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09 dezembro, 2008

Dragão,património do orgulho tripeiro

Ao contrário da estrutura da (actual) CMP, a organização do Futebol Clube do Porto, não sendo perfeita (e qual é?), funciona bem. Estas duas instituições do burgo, outrora amigas e cumplíces em iniciativas e afectos, estão hoje de costas voltadas, resultado de uma queda paraquedista na cidade do Porto, do actual Presidente da Câmara e da sua política completamente desastrada.
Oito anos decorreram, e, como previa, a cidade nada ganhou com a gestão de Rui Rio. Pelo contrário. O Porto definhou, tornou-se mais triste, sombrio, tímido e pouco ambicioso, à imagem do seu edil.
As excepções, devem-se à iniciativa privada que, apesar das crises (ainda não descobri onde acabou a primeira e todas as que lhe sucederam), lá vai procurando remar contra a maré e mexendo com a cidade. Isto, passa-se também, em termos de reabilitação urbana. Pelo que consegui apurar, através do trabalho efectuado para o blogue As Casas do Porto, onde vou retirando alguns registos de imagem, a SUR continua a "trabalhar" a passo de lesma e só agora, com a aproximação das eleições, é que começa a fazer aquilo que devia ter feito há 8 anos atrás. Mesmo assim, o que conseguimos verdadeiramente descortinar, são os andaimes e os painéis a tapar o casario, e não, gente a trabalhar efectivamente nas obras...

Coincidência, ou não, o facto é que Rui Rio com o seu anti-portismo primário, deu um grande contributo (ou pelo menos, "abriu o caminho") para o arranque da caça às bruxas que foi levada a cabo pelo governo centralista e suas instituições a Pinto da Costa e ao FCPorto. Com a sua atitude (de desprezo e provocação ao clube portuense), Rui Rio transmitiu um recado que Lisboa interpretou como um sinal de ordem para avançar, e foi o que se viu. Suspeições atrás de suspeições sobre o Presidente do Clube, com todos os prejuízos que tal acarretou para a imagem do clube e da própria cidade, quer desportiva, quer financeiramente, para chegarmos à conclusão que a montanha pariu um rato... Rui Rio, pode bem limpar as mãos a esse trapo. Provavelmente, e ao contrário do que imaginou, vai-lhe custar o acesso ao lugar cimeiro (Presidente) do PSD.

Como dizia há dias o amigo Rui Farinas, em conversa pessoal, realmente, os portuenses só podem ser masoquistas se voltarem a reeleger para a Câmara do Porto o actual Presidente. Eu concordei com ele. Mas, pensando melhor, caso tal venha a acontecer, não será também uma consequência perversa da imigração quando uma cidade se abre para o "Mundo"? Exceptuando os lambe-botas do costume, os amiguinhos de conveniência partidária, que vendem a alma (e a cidade) ao diabo só para continuarem ligados ao Poder e ao tradicional tacho, suspeito que o principal eleitorado de Rui Rio seja efectivamente tripeiro.

Talvez seja, sim, um eleitorado "portuense", com pouca tripa, e muita alface.