Desde que o Dr.Rui Moreira começou a aparecer nos écrans da extinta da NTV (e graças a ela), tornei-me seu admirador. Não com a admiração patética e acéfala de um militante partidário, mas com o sentimento de estar perante uma personagem nova e arejada que poderia vir a ser importante para a "revolução" económica e social de que o Porto urgentemente precisava (já não falo do Norte, para não aparecer por aí alguém apressado a lembrar-nos que o Porto não é o Norte, etc., etc.).E, será justo reconhecê-lo que o Dr. Rui Moreira já é uma pessoa importante no panorama regional e até nacional . Importante - leia-se - porque tem feito coisas realmente importantes, em defesa dos interesses regionais, passe a redundância. As iniciativas que tem promovido não passam despercebidas a ninguém e, considerando as limitações das suas responsabilidades, fez mais pela nossa região, do que outros com maior poder e estatuto político.
Mas, até ao aparecimento da NTV, o meu amigo, não existia para o país real, porque como sabe, o país real, neste pequeno rectângulo de terra, é um outro bem mais pequeno, que não aquele que é constitucionalmente reconhecido e que prefere chamar-se, Lisboa.
Não sou só eu quem o diz, são os próprios lisboetas ou quem por eles fala que o confirma. Qualquer pessoa atenta já reparou que, até quando falam do país, os jornalistas quase esqueceram o seu verdadeiro nome, optando por substituí-lo pelo de Lisboa. Usam com muito mais frequência o termo "o governo de Lisboa" do que "o governo de Portugal". Detalhes, dir-se-à, mas podem ser detalhes perigosos.
Com o tempo, os mídia passaram desta abstracta expressão ("o governo de Lisboa"), para outra ortograficamente igual, mas mais concreta e localizada, com escalas de valor tão abusivas quanto inadequadas, e o hábito instalou-se. Até hoje. E não estamos a falar de futebol, como vê.
Aqui temos portanto, caro Rui Moreira, como, "pormenores" aparentemente fúteis e inócuos, se podem transformar num traiçoeiro barril de pólvora de explosão imprevisível. Essas futilidades raramente surgem isoladas e desenquadradas de outros contextos onde as reacções populares ficam mais expostas, como é o caso do futebol que nós tanto apreciamos. A questão que importa realçar, é que esses contextos quase sempre têm uma relação directa com as assimetrias regionais, com a pobreza, com o desemprego e - o pior deles todos - com a injustiça económica e social.
Parece-me pois utópico, pensarmos ser possível separar as águas porque, quer queiramos ou não, elas podem correr em leitos diferentes a montante, mas cruzam-se e misturam-se no percurso e, se não forem previamente "tratadas", podem redundar, a jusante, em autênticas "inundações" ...
Se o Rui Moreira por alguma vez se deu à maçada de ler os meus comentários, já terá percebido que não sou propriamente simpático com os políticos, que não me deixo envolver nas suas verdades. Mas acredite que gostaria de um dia poder mudar a minha opinião para um registo mais positivo, mais confiante, mais respeitável. Só que, enquanto o resultado do seu trabalho fôr o que se sabe e está bem à vista, não serei eu quem se comoverá com as suas angústias carreiristas. E falo assim, porque gostaria de lhe transmitir uma mensagem pessoal de confiança, caso esteja nos seus horizontes dedicar-se à política com espírito de missão.
A diplomacia não é um defeito, é uma arte, mas é para os diplomatas. Acredito mais depressa que ela possa resultar na prática governativa (se acompanhada de coragem e visão política), do que num programa desportivo como o "Trio de Ataque", porque o fanatismo arrogante de certos participantes associado a uma notória arbitrariedade do respectivo "moderador", pode não a matar, mas que lhe retira a eficácia, isso retira.
Portanto, caro Rui Moreira, não se deixe cair na armadilha de ver guerreiros e guerras sempre que lê um comentário excessivo ou deselegante de um adepto mais apaixonado do nosso FCP, porque não quer imediatamente significar que pertença a uma claque de arruaceiros ou de energúmenos. Há pessoas mais "pacientes" do que outras, e muito provavelmente não serão as primeiras quem mais razões de queixa terão para se impacientarem.
A paz, só é possível quando as partes compreendem o ponto de partida da guerra e o reconhecem. E caricaturando a "guerra" de que fala no contexto desportivo do programa em que participa, não me parece que o Rui Moreira esteja propriamente acompanhado de pacificadores. Sobretudo, e em especial, de dois senhores.
Como reza o ditado: as máscaras, como as mentiras, podem aguentar-se durante algum tempo na vida, mas não se aguentam muitas vezes a vida inteira.
Com o tempo, os mídia passaram desta abstracta expressão ("o governo de Lisboa"), para outra ortograficamente igual, mas mais concreta e localizada, com escalas de valor tão abusivas quanto inadequadas, e o hábito instalou-se. Até hoje. E não estamos a falar de futebol, como vê.
Aqui temos portanto, caro Rui Moreira, como, "pormenores" aparentemente fúteis e inócuos, se podem transformar num traiçoeiro barril de pólvora de explosão imprevisível. Essas futilidades raramente surgem isoladas e desenquadradas de outros contextos onde as reacções populares ficam mais expostas, como é o caso do futebol que nós tanto apreciamos. A questão que importa realçar, é que esses contextos quase sempre têm uma relação directa com as assimetrias regionais, com a pobreza, com o desemprego e - o pior deles todos - com a injustiça económica e social.
Parece-me pois utópico, pensarmos ser possível separar as águas porque, quer queiramos ou não, elas podem correr em leitos diferentes a montante, mas cruzam-se e misturam-se no percurso e, se não forem previamente "tratadas", podem redundar, a jusante, em autênticas "inundações" ...
Se o Rui Moreira por alguma vez se deu à maçada de ler os meus comentários, já terá percebido que não sou propriamente simpático com os políticos, que não me deixo envolver nas suas verdades. Mas acredite que gostaria de um dia poder mudar a minha opinião para um registo mais positivo, mais confiante, mais respeitável. Só que, enquanto o resultado do seu trabalho fôr o que se sabe e está bem à vista, não serei eu quem se comoverá com as suas angústias carreiristas. E falo assim, porque gostaria de lhe transmitir uma mensagem pessoal de confiança, caso esteja nos seus horizontes dedicar-se à política com espírito de missão.
A diplomacia não é um defeito, é uma arte, mas é para os diplomatas. Acredito mais depressa que ela possa resultar na prática governativa (se acompanhada de coragem e visão política), do que num programa desportivo como o "Trio de Ataque", porque o fanatismo arrogante de certos participantes associado a uma notória arbitrariedade do respectivo "moderador", pode não a matar, mas que lhe retira a eficácia, isso retira.
Portanto, caro Rui Moreira, não se deixe cair na armadilha de ver guerreiros e guerras sempre que lê um comentário excessivo ou deselegante de um adepto mais apaixonado do nosso FCP, porque não quer imediatamente significar que pertença a uma claque de arruaceiros ou de energúmenos. Há pessoas mais "pacientes" do que outras, e muito provavelmente não serão as primeiras quem mais razões de queixa terão para se impacientarem.
A paz, só é possível quando as partes compreendem o ponto de partida da guerra e o reconhecem. E caricaturando a "guerra" de que fala no contexto desportivo do programa em que participa, não me parece que o Rui Moreira esteja propriamente acompanhado de pacificadores. Sobretudo, e em especial, de dois senhores.
Como reza o ditado: as máscaras, como as mentiras, podem aguentar-se durante algum tempo na vida, mas não se aguentam muitas vezes a vida inteira.

