04 setembro, 2015

Políticos e jornalistas, almas quase gémeas

Refugiados sírios em fuga

Não era desta maneira que em democracia imaginava ter de lidar com os governantes, mas não vejo outra alternativa. Ocupando lugares, que deviam estar apenas reservados a homens e mulheres íntegros, idealistas e excepcionalmente válidos, os governantes que temos conseguiram transformar-me num  irascível político-fóbico. Quando esta espécie de parasitas violam a minha privacidade, entrando-me pela casa sem avisar através da televisão, chame-se ele Passos ou Cavaco, a minha reacção imediata é procurar o comando para mudar de canal. Não suporto ouvi-los, e não perco um segundo da minha vida a ler o que escrevem. É como um choque eléctrico. Tudo é mais importante para mim, que a razão de existir dessa gente. É triste, não é? Mas é mesmo esse, o sentimento empedernido deste cidadão em relação a pessoas que, em circunstâncias normais devia respeitar, e em circunstâncias excepcionais, admirar. Nem uma coisa, nem outra. 

Ontem, a TVI dedicou um programa a entrevistar um desses inúteis: Paulo Portas. Com um moderador, mais três jornalistas para o interrogar, poder-se-ia pensar que iam preparados para o entalar com as próprias contradições, mas não. A ousadia dos nossos jornalistas não vai tão longe, limita-se a simular irreverência e a constatar, ou então a colar-se ao regime ... 

Numa época em que assistimos a um novo degredo, em que morrem homens, mulheres e crianças, apenas para fugirem da morte certa nos seus países de origem, em que a própria União Europeia, se mostra incapaz de evitar a emigração de portugueses, nada disto faz sentido. Portugal continua a ser um pais de emigrantes, mas os seus governantes dizem o contrário, que não, que o país está cada vez melhor e que o desemprego baixou. Não dizem nunca que o emprego (ridículo) a que se referem, é precário, temporário e sem quaisquer direitos sociais, talvez por ignorância, coitados...

Paradoxo dos paradoxos, ou país de fenómenos de simples explicação, o desemprego sobe, a qualidade de trabalho desce, mas as vendas de Porches e Ferraris aumentam... Lá está, os jornais constatam-no alegremente, e por aí se ficam. Talvez fossem mais úteis se procurassem saber quem são os donos desses brinquedos. É que, excluindo o primeiro prémio do Euromilhões, seria do maior interesse saber quem são, o que fazem e como pagarão aos eventuais empregados, patrões tão abonados. Esses, são temas tabu, para os jornalistas. Mas eles insistem. Teimam em querer convencer-nos que fazem tudo certinho.


1 comentário:

Anónimo disse...

Estamos a falar de gente menor, de corruptos, mentirosos, de parasitas da sociedade, de vendilhões da pátria de uma escumalha que levou Portugal à miséria, de uma classe à parte que se masturbam com ideias obscenas.
A solidariedade para com os outros a estes Abutres, é uma palavra que não existe no dicionário.
Eu também faço parte daqueles que não perde tempo a ouvir estes vendedores de banha da cobra.

Abílio Costa