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17 janeiro, 2010

Futebol e Centralismo

Não é de agora que o FCPorto para vencer jogos e campeonatos nacionais é «obrigado» a jogar em silmultâneo contra 3 adversários: com o clube adversário/equipa de futebol, com a comunicação social e com a equipa de arbitragem. Se, apesar destes factos [ e por causa deles] os sucessos do FCPorto terminam na sua sublimação, reconhecidos pelos seus imensos adeptos e pela insuspeita opinião pública internacional, também é verdade que lhe têm provocado um desgaste acrescido em relação aos demais adversários.
Não obstante a saga persecutória que lhe vem sendo movida desde há longos anos, através das mais abjectas campanhas de difamação, o clube acaba, melhor ou pior, por resistir e chegar ao fim na frente das competições com menos problemas a nível internacional do que dentro do país.
Internacionalmente, o FCPorto chega até onde os seus recursos financeiros o permitem, superando quase sempre as expectativas, porque não tem de se confrontar com a inveja, o ódio e a profunda desonestidade dos clubes centralistas. Ganha quando tem de ganhar, e perde quando tem de perder, mesmo que, aqui e além, prejudicado por uma má arbitragem, mas sem manobras escabrosas de bastidores, como acontece neste país onde parece reinar a anarquia.
Só não é um país assumidamente anárquico, porque nem a anarquia é capaz de assumir, bastando para tanto alegar-se que dispomos de uma Assembleia Constitucional, um Presidente da República e um 1º. Ministro... Mas, todas estas personagens são de retórica, não servem para absolutamente nada, excepto para si próprios. Como cidadão, sinto que não me fazem a mínima falta. São inoperantes, meras figuras contemplativas de um país imaginário. Se assim não fôra, seria impensável assistirmos às autênticas acções mafiosas infligidas ao FCPorto [e não estou só a reportar-me ao futebol]com toda esta gentinha do governo a assobiar para o ar como se nada de grave se estivesse a passar.
É neste ponto que se atinge o limite do tolerável. Numa sociedade assente em critérios de cidadania minimamente decentes, é também aqui que a Justiça não se faz notar, ou se faz, é pela negativa [que vale o mesmo que dizer, Injustiça], que somos levados a pensar na origem da violência, das guerras e da intolerância. Falámos aterrorizados nos atentados homicídas no país basco, e condenámo-los, porque rejeitamos pura e emocionalmente a violência, mas desprezamos tudo o que possa estar por detrás dela. Nestes casos, somos cínicos, porque nos esquecemos de um detalhe basilar que está sempre na origem e na afirmação de uma nação: uma guerra, uma revolução e a perda de vidas. Não há independências pacíficas. Nós «gostamos» de nos esquecer, quando falámos da luta dos outros, que também por várias vezes tivemos de defender com sangue e armas a nossa soberania. Sobre essa violência, colocámos um manto branco de elevação e exclusividade, como se a dos outros povos fosse diferente e não resistindo ao politicamente correcto, chamamos-lhe terrorismo. É uma forma hipócrita de nos acharmos mais humanos que todos os outros.
O que é que isto tem a ver com o futebol, estarão alguns leitores a perguntar-se neste momento.Tem tanto a ver com o futebol como com qualquer outra coisa. Tem a ver com tudo.
O Porto e o Norte do país, não estão apenas a ser desprezados no desporto/futebol, são-no também na economia e em tudo o resto. O Governo Central não se tem limitado a esquecer-nos, vai mais além, humilha-nos e provoca-nos [o Red Bull é o paradigma mais recente].
O Porto e o Norte não pode contar com as regras democráticas para nada, nem com a Justiça, porque simplesmente não funcionam. O que nos resta, então? Se o diálogo não gera consensos nem soluções, se nem sequer existe, o que nos resta? Lutarmos pela nossa independência? Como? Com palavras, com actos de caridade ou com armas? Se não temos exército, como nos vamos defender? Haverá alguém que acredite que por este andar as coisas terão uma saída sensata? Será que nos querem obrigar a inventar uma Etarra à portuguesa?
Se não querem, se a simples ideia de ver um Portugal minado por Movimentos deste tipo perturba [o que duvido] porventura os responsáveis governativos, porque não começam a mostrar-se ao nível das suas responsabilidades e a arrumar a casa, que é como quem diz, governar com verdadeiro sentido de Estado, e elevação?
O que têm produzido até ao momento, pouco menos é do que semear a desintergração do país, e isso não é próprio de governantes dignos desse nome, mas sim de terroristas no pior sentido da palavra.
PPs.- Há dias, lendo um interessantíssimo artigo no JN sobre a 1ª. tentativa [1891] frustrada da implantação da República e das expectativas ideológicas dos seus mentores, não pude deixar de a relacionar com a fraude do 25 de Abril. Seguramente que, não era este Portugal que os verdadeiros republicanos esperavam quando derrubaram a Monarquia. Seguramente também não seria esta coisa indefinida que o povo esperaria da Democracia...