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15 junho, 2011

O Norte não é nada, Lisboa "é" Portugal...

Como receava, o Movimento Pró Partido do Norte não conseguiu obter os resultados que os maus tratos centralistas infligidos à região, fariam prever. Não sendo especialista em coisa nenhuma, e muito menos em análises sócio-políticas, tenho a minha opinião sobre o assunto, tão credível como a de qualquer opinador encartado, mas bem mais barata. Neste espaço, as opiniões são gratuitas, não oneram o Estado, nem a dramática dívida com o FMI. A consciência não me pesa, portanto.

Uma opinião, é uma opinião, não tem poder decisório, e é apenas como opinião que deve ser avaliada. Como tal, resumo em poucas palavras o aparente insucesso eleitoral do MPPNorte: baixos recursos financeiros, consequente fraca propaganda, e total desinteresse dos media. De destacar, a coragem de Pedro Baptista que, em clara desvantagem competitiva, deu a cara pelo Movimento e ousou fazer o que muitos apenas ousam dizer. Aqui, há já uma grande diferença. Avançou, pegando na bandeira da Regionalização, que outros usam oportunísticamente para logo a arrear, mal expira o prazo de serventia eleitoral. Paradoxalmente, foi para outros partidos, para aqueles que há muitos anos nos desgovernam e prometem sem depois cumprir, que os eleitores decidiram confiar o futuro do país. Contra estas maiorias masoquistas, pouco há a fazer. A "democracia" conservadora aprecia e agradece estas patologias populares.

Curioso, é haver tanto regionalista "convicto" e tão poucos a fazer algo para que a Regionalização aconteça. O MPPartido do Norte, apesar dos recursos limitados, convocou algumas reuniões abertas ao público a explicar o que se propunha, e só agora aparecem [ler aqui], um pouco por todo o lado, alguns a dissertar sobre as causas da sua baixa votação. Ora, alegam que foi por causa do nome "Norte", ora porque é elitista, ora porque promove o separatismo, enfim, não faltam razões. Depois, convertem a insensibilidade com as desfeitas do governo central ao Norte, numa ternurenta solidariedade com Lisboa, como se a capital e os seus habitantes, não fosse a região do país mais beneficiada, tanto em recursos comunitários, como pela dependência do Estado, como pela drenagem [desvios] de fundos europeus destinados ao Norte. A tendência, invariavelmente, é para fraccionar o país à velocidade dos argumentos, até à exaustão. O Norte, não é nada para eles. Por quê o Norte, se há o Sul o Centro e o Interior? Preocupante e injusto, para eles [ler aqui], não é as SCUT's estarem a ser pagas exclusivamente a Norte, são os custos elevadíssimos da centralidade dos lisboetas, esquecendo que é ali onde os ordenados são mais elevados.

Resumindo, esgotam-se em pretextos pueris para nos convencerem do bicho-papão da Regionalização, fazendo da argumentação política verdadeiras aulas de ficção gramatical, chatas, presunçosas e pouco convincentes. Apesar disso, pelo sim, pelo não, deixam no ar uma imagem de regionalistas empenhados, sem contudo se atreverem a lutar por isso. Lisboa divide, é parte integrante de Portugal, é a capital. O Norte defende-se, por estar a ser discriminado, e é separatista! Com noções tão distorcidas da realidade, temos sérias razões para acreditar que alguns centralistas vivem a Norte, embora possam não ser nortenhos.



08 dezembro, 2008

Hipocratocracia, o nosso regime

Por tradição, ou questões genéticas, este país, dá-se muito mal com o rigor e com a integridade. Para nosso desgosto, esse, não é o seu único defeito, nem o pior de todos: acrescenta-lhe sempre um ponto (como quem conta um conto). Só que esse ponto acrescido, está longe de se parecer com a cereja que alguém coloca no bolo para o embelezar; mais se assemelha ao dejecto sobre outro dejecto. Neste país, poucos assumem o que realmente são. Aqui, rouba-se, desvirtua-se, mente-se e no fim, reclama-se tratamento respeitável, quase reverencial.

Sendo assim, de futuro, veremos se consigo adjectivar com rigor algumas expressões que me parecem completamente deslocadas da sua significação original, mais que não seja para não me transformar em mais um contribuinte acéfalo da vigarice institucionalizada.

Alguém disse um dia (não sei quem foi), ser necessário inventar palavras. Eu também acho. Não sei é se terei de pagar direitos de autor pelo "invento" que se segue já que não disponho de dados para tal, mas se assim for, o eventual lesado ou lesada, só tem é que apresentar o respectivo registo da patente...

Decidi portanto, votar num nome mais apropriado à realidade nacional: Hipocratocracia! Ou seja, um regime político governado com base na hipocrisia e nos hipócritas que o sustentam. Alternativamente, também o podíamos designar por Falsocracia, mas este nome já soa a coisa mais populista, mais susceptível...
Com esta "revolução" gramatical, já não temos tantos motivos para nos indignar-mos pelas poucas vergonhas rotineiras de quem devia ser exemplar e não é, nem com o nosso próprio grau de exigência cívica. Vamo-nos assim entretendo, rindo, contando umas anedotas sobre o savoir faire privado dos nossos "mandantes", com a vantagem estratégica de evitarmos úlceras ou doenças cardíacas, libertos da ideia assassina de que, de facto, vivemos numa Democracia.


A Democracia é um mito. Ponto final.