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16 setembro, 2010

Sem sombra de pecado

Vejam bem. Do sul, mais precisamente da capital, onde tudo se decide e controla, os media sufocam-nos diariamente com suspeições de toda a ordem, com especial obsessão pelo  futebol que é, apesar das resmas de processos levantados contra os clubes regionais, o único sector que ainda não conseguiram aniquilar completamente [leia-se F.Clube do Porto]. Para tal, qualquer pretexto serve. Um telefonema, um árbitro, uma fruta, um olhar, um bocejo, um croissant,  tudo serve para forjar conspirações.

Ao contrário, "lá longe" em Lisboa - como dizia o idolatrado Scolari quando falava do Porto - a coisa já não se passa assim. Não há promiscuidades, nem Ruis Rios, em bicos de pés, a brincar ao homem sério. Tudo é cristalino, insuspeito, notoriamente exemplar... Os políticos e ex-políticos atiram-se a tudo. Candidatam-se a Presidentes de Clubes, a Administradores de Empresas [grandes, com ou sem off-shores], de Bancos, de Federações Desportivas, a 1ºs. Ministros, a Presidentes da República e por aí fora. A tudo se permitem, excepto cumprir satisfatoriamente com aquilo para que foram legalmente mandatados, isto é: governar. No Porto, temos a melhor Universidade do país, mas Lisboa trata-nos como provincianos! Fará algum sentido este aparente paradoxo?  Faz. Lisboa é, a opinião, o resto, fica lá longe.

Agora, é Ribeiro e Castro a colocar-se na grelha de partida para a candidatura  [pasmem só] a Presidente da República, depois de se ter candidatado a Presidente do Benfica. Sem promiscuidades... E qual é problema, perguntarão os maníaco-liberais? Nenhum, diria eu, até porque, alternativa por alternativa, ficaria tudo na mesma. E o oportunismo também. Tudo boa gente, sabedora, digna, rigorosa.

Já que falamos em promiscuidades, sugeria ao Sr. Ribeiro e Castro que se juntasse àquela comandita - não promíscua, obviamente -, que costuma sentar-se na bancada do Estádio da Luz.

Pelo menos, 6 milhões de votos estão no papo. Faça-se pois à vidinha senhor futuro Presidente, porque a concorrência é muita! Em nome do Benfica [ó desculpe-me, senhor Presidente] queria dizer, em nome de Portugal.

PS-Esta noite vou ter difilculdade em dormir. É que não sei em que candidato votar.