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22 junho, 2010

Empatar não é preciso

Há um importante detalhe que o Órgão Executivo do Movimento Pró-Partido do Norte não pode dar-se ao "luxo" de negligenciar desde já, que consiste em refrear os ímpetos perfeccionistas que eventualmente venham a verificar-se no seio dos seus militantes ou colaboradores. Este Movimento - que espero fervorosamente venha a constituir-se a breve prazo em Partido político -,  devia ter nascido há uma dezena de anos atrás, como tal, não deve perder mais tempo com questões de pormenor. O momento é de agir, não de discutir.  A acção terá necessariamente de ocorrer de forma firme, organizada  e coerente com o Manifesto do Movimento, mas com a máxima celeridade.

No interior da estrutura dirigente existem figuras políticas cujo perfil e experiência deveriam ser devidamente aproveitados para orientar os militantes mais jovens a quem seria passado o "testemunho"do know how para o futuro. As lideranças deverão ser naturalmente entregues à pessoas que estiveram na génese da criação do Movimento e sem quaisquer complexos, que por sua vez deverão eleger os elementos mais válidos e pragmáticos para os assessorar. Os preciosismos nestes momentos só servem para emperrar a "máquina", para empatar. Quem considerar ter algo a acrescentar de positivo ao Movimento que  preserve  a matéria  para momento oportuno. Agora, é hora de toque a reunir.

Recordo que foi por extravagâncias deste tipo que a Regionalização fracassou. Os "perfeccionistas" e resignados foram os melhores aliados do Centralismo. Diziam que o país era demasiado pequeno para ter regiões, e que a descentralização bastaria para tudo mudar. O resultado é o que se vê. Seria de grande utilidade para o Norte que agora reconhecessem [sem rancores] que estavam errados e deixassem o Movimento fluir naturalmente o seu curso.

O momento não é para discursos demasiado ambíguos e divisionistas. E muito menos para protagonismos inócuos. Há que ser prático e regionalista. Ser regionalista em momentos de profunda depressão como esta, é ser profundamente patriota. Não tenho a menor dúvida.

02 junho, 2010

A «música» dos bardos regionalistas

Ainda ontem manifestei aqui a minha antipatia pelas generalizações, e decorridas 24 horas  já tenho motivos de sobra para a reforçar.

A Porto Canal transmite às 3ªs feiras à noite, pelas 22 horas, um programa com a coordenação de Jorge Fiel, que conta com a participação de três convidados residentes, um dos quais é um senhor advogado cujo nome prefiro não citar.

Pois, foi este mesmo senhor que ouvi no programa da semana passada usar dos tais clichés que abomino, do tipo: "a culpa do país estar como está, é de todos nós"..etc.,etc,etc. A seguir,  procurou apresentar exemplos [sem grande sucesso, diga-se], enfatizando a fraca participação de cidadania dos nossos compatriotas, o que  até seria aceitável se não abusasse do plural. Ignorou, que há quem não se sinta confortável incluído nesse lote generalista de cidadãos indiferentes. Bastaria acompanhar o que se passa na blogosfera e nas redes sociais, para perceber que algo está a mudar no país [e no mundo] ,e que ainda há quem procure contribuir para a sociedade para lá das paredes de um escritório de advocacia...

Mas, o melhor estava para vir. No programa de ontem, Jorge Fiel lançou o tema do Movimento Pró Partido do Norte para a mesa e, para minha surpresa, o protagonista que se diz defensor da regionalização, que na semana passada se queixava do baixo empenho dos nortenhos pela coisa pública, não concorda agora com a criação de um partido para defender a região! Jorge Fiel, perguntou-lhe por quê, se os partidos que existem na Assembleia se desinteressaram completamente da temática. A resposta chegou camuflada da ambiguidade tradicional daqueles que gostam de dizer que estão, sem nunca quererem estar. Primeiro - disse -, porque achava que não era necessário criar um partido para regionalizar, e depois, porque não gostava de alguns dos protagonistas...Uma senhora, que também participava no debate, ainda lhe lembrou que, para já, se tratava apenas de um Movimento, mas pouco adiantou.

Não imagino o que terá aquele senhor contra os protagonistas deste Movimento, nem a quais se queria referir, mas o que retiro da sua opinião é que se trata de alguém melindrado  com qualquer situação de ordem pessoal ou política, que não resistiu à crítica fácil sem se dar conta que estava a opinar em público, e se esqueceu das suas próprias contradições [pouco antes, tinha dito que o maior problema dos nortenhos era a inveja]...

A ajudar à missa, teve um mediático comentador [benfiquista e monárquico], que pelas mesmas ou outras razões, alinhou pelo mesmo discurso pessimista.

Razão teve Jorge Fiel, ao dizer que o nosso maior problema no Norte, é o excesso de individualismo, uma crónica tendência para nos dividirmos. Eu subscrevo as suas palavras. Neste momento, depois de tantos anos de um centralismo sufocante que está a levar à ruína a economia regional, é inaceitável que haja gente que não consegue ver o Porto e o Norte para lá das paredes de suas casas.