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11 setembro, 2008

O BIG BANG E OS INCÊNDIOS...

Tenho o maior respeito pela Ciência e cientistas. A Humanidade muito lhes deve, sendo diversos e intermináveis os benefícios que deles recolhe. Hélas, nem mesmo a Ciência consegue libertar-se do estigma do mal. Foi também a ciência que deu luz à bomba atómica e a toda a máquina de guerra sofisticada, em muitos cantos do Mundo à espera de um pretexto para ser utilizada. As armas, para lá da sua função objectiva, são uma espécie de lembrete que nos ajuda a memória a considerar o lado negro e bestial do Homem.

Ontem, o Mundo quase parou para nos anunciar o arranque de uma coisa chamada megacelerador de partículas, que é, segundo percebi, uma máquina gigantesca (túnel circular com 27 Kms de circunferência) criada para reproduzir o Big Bang, a teoria cientifica segundo a qual surgiu o Universo. Tudo isto para encontrar uma explicação para a origem da massa.

Okey, há que acompanhar o progresso, ou a ideia que cada um faz dele, procurando enfatizar, -como convém -, as previsíveis vantagens, mas assobiar para o lado em relação aos inevitáveis inconvenientes. O desenvolvimento sustentado "existe", mas não é para todas as ocasiões, especialmente para estas...

Percebe-se pois, que apesar de sabermos que é do petróleo que se obtém o combustível para dar energia aos nossos carros, pouco ou nada nos incomode que o degelo do Ártico esteja a reduzí-lo completamente ao estado líquido, ou que os ursinhos brancos corram risco de extinção. As consequências desta ocorrência, são, como se sabe, catastróficas. Podemos vê-las todos os dias, pela televisão, em todo o planeta. Desde inundações, terramotos, ciclones, poluição, tsunamis, doenças respiratórias, é um fartar de sinais do tal "desenvolvimento sustentado", do tal progresso de que os políticos falam e poucos ousam contestar.

Foi o alemão Karl Benz, o homem que deu nome à prestigiada marca Mercedes Benz, o inventor/responsável pelo motor de combustão interna, no já remoto ano de 1885 (século XIX), mas, provavelmente, estaria longe de imaginar que a sua descoberta viesse a causar efeitos tão nefastos para o planeta 123 anos depois. Fosse hoje, a coisa mudaria de figura, porque já sabemos "falar" muito bem de desenvolvimento sustentado, que é uma espécie de democracia "à la portugaise", que muito se apregoa mas pouco se pratica.

É pensando nos átomos, nos protões, nos adrões, nos sincrotrões, na Lua e em Marte, que me questiono sobre a serventia de tanta descoberta, de tanta ciência, quando um simples incêndio de verão basta, para revelar as suas contradições e fragilidades. Nem mesmo na toda poderosa América do Norte (USA), existem sistemas tecnológicos suficientemente evoluídos para dominar grandes incêndios.
Nesse capítulo, a ciência e os cientistas, têm estado a dormir. Estão ainda na idade da pedra... A bem dizer.