Bolas, já não peço que o homem da rua tenha de falar verdade 24 horas por dia, coitado, não sobreviria nesta sociedade tão rica em contradições. Nem que um político, pelas mesmas razões, não possa pontuamente omitir certas coisas. Agora, que nos peçam para considerar «normal» que os políticos mintam sistematicamente como mentem, isso não.
Dos 3 candidatos à liderança do PSD, é caso para dizer que venha o diabo e escôlha. O mais jovem, Pedro Passos Coelho, pode ser muito bom rapaz, mas não se lhe conhecem quaisquer ideias sobre a Regionalização. De Paulo Rangel, que ainda há poucas semanas, ou dias, afirmava a pés juntos que a sua candidatura estava fora de questão, ficamos a saber que é um seguidor da teoria [e da prática] que diz que "o que é verdade hoje, amanhã é mentira". Por último, Pedro Aguiar Branco, que ainda há umas semanas declarava para um jornal que a Regionalização não era uma prioridade, vem hoje afirmar no Grande Porto que é um regionalista convicto, mas não é capaz de esclarecer se está disposto a avançar com a regionalização, caso venha a ser eleito. Chama-se a isto falar sem dizer nada. É disto que temos na montra para escolher uma alternativa a Sócrates... Alguém notará alguma diferença entre as môscas rosas e as laranjas? Eu não. O que significa que a merda da vida em Portugal será a mesma, e que só as moscas podem eventualmente mudar de côr. Aqui chegados, alguém é capaz de perceber a bondade da democracia representativa? Alguns dos senhores serão capazes de dizer e explicar porque se sentem representados por tão promissores candidatos ao Governo do país sem fazerem de nós tolos?
Malditos «optimistas». Malditos conselheiros do "deixa andar, que assim está bem". São eles também os grandes responsáveis pela situação de profundo descrédito que abala o país. Quando digo país, excluo, obviamente Lisboa, como Lisboa exclui o resto do país. Lisboa, tem pessoas, não tem robôts, embora o pareçam, por não quererem ver o país para lá das suas fronteiras, como um todo. Malditos também homens do norte, traidores e sem carácter. Deste trio de seguidistas, um é de Lisboa, dois são do Porto. Pelo discurso da tanga, enfadonho, conservador, repetitivo, fraco e submisso, uma só certeza podemos ter desde já: nenhum deles se aproveita.