29 maio, 2016

Moncho Lopez conseguiu escapar à crise. Parabéns redobrados!



Como se previa, a crise de liderança instalada ao mais alto nível na estrutura directiva do FCPorto, reflectiu-se noutras modalidades que também muito prometiam pela excelência dos seus jogadores e treinadores (hóquei e andebol). Tanto numa, como noutra destas duas modalidades, não notei qualquer decréscimo em termos qualitativos, quer no que respeita a jogadores, quer a treinadores. Bem pelo contrário. 

No andebol, acho até que desenvolvemos um tipo de jogo mais coeso e espectacular que no tempo do insuspeito e fantástico Obradovic. Contudo, não escapamos à vergonha do proteccionismo das arbitragens que beneficiaram como vem sendo hábito, os nossos adversários da capital nos jogos decisivos, porque fomos mansos. O mesmo se aplica ao hóquei, muito embora aqui o factor juventude tenha contribuído também para o insucesso. Tudo isto torna o trabalho de Moncho Lopez duplamente louvável. Mas, isto não pode nem deve servir para branquear o efeito dominó que uma gestão descuidada sempre provoca nos atletas de um clube, seja em que modalidade fôr. A excepção foi o basquete, e provavelmente um ou outro escalão de formação (sub 19).

Tive o ensejo de ler as declarações aparentemente emocionadas de Pinto da Costa, em Espinho, no almoço de aniversário da conquista da Champions de 1987.  Aqui vai um excerto:


Luta contra o centralismo

“Se nos atacam desta forma é porque não nos consideram mortos, mas querem-nos matar. Desde jovens que fomos habituados a ouvir que o FC Porto, para vencer, tem que ser muito melhor do que os outros. Temos de estar atentos ao fenómeno que as nossas vitórias causam num país centralista, no qual os jornais teimam em ignorar-nos, sabendo que sempre somos obrigados a pagar o preço do nosso sucesso. No dia em que jogámos a final da Taça de Portugal, um jornal desportivo ignorava-o e trazia uma grande fotografia do Jorge Jesus. Mas no dia seguinte, só porque o FC Porto perdeu, o jornal já fazia primeira página com a vitória do Sporting de Braga.”

Vejamos: estas declarações não cheiram a prato requentado? Será alguma novidade para qualquer portista que tenha os olhos bem abertos, o que ele disse? Afinal, quem é que deixou de estar atento ao que dizem e escrevem os media centralistas? Nós, ou ele? Não foi ele quem abriu as portas a uns cavalheiros com responsabilidades nesses pasquins de Lisboa na gala do Dragões de Ouro? 

Não é a discutir o sexo dos anjos que pessoalmente me convenço que algo de importante está para acontecer para melhor num futuro próximo do FCPorto. Não é assim que se restaura a união, e se acaba com a especulação, é reconhecendo erros próprios e dando garantias que não voltam a acontecer,  e esses erros foram explícitos pelo silêncio e pela indiferença face à discriminação de que ele agora se queixa e que todos estamos cansados de saber.

Sendo assim, por que é que Pinto da Costa em vez de repisar no que já sabemos de ginjeira, não nos garante o que precisamos de ouvir? Por quê? Isto parece mais o jogo do gato escondido com o rabo de fora, que uma declaração de regresso à combatividade, que é o que o FCPorto precisa. Disso, e de uma estratégia de comunicação franca, destemida e aberta, sobretudo com o universo portista. 

Para mim, não é o treinador nem os jogadores que mais me interessam, é a consistência e a frontalidade de quem lidera. Se esta for garantida, o resto virá por acréscimo, como sempre foi, aliás. Não me meto a dar palpites sobre quem vem ou deixa de vir, desde que o mais importante seja garantido. E o mais importante, é sem dúvida, a força da liderança. Não me sinto incomodado por dizer aquilo que convictamente penso, nem belisco em nada o meu portismo, estou à vontade. O FCPorto não é uma única pessoa, por mais que ela tenha feito pelo clube, são todos os portistas, sejam eles sócios ou adeptos.


3 comentários:

Anónimo disse...

De todas as modalidades aquela que à prior era a que menos possibilidades teria de ganhar o campeonato, era o basquetebol, mas, um Senhor de nome Moncho Lopes provou que é um grande treinador e deu-nos esta alegria. Nas outras modalidades principalmente no Andebol o roubo a favor do Clube do regime foi evidente, no hóquei como o Rui diz, era juventude a mais, não por falta de qualidade mas pela irreverência um pouco sôfrega dos nossos jogadores em certos jogos.

O discurso do Sr Pinto da Costa é de alguém a quem lhe roubaram a casa porque passou a o tempo todo a dormir e nem deu por nada. Agora são lágrimas de crocodilo, de alguém que apostou mal e que quer sacudir a água do Capote; de querer favorecer Deus e o diabo e não ser capaz de arrumar a casa, está perdido no tempo por causa da idade.

Eu não sei se hoje é 1 de Abril o dia dos enganos, pelo menos para o Pasquim JN que dá como certo o Espírito Santo como treinador do FCP! Sendo assim não sei se vai ser mais uma argolada para o FCP! E depois se o tinha livre em Janeiro porque foram buscar o Peseiro! E depois ainda, sendo este Treinador do empresário Jorge Mendes, de quem Pinto da Costa o vêm acusando de lhe ter enfiar uns barretes e de trabalhar para o Clube encarnado dos batoteiros! Fico espantado e surpreso, embora, já estamos habituados que no futebol o que hoje é verdade amanhã é mentira.

Abílio Costa.

Rui Valente disse...

Abílio,

a notícia parece fidedigna, embora ainda não confirmada pelo FCPorto. Se assim fôr, por acaso, a ideia agrada-me. Admiro Nuno E. Santo, e considero que tem personalidade e perfil para ser bem sucedido do FCP. Mas isso só será possível se não for deixado à deriva quando se tratar de defender o clube de "colinhos" e afins. Não é da responsabilidade do treinador tratar de assuntos do âmbito jurídico e administrativo. Se Pinto da Costa voltar a ser o lutador que já foi, ou delegar em alguém competente essa tarefa, tudo bem, se tiver o comportamento destas últimas épocas, é arriscado contar com milagres "Moncholopistas". E se digo isto, é porque ele continua sem se abrir sobre o assunto.

Anónimo disse...

a aposta no Nuno é igual a aposta em lopetegui. um risco.
o nuno fala de mais de certas coisas, quando começam a correr mal então...é só sacudir a água do capote dele. no valência foi extamanete assim.

era preciso um gajo sério que não se deixasse comer, que soubesse falar nas alturas certas (m silva) e não um que vai começar a bater forte e feio na arbitragem, e nos rivais muito cedo e que depois se vai acabar por expor ao ridículo.

tenho pena mas a confianças nesta solução não é muita..