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24 fevereiro, 2011

Humanismo da treta

Tenho para mim que o ponto onde a hipocrisia atinge o seu auge é quando a intelligentia desata a falar sobre direitos humanos a reboque de um acontecimento mediático de previsível condenação pública. Estes factos são recorrentes, e têm como protagonistas os tradicionais experts   mais a classe política e os governantes. Será das poucas situações em que todos estarão de acordo ainda que prefiram dar a entender que não. 

Cá o rapaz entende que o respeito pelos direitos humanos devia começar pela base, isto é, pela salvarguarda de condições de vida dignas e equilibradas para todos os cidadãos, sem qualquer discriminação. Ora, não é isso que acontece. Nem mesmo as diferenças académicas e as competências ou os méritos profissionais entre humanos justifica minimamente as remunerações  aberrantes que os separa. Os direitos humanos violam-se desde logo, aqui, com este tipo de concepções, e todos parecem aceitá-los. Então, por que é que os governantes fecham os olhos? Porque, na realidade, estão-se a borrifar para os direitos humanos!  

É por isso, que me provoca um profundo nojo todo o "humanismo" de circunstância, como aquele que levou a comunidade politicamente correcta a criticar o GISP [Grupo de Intervenção dos Serviços Prisionais] por terem usado uma pistola de Taser - que emite corrente eléctrica - para neutralizar um preso altamente perigoso e indisciplinado. Agora, até o Ministro da Justiça vem a terreiro condenar a actuação da guarda para ficar "bem na fotografia" perante a sociedade. O que ele merecia, é que a Polícia o mandasse para a cadeia demonstrar na prática como é que se lida "humanamente" com estas situações, mas duvido que haja coragem para tanto.

À medida que esta Democracia passa e se destrói, vou-me convencendo que estas preocupações excessivas para com criminosos de delito comum não são mais do que uma forma cínica do Poder se proteger dos seus próprios crimes. Talvez resida aqui a explicação para que Processos como o Face Oculta e outros onde estão envolvidos alguns tubarões acabem invariavelmente por prescrever.

A propósito, alguém sabe o que o Sr. Ministro da Justiça está a fazer para apanhar o foragido Vale e Azevedo?  

17 dezembro, 2008

Declaração de «interesses»

Antes de mais, informo que quem estiver à espera que eu comece a dar trela aos inimigos do Porto, a escancarar-lhes as portas deste espaço de cidadania, criado especialmente para o Porto e para a sua gente, para poderem continuar a destilar veneno como destilam nos seus centros de propaganda neo-nazi públicos e privados (televisões, rádios e jornais) , desengane-se, porque a porta fechou.
Não tenho qualquer sentimento de afinidade etnográfica com Lisboa, nem me preocupam as suas carências existenciais, as suas crises económicas e financeiras. Pelo contrário, a única coisa que me liga à capital é a frustração e a desonra de o ser. Não tem sabido ser digna desse estatuto. Lisboa, e todos quantos trabalharam para a sua engorda (incluindo alguns "portuenses" degenerados), não me interessa, só me interessa aumentar a distância que me separa dela. Por conseguinte, ninguém espere que por aqui entre o lixo intelectual que tem tentado atrofiar o carácter da nossa gente, desde Abril de 74.
A «Democracia» centralista, lixou-nos! Basta! Daqui não levam nada. Só desprezo. Se quiserem comentar, denegrir o Porto, peçam à RTP ou à SIC. Eles costumam ser bons anfitriões para os defensores das causas centralistas, por isso, quem estiver interessado, que vá bater a essas portas.
Off topic: Viva o FCPorto! Já só está a dois pontos...

21 fevereiro, 2008

Os "descentralizadores"

Alguma gente, que faz muita questão de se mostrar conhecedora e segura de todo o tipo de assuntos, incluindo os de índole política e social, não é contudo capaz de engendrar outros argumentos para explicar a sua "fé" mórbida na descentralização (contra a Regionalização) que não seja os da proliferação do caciquismo local e o perigo de desintegração do país.

Quem a ouve falar, não pode deixar de ficar intrigado para perceber como é possível em mais de três dezenas de anos de promessas não cumpridas de descentralização, continuar a defender um mentira. Sim, porque é a defesa de uma retinta mentira aquilo que fazem os adeptos da "descentralização", não é nada mais do que isso.

É quase como levar o carro avariado à oficina, deixá-lo lá ficar sem funcionar durante mais de 30 anos, tão só porque o mecânico nos prometeu que um dia o haveria de arranjar. É caso para perguntarmos, se os fãs da descentralização costumam ter essa mesma tolerância com os seus mecânicos...

Mas, lamentavelmente, o caso aqui é mais sério. Não estamos a tratar do conserto do nosso automóvel, estamos a falar de questões de cidadania, de vida, e não devemos brincar com elas.

Por outro lado, é difícil compreender como se pode continuar a acreditar em algo que há muito, já não merece crédito, e desconfiar de uma alternativa (a Regionalização) de governação da qual - pelos exemplos de outros países europeus - só temos razões objectivas para conceder o benefício da dúvida.

Por outro lado ainda, é absolutamente irresponsável e cínico, pôr em causa a integridade nacional, assustanto o povo, quando afinal se insiste na defesa de métodos governativos (manutenção centralista de poder), que mais não têm feito senão acentuar assimetrias e estimular ideias separatistas. Não haverá pois, alguma coisa aqui, de maquiavélico e insano?

Só por isso, desconfio muito dos "descentralizadores". Vejo-os como cumplíces desta pouca vergonha, deste sistema irresponsável de "governar" o país, que é afinal de contas, a única e verdadeira ameaça à nossa integridade, enquanto nação.