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20 dezembro, 2011

Norte, pobre e desnorteado

Apesar da [global] crise económica e financeira, do lastro destruidor que está a deixar na vida de pessoas e empresas, é possível extrair-lhe alguns pontos positivos. O primeiro, que me parece indiscutível, foi ter servido para, definitivamente [espero bem], revelar à humanidade, que o capitalismo selvagem não é, não foi, nem nunca será o caminho para acabar com a fome e a injustiça social. Outro, foi ter deixado cair a máscara da hipocrisia que os partidos de direita vestiram durante décadas, tentando provrar ao Mundo que eram melhores que os comunistas. Não são. E não são, porque a liberdade que defendem, é uma liberdade mitigada e condicionada pelos seus próprios interesses, sem valia prática para os povos. 

Há determinadas figuras públicas do Norte, com simpatias políticas neo-liberais, pelas quais até nutro alguma estima, e a quem  reconheço algum valor intelectual, que perante a confusão instalada, começam a perder argumentos para continuar a defender o indefensável, que é, ao fim e ao cabo, o capitalismo puro e duro. Mesmo assim, recusam-se a admitir que o regime capitalista é, pela sua própria natureza, anti-social, e que a riqueza que gera raramente se traduz na justiça e no bem estar das populações. Sempre foi assim, e vai continuar a ser, por mais retoques que leve. O grosso da riqueza dos regimes capitalistas tem um único destinatário: a banca internacional. Perdida a vergonha, já se permite mandar na soberania de países como Portugal e a Grécia, sem que os seus defensores locais esbocem qualquer resistência. Passos Coelho, talvez ainda governe a sua casa, mas o país é que nunca governará. De momento,  é um simples subordinado da Troika, que é efectivamente quem dita o que deve e não deve ser feito. Coitado do rapaz... 

Mas, para o Norte do país, o drama é mais denso. A juntar à ditadura da Troika, originada também pela irresponsabilidade de muitos e maus governos, o povo do Norte tem de lidar com a voracidade centralista do Terreiro do Paço e com a vergonhosa degradação genética do que resta das suas elites. Os nortenhos sofrem um duplo desgosto. Não só, não têm um líder nacional, como penam para encontrar um líder regional. É demais, de facto.

Contudo, também lhes cabe parte das culpas. Surgiu o ano passado um Movimento [Pró Partido do Norte], que, independentemete de todas as dúvidas, se propôs constituir uma alternativa para sairmos deste estado generalizado de apatia e de domínio neo-cololianista interno, mas os nortenhos continuaram a confiar em partidos falidos, que já deram provas sobejas de incompetência político-governativa.

Quando assim acontece, que lhes resta mais, senão continuarem a pagar a factura das suas próprias más decisões?  Isto, de "não querer sair de casa, porque pode chover", sai sempre muito caro. É que quando decidimos sair tarde, normalmente, chove mesmo.