06 maio, 2014

O que é nacional, é bom? Calma, não será tanto assim...

Julen Lopetegui Argote  (o basco)

Quem já se habituou à leitura dos meus comentários terá há muito percebido que não sou um português de "orgulhos" fáceis, quase sempre encomendados pela pouco exigente comunicação social que temos. Se me perguntarem se não fiquei orgulhoso com as conquistas nacionais e sobretudo internacionais do FCPorto, é claro que respondo logo que sim. O mesmo poderia dizer - apesar de não ser o meu clube -, se o Benfica ganhasse um troféu internacional, ou até mesmo nacional. Só que, rivalidades clubistas à parte, o histórico desse clube em matéria de fair-play, não mo permite sem correr o risco de bliscar a minha auto-estima... Sentir-me-ia uma espécie de minhoca se me esquecesse das pulhices que esse clube e a comunicação social que lhe dá colo, engendraram para prejudicar o FCPorto ao longo de décadas. 

Mas não é a esse tipo de orgulho que me refiro. O orgulho de que carece a minha condição de português é mais sério e amplo. Para mim, seria bem mais importante descobrir que o nosso 1º. ministro era o melhor 1º. minisro da Europa (já nem digo do Mundo para não pedir muito), do que saber que o ex-treinador do FCPorto, José Mourinho foi considerado o Special One dos treinadores de futebol dos últimos anos. Saber, por exemplo, que a nomeação de Durão Barroso para Presidente da Comissão Europeia assentou em critérios meritocráticos e não, como foi, por conveniência estratégica por parte dos verdadeiros líderes europeus (Angela Merkel e François Hollande) que lá o colocaram para encher um buraco e não incomodar... Ou então, orgulhar-me por saber que o salário mínimo nacional era dos mais altos da Europa, coisa que na realidade é exactamente ao contrário.

Portanto, nunca me vão ver em bicos de pés a imitar as portugalidades espúrias das RTP's ou das Bolas, porque esses não são os meus critérios de avaliação para me sentir orgulhoso.  Vale isto por dizer que nem sempre acho que "o que é nacional é bom".  Antes fosse.

Não sei se será pura coincidencia ou não, mas a péssima época da principal equipa de futebol do FCPorto parece ter contagiado as outras modalidades, e em vários escalões. Falarei apenas daquela que me pareceu mais evidente, o Hóquei em Patins, porque, tem a ver com aquela fracção de segundo em que um treinador pode tomar a decisão certa que o pode guindar, ou não, a si, e à sua equipa, ao 1º.lugar de uma competição. Trata-se, como já perceberam, da final da Liga Europa disputada em Barcelona entre o clube da casa e o FCPorto. O jogo começou com as duas equipas a estudarem-se mutuamente, cautelosas e muito concentradas. Isto durou cerca de 20 minutos, mais ou menos, até o Barcelona marcar o 1º.golo, curiosamente com a interferência de um jogador português (Pedro Moreira). Mesmo assim, a equipa pareceu não acusar o toque e conseguiu chegar ao empate através da marcação de um penalty supeiormente marcado por esse jovem génio Heldér Nunes. Na segundo parte porém, comecei a notar que a equipa, ou alguns dos seus elementos, começaram a afrouxar, e neste capítulo sobressaiu pela negativa o mesmo jogador, Pedro Moreira. Pensei cá para mim que já era tempo de o treinador fazer qualquer coisa e que essa coisa passava por substituir esse jogador que estava nitidamente em dia não. Tó Neves não pensou assim e curiosamente foi por uma desconcentração de Pedro Moreira que o Barcelona marcou o 3º. golo e conquistou pela 6ª. vez consecutiva o troféu ao FCPorto. 

São estas falhas, estes momentos de indecisão, que fazem muitas vezes a diferença entre um treinador ambicioso e um bom treinador. O deixar passar, ou o não agir atempadamente quando um elemento da equipa está em dificuldades, podem mudar tudo. Tanto é possível a equipa jogar mal e prejudicar o empenho de um jogador esforçado (como sucedeu no jogo de futebol com o Olhanense, a Herrera), como um só jogador pode prejudicar toda uma equipa, como aconteceu várias vezes (com Varela e outros).

É incontornável pois reconhecer que a intervenção de um treinador num jogo tem de ser rápida e corajosa, sobretudo quando se disputa uma final (não são afinal para se ganhar?). Quando tal não acontece, o mais natural é morrer-se na praia, como foi o que aconteceu...

Julen Lopetegui, o futuro treinador do FCPorto, referiu alguns itens que me deixam esperançado e que não costumo ouvir muito da boca de treinadores nacionais. Resumiu-se a isto:
  1. Espírito de equipa
  2. Obsessão colectiva
  3. Concentração competitiva
Disciplina, muita disciplina, digo eu... Mas agora, são preciso é actos.

1 comentário:

Anónimo disse...

Os espanhóis têm um proverbio que diz; dispam um espanhol das suas virtudes, e têm um português.
Nos dizemos; de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos.
Espero que ambos os provérbios estejam errados.

Vamos ser como Stº Tomé, ver para crer. Não digo que não fiquei surpreendido, pois esperava alguém mais conhecido e com provas dadas.
Agora só tenho a dizer: Boa sorte sr Lopetegui...

No hóquei em patins, o mais do mesmo sr Tó Neves, você não ganha uma final! você é 8 ou 80...

Abílio Costa.