Esta foi a expressão utilizada pelo primeiro-ministro - e agora parece que também pelo ministro das finanças - referindo-se ao cumprimento rigoroso das metas económico-financeiras impostas pela troika.
Neste contexto, esta frase é uma declaração de guerra ao povo português e é de uma crueldade inaudita, é uma frase assassina. Em português, " custe o que custar" só tem um significado, quer dizer que a obtenção do desiderato final terá que ser obtido com total desprezo pelas consequências, incluindo sacrifícios, que daí resultarem.
O desemprego aumenta? Seja. A miséria acentua-se , a fome irrompe nas classes mais desfavorecidas? Seja. As instituições de benemerência verão escassear os seus recursos para atender os mais indefesos? Seja. O apoio médico do SNS torna-se mais deficiente e mais caro? Seja. O ensino degrada-se ainda mais? Seja. A cultura regride? Seja. Os cérebros que são uma das riquezas de um país, aceleram a fuga para o estrangeiro? Seja. Em resumo, os indicadores económicos e de bem estar regridem ao nível dos anos 50? Paciência. O importante é que a troika nos considere bons rapazes e os "mercados" nos tenham em alta consideração, como se os mercados formassem os seus juízos por razões técnicas e não por razões de especulação financeira, como está mais que provado.
Quem nos livra destes governantes maníacos, fundamentalistas loucos nas mãos de quem estamos? A oposição é frouxa e sofre do síndrome dos PEC socratinos. O PR é para esquecer, o "supremo magistrado da nação" tem outras preocupações.
Parece não haver ninguém que contrarie estes aprendizes de feiticeiro, que diga alto e bom som que " fizemos asneiras no passado, agora temos de pagar um preço, temos de aceitar alguns sacrifícios, mas não vamos deixar exterminar um país e um povo para que, custe o que custar, uma tal de troika nos dê palmadinhas elogiosas nas costas".
Estamos num barco a caminho do naufrágio. O futuro é imprevisível. Nem os "sábios" sabem o que vai acontecer . Quem tiver Fé, que reze.
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