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19 janeiro, 2010

Batalhas risíveis?

Se há profissão que neste momento não gostaria de desempenhar, é a de Jornalista. Antes de explicar porquê, peço a atenção do leitor para o pormenor de ter escrito jornalista com maiúscula, porque é só a esses que agora me estou a referir. Aos outros, aos criadores de boatos, aos legionários da comunicação, prefiro nem falar para não vos pôr mal dispostos...
O Jornalismo, se desempenhado com seriedade e independência, é uma profissão de importância fundamental para a Humanidade que pode contribuir para o desenvolvimento dos países e para a qualidade de vida dos povos. Actualmente, jornalistas com J grande há poucos, como poucos começa a haver Homens com H maior.
Como ia dizendo, por esta altura deve ser uma seca para os Jornalistas de J grande escrever sobre política. O que é que eles têm para escrever sobre política e políticos que já não tenham escrito e repetido até à naúsea? Dizia-me hoje o Rui Farinas, naquele seu jeito inconformado que o caracteriza, que se sentia colonizado, sentimento que também partilho e me recuso - tal como ele - a aceitar. Mas, que mais podemos nós fazer com as "armas" que dispomos, que não são nenhumas? Escrever, escrever, escrever. É tudo. Porque armas, no sentido bélico do termo, por enquanto não temos, e se calhar já só através delas é que seremos capazes de nos fazer respeitar.
Contudo, há pequenas batalhas que podemos ir vencendo se mudarmos um pouco alguns dos nossos hábitos. Essas batalhas, tanto eu como o Rui Farinas já começámos a travá-las, embora sem dispormos ainda de dados que nos informem da erosão que poderá provocar no "inimigo". O "inimigo" é Lisboa, não tenham dúvidas, incluindo os que lá vivem conformados e até satisfeitos com o que o Centralismo nos está a fazer. Até hoje, ainda não vi, a partir de Lisboa ou das suas fontes e filiais, nenhum programa televisivo a debater com determinação, objectividade e continuidade, os nossos problemas. Ouvem-se, isso sim e bem, uns assobios "simpáticos" das plateias sempre que se fala do Porto ou do FCPorto. Por aqui, já podemos imaginar quanto podemos contar com a sua solidariedade e "patriotismo"...
As pequenas batalhas de que vos falo poderão parecer ridículas, por quem as avalia à luz do voluntarismo individual, mas podem tornar-se num pequeno grande problema para a megalomania centralista se conseguirmos dar o passo seguinte e que consiste em transformá-lo numa iniciativa colectiva. O segredo dessas pequenas batalhas estará nos nossos hábitos de consumo e na nossa força de vontade pessoal e familiar. Eu, e o Farinas já fazemos isso há muito, e nunca combinámos nada, foi uma iniciativa espontânea. Quando vamos a um supermercado temos o cuidado de observar a origem dos produtos e de os rejeitar se no rótulo do produtor ou do fabricante constar um nome de origem sulista. Vinhos, por exemplo, só os maduros do Douro e do Dão, ou os verdes/alvarinho do Minho os frisantes da Bairrada. Alentejo acabou! De Colares nem pensar!
Quem diz vinhos diz outros bens ou produtos, o que é preciso, é que cada um de nós passe a usar estes critérios selectivos de consumo e os transmita a todos os amigos que partilham do mal do Centralismo. É importante persuadir [se fôr preciso] as nossas mulheres e filhos. É importante convencê-los dos pontos fracos do Centralismo. Eles empobrecem-nos e impingem-nos os seus produtos para os enriquecer, mas nós podemos rejeitá-los, ninguém nos pode obrigar a comprá-los. Isto só será risível se nós quisermos, se não acreditarmos, ou se não resistirmos às cenouras que nos colocam frente ao nariz. Nós somos mais do equídeos, não é...
Sim, sim, já sei que com o tempo o centralismo poderá sempre arranjar forma de bloquear a cadeia do boicote que é, aliás a única coisa que sabem fazer. Quem boicota a Constituição boicota tudo. Mas, enquanto não derem por isso, sempre poderemos causar alguns estragos. Quem sabe? Não custa muito, apenas um olhar atento para as fontes daquilo que consumimos. Além de mais, talvez possamos convencer as empresas beneficiadas do Norte a investir melhor por aqui, noutros projectos, além dos telemóveis e dos Hipermercados.
Talvez lhes consigamos transmitir a coragem que lhes tem faltado para investir em projectos autónomos e ambiciosos de comunicação social, nomeadamente numa operadora de Televisão.
Por que não? Talvez com estas pequenas batalhas aparentemente risíveis possamos vencer uma guerra que não pedimos. Não sei é se temos Povo para tanto.