito Dourado, defendi-o com unhas e dentes porque sabia que aquilo de que o acusavam outros faziam pior, e que não era mais do que uma conspiração nojenta do regime. Promovi uma petição para afastar Carlos Daniel e Cª. da RTP,  pelo trabalho imundo e cobarde que fez ao nosso clube, sendo ele funcionário do Estado. Enfim, não fiz mais porque não pude. 

Portanto, nada que eu possa dizer de negativo de Pinto da Costa reporta à pessoa em si mesmo, mas ao papel dele enquanto presidente nos últimos anos. Importa desde logo questionar, que justiça analítica pode haver quando se concentra num só homem o sucesso de um clube, assente no  mérito e na liderança, a ponto de ser quase endeusado, e se desprezam essas prerrogativas para não termos de aceitar que esse homem atingiu o princípio de Peter? Porque já não revela as mesmas faculdades. Se é evidente que o clube que ele tanto ajudou a progredir se descaracteriza a olhos vistos? Que deixou de ser respeitado? Em futebol, num clube com o histórico do FCPorto, quatro anos de insucessos podem mesmo conduzí-lo à falência. E neste capítulo, não vou alongar-me mais.

Se bem entendo, os adeptos vivem o temor de vazio. Receiam que a saída de Pinto da Costa possa provocar o caos, mas esse é um risco que temos de correr, e quanto mais tarde o fizermos pior. Já lá vão 4 anos a perder, e não foram só troféus. Foi prestígio, e internamente, respeito! Esta é para mim, a falha mais grave e intolerável de Pinto da Costa para com o próprio clube. 

Dizem alguns, com meia razão, que ninguém aparece a candidatar-se ao lugar de presidente. Pergunto: mas não será exactamente por respeito ao actual que isso acontece? Aliás, devia ser Pinto da Costa a assumir a responsabilidade pelo que se está a passar e promover eleições, reconhecendo que já não tem condições físicas e anímicas para liderar. Neste contexto, era assim que ele devia agir, evitando que os pontenciais candidatos viessem a ser acusados de querer desestabilizar o clube. Não o fazendo, é muito provável que isso possa mesmo acontecer. Não é impossível.

Agora, há sem dúvida um aspecto fundamental que não podemos negligenciar e que exige critérios escrupulosos, que é saber quem lá vamos meter. Candidatos, descansem, não vão faltar, e os oportunistas vão estar em maioria. Portanto, nada de votar como se vota na política, sem sabermos de que planeta virá o candidato. Este país está cheio de corruptos e oportunistas (mesmo no Porto), e se não tivermos muito cuidado na escolha até podemos lá meter, sem sabermos, um vermelho... Estes gajos qualquer dia dizem que o Porto é deles. Têm lata para tudo. 

Surriparam-nos rádios, bancos, jornais, e negaram-nos televisões. Só lhes falta mesmo é roubarem-nos a alma. Esqueçam as lendas da história. Esqueçam o síndrome da hispanofobia. Os maus ventos e maus casamentos, sopram todos de Lisboa, a cidade mais torpe e divisionista do mundo. Será por isso que eles nos querem invadir? 

Queira Deus que nunca mais lá tenha de pôr os pés. Nunca lhe sentirei a falta, até morrer. 

20 maio, 2017

Recapitulando erros dos dirigentes do FCPorto

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Os portistas estão cansados de escândalos. Mesmo que habituados a ver os rivais de Lisboa usarem todo o tipo de estratagemas para os derrubarem, sempre puderam contar com a combatividade do presidente para encabeçar a defesa do clube. 

Esse cansaço nunca os impediu de aguentarem escândalos como o processo Apito Dourado e os efeitos secundários dos respectivos cães de fila instalados na comunicação social, mantendo-se sempre ao lado de Pinto da Costa, apoiando-o mesmo quando ele se rodeou de companhias pouco recomendáveis. Tudo aguentaram, confiando que o homem do leme nunca fosse baixar a guarda e desistisse de zelar pelos interesses desportivos do FCPorto. Os portistas sempre souberam estar à altura do presidente que tinham. Nada mais se lhes podia exigir, foram PORTO, na interpretação mais pura do termo. Só que, mais uma vez, o presidente não correspondeu, e hoje é ele que não está à altura dos adeptos.

Os protagonistas deixaram de cavalgar a mesma onda. Uns (os adeptos), continuaram a puxar pelo clube, a gastar o que não tinham, para acompanhar o FCPorto em todo o lado, os outros (dirigentes), não responderam à altura das circunstâncias, fechando-se em si mesmo, e afastando-se, numa altura em que os adeptos mais precisavam de os ouvir.

Arbitragens metodicamente prejudiciais para o FCPorto e descaradamente favoráveis ao Benfica, a par de alguma instabilidade exibicional produziram efeitos psicológicos no trabalho dos jogadores resultando na perda de mais um campeonato. Tudo isto misturado com o silêncio do presidente e a postura demasiado permissiva do treinador, incapaz de reagir às adversidades com a contundência que se impunha tornaram impossível criar nos jogadores a mentalidade combativa que se esperava, acabando por fracassar nos momentos cruciais.

Pessoalmente, não tenho a menor dúvida que a intimidação foi a chave mestra da estratégia para perturbar o trajecto competitivo do FCPorto. Inspirados no historial passivo dos dirigentes portistas patente nas últimas 3 ou 4 temporadas, os árbitros sentiram-se confortáveis para prejudicar o FCPorto. É mais que óbvio que não o fizeram por mero sadismo, fizeram-no por clubite, e sobretudo pela falta de personalidade que parece ter-se instalado nas pessoas com cargos de responsabilidade deste país, ou seja, optaram por ajudar o clube política e mediaticamente mais "poderoso".  

Começaram por quebrar o lado combativo dos nossos jogadores, marcando faltas sucessivas sempre que davam luta. Bastava acentuarem um pouco a agressividade para imediatamente lhes serem exibidos cartões. Isto passou a ser uma constante nos jogos do FCPorto e os adversários foram os segundos protagonistas a percebê-lo interpretando a situação como um salvo-conduto para infringirem as regras do jogo sem a devida punição. A partir daí, todos os adversários copiaram a "táctica" da sarrafada, provocando faltas sucessivas, dentro e fora da área, a maioria das vezes sem qualquer admoestação dos árbitros. O silêncio dos dirigentes do FCPorto fez o resto, funcionando como estímulo para complementar os assaltos à mão armada praticados pelos adversários. O que podiam eles (dirigentes) esperar de um país como Portugal, onde a aversão à legalidade faz a regra?

Tarde e a más horas  (repetirei isto até que a voz me doa), alguém dentro da administração, por iniciativa própria ou de terceiros, decidiu então ordenar a realização do programa Universo Porto da Bancada onde se pôs a nu as arbitragens miseráveis e toda a incompetência dos órgãos federativos, numa espécie de remissão pelas falhas inexplicáveis, presidente incluído.

Sintetizando, nem o programa Universo Porto da Bancada, sendo pertinente, será suficiente para remediar o que já não tem remédio, nem terá qualquer utilidade objectiva se não fôr acompanhado de uma acção judicial empenhada às mais altas instâncias da Justiça. Será uma vergonha, o fiasco assumido por quem devia liderar em vez de simular liderança. Será cuspe solto pela boca de Pinto da Costa sobre o seu próprio currículo. Mas isso, é um problema seu. Cuspe no FCPorto, é outra conversa, pode ser traição.

O FCPorto não é propriedade privada de Pinto da Costa, Família & Companhia. É dos sócios, e de todos os portistas. Nunca imaginei ter de escrever um memorandum destes.

PS-O grave deste divórcio mal assumido entre adeptos e Pinto da Costa, é o efeito dominó que ele provoca nas outras modalidades (o FCPorto perdeu por um golo no andebol com os adeptos do pó, e o árbitro mais uma vez deu uma grande ajudinha).   

19 maio, 2017

Campeonato no papo, surge a justiçazinha...

VIEIRA INVESTIGADO HÁ 8 ANOS EM BURLA AO BPN

Inquérito Empresa do presidente do Benfica recebeu mais de 12 milhões de um crédito obtido deforma fraudulenta por outra sociedade
Clicar na imagem para ampliar (com cuidado, corre risco de contaminação)

Coincidências, meus senhores, tudo não passa de coincidências... 

Numa jornada em que o Benfica já não corria o risco de perder o campeonato (porque já estava ganho com a dignidade que sabemos), são marcados dois penalties limpos a favor do FCPorto. Antes disso, foram poupados aos nossos adversários umas dezenas deles ainda mais evidentes, a par de multiplas faltas para cartão amarelo e vermelho igualmente evidentes... 

A outra coincidência, foi a publicação desta notícia apenas agora... Uma investigação com a idade de 8 anos só foi anunciada depois de garantido mais um nobre campeonato para o clube do regime.

Palavras, para quê? Apenas concidências...

17 maio, 2017

Partidites e intriguices

Rui Moreira

Como as ovelhas não se tosquiam a si próprias, também os partidos políticos considerar-se-ão sempre insuperáveis. À medida que acentuam a indisponibilidade para se auto-regenerarem, mais frequente é o discurso da insuperação. Entende-se o instinto de defesa, mas lamenta-se que seja tão básico. 

Os políticos padecem todos de um grande defeito: acham-se mais inteligentes do que na realidade são. Se fossem inteligentes tinham mais respeito pelo povo, e governavam melhor. Não é preciso ser-se sobredotado para perceber que para atingir determinado desígnio, seja este de cariz ideológico, social ou político, é sempre indispensável uma organização. Se lhe chamamos "partido", movimento ou associação, é irrelevante, porque o que interessa é a reputação que lhe damos enquanto parte activa da mesma. Em vez de se acharem incompreendidos e insubstituíveis, os actores públicos deviam, antes de mais, interrogar-se sobre a ideia que eles próprios têm do serviço público, e só depois decidirem se têm ou não, perfil para a função. Cá para mim, suponho que nunca se deram a esse trabalho...

Mas, vamos à política que nos interessa.

Rui Moreira tem feito um trabalho apreciável na Câmara do Porto, é um facto, sobretudo na área cultural. É quase consensual. Não tem qualquer comparação com Rui Rio, para melhor, claro. Mas, ainda tem muito para fazer. Povoar mais o centro do Porto, restaurar o mercado do Bolhão (em curso) e prosseguir na reabilitação urbana que, reconheça-se, nunca foi tão dinâmica como agora.

Rui Moreira quis entrar na política livre do estigma negativo dos partidos e consegui-o. Foi suficientemente hábil para aceitar o apoio dos partidos, sem nunca dar sinais de lhes querer prestar vassalagem. Neste difícil percurso soube entender-se com Manuel Pizarro, e este com ele. Tudo parecia funcionar bem, até que de Lisboa começam a ouvir-se do PS umas indirectas pondo em aparente concorrência a importância de Moreira versus PS. Do PS Porto, o vermelho Manuel dos Santos atiçou mais a fogueira insinuando, entre outras aldrabices, que Moreira tinha a promessa de António Costa que lhe garantia um lugar no Parlamento Europeu.

Resultado: Rui Moreira decidiu avançar sozinho para as próximas autárquicas, arriscando-se a perder a reeleição. Por seu turno Pizarro, encurralado, vê-se na obrigação de concorrer à Câmara, agora contra o seu anterior Presidente. Tudo isto ainda está muito mal contado, mas seja como fôr, os directórios patidários voltaram a provar a sua veia corporativista na procura desesperada de lugares, sem levarem em consideração o mais importante: os portuenses.  Por outro lado, o PS acabou por lançar para a fogueira Manuel Pizarro, colocando-o nitidamente entre a espada e a parede, forçando-o a cortar relações políticas com Moreira.

Mesmo assim, conhecendo o que são os partidos em Portugal, com os militantes sempre mais atentos ao ego e à ambição do que aos problemas do povo, considero corajosa a decisão de Rui Moreira, porque corre sérios riscos de perder a Câmara.  Sejamos realistas: é impossível ser-se totalmente independente na vida, e na política a impossibidade é ainda maior. Agora, o que não podemos negar é que não falta coragem a Rui Moreira. 

Esta, é seguramente a faceta que mais aprecio do homem.   


15 maio, 2017

Esclarecimento


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Há coisas, por mais naturais que pareçam que custam muito a compreender. Admito que o problema possa ser meu, mas até prova em contrário, enquanto não encontrar explicação para o que não compreendo, considero inválida a hipótese da culpa ser minha.

O que não compreendo é o seguinte:

nos últimos tempos tenho lido com frequencia na blogosfera portista, a questão do poder no futebol. Mais da parte dos comentadores, que propriamente dos autores dos blogues. Umas vezes, na forma de lamento quando se trata do FCPorto, e outras, em jeito de despeito por esse poder estar agora concentrado no Benfica. 

Vejamos. O Benfica nunca perdeu esse poder, sempre o teve. Só se pode entender esta linguajem por profunda ignorância. Comparar o poder (perdido) do FCPorto com o poder do Benfica é, desculpem-me o termo, uma estupidez. Faz-me lembrar os centralistas, com a treta do portocentrismo...

Se me disserem que Pinto da Costa perdeu a fibra que o caracterizava, que já não interfere nas lutas complicadas que sempre rodearam o FCPorto, nem o defende como outrora, só posso concordar. Agora, que queiram comparar a performance branda de um líder cansado com o poder efectivo do "homem do pó", é um absurdo. Como absurdo é comparar o centralismo do Terreiro do Paço, com essa coisa patética chamada portocentrismo

Para acabar com comparações destas é preciso perceber de uma vez por todas que todos os organismos do poder (político e outros) estão fixados e centralizados em Lisboa, de outro modo não faria qualquer sentido falar-se da regionalização e descentralização. Pela mesma razão se inventou essa expressão ilusória do portocentrismo, que não é mais que uma forma ardilosa de comparar duas cidades com poderes incomparáveis.  O poder que ainda resta ao Porto e ao Norte é mais a nível empresarial e até esse soçobrou aos tentáculos do centralismo (ex. Sonae/Público/Rádio Nova).

Posto isto, resta-me esclarecer duas coisas muito sérias:  
  1. o poder de que o FCPorto precisa não é poder, é justiça. Não é canalha a brincar com ela. Para a ter, tem de contestar energicamente as actuais lideranças dos respectivos organismos, exigir a sua demissão, e requerer para os seus lugares pessoas sem ligações comprovadas a clubes. 
  2. os que confundem o poder da personalidade de um homem (já gasto), com o poder cobarde um ex-presidiário marginal, protegido por poderes efectivos da política, da finança e da comunicação social, que olhem para as coisas como elas são, sob pena de estarem a comparar um David debilitado com um exército de corruptos.

Mesmo assim, por David já não ser o mesmo, a hora é exclusivamente dos sócios do FCPorto. Cabe-lhes a eles reclamar os seus direitos e pensar se querem mais 4 anos de decadência...

PS-Completamente de acordo com a postura da claque "Colectivo 95" e absolutamente contra a retirada do seu cartaz por parte do FCPorto. É inqualificável.

12 maio, 2017

Estamos sob ataque

David Pontes*

É uma nuvem ameaçadora aquela que paira hoje sobre as democracias ocidentais. Depois de Trump e da interferência russa, ainda sob investigação, mas que é clara no que respeita ao saque a que foram sujeitos os emails da candidatura democrata, anunciava-se que algo semelhante poderia suceder com as eleições francesas. O ataque informático à candidatura de Emmanuel Macron acabou por suceder, mas na sexta-feira antes da data do sufrágio e sem resultados evidentes.
Por um lado, porque a própria candidatura tomou precauções e espalhou documentos falsos entre os ficheiros roubados; por outro lado, porque o período de reflexão - tantas vezes escarnecido entre nós - impediu legalmente os jornais de publicar matérias que pudessem influenciar o resultado eleitoral. Mas quer isto dizer que a nuvem se dissipou?
Uma investigação jornalística do jornal "The Guardian" tem vindo a revelar uma teia de ligações que mostram que ela continua ameaçadora, capaz de influenciar as nossas democracias. No centro desta teia está Robert Mercer, um multimilionário de Silicon Valley dono de um dos fundos de investimento mais lucrativos do planeta e que sozinho apoiou Trump com 13,5 milhões de dólares. Mas a sua principal arma é uma empresa chamada Cambridge Analytica, capaz de reunir e analisar gigantescos volumes de dados e com eles desenhar estratégias para influenciar eleitores. A nossa pegada digital é um manancial de informações que facilmente pode ser utilizado para influenciar a maneira como vemos o Mundo, nomeadamente através do que nos é servido na Internet, nas nossas buscas ou no Facebook, por exemplo.
Esta empresa, ou alguma das suas sucursais, trabalhou para a campanha de Trump e para a campanha do Leave e se acrescentarmos que Robert Mercer é amigo de Nigel Farage, que o conselheiro de Trump Steve Bannon foi vice-presidente da Cambridge Analytica e que esta empresa opera intensamente com empresas estatais russas e mesmo nas eleições deste país, a teia começa a revelar a sua forma ameaçadora.
A revista "The Economist" classificava esta semana os dados informáticos como "o mais valioso recurso do Mundo", apelando às autoridades que se modernizassem para enfrentar os desafios para a economia que elas representam. Mas, como mostra o caso da Cambridge Analytica, temos de ir mais longe, com novas regras para a proteção e manipulação de dados, porque mesmo que não vejamos, que mal percebamos, é a democracia que está sob ataque.
* SUBDIRETOR (JN)

10 maio, 2017

Universo Porto da Bancada, vai-se ficar pelas queixas?

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O FCPorto transporta
o símbolo da cidade:
respeitem-no!

Desde que arrancou o programa Universo Porto da Bancada [volto a insistir] estranhamente tarde, fui aqui alertando para  a trivialidade da iniciativa caso não fosse posteriormente complementada com uma decisão mais enérgica. Custa-me sequer admitir que tal decisão não tenha sido previamente considerada pelo corpo jurídico do FCPorto na eventualidade de os órgãos que tutelam a disciplina no futebol continuarem a proceder como se nada e ninguém estivesse acima deles.

O FCPorto, pela voz de Francisco J. Marques, batizou com irónica pertinência esta competição de Liga Salazar, e é verdade: tresanda a PIDE. Daí que, estando na posse de tantos elementos que provam a pertinência das queixas apresentadas com os consequentes prejuízos  para o clube, torna-se indispensável recorrer a instâncias superiores, isto é, ao Governo. É preciso lembrar a quem de direito que, segundo consta da Constituição vivemos num Estado de Direito e o que está a acontecer além de anti-constitucional é crime punível por lei. 

Os problemas do FCPorto de carácter estritamente  desportivo  relacionados com jogadores e treinador, são uma realidade, mas pertencem  a outro departamento. Têm a ver com os dirigentes e a massa associativa e devem ser resolvidos entre estes, sem fugas às responsabilidades, de parte a parte. Ponto. Outra coisa bem diferente é o comportamento dos órgãos federativos que tem de ser tratado fora do clube com a Justiça.

Na minha opinião, o problema prioritário, não é interno, é o que comecei por referir nos primeiros parágrafos: perda de confiança nos órgãos federativos. É grave. Ao contrário de alguns portistas, que estranhamente preferem ganhar a qualquer custo, "contra tudo e contra todos", pela minha parte prefiro que o FCPorto providencie no sentido de obrigar o Governo a encarar esta situação com a responsabilidade que lhe cabe, e limpar a Federação dos corpos suspeitos que a compõem. Sem isso, não haverá equipa e treinador que resistam. Tal como está, é uma competição desigual, viciada à partida. 

Nem o FCPorto, nem qualquer outro clube, podem ser obrigados a participar em provas desportivas em condições desfavoráveis. Numa competição a valer, as regras do jogo têm obrigatoriamente de ser iguais para todos. Aceitar o contrário, é pactuar com os infractores. Há quem confunda garra, superação das adversidades, com valentias quixotescas, onde a uns se permite jogar com misseis, e a outros com fisgas.

Num contexto destes, se fosse jogador, aceitava que o treinador exigisse de mim todo o empenho, que suasse a camisola, mas já não aceitava que me pedisse resultados numa prova minada por árbitros vendidos, num clube que não soubesse defender os seus atletas quando fossem ostensivamente discriminados. Não me surpreendia muito se daqui a uns tempos, soubesse que alguns futebolistas (e não só) que jogaram no FCPorto nos últimos 3/4 anos, contassem nos seus países o ambiente que aqui viveram, e a discriminação que este clube suporta para poder competir...

Chega! Quem não pode mais encolher os ombros é o senhor Presidente. Nem pode mais falar, só para não estar  calado. Tem de provar que ainda é útil, mas com as atitudes e decisões correctas. É sobretudo ele, o primeiro* responsável por deixar uns canalhas, uns troca-tintas miseráveis brincarem com os portistas. Ou seja: o melhor que o Porto cidade tem.

*primeiro responsável dentro do clube apenas. Fora dele, o primeiro responsável é o próprio Governo que se alheia do assunto e todos os partidos políticos que por oportunismo e conveniência seguem os mesmos maus exemplos.

09 maio, 2017

Que mundo feio este

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Duarte Lima, um estadista...
Lançando um olhar probo sobre o mundo, para a situação anárquica em que se encontra, nada me convence que se quisermos preservar a liberdade e optimizar as virtudes da democracia, sem antes aprimorarmos o funcionamento dos partidos, as hipóteses de melhoras serão nulas.

A iniciativa teria de passar em primeiro lugar pelos próprios partidos, novos e antigos, e naturalmente por todos os cidadãos.

Dizer que os partidos são imprescindíveis à democracia é um argumento vago, redundante e cómodo. É como afirmar a importância produtiva dos trabalhadores numa fábrica. Pouco interessa se são trabalhadores ou operários, porque não é a gramática que vai avaliar o que produzem, é o resultado do produto. Na política, é o bem estar generalizado dos povos que define a qualidade dos políticos e dos governos. Tão simples como isso.

É muito complicado governar. Talvez por ter disso consciência, nunca me passou pela cabeça estar à altura de tamanha responsabilidade, das barreiras que teria de transpor para levar a cabo as minhas convicções. Talvez também porque sempre teimei em ver a política como uma actividade nobre, uma espécie de puzzle onde peças desavindas se obrigam a conviver harmoniosamente através da noção de justiça de quem o maneja. Mas, não é assim que a real política funciona.

Os paradigmas da grande política degradaram-se. E o pior, é que não despontam novas ideias, novos líderes, novos valores, outras formas de ordenar o mundo, a sociedade, sem sucumbir à soberba, e à discriminação. Todos diferentes, todos iguais. Haverá frase mais realista e simples que esta?

Vejamos: terá sido o desempenho politico de Dias Loureiro que tornou os portugueses mais felizes? Foi o estatuto social e os conhecimentos económicos do banqueiro Ricardo Salgado que tornaram o povo mais rico? E terá sido o semi-analfabetismo de António Aleixo que o impediu de ser um dos poetas humoristas mais brilhantes do país?  Onde caberá aqui a superioridade das castas?

Nesse caso, por que será que esta gente "importante" não aprende a ser mais modesta? Por que é que continuam arrogantes quando tão pouco valem? Há espécies humanas desta natureza em excesso  no mundo. Se não mudam, é porque o regime o permite, até lhes dá alento para continuarem... É desta gente que os povos menos precisam porque na realidade, além de imprestáveis, são péssimos cidadãos.

Quando os regimes democráticos permitem interferências tão nefastas como estas na vida dos povos e conspurcam as sociedades com fraudes bilionárias, prolongando o tempo de liberdade aos infractores, aceita-se muito mal estes conceitos de liberdade numa Democracia que se quer adulta.

PS-Não falei num ex-político acusado de homicídio, roubo e outras singularidades pelo estado brasileiro, só para não ferir susceptibilidades... Está "em prisão domiciliária", num apartamento de luxo. Coitado. Abram-lhe a gaiola, que é um ex-político! Não há democracia sem partidos!?!? 

07 maio, 2017

O melhor que o FCPorto tem, são os adeptos!


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E com isto resumo globalmente  o melhor do FCPorto das últimas 4 épocas. 

Este é um elogio mais que merecido, tão merecido como é a minha total reprovação aos dirigentes, presidente incluído. Jorge Nuno Pinto da Costa pouco mais fez que confirmar o que o refrão dita sobre lideranças fracas: tornou, não só fraca a modalidade principal do FCPorto, como irreconhecível.

Falar do treinador antes do Presidente, como sempre disse, seria alterar a ordem natural da hierarquia e da responsabilidade. Para mim, este treinador é consumadamente fraco, falhou sempre em momentos cruciais. Mas não foi ele quem decidiu treinar o FCPorto, foi quem sempre o fez: o Presidente. 

As coisas são mesmo assim, louva-se o que é de louvar, censura-se o que é censurável. Considero algo medieval a gratidão não correspondida. Diga-se o que se disser, evoque-se o que PC fez no passado, nada justifica que a submissão ao silêncio por parte dos portistas se eternize no tempo. Chegou o momento de repensar bem a admirável solidariedade  que sócios e adeptos têm prestado a Pinto da Costa e interrogarmo-nos seriamente se vale a pena mantê-la. 

Quatro anos de insucessos, e de futebol angustiante, é demasiado tempo para um clube como o FCPorto. As probabilidades de vencer este campeonato são cada vez menores, e ainda que o consiga, não gostava de ver outra época Nuno E. Santo a usar o FCPorto como se fosse a sua escola privada de treinador. O FCPorto já atingiu um estatuto demasiado elevado para se compadecer com aprendizes. O Porto precisa de treinadores creditados. Os tempos hoje são outros, não é qualquer um que pode levar este clube às glórias do passado.

Por paradoxal que pareça, depois de aqui tanto elogiar os simpatizantes portistas, não me importo de passar por ovelha ranhosa deixando aqui bem vincada a minha total oposição à continuidade do treinador.  Para que conste, já o tinha feito antes, em anteriores comentários. Por quê? Porque estou plenamente convencido que  Nuno E. Santo não tem mesmo unhas para ser treinador de equipa grande.

Além demais, para mim, é muito cruel  ver um clube que sempre exalou alma, competência e valentia, transformado numa espécie de mosteiro onde aos jogadores, só falta usar o terço no lugar das chuteiras.   


05 maio, 2017

A Europa e a Liberdade incondicional

Bandeira europeia
Bandeira da União Europeia

No início, quando comecei a pensar sobre as vantagens da abolição de fronteiras na Europa comunitária, achei a ideia magnífica. Mal sabia, que no momento em que a decisão fora tomada já essa mesma Europa do "Mercado Comum" se fragmentava do melhor da sua ideologia: a união política e económica entre os povos. 

Criada em 1957 para terminar com as constantes guerras na Europa, teve origem na CEE (Comunidade Económica Europeia) então constituída por 6 países (França, Alemanha, Bélgica,Itália, Países Baixos e Luxemburgo). Com razão, ou não, o Reino Unido nunca se mostrou abertamente cooperante com a integração, e não será surpresa que agora decida sair, sem contudo dar mostras de querer pagar os custos inerentes. Curiosamente, foi a partir de 1993, ano em que mudou a designação de CEE para União Europeia, que - sem disso dar sinais - a desunião começou a desenhar-se... 

Pergunto: como é que isto irá acabar? A questão é tanto mais pertinente como é preocupante. Se a par da instabilidade económica e social dos países da dita União juntarmos a ascensão dos partidos de teor nazi em vários deles, não resta na Europa actual grande espaço para optimismos. 

Importa lembrar que Hitler existiu. O que ele fez a Humanidade não devia nunca esquecer, mas esquece, porque é curta (e perigosa) a memória do povo. Hitler fez-se eleger pela burguesia, pelo empresariado, mas também pelo povo, através de um partido com nome muito popular (Partido dos Trabalhadores Alemães) mais tarde rebatizado com o nome de Partido Nacional Socialista dos "Trabalhadores Alemães", vulgo Partido Nazista... 

Nos EUA, Trump foi eleito "democraticamente", e ainda não sabemos do que é capaz. Marine Le Pen, na Europa, ameaça imitar os resultados de Trump.   Nada disto pode ser obra do acaso. O Mundo anda mal, muito mal governado. Como explicar então a recorrência deste fenómeno assustador?

Eu não sei a resposta, mas tenho a minha opinião. Em primeiro lugar, porque nunca acreditei na compatibilidade entre uma Democracia consistente e uma Liberdade absolutista e sem ética. Há muito quem defenda a Liberdade obsessivamente, quem a queira de braço dado com a calúnia, com a irresponsabilidade, e até com a própria corrupção (sem o admitir). Legitimam estas teses baseados na eficiência da Justiça, sobrecarregando-a com responsabilidades de âmbito social e educacional que cabe à própria sociedade providenciar. A Justiça existe para administrar conflitos, não para educar.

Em segundo lugar, a própria história explica, em parte, porque foi que em muitos países (como a Alemanha) os ditadores chegaram ao  poder. Deveu-se basicamente ao fracasso de regimes "democráticos" desregrados e incompetentes, que com o desemprego geraram a anarquia, e o descontentamento popular. Os democratas avessos à ética e à contenção vivem escravos de um conceito de Liberdade demagógico favorável aos oportunistas que dela se servem para se governarem, até levarem os seus próprios países à falência. Uma democracia séria, exige, não facilita. Mas a exigência tem de começar pelo tôpo das hierarquias e daí transmití-la às bases. Não como acontece em Portugal, e nalguns outros países.

Mal comparando, se numa sociedade democrática a Liberdade de opinião engloba e tolera pacificamente a violação das mais básicas regras comportamentais, como a calúnia, a discriminação e a xenofobia, alguém será capaz de justificar a utilidade dos sinais de circulação rodoviária? Por que será que eles existem? Não terão sido concebidos para a nossa própria segurança, e a segurança dos outros? Qual é o mal de cumprirmos com essas regras? Será que só as aceitamos porque tememos pelas nossas vidas, e as recusamos quando se trata de regulamentar as nossas relações sociais e políticas? Que coerência podemos reconhecer na liberdade extrema, quando os extremismos provam à saciedade fomentar o caos?

E da política, o que dizer? Por que havemos de votar em homens ou mulheres de quem, na maior parte dos casos, nada conhecemos? E porque havemos de os aturar um mandato inteiro quando nos apercebemos que se afastam das promessas e dos próprios programas eleitorais, dando-lhes o ensejo de se governarem à nossa custa?  E que dizer da renúncia ao cumprimento da própria Constituição?

E dos jornalistas? Que direito têm eles de enganar o povo com as suas falsidades? São profissionais credíveis? Gozarão dessa reputação, ou não serão também eles a causa maior das democracias amputadas do rigor que lhes alimenta a solidez?

Resumindo: são os falsos democratas, os inimigos da transparência e da paz social, os piores dos ditadores. Tanto os Trump's, como os Le Pen's deste mundo, são pouco recomendáveis, mas a verdade seja dita, só enganam quem quer ser enganado, ou quem tem a ganhar com a sua eleição. Pior, são os que nos oprimem a coberto da capa de democratas. São eles que conduzem ao poder os outros ditadores.

PS-Foi logo pela manhã que escrevi este post. Coincidentemente, já a manhã ia alta quando no jornal Público Rui Moreira dizia isto ...

04 maio, 2017

Serviço público que o miserável jornalismo português não sabe prestar

EL PAÍS

La violencia del fútbol portugués está en el palco

Escupitajos, insultos, amenazas, instrucciones a los periodistas, denuncias en los tribunales, visitas a los árbitros... no hay límite a la agresividad física y verbal del fútbol. En el caso del fútbol portugués, la singularidad es que no son los futbolistas los generadores, sino los que presiden los principales clubes de Lisboa, el Benfica y el Sporting. En una competencia deportiva que en el campo es de lo más sana, resulta que se encona y se lleva a los máximos extremos en el lugar menos esperado, en el palco de los señores. El palco es una metáfora, porque para empezar, en esta situación tan extraña del fútbol portugués, resulta que el presidente del Sporting ni siquiera se sienta en él. El original mandamás prefiere sentarse en el banquillo, junto al entrenador y sus jugadores. Antes, entre y después de los partidos entra en los vestuarios y allí, en más de una ocasión, ha protagonizado incidentes violentos.
La excentricidad del presidente del Sporting —que se extiende con sus tuits incendiarios y agresivos— compite con la del presidente del Benfica que, aunque ocupa su lugar en el palco, cuando le place también se sienta, después del partido, en primera fila de la sala de prensa y advierte a los periodistas de que va a estar atento a lo que preguntan a su entrenador y al del equipo contrario. Además, reparten a sus periodistas-peleles argumentarios para atacar al periodista contrario o rebatir críticas en las tertulias. Un empate o una derrota casi siempre es culpa del árbitro y/o de una conspiración.
El matonismo de uno y de otro, sus formas más propias de una república bananera, llegan con harta frecuencia a los tribunales ordinarios y a los comités de la competición. Reciben sanciones, advertencias y unos euros de multa, pero como ellos no van a meter goles, y hablar, aunque sea en su tono agresivo, es un derecho constitucional, continúan fomentando odio entre unos y otros, un odio que recientemente causó una víctima mortal, pero que no ha dado pie a reflexionar de que quizás los responsables de la generación de la violencia no son los forofos de las gradas, sino los señores del palco.

01 maio, 2017

Abril, mês de traições, e o que eu gostaria de dizer na cara a um político

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Salgueiro Maia

Quarenta e três anos passaram desde o tempo que marcou a política da rolha, da delação ideológica, do poder concentrado em figuras míticas, como Salazar e Caetano, para um regime aberto a eleições livres e a várias alternativas de governo. Foi a 25 de Abril de 1974 que se deu a aparente mudança. Um momento por muitos ansiado, que fez renascer na maioria dos portugueses a possibilidade de assistir finalmente à edificação de um país  evoluído, onde ninguém tivesse de partir para ter direito a uma vida digna, e poder orgulhar-se de nele permanecer junto dos seus. A esse dia chamaram-lhe revolução. Mesmo depois de 43 anos de desilusão, há quem continue a chamar-lhe assim... Só que, uma revolução não vinga se o ar do país continua a cheirar ainda muito a um passado que devia estar irradiado. 

Sim, já sei que se o leitor pertencer à classe dos políticos não terá qualquer pudor em contrariar-me, com aquele rol imenso de benfeitorias que todos conhecemos de ginjeira, mas que nada podem para alterar a realidade dos factos que advém de continuarmos na lista dos países mais atrasados da Europa. Se o leitor fôr dessa casta - justamente mal-amada -, procure ao menos perceber como é simples fazer desmoronar a pobreza dos argumentos dos seus colegas de carreira, e quão miserável é o país que ainda não conseguiram construir.

Estou-me a borrifar para as auto-estradas, e até para os estádios de futebol, porque mesmo gostando de futebol e da beleza única do Dragão, não são essas obras que de per si tornam o povo mais próspero e feliz. Independentemente das dificuldades que a actividade política comporta, uma coisa pelo menos já podiam ter feito e não fizeram: dar o exemplo. Precisam que vos abra os olhos? Pois muito bem, vou fazer de conta que acredito na vossa ingenuidade (que é a única fraqueza que não têm).

Olhem para o futebol com elevação, e alguma distância. Procurem antes saber se as várias entidades federativas que o tutelam estão à altura das responsabilidades, em vez de se portarem como adeptos indigentes, grosseiros e fanáticos. Como cidadão, não me agrada nada essa ideia peregrina - por vós mesmo inventada - de aproximação "normal"ao povo para justificar promiscuidades e negociatas que nada têm a ver com a paixão clubista. O clube dos políticos idóneos é Portugal e o seu povo, não é o clube A ou B. Os políticos não devem chafurdar na lama do futebol, devem sim, limpar a muita que já têm na sua actividade.

Para serem bons políticos, deviam saber que não podem ser bons adeptos, muito menos fanáticos. Os colegas que se prestam a comentar publicamente a favor de um clube, estão a manchar a reputação de todos os políticos, que já não é famosa. Estão a dizer aos adeptos de outros clubes (que também são eleitores), que não têm nível nem perfil para os governar. Essa promiscuidade arrasa ainda mais a pouca credibilidade que já têm. 

Se é que algum de vós me está a ler, e faz parte do governo actual, o que terá a dizer a isto? Vai fazer de conta que não leu? Que não vale a pena responder-me porque não tenho poder para os incomodar? Pois, é sempre provável que a reacção seja essa. Agora, o que a vossa consciência terá de aguentar é que, no Porto, nessa cidade onde existe um clube de energúmenos, ainda não passámos ao patamar mais reles da criminalidade: não somos assassinos, incendiários, nem traficantes de droga.

Já um certo clube de Lisboa que todos vós protegeis, como a um menino de coro, não pode dizer o mesmo,  e V. Exas., são CUMPLÍCES!

  

A perplexidade de não ter sido um grunho do norte a lançar a primeira tocha

Carlos Tê

Os ingleses chamam-lhe "bias". Significa influenciar o modo de contar uma história, distorcê-la para favorecer um ponto de vista ou reforçar um preconceito. "Bias" é parente do viés português, que quer dizer esguelha, soslaio, enviesar, mas o verbo manipular é o que mais se aproxima do tal "bias", embora sem a mesma leveza. Vem isto a propósito da morte do adepto do Sporting nas imediações do Estádio da Luz. Durante anos, desde que há Imprensa livre e sobretudo desde que há televisão privada, a opinião pública foi sendo preparada para a eventualidade de a primeira morte entre adeptos acontecer às mãos dum adepto do Porto. Cada escaramuça, cada distúrbio numa estação de serviço da A1 continha em si o eco premonitório da tragédia, ao passo que os mesmos factos a sul eram objecto de tratamento menos histérico. Nos anos noventa havia quem jurasse em Lisboa que Pinto da Costa se movimentava escoltado por capangas de Kalashnikov, e que a polícia fechava os olhos por medo. A ideia duma violência cega, exclusiva do Porto, enquanto a de outros se situava no limite do desmando tolerável, encontrou terreno fértil e ascendeu ao tabuleiro do mito urbano. Como se trezentos quilómetros bastassem para criar o abominável grunho do norte e o inócuo grunho do sul, mais concretamente da Segunda Circular. Ou como se o grunho do futebol não fosse uma categoria sociológica universal, de Buenos Aires a Moscovo, mas uma bizarria indígena que medra a norte do sistema Montejunto-Estrela, como um cardo bravio. Estava escrito nos editorais que aos broncos nortenhos estava destinada a autoria do primeiro acto trágico do futebol português. Mas, por ironia macabra, ele aconteceu numa final de Taça entre Benfica e Sporting. Lisboa indignou-se, desdobrou-se em condenações e votos de pedagogia, mas, lá no fundo, essa Lisboa remoeu a perplexidade de não ter sido um grunho do norte a lançar a primeira tocha. Recentemente, quando um árbitro foi agredido sem dó num jogo do Canelas, a cena passou em "loop" na televisão até à náusea - por certo com fins profiláticos. Ou talvez não se tratasse de profilaxia, nem de defesa da arbitragem, nem de responsabilização dos clubes, mas de cupidez noticiosa pela ligação do agressor a uma claque do Porto. Agora, perante a morte deste adepto, o país jornalístico, ciente do peso da sua clientela maioritária, exibe uma espécie de embaraço etnocêntrico e remete-se a uma contenção responsável. Estivesse um grunho do Porto sob suspeita num caso semelhante e quase aposto que circulariam já imagens provenientes de misteriosas fugas na investigação policial. Lembrei-me daquela senhora de Oeiras num qualquer telejornal, quando os jovens finalistas causaram estragos em Torremolinos. Dizia ela, com a distinção de que só as damas da Linha são capazes, que tinha falado com o filho ao telefone, tendo ele garantido que tudo aquilo era obra dum pequeno grupo do norte. E por causa desses pecadores pagavam os justos do sul. Ah, o norte, esse grosseirão sem emenda.

(do JOGO)

29 abril, 2017

FCPorto recorre ao TAD da decisão do Conselho de Discipliana da FPF

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Fernando Seara (o Mãosinhas), no TAD...
Segundo fonte do Dragões Diário, o FCPorto decidiu apresentar queixa da decisão do Conselho de (IN)Disciplina da F.P.Futebol por rejeitar a despenalização de Brahimi ao Tribunal Arbitral do Desporto. 

Em circunstâncias normais, podíamos aprovar tal medida. Sucede que, nem as circunstâncias são normais, porque as razões que sustentam a queixa são mais que muitas, como o país em que infelizmente vivemos, não tem nada de normal, sobretudo se falarmos de justiça desportiva, ou da integridade que a ela devia estar sempre associada. Portanto, recorrer ao Tribunal Arbitral do Desporto, um organismo em cujo Conselho Directivo consta o nome de Fernando Seara como Sercretário Geral, é tudo menos prudente. A não ser para esgotar todas as etapas ascendentes da hierarquia judicial, testando-as...

Oxalá me engane, mas penso que o FCPorto está a perder tempo com estas figuras meramente representativas. Por mim, deviam pedir uma reunião com o Secretário de Estado do Desporto e de acordo com a posição deste, solicitar uma reunião urgente com o 1º. Ministro.   Por quê? Pela simples razão de o FCPorto ter perdido a confiança total nos organismos que tutelam a justiça e a disciplina no futebol.

Provas evidentes, é o que não falta. Saiba o FCPorto servir-se delas.