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07 janeiro, 2009

Teias que a Democracia tece. Haja decência

Na continuidade do meu post anterior, recortei este artigo do jornal Público de hoje (para o ler, basta clicar sobre o mesmo) para que ninguém tenha dúvidas de quão apertadas são as teias dos grandes interesses económicos e quão difícil é para as autoridades judiciais e políticas realizar o seu trabalho até apurarem a verdade dos factos.
Como facilmente se percebe, tanto as instituições bancárias envolvidas (BPN e BdP) como as empresas de auditoria recusam-se a enviar informações e obedecer à intimação do grupo parlamentar de inquérito a coberto da almofada branqueadora do "sigilo profissional". As auditorias chegam ao cúmulo de afirmar não disporem de arquivo dos respectivos relatórios de actas e reuniões dos conselhos de administração! Pergunta-se: para que prestam as auditorias e o pomposo Conselho Nacional de Supervisores Financeiros?
E qual é o papel do Estado em todo este imbrógio? Será para se subjugar a estes poderes ocultos que os liberais vivem a reclamar menos Estado, melhor Estado? O aparelho do Estado é ineficaz e pesado, mas o da Banca ainda o é mais. E caro. É chegado o momento de abranger o discurso até aos Banqueiros. Menos Bancos, melhores Bancos. O que é que nós queremos, afinal?
Até faz algum sentido que os funcionários da Assembleia da República sejam obrigados a jurar segredo sobre o que sabem das investigações, mas já não faz sentido nenhum que o público não tenha conhecimento assíduo e claro sobre evolução das mesmas. Até ao "arquivo" final, pelo menos.