Às vezes os articulistas políticos ganham os tiques mesquinhos de muitos comentadores de futebol. Vêem as faltas que os adversários cometem [quando não as inventam], e ignoram compulsivamente as do seu clube.
Li e concordei com muito o que o Tiago [TAF] do blogue A Baixa do Porto escreveu no JN de hoje, mas não posso deixar de estranhar o apontamento dedicado a Elisa Ferreira, que diz o seguinte:
"Elisa Ferreira era uma esperança, mas manteve um discurso agressivo que divide a cidade entre pró-Rio e contra Rui Rio. Não é por aí. Faltou-lhe também uma política de verdade que a demarcasse do PS anterior. O seu trabalho de federação das elites tem valor e deve, em qualquer caso, ser aproveitado."
Discurso agressivo, Elisa? Bem, que de Lisboa se oiçam ou leiam comentadores com este tipo de discurso não surpreende, agora do Tiago, um cidadão do Porto? Eu acho que já conheço um pouco o Tiago, até porque tive oportunidade de comentar algumas vezes no seu blogue do qual me desvinculei precisamente por ele considerar agressivos alguns dos meus comentários e já não achar os de outros tão agressivos quanto os meus. Mas, adiante. O que eu quero referir, é que o Tiago, conquanto faça um trabalho cívico muito relevante não deixa de pecar por excesso de zelo, ou, por outras palavras, por não ousar fugir do politicamente correcto.
Se Elisa Ferreira, que tem procurado evitar referir-se ao seu adversário directo o mais possível, apesar da insistência dos entrevistadores, é agressiva, pró ou contra Rio [como ele refere], que dizer deste último? Rui Rio, não só tem sido agressivo com a sua adversária, como é com os portuenses e as suas maiores instituições, sejam elas de carácter cultural ou desportivo. Essa não Tiago!
Já aqui escrevi aquilo que penso ter sido o maior erro de Elisa Ferreira, não vou agora repetí-lo, mas o da agressividade não foi seguramente, talvez mais a falta de. Ter uma política de verdade é outra utopia quando alguém concorre a umas eleições apoiado por qualquer partido mesmo como "independente". Todos sabemos quão condicionada é a independência dos próprios militantes, quanto mais a de um independente! Podia ousar mais, concordo. Se calhar faltou-lhe a tal dose de agressividade [a que eu prefiro chamar afirmação] de que o Tiago a critica.
Quanto a elites e do papel que Elisa teve na respectiva federação [será o da AIP?], continuo a detestar a palavra e sabem por quê? Porque, na minha opinião, a massa de que são constituídas as elites portuguesas [e não só] não têm substância bastante para nela se enquadrarem na verdadeira acepção do termo. Raramente aplico o termo elite, talvez por ser muito mais exigente sobre o seu conteúdo, do que é a opinião publicada.
Politicamente, hoje, não há elites, há hierarquias que para mim é uma coisa bem diferente. Socialmente, a coisa não difere muito. As elites têm de ser redefinidas. Se continuarmos a falar de elites pela visibilidade das pessoas podemos bem ir buscá-las a um daqueles Big-Brothers da televisão que a diferença entre eles e os actuais protagonistas políticos não é muito grande.
Antes de falarmos em elites, é bom que expliquemos onde elas se encontram e quem são, que é para sabermos de uma vez do que estamos a falar.
PS-Como já aqui escrevi e comentei, considero o Rui Sá um bom candidato, mas votar nele é reabrir as portas da Câmara a Rui Rio. Para as fechar e lá poder entrar alguém para o seu lugar. tenho de votar em Elisa Ferreira.

