14 janeiro, 2016

Vai ter uma tarefa árdua o próximo treinador do FCPorto

Um "uppercut" bem puxado nesta amostra de árbitro era merecido

Não vou falar das constantes arbitragens prostituídas contra o FCPorto, porque isso compete a quem tem o dever de o fazer, e não faz. O Presidente, como é óbvio. Nem falarei de tácticas, nem de estratégias, porque essas podem variar consoante a evolução dos próprios jogos. Prefiro falar daquilo que os meus olhos,  e os olhos de uma grande parte dos espectadores vêem, sem que isso me torne obrigatoriamente num pretensioso treinador de bancada. 

Lopetegui, já cá não está. Sabendo como são duvidosas as vantagens de mudar de treinador a meio da temporada, a meteórica velocidade da descaracterização da equipa, de jogo para jogo, tornou a sua saída imperiosa, o menor dos males. Repito: não acredito que Lopetegui ganhasse qualquer troféu. E não vale a pena reagir a esta afirmação como se ela comportasse uma cisma de má fé contra o treinador, ou uma manifestação de mau-portismo, porque duvido que alguém seja mais portista que eu. Amo o Porto como poucos. De tal maneira que, ao contrário de certos portistas, boavisteiros e salgueiristas, a seguir ao meu clube dilecto - o FCPorto -, sempre simpatizei com todos os outros clubes da cidade, e fico feliz com as suas victórias, menos contra o Porto. E quem diz do Porto diz do Norte. Só lamento, é ver muitas vezes boavisteiros e salgueiristas encostarem-se aos principais clubes da capital, que tudo têm feito para os prejudicar (o Boavista sabe-o) e prejudicar o maior clube da cidade, o FCPorto. E quando digo o maior clube, não é no sentido megalómano do termo, é por ser uma realidade.  

Mas, indo directamente ao assunto, do que é que eu não gosto neste FCPorto? Em primeiro lugar, da postura resguardada e passiva do líder do FCPorto, responsável pelos abusos das arbitragens, traduzidas em benefício para as equipas da capital e em permanentes danos para a nossa. Na aparente insconsciência de Pinto da Costa de não perceber que mudou, e que é preciso renovar a liderança.

Em segundo lugar, falando agora de questões técnicas, o que é que nós vemos nesta equipa do FCPorto? Falta de garra? De amor à camisola? De mística? Okey, se quisermos, podemos incluir esses ingredientes no menú, mas porventura alguém acredita que só isso chega para voltarmos a ver os nossos jogadores jogarem à Porto? Eu não acredito, é-me difícil acreditar. Mas, afinal, onde é que estão os defeitos desta equipa, que transforma bons jogadores em jogadores medíocres? Talvez me vá repetir, mas isso só consolida as minhas convicções.

A equipa deixou de saber pressionar em todas as linhas. Se estivermos atentos, verificamos que os nossos jogadores quando iniciam os movimentos de pressão fazem-no sempre fora de tempo, ou seja, quando decidem correr de encontro ao adversário já este teve tempo para passar a bola a um colega, o que torna esses movimentos inconsequentes, sem contudo deixarem de se cansar. As recepções e controles da bola são autênticos passes, quase remates. A bola não trava, ressalta. Os jogadores sentem dificuldade em parar a bola para a poderem jogar devidamente, daí resultando autênticos passes oferecidos aos opositores. Quando progridem com bola e têm um colega desmarcado, dão toques e mais toques para a frente, ou para o lado, até que quando decidem passá-la já estão bloqueados com dois ou três adversários à ilharga. Isto é recorrente, são factos, e não me parece que estejam apenas relacionados com sistemas tácticos. Digo apenas, porque considero que o estilo que Lopetegui tentou implementar, de ter muita posse de bola sem ousadia atacante, não só retirou criatividade aos jogadores como lhes estrangulou algumas aptidões técnicas. Se juntarmos a isto a anarquia defensiva, temos o cocktail perfeito para a perda de qualidade e de confiança. Custa-me dizer isto, mas Lopetegui conseguiu o mais difícil: destreinou os jogadores. Resultado: não conseguiu ganhar qualquer troféu, nem provavelmente o conseguiria se continuasse neste registo.

Por tudo o que atrás foi dito, quem quer que venha a ocupar o lugar de treinador principal, terá à sua espera uma tarefa hercúlea para corrigir os jogadores e fazer impôr os seus métodos de treino. No jogo para o Campeonato com o Boavista, pareceu-me ver nos jogadores uma vontade de jogar que não víamos ultimamente, não obstante se notassem as deficiências técnicas que apontei. Ontem, talvez por não fazerem o 2º. golo, tudo se tornou outra vez um bicho de sete cabeças e quase deixavam fugir a permanência na Taça. Isto, sem falar na indiscritível falta de categoria do árbitro que permitiu que o jogo quase se transformasse num ring de luta-livre... 

Não é garra que falta aos jogadores. Eles até correm, só que correm sem saber bem para onde. Há um labirinto nas suas cabeças, em vez de adversários. Foi Lopetegui quem o inventou. Mas foi Pinto da Costa quem quis o inventor. No topo das pirâmides do poder está sempre o principal responsável, para o bem e para o mal.

1 comentário:

Anónimo disse...

Temos que perder a mania que fazemos treinadores, já chega de brincar com coisas sérias. Embora se precise com alguma urgência de um bom treinador, mas nem por isso nos vamos precipitar.
Quanto às arbitragens a reacção da SAD é de cegos e mudos, isto nunca aconteceu, porque é que está agora acontecer!? Pinto da Costa que foi sempre um verdadeiro Napoleão, poderia perder uma batalha mas nunca uma guerra, agora virou a Madre de Calcutá.

Nota:
Gostei de ver Rui Moreira ao fim de dois anos no Porto canal a falar da nossa cidade, espero que não seja a primeira nem a última vez que lá vá, é importante que o presidente da 2ª maior cidade de Portugal aproveite esta estação televisiva para falar aos portuenses.

Abílio Costa.