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23 janeiro, 2011

Eu também não vou votar

Usando as palavras de Carlos Abreu Amorim na revista Notícias de Sábado, hoje, também eu não vou votar, e pelas mesmas razões:

"porque é inútil, porque é ser cumplíce numa eleição inócua, porque não quero colaborar na simulação despudorada de eleger alguém que só serve para assistir calado e apagado, a todos os desmandos, surgindo depois, impávido, a garantir que nenhuma das desgraças em que estamos é sua responsabilidade. Porque os candidatos são muito maus - apesar de Fernando Nobre ter um percurso pessoal notável e ser um homem de bem. Porque a abstenção é a única forma de os políticos que temos perceberem que estamos prestes a dobrar o ponto de não retorno"

Da opinião de CAA, só coloco algumas reservas na frase sublinhada. Os políticos que temos, só vão perceber o ponto de não retorno quando forem corridos à força do Poder. Ao contrário de CAA que ainda deposita uns restos de esperança neste modelo de Democracia e no bom senso dos políticos, eu não acredito neles. O meu prazo de tolerância esgotou-se e não foi hoje.

Os políticos que temos resultam do povo que somos:  subserviente e péssimo observador. O povo que temos é tão superficial e influenciável que absorve o mesmo tipo de argumentação de quem o desgoverna e mal trata. É um povo burro, e continua alegremente a pagar uma factura muito alta por essa burrice. Habituaram-no a valorizar o fútil e a relativizar o que é importante e, o que é mais grave, sem disso parecer dar-se conta. E como é um Povo burro, vamos ter de aguentar com este, e muitos outros Cavacos ainda durante muitos anos. Mas, confesso, adorava estar enganado.

27 setembro, 2009

Outras perspectivas sobre a abstenção

Abstenção
Do latim abstinere, abster, suprimir, privar-se de, evitar. A expressão começa por ser apenas usada no direito privado, como renúncia ou não-exercício de um direito ou obrigação, nomeadamente a uma herança. Passa depois para a linguagem política, querendo significar a renúncia ao exercício de direitos políticos, nomeadamente o facto de um eleitor não ir à s urnas. Segundo a tese de Alain Lancelot, os abstencionistas exercem quase sempre papéis sociais subordinados, indivíduos mal integrados, correndo-se o risco das eleições se transformarem num debate entre privilegiados. O abstencionismo é, assim, a não participação no sufrágio ou em actividades políticas, equivalendo a apatia ou indiferença.
*Para além do abstencionismo eleitoral resultante de uma má inserção social, há também um abstencionismo de pessoas interessadas na política, informadas e atentas, mas que recusam escolher nas condições da oferta eleitoral que lhe apresentam, dado que o leque dos candidatos não lhe permitem a possibilidade de expressão adequada das respectivas preferências. Os abstencionistas não constituem assim uma população à parte e não coincidem com a cidadania passiva, havendo constantes trocas de informação entre votantes e abstencionistas.

Ver: Alain Lancelot e Jean Meynaud, L’Abstentionnisme Électoral en France, Paris, Librairie Armand Colin, 1968. · F. Subileau e M.-F. Toinet, Les Chemins de l’Abstention. Une Comparaison Franco-Américaine, Paris, Éditions La Découverte, 1993.


© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 02-10-2008
* o itálico é meu