Um dia, poucos mêses depois do 25 de Abril, ouvi um primo meu, homem corajoso, ex-oficial do exército e combatente medalhado das guerras coloniais, dizer ao meu pai: tio, vou pedir a minha passagem à reserva! O meu pai, pessoa profundamente avessa ao regime de Salazar [e de Cerejeira], ainda debaixo dos efeitos eufóricos da conquista da Liberdade, perguntou-lhe porquê. A resposta foi esta: porque não estou disposto a colaborar com canalha!
Nunca me hei-de esquecer do impacto negativo que estas palavras provocaram em mim. Tal como meu pai, estava de corpo e alma com a revolução, pelo que aquela frase curta e seca me pareceu excessiva e contra-a-corrente do momento histórico que então se vivia. Na altura não gostei mesmo nada de ouvir aquilo, e só o respeito que sentia pela brilhante carreira militar desse familiar atenuou o efeito daquela resposta.
Decorridos 36 anos de uma Liberdade discutível e de uma Democracia completamente corrompida, sou obrigado a dar a mão à palmatória: o meu primo estava cheio de razão e fez bem em sair do exército. Hoje, não dará a ninguém o pretexto de o misturar com a prole de oportunistas que por aí andam.
Canalha, é o termo perfeito para classificar os indivíduos, que de eleição em eleição, passaram o tempo a mentir aos portugueses, a prometer e não cumprir, expondo sem escrúpulos e com exagerada arrogância as suas impressionantes incapacidades, sem terem nunca a dignidade de abdicar dos cargos.
No Brasil, pelo menos, sabem pôr a boca no trombone...
Canalha, é o termo perfeito para classificar os indivíduos, que de eleição em eleição, passaram o tempo a mentir aos portugueses, a prometer e não cumprir, expondo sem escrúpulos e com exagerada arrogância as suas impressionantes incapacidades, sem terem nunca a dignidade de abdicar dos cargos.
No Brasil, pelo menos, sabem pôr a boca no trombone...

