30 dezembro, 2018

BOM ANO A AFASTAR NUVENS

Domingos de Andrade
Director JN

É entre um ele e um ela, afogueados pelo deserto, e sem perguntas: Que importam esses véus sob os quais te escondes - Eu afasto-os tal como o sol afasta as nuvens.
Quando olhamos o Novo Ano também queremos deixar para trás o que nos doeu, o que nos fez perder o rumo, o que se entranhou como areia fina e nos toldou os dias. Não apenas como seres individuais, mas como integrando um coletivo, ou vários, da família aos amigos, à cidade e país. Para não chegar à Europa e ao Mundo, porque já é pedir demasiado.
Abre-se o ano com protestos, depois do balde de água fria do discurso de Natal do primeiro-ministro. A austeridade é um estado latente dentro do Estado. Dos professores aos enfermeiros, da justiça à prometida contestação das mudanças nas leis do trabalho.
É ano de eleições, europeias e legislativas. E talvez nunca como agora tanto esteja em causa na construção do que somos como país e como europeus, quando os populismos já não são um verbo de encher, quando os partidos dão argumentos de falta de transparência que os levam ao descrédito, quando a artimanha das chamadas "notícias" falsas adensa a teia de obscurantismo em que começamos a mergulhar mais fundo nesta pós-democracia que já estamos a atravessar.
Como povo, é reduzida a nossa capacidade de mobilização cívica e a dependência de ciclos eleitorais e de partidos que procuram também eles um caminho. Mas sendo o que aí vem um ano eleitoral, pelo menos num ano eleitoral está na altura de cada um perceber onde é que pode ir mais longe na intervenção social, não pensando que o seu papel na vida pública se esgota em depositar um voto de quatro em quatro anos.
Irmos além do circo, como cidadãos, como leitores, como eleitores, é o grande desafio para 2019.
Bom ano, a afastar as nuvens.
*DIRETOR

1 comentário:

Anónimo disse...

Em nome da Liberdade e democracia os governantes mentem, para sermos mais optimistas temos que não acreditar em nada que os governantes nos dizem. O povo português é um filho bastardo do 25 de Abril os filhos legítimos são os políticos.

PARA O RUI VALENTE E TODOS OS PORTISTAS: UM BOM E FELIZ ANO.

com amizade
A. C.