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02 dezembro, 2008

O primeiro milhão de Dias Loureiro

Para ler o artigo completo do JN clique sobre o título do post
Há partes do texto do artigo acima referenciado que, por me parecerem altamente impróprios de mentalidades de gente séria, não quero deixar de comentar. A primeira, do articulista, é esta:
"Entrou na política a ganhar quarenta contos e só lucrou quando saiu. Ficou rico com a valorização do grupo de José Roquette e declarou rendimentos superiores a Belmiro de Azevedo. Gosta de poker e diverte-se a ganhar dinheiro. Será pecado?"
Se pudesse responder ao articulista, dir-lhe-ia que: pecado, para mim, não é, porque não acredito no céu nem no inferno. Mas é, indecoroso, afrontoso, não credibiliza a política nem os políticos. Se as sociedades democráticas têm mesmo de ser assim, então, não quero ser democrata,e até começo a ter vergonha de pronunciar a palavra. Democracias,com exemplos destes, são cada vez mais sinónimo de oportunismo e de bandalhice. Estas práticas "democráticas", reza a história, costumam redundar, mais tarde ou mais cedo, em ditaduras. Pois é, mas, é preciso relevar um ponto: antes de aparecer um ditador, há a sementeira, os "lavradores" que adubam a terra para ele surgir do nada. É este tipo de "serviço", são estas práticas democráticas de insuspeitos políticos, o adubo ideal de onde emergem as ditaduras.
Como cidadão, felizmente liberto das amarras castradoras e desviantes dos partidos políticos, passa-me um pouco ao lado as querelas e intrigas partidárias. Interessa-me,em primeiro lugar,a integridade dos protagonistas. Não acredito em ideologias, sem idealistas sérios! Nenhuma serve. Quero lá saber do currículo de Dias Loureiro, das suas vaidades, dos seus golpes de asa, da sua fortuna, se usou o trampolim da política para enriquecer. O meu único interesse resume-se a repugnar os métodos e exigir responsabilidades das autoridades policiais para averiguar a fundo os excessos que eventualmente foram cometidos para se enriquecer tão depressa.
"Quando saiu do governo, José Roquette convidou-o para integrar a Pleîade. O grupo estava na altura modestamente avaliado em cerca de 1 milhão e 700 mil contos. Dias Loureiro aceitou o repto. Ficou com uma "stock option" até 15 % da "holding" do grupo e mais 7 % na repartição dos lucros. As acções foram baratas e estavam muito longe da valorização conseguida nos anos seguintes com a liderança de Dias Loureiro. É nesta altura que começa a ganhar dinheiro através das amizades que estabelecera nos tempos de ministro. "Os contactos na política ajudaram, mas não tem nada de mal", reconheceu diante da jactância das primeiras contradições no seu processo de ligação ao BPN."
Quando se diz, com o maior à vontade do Mundo, que os contactos e as amizades que fez enquanto ministro ajudaram a singrar para atalhar o caminho para a fortuna e que isso não tem nada de mal, que ideia podem os portugueses ter da noção do dever e de honorabilidade de tais políticos? Foi só para isso que foram para a política? E o país, o desemprego, os contínuos baixos salários dos portugueses, sempre na cauda da Europa, contarão para justificar declarações tão desniveladas e acintosas sobre a sua riqueza pessoal? Será que lhes ocorre sequer pensar que nenhum Governo pós 25 de Abril foi capaz de empurrar o país para um progresso factual onde a maioria da população pudesse hoje orgulhar-se de viver? Não, claro. O que lhes ocorre é o bláblá da treta, das oportunas entrevistas branqueadoras, dos Prós e dos Contras para criar a ilusão ao povo de que vivemos em Democracia só por que se perdeu a vergonha na cara de se desculpabilizarem publicamente das trafulhices sempre vestidas de um véu de inocência. Chega!
Nada tenho contra quem quer enriquecer honestamente (se é que isso não passa de uma realidade virtual), mas se é esse o objectivo, porque não imitam o Belmiro de Azevedo ou o Américo Amorim? Façam-se à vida como eles, sem recorrerem ao bluff da política, sem passarem o tempo a enganar o povo com promessas que raramente cumprem, e mostrem o que valem.
Continuem assim e podem ter uma certeza (a minha), cá o rapaz, quando vos vê ou ouve, sabe que não está precisamente a ver ou ouvir, pessoas sérias.