| Ilha de Páscoa = direitos adquiridos... |
Para começar, não sei onde o jornalista foi encontrar a relação fonte/alvo na analogia direitos adquiridos / Ilha de Páscoa, porque é tão absurdo como ligar a decadência do império romano a madre Teresa de Calecutá. Falar em direitos adquiridos como uma espécie de vício no qual só entra quem quer, e porque quer, é dar um tremendo pontapé de desprezo em todas as regalias sociais conquistadas pelo homem desde a idade média até aos nossos dias. É não perceber que tais direitos foram criados para encurtar o fosso social e económico entre pobres e ricos e como forma de travar os abusos praticados ao longo de séculos pelos mais poderosos sobre os mais desprotegidos.
Além de mais, é abusivo, para não dizer inqualificável, responsabilizar os povos, falando sempre na 1ª pessoa do plural, pelas más decisões políticas dos líderes. Embora pareça, em Portugal como em toda a Europa não reina a anarquia, existem chefes de Estado e governos democraticamente eleitos. Portanto, há responsáveis, e seria da mais elementar coragem assumí-lo sem as tibiezas dos puxa-sacos. Se a União Europeia e [principalmente] Portugal não são capazes de cumprir as garantias e os direitos que prometeram, então os culpados são facilmente detectáveis: todos os governos que nos (des)governaram. E é sempre bom lembrar que os governos são desempenhados por homens e mulheres, todos com bilhete de identidade e alguns ainda estão vivos. O senhor jornalista devia pois pedir-lhes a eles, e não a todos nós, as respectivas responsabilidades, porque quem decidiu foram sempre os governantes. A nós, meros cidadãos, só nos é permitido votar e pouco mais. E isso é muito pouco para se dar à libertinagem de nos exigir responsabilidades sobre decisões de carácter governativo.
É por estas e por outras que eu, que nem sequer sou jornalista, continuo a defender outras garantias e ferramentas para exercer com mais eficácia os meus direitos de cidadania. Se já as tivesse, seguramente que não me limitava a abster-me de votar nos últimos actos eleitorais. Se assim fosse, nem Sócrates nem Passos Coelho ousariam fazer tanta asneira. Não lhes dava tempo, corria de lá com eles, sempre que se desviassem do rumo. Talvez assim hoje me estivessem a agradecer a "vassourada", em vez de me imiscuírem numa "guerra" [a dívida pública] na qual nunca me perguntaram se queria combater.
Obs. - Este post foi hoje enviado para o correio do leitor do JN

