Faz hoje 37 anos que, numa altura em que outros países iniciavam o processo de alienação das suas colónias, um grupo de jovens capitães, cansados de uma guerra a contra-ciclo com a história, levaram a cabo um golpe de Estado que iria depôr o regime ditatorial do Estado Novo, e implantar a Democracia.
Com todas as vicissitudes que caracterizam uma revolução, com excessos e algumas injustiças, a maioria dos portugueses rejubilou com o acontecimento, intimamente convencidos que a partir desse dia nada seria como dantes. Teriam razão? Bem, se reduzirmos os valores da Democracia à livre organização dos partidos políticos, e à possibilidade do povo eleger [também livremente] os seus representantes, podemos afirmar que sim. Mas, não foi seguramente apenas essa ideia redutora de Democracia a razão que tanto congratulou os portugueses .
Não tendo enraizado o hábito e o gosto pela participação cívica, as populações esperariam que com a Democracia, a governabilidade do país passasse a ser desempenhada, não só com outra legitimidade, como essencialmente, com mais seriedade, justiça e competência. Mas, foi exactamente o contrário que aconteceu. A febre exacerbada em torno da Liberdade, aproveitada demagogicamente por alguns líderes políticos, foi demasiado explorada como trunfo eleitoral, descurando aspectos cruciais ao bom funcionamento de uma sociedade moderna e democrática, como são o respeito pelo rigor e o apreço pela legalidade.
Ora, a "corda" da Liberdade, como qualquer pessoa sensata percebe, tem tanto de preciosa como de frágil, não devendo ter nunca sido puxada a despropósito, como o foi, demasiadas vezes. O resultado está aí: um país corrupto, económica e financeiramente dependente, na cauda da Europa. O cimento que o Estado foi gastando com barragens e estradas, não chegou para dissimular o desperdício com as necessidades, funcionando como aquele conto que diz ser impossível enganar toda a gente, toda a vida...
Ora, a "corda" da Liberdade, como qualquer pessoa sensata percebe, tem tanto de preciosa como de frágil, não devendo ter nunca sido puxada a despropósito, como o foi, demasiadas vezes. O resultado está aí: um país corrupto, económica e financeiramente dependente, na cauda da Europa. O cimento que o Estado foi gastando com barragens e estradas, não chegou para dissimular o desperdício com as necessidades, funcionando como aquele conto que diz ser impossível enganar toda a gente, toda a vida...
Os protagonistas do pós 25 de Abril falharam todos, traíndo os capitães que o conceberam e o próprio povo... E, pior do que terem falhado, foi terem deixado às futuras gerações, um execrável lastro de oportunismo e de falta de seriedade. Mas não foram só os governantes e os partidos políticos os grandes [ir]responsáveis pela situação actual. A comunicação social, é preciso dizê-lo, ampara-os com um carinho contagiante... Continua a dar-lhes protagonismo e... dinheiro.
E agora? Quem é capaz de nos dizer - sem demagogia -, como é possível limpar democraticamente esta lixeira? Eu, não faço a mínima ideia. Democraticamente? Que é como quem diz: pela persuação da oratória?
Esperemos sentadinhos, enquanto eles prolongam tranquilamente os fins de semana, em tempos de crise!
E agora? Quem é capaz de nos dizer - sem demagogia -, como é possível limpar democraticamente esta lixeira? Eu, não faço a mínima ideia. Democraticamente? Que é como quem diz: pela persuação da oratória?
Esperemos sentadinhos, enquanto eles prolongam tranquilamente os fins de semana, em tempos de crise!


