É logo pela manhã que prefiro escrever. Ao contrário de outras pessoas que gostam da noite para o trabalho [e para a boémia], eu considero-me um "bicho" diurno, principalmente para trabalhar. Pela manhã, as ideias fluem mais facilmente e quando se trata de escrever para um blogue, os assuntos tomam outra oportunidade.
Há amiúde, factores de ordem particular na vida das pessoas que podem pontualmente travar a dinâmica que um blogue deve ter, e ultimamente é esse o meu caso, mas não só. É que, tendo embora consciência da relativa influência que um blogue pode exercer na vida económica, política e social do país, acontece que começo a sentir uma enorme frustração por não saber o que fazer com tanta "liberdade" de opinião. É uma liberdade que me permite ser mais espectador do que interventor. É uma sensação idêntica àquele fulano que acaba de ser assaltado, chama a polícia e a polícia não aparece.
Como cidadão, a quem tentaram [em vão] convencer das vantagens do menos mau dos regimes, é assim que me sinto, um espectador impotente para destronar da hierarquia política e judicial do país, quem lá está, e é incapaz de dar conta do recado. Sei, tenho consciência perfeita disso, de que no seio destas instituições de Poder há, de facto muita, mas mesmo muita gente com o rabo trilhado de compromissos nebulosos e de todo o género de traficâncias, mas é-me impossível prová-lo, porque devia ser através dela que podia lá chegar. O que fazer?
Não acredito na força do associativismo para questões de ordem política. Como já somos todos crescidos, parece-me quase infantil iludirmo-nos com os resultados de movimentos de cidadania por melhor intencionados que sejam, sem ter a suportá-lo uma figura de peso, com alguma autoridade moral, carisma e força. Quando digo força, digo armas. O 25 de Abril, apesar dos cravos, teve as armas de um sector da armada a sustentá-lo, de outro modo não teria tido sucesso.
A questão que recoloco, porque continua a ser oportuna é esta: não haverá ninguém, nenhum grupo nas forças armadas que não se sinta incomodado com o circo pornográfico em que se tornou o país? O 25 de Abril sempre, já era.

