Aqui vai o meu contributo inicial:
A - Transportes públicos
Na Tertúlia do Guarani, realizada em Janeiro de 2005, a minha honestidade foi posta em causa por ter tido o atrevimento de referir que os doze minutos do metro a descer a Avenida, grande recorde possível apenas com um magnífico e ambicioso plano, nem eram grande coisa, pois esse tempo era já à altura suficiente para um autocarro descer a Avenida até à Fonte da Moura, utilizando a faixa central (comprovado por experiência diária).
Obviamente que nas horas de ponta isto pode não ser possível pois o autocarro só entra nesta faixa depois do Bessa, mas utilizando uma faixa total entre as duas rotundas, o tempo poderia até ser encurtado.
Fazendo contas rápidas:
Medindo no Google Earth, a AB mede 4,93 Quilómetros.
Sem paragens, a uma velocidade média de 30 Kms/h, 10 minutos seriam suficientes para uma autocarro fazer a avenida toda (e até à Fonte da Moura são apenas 2,85 Km).
Pelas minhas contas, a AB tem 15 paragens, o que um tempo de paragem médio de 40 segundos, levaria o percurso para os 20 minutos. Admito que este valor pode pecar por defeito – nunca contei o tempo de paragem.
Não parece nada mau para um meio tão Neandertal como o autocarro, certo? No site da STCP podemos ver que actualmente, sem trânsito, não anda muito longe disto – a linha 502 leva 8 minutos no percurso entre a Casa da Música e o Castelo do Queijo.
Os tempos podem ser melhorados, ao encurtar a paragem, o que é possível ao adoptar-se um sistema como o do metro, em que o andante é validado na própria paragem.
Postos estes factos, entendo que não há grande necessidade de ter outros transportes colectivos na AB, uma vez que o canal central pode ser utilizado para um meio talvez um pouco menos eficiente, mas que exige um investimento de curto prazo seguramente menor.
Outra vantagem dos autocarros, é a sua flexibilidade – a inexistência de carris, permite que a faixa bus possa ser gerida de acordo com as horas de ponta, podendo ser estabelecida a sua utilização alternada mediante a hora do dia, pelo menos em zonas menos sensíveis e sem paragens - creio que a única zona entupida nos dois sentidos na hora de ponta é a a do acesso à VCI - As zonas de condução alternada poderiam ser assim mais estreitas, permitindo o alargamento dos passeios e a instalação de equipamentos como esplanadas, “ancoramento” de bicletas, etc.
A utilização do autocarro deve ser fomentada, havendo algumas condições que podem ser criadas, como melhores abrigos ou criação de uma marca própria, Linha da Boavista, que poderia corresponder a um shuttle entre as rotundas. Há exemplos inspiradores que poderiam aqui ser aplicados, como a rede de transportes de Curitiba, promovida pelo Jaime Lerner, da qual destaco, como tendo aplicação directa, os autocarros biarticulados e os abrigos destacados na página Wikipedia .

B - Vias amigáveis para bicicletas
A afectação de duas faixas de rodagem a corredores bus e a necessidade de alargamento dos passeios não darão margem de manobra para colocação de ciclovias. Concordando com o Alexandre Gomes, não vejo também grande necessidade, uma vez que uma via sempre a subir (quem desce também sobe) não é muito amigável. Veria antes com bons olhos, um sistema de transportes como o TriMet, tansportes intermodais de Portland (EUA), cujos autocarros estão preparados para transportar bicicletas, e que neste caso fariam a ligação entre o metro na CdM e o Parque da Cidade / Foz.

Poderia ainda assim ser reservada uma faixa para bicicletas apenas no sentido descendente, sem comprometer grandemente a largura dos passeios.
Ficam aqui as minhas primeiras sugestões. Aguardo comentários.

