05 janeiro, 2014

Ainda sobre o portocentrismo

Não, não é da morte de Eusébio que vos quero falar, embora a lastime, naturalmente. Todas as mortes são lamentáveis, e esta não foge à regra, de mais a mais tratando-se de um dos melhores jogadores naturalizados portugueses (Eusébio era de origem moçambicana) que jogaram em Portugal. E por aqui me fico, deixando à imprensa reacionária do  país a responsabilidade de transmitir as condolências ao ritmo da maratona.

Quero falar justamente de temas que poderão contribuir para a abolição do totalitarismo mediático e reaccionário que acima citei e que se reinstalou em Portugal  depois do 25 de Abril. Um desses temas, é o da luta que é preciso reforçar contra o centralismo, e contra os obstáculos que todos nós nortenhos, devemos procurar transpor para que esse desiderato seja atingido sem mais delongas.

Há dias, transcrevi aqui um artigo de José Mendes sobre o Portocentrismo que foi seguidamente comentado por mim e mais tarde também abordado no último programa do Porto Canal "Pólo Norte", o que significa que nem tudo o que se escreve no Renovar o Porto é ignorado.

Nesse comentário referi a minha concordância com o autor do artigo da necessidade de Rui Moreira dever alargar a chamada Frente Atlântica a outras cidades do Norte, mas discordei da sua conclusão, que acusava as 3 autarquias (do Porto, Gaia e Matosinhos) de uma estratégia planeada tendo em vista a obtenção de vantagens nos fundos europeus destinados ao Norte. Admito que o problema seja da minha boa fé e que José Mendes visse nessa iniciativa uma conspiração portocentrista, mas não creio que Rui Moreira, assim como os autarcas de Gaia e de Matosinhos, tenham  tido uma visão tão redutora de uma frente de carácter político e regional com as ambições que o Norte precisa. Suponho mesmo, que ninguém (nem os mentores) conhece exactamente os objectivos da Frente Atlantica, por isso me limitei a realçar o espírito congregador da iniciativa e a avaliei como um primeiro passo no sentido de "muscular" (sem assustar) as autarquias mais próximas para futuras batalhas com o poder central e ao mesmo tempo como uma forma de facilitar a resolução de problemas comuns às 3 autarquias. 

É sempre preferível dar um passo, do que não dar passo nenhum, excepto se esse passo nos conduzir a um abismo (o que não me parece ser o caso)... Sempre que oiço alguém dizer que "ainda" não é oportuno criar a Regionalização, já sei que essa pessoa não a vai querer nunca, e o tempo vem-me dando razão.

Com estas ciumeiras, ou suspeitas [não entendo bem], é que não se chega a lado nenhum. Análises precipitadas sobre "centrismos" podem-nos levar ao papel mesquinho de invejar o carro do nosso vizinho, e dividem-nos. Para os nortenhos, o primeiro passo terá de passar por unir todo o Norte em torno de um objectivo comum. Repito: é preferível dar um passo de cada vez do que não dar passo nenhum. O Norte precisa de coesão, de construir um ideal colectivo, precisa de bairrismo mas não de um bairrismo paroquial e divisonista, mas sim de um bairrismo unitário e profundamente regionalista.

Além de mais, a questão que coloco é esta: se há dúvidas, por que é que não se procura dissipá-las junto dos visados? Meus senhores, dialogue-se, proponha-se, esclareça-se, construa-se, organize-se e evite-se a germinação de fracturas. Esse sim, tem sido o grande problema dos nortenhos em geral, e não exclusivamente  dos portuenses.

3 comentários:

Anónimo disse...

Com todos estes Rapazotes que nos governam e outros que nos governaram, tão cedo não vai haver nada para ninguém, nem regionalização nem qualquer tipo de descentralismo, estamos numa ditadura camuflada à sombra da bandeira da democracia.
Têm que haver todo o tipo de forças do Norte sem medos nem invejas e muito menos de hipocrisias, que façam chegar a mensagem à Garotada, dizendo pelo menos, que estamos atentos aos roubos que é sempre para o mesmo lado.
Porque não, como dizia à dias o presidente ou ex/presidente da câmara de Aveiro, se for necessário o Norte e Centro unirem-se para combaterem o Centralismo.

Quanto à morte de Eusébio, que Deus o tenha em paz e descanso. À comunicação social hipócrita, prestem a homenagem sem massacrar os portugueses. Têm morrido tanta gente neste país, que por isto ou aquilo fizeram tanto, ó mais que o Eusébio, e as homenagens são passadas em roda pé.

Ao presidente da república: o seu prazo de validade já acabou deixe o povo português em paz.

O PORTO É GRANDE VIVA O PORTO.

marujo88 disse...

Os nortenhos não conseguem andar para a frente, porque os políticos que eles elegem, quando chegam a lisboa nunca mais querem saber do norte para nada. Quando esses políticos tiverem que prestar contas no circulo por que foram eleitos, talvez aí as coisas mudem, caso contrário , vamos andar mais uma porrada de anos a ver o dinheiro ser aplicado em lisboa.
Um abraço
Manuel Moutinho

Anónimo disse...

http://www.reflexaoportista.pt/2014/01/da-alienacao-ao-panteao.html

Merece leitura