24 dezembro, 2009

A Bateria da Vitória Volta a Fazer Fogo

«A direcção da ACP reafirma que o Instituto de Turismo de Portugal é um instrumento do centralismo, do lisbocentrismo; é um instrumento político da portofobia; é um instrumento que tenta iludir e mascarar as verdadeiras políticas deste governo que, a exemplo do anterior, insiste em discriminar negativamente o Porto e o Norte e que vive obcecado com o investimento numa única região»
 

Associação Comercial do Porto

Para quem não cultiva o zagalote não está nada mal. Welcome aboard dear captain Rui Moreira!

9 comentários:

condor disse...

Não tarda ordenam muito democráticamente que se cale!

Anónimo disse...

Falta consistência no combate ao centralismo
Publicado por LR em 28 Dezembro, 2009

A Câmara e a Junta Metropolitana do Porto são as Instituições mais bem posicionadas para combater o centralismo. Mas para que o combate seja credível, há que direccioná-lo para causas que valham a pena e ter a mira sempre apontada aos instrumentos do centralismo.

O “circo” do Red Bull não faz parte desssas boas causas. Atrai multidões e televisões, um estímulo orgástico para os políticos, mas os seus efeitos são efémeros, esgotam-se em 2 dias. E os benefícios económicos para o país decorrentes da sua realização, não são claros nem evidentes.

A gestão autónoma e local do Aeroporto Sá Carneiro (ASC) é uma causa que vale a pena. Porque localmente se consegue, de uma forma mais eficaz, rendibilizar um equipamento sub-utilizado; porque um crescimento sustentado do tráfego no aeroporto tem um impacto económico recorrente em toda a região; porque a gestão autónoma implicará investimentos reduzidos, ou nulos, se concessionada a privados; porque a autonomização do ASC iria institucionalizar a concorrência interna entre aeroportos e destruir o instrumento do centralismo, neste caso a ANA; last, but not the least, o sucesso de uma gestão autónoma, pelos benefícios públicos que daí adviriam, constituiria um factor de credibilização dos agentes políticos locais e faria baixar o cepticismo quanto às virtudes da Autonomia Regional.

Os benefícios de uma “boa causa” como a referida são efectivos e perenes, mas pouco perceptíveis, dado ocorrerem de forma contínua ao longo do tempo; os benefícios do Red Bull são em grande medida ilusórios, instantâneos, mas facilmente perceptíveis como gigantescos face ao enorme “estardalhaço” (mediático e não só) do evento. Ou seja, era fundamental um esforço de comunicação por parte dos líderes políticos das “boas causas” e do seu impacto continuado em toda a economia regional. No caso do ASC, não seria tarefa de grande envergadura e seria relativamente fácil convencer a opinião pública dos benefícios perenes da causa.

A política-espectáculo dispensa porém tamanhos esforços. Por isso esta indignação caricata tem tão boa recepção, em blogues ou em jornais, mas é inconsequente e não muda estruturalmente nada. Não me custa nada a crer na hiper-concentração dos subsídios em Lisboa relatada neste comunicado da Câmara do Porto, mas isso é o normal e porventura o objectivo da actividade do Turismo de Portugal e de todos os outros Institutos Públicos sedeados na capital, que não passam de instrumentos do centralismo. Por isso o mais racional seria que a Câmara e os deputados do Porto se batessem pela extinção imediata do Turismo de Portugal e abdicassem dessa postura indigna e ridícula de pedincharem um maior quinhão de subsídios. Como o concelho de Lisboa está muito longe de cobrar 61% dos impostos totais e recebe 61% das verbas do Turismo de Portugal, a simples extinção deste geraria de imediato um maior equilíbrio na distribuição dos recursos. De resto, a única coisa que há em comum entre os coretos de Lisboa, o campeonato dos Pasteleiros, a Red Bull Air Race, o Fantasporto ou qualquer outro evento recreativo-cultural, é que nenhum deve ser subsidiado com um cêntimo que seja de fundos públicos.

Dito de outra forma, o turismo é uma actividade económica e, como tal, deve ser auto-sustentável, como qualquer outra actividade virada para o mercado. Mas isto não é entendível por mentalidades centralistas como são as da maioria da nossa classe política (e não só). Daí que o combate ao centralismo seja tão inconsistente.
in blasfemias

Rui Valente disse...

Este comentário do anónimo sobre a "efemeridade" dos efeitos de eventos como a Red Bull Air Race, faz sentido, mas não belisca o cerne da questão, que é o princípio rigoroso da equidade que mais uma vez não foi respeitado.

Fala-se do espectáculo da Red Bull,e é bom que se fale, porque pela sua visibilidade espectacular, para a opinião pública é mais flagrante o acto usurpador do Governo Central, do que o do ASCarneiro, ainda que este seja mais importante para a economia nortenha.

O pior erro que cometemos muitas vezes é "branquear" os abusos centralistas argumentando com a relevância de outras questões.

Todos os maus actos devem ser condenados! Chega de tratar os governantes como doentes inimputáveis! Se são loucos, é para um hospício que devem ser conduzidos, e não mantê-los no poder, enlouquecendo todo o país!

Marquês de Pombal disse...

O dr Rui Moreira não passa de um oportunista que por detrás de um discurso regional-populista não quer mais que dinheiro às custas da teta estado ( o tal monstro centralista) para levar por diante projectos que irão certamente encher os bolsos de alguns (talvez nortenhos) mas que nada farão pela vida das populações em geral. O Porto e o Norte só voltarão a ser gente quando houver leis que permitam dar azo à criatividade e aproveitamento público do excepcional sentido de inovação das suas gentes e quando o sector industrial voltar a ser acarinhado e regulamentado decentemente, se fôr competir com Lisboa no sector dos serviços/turismo, está condenado (coisa que o clarividente dr Moreira não quer ver). Por fim, chega de "lisboafobia", o centralismo origina-se e alimenta-se de visões destas. Mais que dizer mal de Lisboa não será altura de fazer algo pelo Norte?

renato disse...

Caros Amigos!

Gostaria de informar todos vós, no caso de ainda não saberem, de que a Portela (mouraria) está a preparar-se (ANA) para oferecer um terminal à Rayanair para instalar lá uma base!

É só mais uma "coisinha" que voará para o centralismo!

Um abraço,

Renato

P.S. Não conheço as fontes, mas onde á fumo há fogo

Rui Valente disse...

Sr. Marquês de Pombal,

para um nortenho acho-o demasiado "macio" para a toda poderosa Lisboa. Além disso, considero demasiado injustas as coisas que diz sobre Rui Moreira.

Fala em leis como se elas já não existissem, esquecendo as principais que constam da Constituição [por ex.]. O problema é que elas não se cumprem, e aí o amigo assobia para o lado...

A sua "receita" não me sensibilizou. Por que será????

Marquês de Pombal disse...

Sr Rui Valente, não o via contitucionalista devido a posições anteriormente tomadas por si em posts anteriores :) ! Falando a sério, foram os partidos do bloco central que inviabilizaram a constituição ao proporem a referendo o que o parlamento tinha pleno direito de cumprir, a saber, a regionalização ( que por curiosidade foi aprovada em Lisboa e reprovada no Porto).
Quanto às outras leis de que falo elas seriam úteis para promover o desenvolvimento da industria, quer fosse em incentivos concretos quer na salvaguarda dos postos de trabalho, criando condições de estabilidade e criação de riqueza. De resto, temos visões distintas da personalidade do sr Rui Moreira, o que é normal entre democratas e civilizados. Com todo o respeito que lhe devo, acho que o caminho construtivo é o único que resta às gentes do Norte e ao Porto em particular. Votos de felicidades pessoais a todos os colaboradores do blogue e um feliz 2010!

António Alves disse...

«que por curiosidade foi aprovada em Lisboa e reprovada no Porto»

correcção: foi reprovado no norte não no Porto

Marquês de Pombal disse...

Perdão, sr Alves, foi reprovada no distrito do Porto com 55% de votos contra. Em Lisboa ganhou o "sim" com 68% e em Setúbal ganhou ainda o "sim" com 85%! Acho que estes resultados desnudam as incoerências da matriz socio-cultural do districto e devem ser um ponto de partida para, em comparação com o Sul e particularmente Lisboa, perceber o que está mal. Cumprimentos a todos.