11 outubro, 2016

Da bondade dos taxistas

Paula Ferreira - (JN)

Os taxistas sabem: a não imposição de um limite ao número de carros da Uber a operar pode ser o princípio do fim. Sabem eles e sabemos todos nós. O ministro do Ambiente, firme na posição de não criar um contingente para essas viaturas, assegura que os táxis têm um contingente por serem um serviço público com todas as vantagens que daí advêm. Mas não deixa os motoristas de táxi de mãos vazias: abre a possibilidade de passarem a operar com carros descaracterizados. Como se isso fosse o problema. Não é. O problema está no interior das viaturas. Quem não foi já maltratado por um motorista de táxi? Quem nunca entrou num carro sujo com um condutor mal-encarado e resmungão, a insultar os outros automobilistas, a culpar o passageiro pelos males do Mundo? A classe, claro, não é toda assim. Serão exceções. Talvez. Mas as imagens que ontem vimos, ao longo de todo o dia, esboçam bem o retrato dos taxistas.

Aqueles homens, por muitas razões que tenham para protesto, perdem o controlo e atacam. Sim, é a palavra: atacam qualquer carro onde suspeitam estar um motorista da empresa rival. Deste modo, perante um espetáculo troglodita, dão aos portugueses razões acrescidas para pensar duas vezes antes de ligar para a central de táxi. A imagem de vários homens a rodear um carro da Uber, com clientes no interior, e a abaná-lo com violência, é a síntese da bondade da classe: ontem, em Lisboa, transformou uma manifestação legal num bloqueio selvagem.

E se é tão simples chamar uma viatura através de uma simples aplicação de telemóvel, ser atendida por uma pessoa cortês, escolher a música e até o tipo de carro que se quer usar, porquê correr o risco de encontrar um daqueles homens ao volante do táxi?

A manifestação ou bloqueio, ontem, em Lisboa, reforça a imagem negativa dos taxistas. Mas essa imagem reflete uma outra, a do Governo: depois de inúmeras reuniões, não está a saber controlar a situação. Os taxistas terão de perceber: prestam um serviço público, e isso é compatível com a reivindicação, mas já não o é com a violência perante a concorrência. Por muito que lhes custe, é a concorrência que está em causa. Se mantiverem tal atitude, será fácil antever um vencedor. A última palavra não é do Governo, mas da escolha dos clientes.
Nota de RoP:
Por mais compreensão que procuremos ter com os problemas dos taxistas, a sua postura grosseira e arrogante, traduz fielmente a péssima fama de que gozam na opinião pública. 

Por isso. subscrevo sem rebuço o que a crónica relata. 
Lá diz o ditado: quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele.

4 comentários:

Deacon Blue disse...

Boas,

Peço desculpa mas nao estou de acordo.
Neste pais de treta com politicos ladroes, moral e logica onde? vir pedir maneiras para o pessoal se manifestar??!!? Tanga!
O que falta é malta a partir tudo! Mesmo!
Vejam o que se passa aqui ao lado nas manifestaçoes....
Em Portugal as manifestaçoes sao muito "light"! como diz um amigo meu, somos uns conas!
Á custa disso andamos a ser comidos historicamente em grande!

Chega de brandos costumes!

Maus exemplos existemn em todos os lados, mas nao confundir a arvore com a floresta!
Seguramente qus os taxistas estarao disponiveis por ex. para rever e monitorizar a qualidade do seu trabalho como em qualquer actividade moderna!
Trata-se de uma actividade com muitos profissionais e familias dependents que deve de ser objectivamente defendida pelo governo.

É tao so a minha opiniao!

DB






Anónimo disse...

Sim disse bem, alguns taxistas mal encarados, mal vestidos, mal educados sem categoria para serem profissionais taxistas, qual é o sindicato que os forma e lhes dá a carteira!? Não conheço. Outros sim educados, honestos, sabem se apresentar como um verdadeiro profissional e por uns pagam os outros.
Também estou de acordo por este andar o cliente o que quer é ser bem servido e vai optar, e depois não se queixem, é a vida...

Abílio Costa.

Rui Valente disse...

Deacon
e a sua opinião, a minha, é a que indiquei. Não se trata aqui de criticar o direito à luta, ás manifestações, quando justas. Trata-se do modo como estes profissionais lidam com os clientes. Eu não gosto de generalizar, mas tenho idade que chegue para ter uma ideia formada sobre os taxistas: são uns mal educados, uns vigaristas. Neste caso a luta deles limita-se a uma exigência. O que eles não querem é ter concorrência. Ponto. Também o comércio teve de lidar com os hipermercados e nem por isso foram para a rua fazer o triste papel dos taxistas. Haverá excepções? Haverá, mas são sofocados pela maiorria, não tenha dúvidas.

Anónimo disse...

Aguardemos pela prometida manifestação dos empresários. Vai ser tudo mesuras, uma boa educação, um desfile de fato e gravata e com viaturas com motoristas. E porquê? Perguntam vocês... porque vão conseguir as suas revindicações, não haverá policia de choque.. ai deles que batam... os tribunais funcionavam logo.
É a minha opinião.
A. Martins