03 dezembro, 2017

FCPorto, uma comunidade de interesses diferentes que devia estar unida

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Futebol Clube do Porto

Quando uma comunidade, com idiossincrasias aparentemente idênticas é incapaz de se unir no que tem de mais importante, quando os interesses se cruzam e não o faz, é porque aquilo que a une, não é tão forte como aquilo que a separa. É uma comunidade frouxa. 

A maioria dos portistas têm, ou, era suposto terem, a cidade do Porto e o Futebol Clube do Porto a uní-los, mas bem vistas as coisas, infelizmente não é isso que acontece. Sejamos honestos, por questões culturais, sociais ou económicos, a expressão SOMOS PORTO não tem a mesma genuidade simbólica para todos, e isso torna-os mais fracos. Politicamente os portistas não têm a solidariedade que têm com o futebol.

Em termos de gestão administrativa e desportiva, os últimos anos do FCPorto, foram muito diferentes (para pior), daquilo a que os portistas estavam habituados. É um facto, que ninguém poderá desmentir, que esse tempo negativo teve, em parte, a ver com a intrusão do filho do presidente em áreas que não dominava, mas também com algum facilitismo na contratação de jogadores, em paralelo com algum excesso de confiança potenciado pelo inegável afastamento do Presidente Pinto da Costa de áreas que antes eram de sua exclusiva responsabilidade. Este assunto já foi por demais debatido mas convém nunca ser esquecido porque nos ajuda a avaliar melhor tudo o que aconteceu de negativo nestes últimos 4/5 anos.

Sem precisar de levantar demasiado a fasquia, quando digo que as idiossincrasias dos portistas são semelhantes, mas não são iguais, cito apenas um simples exemplo mas que já diz muito. Enquanto o presidente do FCPorto e os seus companheiros da administração, se têm mostrado tímidos e aprisionados pelos compromissos contratuais com os media e patrocinadores (MEO, ou NOS), os adeptos, desfrutando de outra liberdade são de facto mais livres, e por isso mais autênticos e reactivos quando algo de mal acontece com ao FCPorto. São os adeptos a alma e o coração do clube, porque sem eles o negócio futebol era zero!

Separadas e compreendidas, tanto quanto possível, as responsabilidades de uns, e de outros, nada justifica que o clube não possa ser defendido por quem devia, que é o Presidente, e demais administradores. Não o fazendo, sem nada justificar  aos sócios, o silêncio - que mais parece indiferença -,  alguém está a criar uma clivagem de interesses que deviam ser partilhados, e esse alguém é o Presidente e a SAD, não são os adeptos.

É verdade que o FCPorto é uma Sociedade Anónima Desportiva cotada em bolsa, mas é, antes de tudo, uma sociedade desportiva, com milhares de adeptos e associados pagantes de cotas... Portanto, o comportamento da SAD não pode nem deve ter as características de um proprietário de uma empresa comercial ou industrial, porque se trata de géneros diferentes de sociedades, tanto nos procedimentos como nos objectivos.  

Ora, ultimamente, não tem sido essa a conduta de Pinto da Costa & Cª. para  com os sócios. O caso vergonhoso dos e-mails é demasiado grave para o clube e para todo o universo portista, e não pode continuar a ser tratado com o distanciamento dos últimos anos, porque isso só nos tem enfraquecido em todas as vertentes, desportivas e económicas. É preciso que a SAD reconheça os seus próprios erros, e mesmo que não queira assumí-los perante os portistas, então  que os assuma nas atitudes, na política de gestão jurídica. Assim, é que não é nada, além de cobardia.

Podemos continuar a denunciar os cartilheiros, mas como são as próprias autoridades desportivas a ignorar as ocorrências, quase parecendo cúmplices, estamos a dar tempo e espaço ao Benfica para continuar a manobrar nos bastidores e assim conquistar pontos indevidos para si, e a roubá-los a nós. Por incúria da SAD, por este, e outros pontos de vista, perdemos pelos menos dois campeonatos. Estaremos dispostos a perder mais um da mesma forma como perdemos outros, mantendo o mesmo presidente sem olhar pela defesa do FCPorto?

Nem mesmo os jornalistas e os colaboradores que trabalham no FCPorto partilham das mesmas idiossincrasias da comunidade portista, por uma razão muito simples: são pagos pelo clube. Logo, têm de obedecer a quem lhes paga. Mas seria inteligente que eles também se lembrassem das diferenças que atrás indiquei, o FCPorto é uma sociedade desportiva, e os sócios são parte importante, quiçá a mais importante.

Os sócios não podem ser vistos como operários úteis, porque o FCPorto não é seu patrão, é uma instituição à qual pagam cotas, é preciso não confundir um clube desportivo com uma estrutura de trabalho remunerado. Os sócios não recebem, pagam. Se ao presidente Pinto da Costa ainda se toleram alguns abusos (não é o meu caso), aos colaboradores pagos é uma desfaçatez ousar copiar-lhe a sobranceria.

A união entre portistas,  não se consegue com líderes furtivos, independentemente dos interesses mesquinhos que os separam.

5 comentários:

Anónimo disse...

Os adeptos do Benfica, bem ou mal fazem algo pelo clube, até matam. Os do Porto, são frouxos e a diferença está aí.

Rui Valente disse...

Os adeptos do Benfica, se matam, fazem mal, não fazem bem.

Os adeptos do Porto têm sido civilizados mas os governantes não reconhecem a diferença.

Por isso, se amanhã forem eles a matar alguém, mandem a conta a esses mesmos governantes irresponsáveis, porque não serei eu que verterei uma lágrima.

Os piores terroristas são os que andam a escondê-lo.

Anónimo disse...

Nem mais. Tanta frouxidão um dia pode-se transformar em algo de imensa gravidade e isso será obra dos terroristas que menciona.

Felisberto Costa disse...

A revolta que nos assola a alma não é motivo para partir para a violência, tal como os homicidios não acabarão por haver pena de morte!
Claro que o futebol é um mundo á parte e não podemos nem conseguimos agir á "Gandhi", onde a ponderação, a tranquilidade e a não-violência serão os grandes vencedores. Mas há outras formas de luta que não sei se agradarão a todos os portistas, como por exemplo:
- Abandonar um jogo onde sentimos que estamos a ser lesados.
- Apresentar uma equipa inferior em competições onde á partida já nos querem excluir.
- E, por último mas não menos inportante: deixar o campeonato português!!! Seria um terramoto de todo o tamanho não só em Portugal como em todo o Mundo! E nem que pedissemos licença ao Liechenstein (é assim que se diz e escreve?) para participar no campeonato deles.
Grandes medidas sugerem grandes atitudes!

Rui Valente disse...

Felisberto,

é uma vergonha termos gente na SAD a ser principescamente paga pelo FCPorto e não reagir condignamente a esta gatunagem!

Também os "líderes" do FCPorto são corresponsáveis pelo que possa vir a acontecer. Para mim, é o maior e o mais reprovável escândalo que até hoje pude ver em Portugal.