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18 outubro, 2008

O meu avô e um Sr. Presidente da Câmara

A propósito do link plasmado logo aqui abaixo, vão-me perdoar a vaidade, mas não resisto a contar uma pequena história do meu avô com um antigo Presidente da Câmara do Porto.
Por uma questão de respeito a quem já não está entre nós (e a seus familiares) não citarei o nome do autarca, mas posso adiantar-vos que até foi um Presidente bem cotado e com alguns méritos reconhecidos.
Acontece que, como o povo costuma dizer, "no melhor pano cai a nódoa", e o referido senhor Presidente da Câmara recebeu uma notificação do Tribunal Militar do Porto (do qual meu avô era Presidente) por alegadamente estar envolvido em negociações pouco claras com terrenos camarários.
Tendo conhecimento da convocatória, o edil logo diligenciou a enviar um mensageiro ao Tribunal de forma a convencer o meu avô a evitar que "Sua Exa. se sentasse nos desconfortáveis bancos de madeira da sala de juízo". O meu avô, homem austero e exigente com os próprios filhos, disse ao mensageiro: diga lá ao Sr. Presidente para estar descansado, que sempre lhe arranjarei um bom sofá para se sentar! E o senhor Presidente da Câmara, lá teve o prometido sofá... mas, foi mesmo a Tribunal e julgado.
Moral da história: ontem como hoje, o tráfico de influências sempre se praticou, só não estou bem certo quantos homens hoje em Portugal teriam a inteligência e a frontalidade para tomar a decisão que o meu avô tomou.