Só mesmo os portistas mais atentos, ou pessoas muito íntegras e com invulgar capacidade de observação, saberão dar o devido o valor aos feitos desportivos do FCPorto. Diria mais. Nem muitos portistas têm verdadeira consciência dos obstáculos que o FCPorto ao longo dos últimos 20/30 anos tem sido obrigado a ultrapassar para hoje continuar na vanguarda do futebol nacional.
Digo isto, porque adivinho para o jogo da próxima 6ª.feira com o Benfica [pelo sim, pelo não,depois de teclar este nome fui desinfectar os dedos], as dificuldades do costume. Não me refiro, claro, àquelas dificuldades naturais de quem sabe que o adversário, seja ele qual for, tudo fará para complicar a vida ao FCPorto, - como fez, e bem, o Feirense ainda há poucos dias -, mas sim às artimanhas que vão ser usadas, quer dentro, quer fora do campo, para tornar a nossa victória impossível.
Apesar de jogar em casa, o FCPorto terá sempre de contar com o facciosismo e a falta de seriedade da comunicação social. Isto só é possível, porque vivemos num país cujo Estado também não é sério. Falar do Estado, sem recordar que ele teve e tem, sempre pessoas a representá-lo é quase como falar do clima que costuma arcar com as responsabilidades pelas asneirolas cometidas pelos homens. Portanto, quando digo que o Estado não é sério, estou a dizer que quem o representa também não o é. Ponto.
O jogo ainda vem longe e, apesar disso, torna-se fácil prever que a qualquer contacto ou simulação de contacto que possa sugerir uma falta, será antecipadamente tida como tal, sempre contra o FCPorto. Mesmo que não haja casos, os media tratarão de os inventar. Para isso, enfatizarão qualquer hipótese de infracção para lhe dar "realismo", e tudo será feito para desvalorizar aquelas que sendo autênticas possam beneficiar o FCPorto. Isto, se o clube do regime não conseguir resolver o desafio a seu favor. As provocações vão ser muitas de forma a criar situações susceptíveis de gerar reacções impetuosas aos jogadores do FCPorto dando assim excelentes pretextos para que os árbitros os penalizem.
O FCPorto tem aguentado estoicamente todas estas arbitrariedades sem grandes queixas, até porque sabe que tudo o que disser em sua defesa, será criteriosamente ignorado ou manipulado pela comunicação social de forma a tornar nulas as suas reclamações. É neste clima, quarto ou quinto mundista, que o FCPorto tem sido obrigado a competir, lutando contra adversários de rosto diferente, conseguindo, com maior ou menor dificuldade, não só sobreviver-lhes como vencê-los.
Mas isto não deverá fazer-nos esquecer o miserável papel do Estado, que se tem demitido das suas funções moderadoras, face a estas e outras aberrações de carácter público e comunicacional, optando sempre por deixar correr. O Estado, quando actua, fá-lo sempre na forma de remendo, nunca na forma de prevenção, como era seu dever. O Estado, e toda essa gentinha, sem classe nem preparação para o representar, assobia, ao bom estilo dos preguiçosos, para o ar...até um dia o desastre acontecer.
É neste quadro de diferente tratamento para cada equipa, que o jogo se vai disputar. O FCPorto será mais uma vez obrigado a duas tarefas. A primeira, superiorizar-se no terreno de jogo ao adversário, e a segunda a todos os outros. Aos árbitros e à comunicação social. Portanto, o FCPorto terá de vencer dois ou três desafios distintos para conquistar apenas 3 pontos!
Façamos votos que o treinador Victor Pereira saiba preparar convenientemente os atletas para essas três batalhas, sendo certo que só uma delas terá de travar com as mesmas armas.
O centralismo, tal como o salazarismo, não é democrático, nem nunca será.

