17 dezembro, 2008

O presidente que o Porto insistiu em ter

Rui Rio é um homem que terá certamente algumas qualidades, mas que inquestionavelmente tem múltiplos defeitos. Um deles é sem dúvida a casmurrice, o que num gestor é péssimo. Um gestor que ultrapasse o limite da persistência na defesa de ideias em que racionalmente acredita, mantendo a todo custo posições previamente tomadas apenas porque não quer dar o braço a torcer, além de dar provas de que sofre de falta de auto-confiança e de personalidade, está lançado no caminho de potenciais desastres. É o que acontece com o homem que os portuenses, por razões que ainda não consegui entender, elegeram e re-elegeram. O seu histórico de casmurrices é imenso, mas vem isto a propósito da novela do Bolhão, onde essa casmurrice é bem patente. Deixando de lado todo o enredo, refiro-me apenas à sua última decisão: entregar a execução do projecto de recuperação do mercado ao Igespar, descartando o projecto que há anos tinha sido feito pelo arquitecto Joaquim Massena, por incumbência da própria câmara, e que esta pagou.
Não tenho bases concretas para apreciar o projecto Massena, e por isso até posso aceitar que seja indequado. Mas nestas circunstâncias o mínimo que se exigia do presidente da câmara era que justificasse validamente a sua recusa. Em vez disso RR expressa pífias razões, segundo a transcrição da imprensa. "O que me têm dito é que o projecto não defende totalmente a traça do edifício; não é um garante total da preservação do mercado." É preciso lata ou falta de memória patológica para alguém que aprovou a quase destruição do Bolhão, vir agora exprimir preocupações com a sua preservação!
Por outro lado, esta coisa de referir "o que me têm dito", não é aceitável num decisor responsável, que não pode dar a impressão que emprenha pelos ouvidos e decide com base em meras conversas, sabe-se lá com quem. O decisor responsável tem de se apoiar em sólidos e fundamentados pareceres que lhe mereçam confiança. Pelos vistos não foi o caso.
RR diz também, continuando a tentar explicar a sua decisão de recusar o projecto Massena, que "se pegássemos neste projecto era quase para o reformular de ponta a ponta e tínhamos que pagar mais". Também lhe disseram isso?
A indigência destes argumentos é assustadora e revela, entre outras coisas, falta de consideração pelos munícipes. Quando penso que há o risco de ter o homem a cumprir um terceiro mandato, até tremo...

2 comentários:

Rui Valente disse...

Meu caro Rui Farinas

Não sei se os "estranhos" adeptos de Rui Rio ainda acreditam na verticalidade de que o afamaram inicialmente.
Cheira-me que as obras de requalificação do Bolhão,se chegarem a acontecer (este autarca raramente acaba uma obra)vão ficar uma grande decepção. Isso de já nos estar a preparar com o anúncio de uma obra minimalista para bom entendedor deve querer dizer: obra mal feita, obra de sucateiro. Vai uma aposta?
Ainda por cima, como é minimalista a obra, o prazo de exceução já não é. É maximalista: só lá para 2012!!! O que é que se aproveita, afinal deste homem? Digam-me!

Este autarca é um mimo!

victor sousa disse...

este autarca está ao nível de quem o elegeu!
Foram 60 mil dos possíveis 230 mil.