19 junho, 2012

Selecção nacional e os vinhos de Lisboa Alvarinho...

Calculo que o conteúdo do post anterior tenha bastado para dar uma ideia da minha capacidade para resistir com alguma naturalidade à onda de euforia que se gerou com a selecção portuguesa. Mais do que habituado, já estou vacinado contra estas crises de optimismo prematuro [e exagerado] que ano após ano se repetem também com o clube do regime, cujos resultados depois não correspondem às pretensões dos publicitários... 

No início de cada temporada, tenha ou não vencido o campeonato, as parangonas da imprensa e as aberturas dos telejornais só têm um único candidato à victória final: o Benfica. Contratações galácticas, promessas de victórias nacionais e europeias, treinadores do outro mundo, entrevistas, foguetório, são o pão nosso de cada início de época... Contudo, lá mais para diante, quando o campeonato já está lançado e as coisas começam a dar para o torto, toda a euforia se esfuma num ápice para dar lugar às críticas aos árbitros e às intriguices do costume. A isto, claro, nunca poderia chamar optimismo e muito menos respeito pela diversidade, a isto só posso chamar uma coisa: obsessão demencial centralista. Aplicado à selecção nacional, jamais lhe daria o nome de positivismo patriótico, mas antes fanfarronice própria de medíocres e oportunistas.

É baseado nestes comportamentos, típicos de quem tem uma noção micro e limitada da verdadeira grandeza das coisas, que me custa compreender aquelas pessoas que só porque estão tranquilas, de bem com a vida, consideram que o sucesso de uma selecção pode alterar seriamente o estado de espírito ou a vida de milhões de desempregados. Entre uns e outros, é óbvio que a disposição não pode ser a mesma. Se acrescentarmos a isto a acumulação de desconsiderações feitas aos nortenhos pelos últimos governos que citei no post anterior, fazer apelos ao optimismo patriótico é outra desconsideração, é tratar o povo como uma multidão de criancinhas acéfalas. E isto, meus senhores, não é transmitir ânimo a quem dele precisa, isto é provocar.

Mas, a obsessão demencial que tem dominado os centralistas e respectivos símbolos desportivos não se fica por aqui. Qual cancro, espalha-se em todas as áreas e arrasa tudo. Não só perverte o significado das coisas como procura anulá-los. Promove mais o nome de Lisboa no Mundo do que o de Portugal. A inveja centralista confunde-se e mistura-se com profundos complexos de inferioridade que significativamente buscam atribuir aos da "província" [na qual o Porto se inclui], transmitindo para a opinião pública uma ideia contrária da realidade. Uma delas, por exemplo, é a de que o Porto sempre quis ser a capital do país e que passa a vida a queixar-se disso...

Bem, basta olhar um pouco para o que se tem feito e inventado para tentar derrubar a hegemonia dominante do FCPorto no futebol para ficarmos esclarecidos. Mas há mais, muito mais. Pequenos grandes sinais dessa inferioridade não faltam. Para começar, é notória a tentativa de enfraquecer todo o Norte e o Porto económica e politicamente, mas até os nossos símbolos tentam destruir. Politica e economicamente quase o conseguiram, desportivamente ainda não...

A este propósito tenho uma história para vos contar. Um destes dias deparei numa garrafeira de um supermercado com uma "curiosidade" que pode explicar em parte o que atrás escrevi. Observei, com alguma estranheza, uma garrafa de vinho "Alvarinho" que era produzido na região vinícola do Tejo... Não resisti, e perguntei a um funcionário se sabia desde quando é que a região do Tejo era produtora de vinho Alvarinho, ao que me respondeu simpaticamente que era uma nova produção daquela casta plantada naquela região. Repercuti dizendo-lhe: meu caro, não sendo especialista na matéria, ao que sei o vinho Alvarinho é produzido no Minho e na Galiza, abrangendo a região de Monção e Melgaço, e o que faz dele um vinho especial não é só a casta da uva mas sobretudo o micro-clima específico daquela região. Se eles querem produzir vinhos que o façam, mas dêem-lhe outro nome porque Alvarinho há só um, o da região, além de que é uma adulteração abusiva.

Mas, não me estranhou assim  tanto este "fenómeno", porque como já devem ter reparado ultimamente começam a surgir destacados vinhos produzidos na região vinícola de Lisboa e Tejo... Conheço os vinhos alentejanos, de Colares em Sintra, conheço os vinhos da Região de Setúbal, e até os de Bucelas e Bombarral, agora os de Lisboa só mesmo como resultado do tal efeito difusor invertido. 

A região do Douro e Minho e os seus vinhos pelos vistos também já perturbam o vale do Tejo centralista...

    

3 comentários:

Anónimo disse...

Na Austrália e na África do Sul também "produzem" vinho (tipo) do Porto. Só que não tem nada a ver com o genuíno das castas durienses.
Ao Alvarinho do Vale do Tejo acontece o mesmo. Embora eu não conheça, não tenho a menor dúvida de que se trata de uma jeropiga qualquer que utiliza o nome para apanhar alguns papalvos.
As primeiras vides do Alvarinho foram trazidas para a região fronteiriça (Portugal e Espamha) põr alemães que ali encontraram temperatura e humidade mais próximas das da sua região.

Anónimo disse...

Assim sendo é uma vergonha que os responsáveis devem analisar.
Gostaria de saber se a zona do vinho Alvarinho não é uma zona demarcada!?
Mas neste país com cheiro mafioso, tudo é possível.
Nestes governos de ignorantes, incompetentes políticos centralistas. ainda vamos ver Lisboa a construir Naves Espaciais para a NASA e Misseis Nucleares para o Irão.

O PORTO É GRANDE, VIVA O PORTO.

Anónimo disse...

então, depois dos hospitais, a seguir os tribunais, e pelo que parece começando agora pelo Alvarinho, aí vão eles levando tudo para casa!
Não são corvos o símbolo da cidade?