22 julho, 2019

Rescaldo da Copa Ibérica

Há talento, é preciso saber aproveitá-lo,
 e DEFENDÊ-LO...
Ainda é cedo para termos uma ideia do que vale o plantel actual do FCPorto, até porque ainda não foi definido que jogadores vão ser dispensados (além dos que já partiram), nem se vai chegar um ou outro reforço.  Além disto, será necessário  algum tempo para afinar o sistema de jogo, e determinar a equipa que pode conferir melhores garantias, ou seja, escolher a formação tipo. Portanto, começar já a tirar conclusões precipitadas, como alguns portistas já andam fazer, para o bem e sobretudo para o mal, é manifestamente prematuro, e imprudente.

Este hábito de apreciação prematura é errado, especialmente quando dirigido a jogadores sobre os quais ainda pouco se sabe em termos genéricos. O que importa é que sejam tecnicamente bons, e essencialmente com grande sentido de equipa. Não querendo evocar águas passadas, cito o exemplo de Brahimi, a quem no decorrer do tempo foram dirigidos elogios exagerados, e mesmo logo nas primeiras exibições, antes de se afirmar, e que mesmo assim gozou dessa fama quase até ao fim do contrato. Era um jogador de raros bons momentos, e de baixíssima auto-confiança. Sempre o vi como um jogador demasiado individualista, com uma técnica vistosa, mas pouco eficiente. Era o típico jogador de caprichos. O que quero dizer, é que o FCPorto não pode dar-se a esses luxos, porque quem tem menos a ganhar é o clube, não o jogador.  Este tipo de atleta é antítese do jogador à Porto. Citei este exemplo como podia citar outros, mas como disse, não é esse o objectivo deste artigo. Só para citar o exemplo radicalmente oposto, escolho o inesgotável Alex Telles, um jogador de equipa, raçudo, e tecnicamente evoluído.

O primeiro ponto que me ocorre referir, sustentado nas fragilidades evidenciadas na última época tem a ver com o modelo de jogo que o treinador Sérgio Conceição pretende privilegiar. Será o mesmo? Então, importa saber se está preparado para aperfeiçoar a gestão do esforço físico que esse modelo implica. As lesões da época anterior foram constantes, apesar dos cuidados físicos médicos e de treino, portanto é um aspecto que importa ponderar. Depois, o aperfeiçoamento técnico da qualidade e intensidade de passe, e do remate. Há jogadores, que já estão há uns anos no FCPorto, cuja identificação me escuso a revelar por uma questão de bom senso,  que ainda têm algumas dificuldades nestas vertentes específicas. Penso que deviam merecer treinos particulares e mais intensos para esses fins. Outros há, que sendo até muito mais jovens que os seniores, já revelam uma qualidade de passe e remate acima do que seria previsível para a idade. Refiro-me naturalmente aos juniores, como Fábio Silva, Romário Baró, Fábio Vieira e Tomás Esteves, só para falar dos mais destacados (porque há outros). Há jogadores que já nascem com esses dons, que quase não precisam de treinos. O gosto pela redondinha é tão forte que desde pequenitos se esforçam por imitar os craques seu ídolos, e conseguem fazer em poucos anos o que outros não conseguem a vida inteira. Quando jogadores deste tipo sabem conciliar o talento natural com a maturidade precoce, quase dispensam treinadores técnicos. Em princípio não criam grandes dores de cabeça aos treinadores.

Sucede que existem outros jovens que não tendo as mesmas faculdades dos mais talentosos, podem vir a ser também grandes craques, a diferença consiste em necessitarem de mais tempo de treino, mais apurado e específico. E é aqui que persiste a minha dúvida. Será que para estes casos concretos há treinos suficientemente eficazes? Terão o êxito  esperado? Tenho dúvidas.

Se os leitores observarem com atenção o modo como estes jovens talentosos tratam a bola, como a passam, e como a chutam, independentemente da experiência de cada um, vão reparar que não é só no contacto nem na posição como tocam a bola que está a arte, está também na posição do corpo consoante a direcção da baliza, ou no caso do passe, do colega mais próximo. Esses não se limitam a olhar para a relva, apenas onde está a bola, eles olham rapidamente também para o local onde está o objectivo, e só depois concretizam. Nem sempre com êxito, é natural, mas com mais sucesso do que aqueles que se limitam a olhar para a bola. Eu acho que é aqui que reside a diferença. Se aliarmos ao talento pessoal do jogador, mais ou menos talentoso, o hábito de levantar a cabeça para o campo antes de decidirem para onde enviar o esférico, teremos seguramente um jogador mais completo, mais assertivo.

Em pouco tempo, os poucos jogos que vimos desta mistura entre jovens e seniores, deu para perceber porque é que uns falham menos que outros.  O talento é também inteligência e auto-confiança. Sem beliscar o orgulho de Brahimi, para mim, além da sua vaidade excessiva, relevava o seu pior defeito, que era não acreditar em si próprio. O que mais me chateava nele, para além do individualismo que tantas vezes o fez perder a bola, era colocar as mãos na cabeça após o falhanço. Esse gesto vicioso impediu-o de evoluir. E foi pena.

2 comentários:

Anónimo disse...

Para já com os Meninos os mais Velhos e as novas Aquisições já cá cantam dois troféus, vale o que vale, mas, é melhor assim. Com mais uns retoques na equipa, vamos começar a nossa Saga ganhar, ganhar contra tudo e contra a todos, não vai ser fácil pelo menos por cá, porque o Polvo o Batoteiro continua ao colo de todo o Regime e de toda a corja vermelha da comunicação social.

A.C.

Rui Valente disse...

A.C.,

resta saber se o Sr.Pinto da Costa vai continuar a deixar o "terreno" livre aos cartilheiros e deixá-los ganhar outra vez o campeonato, como aconteceu a época finda. Podem por isso também agradecer a atenção à SAD portista por não terem levantado ondas...