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13 abril, 2011

Onde está afinal o Presidente da República?




 PR que não sabe, não ouve nem vê,
não é um Presidente, é um burocrata
Longe de mim pretender o regresso aos idos tempos do Estado Novo, em que imperava o culto da personalidade e uma postura reverencial sobre os representantes do poder. Nada de confusões. Entre o oito, e o oitenta, há um ponto a partir do qual não convém avançar, sob pena de se radicalizarem posições, chama-se: bom senso. Mas, sejamos realistas: não será demitindo-se sucessivamente das muitas responsabilidades a que o mais alto magistrado da naçãoe é obrigado [o Presidente da República], que algum dia se fará esquecer a concepção majestática e hiperbólica da autoridade. 

É dramático termos de o reconhecer, mas os portugueses não têm tido sorte com os governantes. Nem o 25 de Abril conseguiu alterar essa antiga onda de azar. Tanto Sócrates, como Cavaco, sendo diferentes em quase tudo, geminam-se na mediocridade. Como Sócrates já é passado [por enquanto] e Cavaco continua como Presidente da República, é a este último que compete administrar o país, no mínimo, recorrendo à magistratura de influência. Mas, terá Cavaco Silva a mais leve ideia do que isso seja?  Sinceramente, não me parece. Já teve tempo e oportunidades de sobra para o provar, e chumbou em todas elas.

Os últimos casos de violência no futebol, onde os dirigentes [e adeptos] do Benfica perderam por completo o respeito pela legalidade, ultrapassaram há muito o âmbito desportivo e não prenunciam nada de bom para o futuro próximo. O vídeo acima plasmado, é apenas o mais recente must de selvajeria à ética social praticado por canalha bronca e irresponsável, afecta aquele clube. E, ainda bem que não me chamo Cavaco Silva, para não perceber que estas atitudes - dignas de um país 4º mundista -, não sendo oportunamente refreadas, só podem exacerbar-se, como é facilmente constatável. E vão continuar, caso Cavaco não se decida a ignorar a paixão ao protocolo, e passe a olhar para o país com olhos de ver, e... a agir! 

O que está a acontecer no futebol não é mais um mero arrufo entre rivais, é muito mais grave do que parece. Os ódios estão extremados, e podem detectar-se, não só em programas eufemisticamente desportivos, como através dos comentários reproduzidos na blogosfera e na imprensa.

Cavaco, ao que parece, não tem assessores [ou se tem, andam a dormir] que o ponham, realistica e imparcialmente, ao corrente do que se está a passar no futebol e dos perigos que podem constituir para a paz social a falta de uma voz autoritária fazendo apelo ao bom senso. Para não se arriscar a cometer asneiras, seria de toda a conveniência que o PR acompanhasse, a par e passo, todos os abusos cometidos, como os recorrentes apedrejamentos entre adeptos do Benfica e polícias, de declarações animalescas como as deste vídeo na Benfica TV, e de outras, reproduzidas em programas desportivos, com a cumplicidade das direcções de Televisão, entre as quais consta a RTP estatal. Sendo o Presidente da República o mais alto representante do Estado, é seu dever dar provas públicas de possuir uma noção perfeita da responsabilidade que tal representa. 

Se a violência se extremar para patamares incontroláveis, Cavaco, será o principal responsável. E, que não se admire depois se ele próprio vier a ser 'mimado' publicamente com tomates e ovos podres.

Ps-Continuo a defender que a atitude mais nobre que um portista podia ter, depois do digníssimo abandono de Rui Moreira do programa Trio de Ataque, era a falta de comparência. Por outras palavras: marcar pela ausência física, a força da grande alma portista. 

Miguel Guedes, por mais que tente, nunca conseguirá transformar uma besta numa pessoa...